terça-feira, 17 de abril de 2012

O DESESPERO DA REVISTA VEJA


Por Alexandre Figueiredo

Onde há fumaça, há fogo. Não por acaso, a revista Veja, desesperada com as denúncias de que estaria envolvida no esquema de corrupção do senador Demóstenes Torres, do bicheiro Carlinhos Cachoeira e do governador de Goiás, Marconi Perillo, aumenta seus anúncios na Internet, em bâneres colocados nas conexões brasileiras da Internet.

Um anúncio mostra como "cartão de visitas" a edição com o lutador Anderson Silva na capa. Outra, no entanto, mostra uma caneta riscando um traço a partir de um globo escolar, e o anúncio cinicamente diz: "Tenha mais informação para ter opinião".

Que "mais informação" pode ser encontrada na revista Veja isso é algo que não dá para entender. Ou dá, sim, desde que consideremos isso uma mentira. Afinal, a rancorosa revista da famiglia Civita é investigada pela acusação de envolvimento com o banqueiro de bicho Carlinhos Cachoeira e com o senador Demóstenes Torres, também acusado de ligações com o bicheiro. Demóstenes é protegido da revista Veja e um dos fundadores do DEM e hoje fora do partido.

A Veja anda cometendo muitos erros gravíssimos. Tem um grupo outrora ligado ao apartheid sul-africano no seu quadro acionário. Já usou um ex-policial, João Dias Ferreira, acusado de crimes e desprovido de confiabilidade, como "fonte" para uma de suas reportagens "investigativas". E um repórter se comportou feito jornalista de tablóide sensacionalista invadindo o quarto de José Dirceu, descumprindo qualquer norma jornalística de respeito à privacidade.

Veja condena todos os movimentos sociais. Ataca até mesmo os movimentos indígenas, com uma fúria sem igual. Não dá sequer para respirar lendo as páginas de Veja. A revista se destaca na mídia conservadora por levar às últimas consequências o reacionarismo que já vemos nos veículos das Organizações Globo, Estadão, Grupo Folha, entre outros, e que na chamada "mídia boazinha" (TV Bandeirantes, Isto É) é muito mais contido.

A linha editorial de Veja também se destaca pelo mau humor e pelo jornalismo mais abjeto. Seus textos seguem um padrão que, no âmbito dos movimentos sociais, é dotado do mais pedante reacionarismo, de uma rabugice ranzinza e antiquada. Chegou a ser risível Veja ter dito, na época da morte de Leonel Brizola, que ele era um político ultrapassado. A revista Veja também estava ultrapassada para o Brasil de 2004.

Pois a desesperada Veja que aposta em tudo que é promoção, até mesmo nos depósitos de poupança dos bancos, nas conexões de Internet e nos pacotes conjuntos com jornais locais - como o baiano A Tarde, o carioca O Dia, o paulista Estadão e o gaúcho Zero Hora - , agora tenta desviar as atenções requentando o caso do mensalão do PT, ocorrido há mais de cinco anos.

Veja acusa as esquerdas de usar o caso Carlinhos Cachoeira como "cortina de fumaça" para abafar a corrupção. Nada disso. Se o PT tem focos de corrupção, isso é verdade, mas o episódio abordado por Veja, ainda que esteja sob investigação, é muito menor diante da repercussão do caso que envolve o senador Demóstenes.

Sem querermos discutir a corrupção da direita ou da esquerda, ainda que se admita que ela ocorre nestes dois lados, o que se quer aqui é mostrar o quanto Veja está decadente. Seus jornalistas poderão ser convocados para depor na CPI que investiga o caso Cachoeira-Demóstenes que também conta, entre outros personagens envolvidos, com o governador goiano, o tucano Marconi Perillo, também protegido da mídia reacionária.

Juntando tudo isso aos processos judiciais que constantemente abatem Veja - embora em certos casos a revista vença algumas batalhas - , a publicação da Editora Abril, já no apogeu de seu inferno astral, será marcada na história de sua editora como o veículo que mais causou incômodo e dor de cabeça a seus donos.

Não que os Civita passassem a ver a Veja com maus olhos. Pelo contrário, Veja ainda é a menina dos olhos dos Civita, vide a maciça campanha que rola até na Internet. Mas é que a péssima repercussão da revista, em muitos momentos, que chega aos bancos dos tribunais, arranha a imagem do periódico, que, por mais que tente parecer corajoso e perseverante, já não possui mais a força midiática que tinha antes.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...