quarta-feira, 25 de abril de 2012

VEJA E ÉPOCA TÊM CASAMENTO ANTIGO COM DEMÓSTENES TORRES



COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: A coisa está feia para Veja, mas Época, franquia das Organizações Globo, também não está longe de sofrer as encrencas consequentes das posições simpáticas ao senador goiano Demóstenes Torres, que tanto era tratado pelos dois periódicos como se fosse o cavaleiro maior da luta pela ética e hoje tem seu nome fortemente ligado ao bicheiro Carlinhos Cachoeira.

Veja e Época têm casamento antigo com Demóstenes Torres

Por Alexandre Haubrich - Blogue Jornalismo B

O desmoronamento do ex paladino da ética, senador Demóstenes Torres (DEM), carrega morro abaixo mais um pouco da rara credibilidade que ainda restava a alguns dos veículos de mídia que dominam a informação que circula no Brasil. Como a maioria de seus <strike>comparsas</strike> compadres, as revistas Veja e Época tem um grande histórico de ode a Demóstenes. As máscaras tardam mas não deixam de cair.

Em 2009, a Época elegeu as 100 pessoas mais influentes do país, em uma edição especial “Líderes & Reformadores”. Entre eles estava Demóstenes Torres. O texto sobre ele foi escrito por Demétrio Magnoli, geógrafo e sociólogo midiático, estrela costumaz de programas de televisão que pretendem analisar qualquer acontecimento pela direita. Escreve Magnoli que Demóstenes é uma das figuras “mais destacadas” que “atestam o caráter insubstituível do parlamento”. Vai além: “Não é preciso concordar com tudo o que ele pensa ou faz para homenageá-lo”. E completa, como uma profecia às avessas: “Demóstenes não é mais um comerciante no mercado em que se trafica influência em troca de cargos ou privilégios. Ele tem princípios e convicções”.

Em julho de 2007, uma grande (no tamanho) matéria da Veja elegeu “Os mosqueteiros da ética”, como dizia o título da malfadada reportagem. Um deles era justamente o senador denunciado por ligações as mais espúrias com o bicheiro Carlinhos Cachoeira. “Eles são poucos. Mas é quase tudo com que os brasileiros podem contar no Congresso para que os interesses particulares não dominem totalmente a política”, diz a linha de apoio.

Na Veja, aliás, a primeira aparição de Demóstenes foi em 2005. Desde lá, foram 103 citações ao senador, quase sempre usado como fonte importante de matérias sobre corrupção. Vale lembrar ainda que o editor-chefe da Veja, Policarpo Jr., aparece em algumas das gravações que a Polícia Federal fez na investigação que ligou Demóstenes a Cachoeira.

É para que casos assim não passem em branco que existem espaços de análise de mídia, como o Jornalismo B, e é também por isso que pensar a mídia de forma crítica é fundamental para não sermos enganados. E agora, Demóstenes afundado, o que pensar das 103 vezes que foi consultado por Veja? O que fazer com todas aquelas matérias que se basearam em suas afirmações? Não se pode confiar em alguns veículos, dentre outros motivos, porque suas fontes são viciadas. Se as fontes não são confiáveis, se não são questionadas – algumas, como Demóstenes, são quase endeusadas – como se pode conferir credibilidade ao veículo que as entrevista? Como pode ter caráter de verdade o que nasce apoiado em fontes desonestas?

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