domingo, 11 de março de 2012

TV CULTURA "PRIVATIZADA" E FUNCIONÁRIOS DEMITIDOS



Por Alexandre Figueiredo

A TV Cultura estreia hoje programa feito em parceria com a Folha de São Paulo. Na próxima terça-feira, será a Veja a ter um programa no canal, como forma de compensar a decadência retumbante dos dois periódicos.

Enquanto isso, nos últimos dias 50 funcionários da emissora foram demitidos pelo pretexto de "não estarem adequados à atual estrutura funcional da emissora", justamente num momento em que, em tese, a emissora precisaria de mais funcionários.

Afinal, pressupõe-se que, pelo menos, o Grupo Abril e o Grupo Folha sejam reconhecidos pelo aparente poder financeiro e técnico, que precisaria de reforço de profissionais nas suas parcerias "ambiciosas" com a TV Cultura.

O Sindicado dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo já entrou em contato e fará reuniões com o Departamento de Recursos Humanos da Fundação Padre Anchieta, entidade sem fins lucrativos que controla a TV Cultura, para tomar esclarecimento sobre as demissões. O sindicato pretende, com isso, verificar a situação para tomar as providências cabíveis em prol dos demitidos.

A TV Cultura, ultimamente, anda decaindo como emissora educativa. Sua programação aos poucos é dissolvida e outros programas se descaraterizam. Pressões comerciais sobre o programa Viola, Minha Viola, brilhantemente apresentado pela batalhadora Inezita Barroso, fizeram com que breganejos como Chitãozinho & Xororó e Daniel - que, há 20 anos atrás, eram considerados tão risíveis quanto Michel Teló hoje - aparecessem no programa como uma visão do PSDB do que é "música caipira".

A TV Cultura é uma emissora com 52 anos de existência, 43 dos quais sob a batuta da Fundação Padre Anchieta. Fundada em 1960, pertencia aos Diários Associados, também proprietários, na época, da Rádio Cultura AM (hoje também da FPA).

Mesmo sob o controle do "Velho Capitão" Assis Chateaubriand, a TV Cultura tinha uma proposta educativa. Certamente, bem mais sincera do que a fase "tucana" que atinge o canal nos últimos anos. E isso com toda a personalidade duvidosa que Chatô tinha e sua histórica fama de mão-de-vaca e seu vira-casaquismo diante das cirandas do poder.

Mas se vemos que a emissora educativa dos irmãos Marinho, o canal Futura, já havia empurrado o inexpressivo funqueiro MC Leozinho para o programa de entrevistas juvenil com Jairo Bouer, imagine então um canal "público" já atrelado ao PSDB e que agora torna-se aliado de dois periódicos bastante reacionários e decadentes, também atrelados ao partido tucano?

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