sábado, 21 de abril de 2012

A GRANDE MÍDIA NÃO LIVRARIA A CULTURA DE SUAS GARRAS


Por Alexandre Figueiredo

Ainda impera a ingenuidade da opinião pública média sobre a grande mídia. Seus indivíduos ainda insistem em crer que o controle midiático se dá pura e simplesmente pelo noticiário político ou, quando muito, com apenas algumas atrações pontuais como novelas, reality shows e humorísticos.

Essas pessoas creem que o noticiário político é a fina flor da manipulação ideológica, como se qualquer empregada doméstica conhecesse quem é Reinaldo Azevedo e Merval Pereira, só para citar os mais conhecidos.

Então imagine então o desconhecimento que o "povão" tem de gente como Josias de Souza e Eliane Cantanhede, ou então Carlos Alberto di Franco e José Neumanne Pinto. Estes, quanto ao alcance público de suas pregações, na prática falam para as paredes.

Mas o público médio da imprensa esquerdista, que lê os textos apressadamente a ponto de não perceberem o contraste ideológico entre a lucidez de um Emir Sader e o tendenciosismo neoliberal enrustido de Pedro Alexandre Sanches, acha que a empregada doméstica sabe identificar a Eliane Cantanhede de olhos fechados.

Enquanto isso, a opinião pública média acha que a cultura é um tema imaculado pela velha grande mídia. É como se a "cultura de massa" fosse um bebezinho que circulasse livremente nos dois lados da mídia brasileira. Grande engano.

Muito dessa "maravilhosa cultura popular das periferias", que, na boa, claramente se vê como medíocre e degradada, foi gestada e fortalecida pelo poder midiático. Ninguém percebe que a mediocrização musical de nomes como Chitãozinho & Xororó, DJ Marlboro, Banda Calypso e Alexandre Pires - só para citar os ditos "geniais" dessa leva toda - foi condicionada sobretudo pelas concessões de rádios de Antônio Carlos Magalhães e José Sarney, presidente e ministro das Comunicações naqueles idos de 1986-1987.

Mas de repente a memória curta fez com que aquela intragável "cultura de massa" das rádios FM e da TV aberta passou a ser vista como "cultura de qualidade". Aqueles ídolos risíveis do brega dos anos 70 e 80 e do neo-brega dos anos 90, da noite para o dia, viraram "gênios injustiçados da nossa música".

E, do jeito que essa pseudo-cultura é trabalhada, rádios que atingiam o topo do Ibope como a carioca 98 FM (hoje Beat 98), a paulista Transcontinental e a baiana Piatã FM são "mais alternativas" do que a saudosíssima Fluminense FM, o que é um grande absurdo.

Mas não é só na música. Musas vulgares tidas como "ícones feministas", jornalismo policialesco tido como "investigativo" ou "divertido", entre outras coisas similares, tudo isso mostra o quanto de ingenuidade entre o público e de cinismo entre os intelectuais há quando os questionamentos se restringem ao noticiário político.

Por mais que a raiva contra a Veja a faça ser comparada a News Of The World, a comparação desse jornal do sr. Rupert Murdoch é mais exata em relação ao jornal carioca Expresso, das Organizações Globo. Mas como muita gente ainda acredita que não há manipulação ideológica na exploração do pitoresco do brega-popularesco...

Essa ingenuidade mostra o quanto o Brasil precisa aprender em relação a certas armadilhas. Muitos brasileiros deveriam observar melhor as ratoeiras, em vez de prestar mais atenção nos queijos. A mídia manipula mais no âmbito cultural, porque é através dele que está o destino futuro da nossa sociedade.

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