terça-feira, 6 de março de 2012

OS "CARTOLAS", OS POLÍTICOS E "MESSIÊ" VALCKE



Por Alexandre Figueiredo

Em entrevista coletiva recente, o secretário-geral da Fifa, o francês Jerome Valcke, causou muita polêmica e indignação quando disse que o Brasil deveria "receber um chute no traseiro", por conta dos atrasos nas obras para os estádios que terão os jogos na Copa do Mundo da Fifa de 2014, a ser realizado no Brasil, em várias capitais.

Valcke havia se queixado de que o Brasil quer mais ganhar o mundial da Fifa do que organizá-lo. E havia reclamado que as obras não estavam obedecendo corretamente o cronograma, além de serem mal-planejadas.

Evidentemente, isso irritou autoridades, políticos, tecnocratas e outros envolvidos no processo. Também muita gente que sonha com o progresso brasileiro através dos eventos esportivos detestou as declarações "grosseiras" de Valcke.

Diante de tanto clima de "saia justa", o secretário-geral da Fifa pediu desculpas e disse que o termo que ele usou - originalmente, "se donner un coup de pied aux fesses" - é muito comum na França. Valcke reclamou da interpretação equivocada do comentário e declarou admirar e respeitar o Brasil, além de considerá-lo a única opção da Fifa para organizar o mundial.

Sabe-se, portanto, que o fisiologismo político se aproveita da situação para criar um ufanismo cego, que não tolera críticas. E cada vez mais os políticos que estão por trás dessas causas "progressistas" são afeitos a obras superfaturadas e, certamente, serão os maiores beneficiados por todo esse carnaval futebolístico.

Enquanto isso, o povo sofre diversas limitações, investimentos essenciais deixam de ser feitos, verbas para a Educação e Saúde são desviadas, e a tal "mobilidade urbana", além de deixar os passageiros à mercê de tantos transtornos, cria elites de busólogos fascistas e encrenqueiros que depois posarão de "santos" ao lado de Ricardo Teixeira, Joseph Blatter e outros "astros".

A justiça social é um tema deturpado até o extremo. É fácil botar um menino pobre brincando num clipe de propaganda do governo. Fácil mostrar pobres sorrindo, como se tudo fosse fácil resolver.

Enquanto isso, milhares de Pinheirinhos são feitos em nome da "mobilidade urbana". Escolas sem aula, professores sem salário, ruas inseguras, tantos problemas que os paliativos festejados pelas autoridades não conseguem resolver. Só "resolvem" no discurso das propagandas governamentais.

Fora algumas atitudes acertadas - como a demolição do estádio da Fonte Nova, em Salvador, para a construção de outro mais seguro e cheio de opções de lazer - , o que se vê é apenas uma série de obras que criarão, mais uma vez, um Brasil de fantasia, para turista ver.

Desse modo, o Brasil vira o "quintal do mundo", com suas paisagens de consumo, com sua "cidadania de mercado", sem que a verdadeira justiça social seja realizada. A cidadania só é promovida dentro dos limites da ideologia política dominante, "progressista" mas nem tanto, e que faz do governo Dilma uma performance decepcionante, o que comprometerá a sua continuidade política para depois de 2014.

Para os políticos fisiológicos, seus tecnocratas da "mobilidade urbana" e os "cartolas" do futebol, tanto faz, porque, em nome do fisiologismo político, eles vão migrar, feito pombos sobre o milho, para o próximo governante de plantão.

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