quarta-feira, 28 de março de 2012

O "PINHEIRINHO" MUSICAL


O MÚSICO RENATO ROCHA, EX-LEGIÃO URBANA, HOJE VIVE NA POBREZA.

Por Alexandre Figueiredo

Triste cenário da cultura brasileira. Enquanto intelectuais como Pedro Alexandre Sanches, de uma forma cínica e arrogante, pregam a "ditabranda do mau gosto", a cultura de verdade perde seus espaços, em nome do "justo reconhecimento" dos chamados "sucessos do povão" como "parte de nossa rica cultura".

É um discurso demagógico, em que foram precisos vários textos para desmascará-lo, mas são precisos ainda mais outros textos. Afinal, a intelectualidade tão festejada, tão badalada em suas palestras e diante de microfones sempre abertos para eles, tenta promover os reles cardápios radiofônicos do brega-popularesco como "cultura de vanguarda", em argumentos nervosos, paranoicos, promovendo os ídolos como se fossem "vítimas" de uma campanha "ofensiva" que na prática não existe ou é muito exagerada.

E tudo isso é feito para empurrar ídolos do porte de Ivete Sangalo, Alexandre Pires, Chitãozinho & Xororó, Mr. Catra, Banda Calypso, Fernando & Sorocaba e Michel Teló para espaços criados justamente para fugir deles.

Criaram assim seus "Pinheirinhos" onde a cultura de verdade não pode mais ter sequer seus próprios espaços, entregues aos mesmos breguinhas que possuem espaços demais na mídia e nas casas noturnas e festivais.

Vai chegar um ponto em que não haverá uma diferença entre o Abril Pro Rock e o Festival de Barretos, já que a essas alturas a choradeira nervosa de Pedro Alexandre Sanches e companhia vai querer que Michel Teló se apresente às plateias de vanguarda a título de "romper o preconceito". Uma ideia que, do jeito que é propagada, anda sendo pra lá de preconceituosa.

Expulsam-se os músicos de Bossa Nova dos espaços da Bossa Nova, entregues ao ecletismo oportunista dos ídolos da axé-music. O Clube da Esquina não pode ter seus sócios, mas pode admitir as carteiras falsificadas dos parasitas "sertanejos" do movimento mineiro. Para a intelectualidade etnocêntrica, Chitãozinho& Xororó é, pasmem, mais "clube da esquina" do que Toninho Horta e Lô Borges.

São expulsos músicos de Rock Brasil dos próprios cenários de Rock Brasil, agora entregues ao "sertanejo universitário", afinal, estes já "são influenciados pelo rock". O Brasil inteiro pode se transformar numa Salvador em que um ritmo popularesco detém o monopólio de mercado e as outras expressões só podem ter lugar quando cooptadas por este ritmo dominante.

Isso lembra Pinheirinho, a comunidade popular de São José dos Campos desalojada pelo Governo do Estado de São Paulo, o mesmo que patrocinou o último seminário do Coletivo Fora do Eixo, no final do ano passado. E tudo para favorecer o especulador financeiro Naji Nahas, para pagar as contas de sua empresa que faliu por ter sido mal-administrada.

Mas para intelectuais que são patrocinados por outro especulador financeiro, o estrangeiro George Soros, tanto faz o Pinheirinho musical. Eles até defendem o drama do povo de Pinheirinho, meio como amigos-da-onça metidos a solidários. E criam seu elenco de falsos coitados, de Waldick Soriano a Leandro Lehart, de Wando a Gaby Amarantos, passando por Michael Sullivan e José Augusto, para dar a impressão da "verdadeira solidariedade" ao povo pobre.

Mas eles não sofreram como sofre o ex-baixista da Legião Urbana, Renato Rocha, entregue à miséria pela força das circunstâncias. E que até gente da Bossa Nova, tida como "rica de marré de si", já sofreu, como o saudoso cantor Lúcio Alves, uma das grandes vozes de nosso país, mas que morreu sob o signo do abandono.

Nessa época o brega-popularesco até queria ampliar seus espaços, mas as universidades ainda serviam de refúgio a essa cafonice dominante, do contrário de hoje. Atualmente, e infelizmente, os espaços alternativos e de vanguarda viraram reféns do mercado, e são obrigados a virar extensões do brega-popularesco que já possui espaços demais.

E assim não há diferença entre George Soros e Naji Nahas. E Geraldo Alckmin continua financiando as palestras de Pedro Alexandre Sanches, por mais que este faça pretensos ataques ao PSDB. O povo pobre não tem mais sua cultura, pois "sua cultura" agora é a das rádios FM, da TV aberta, da mídia grande que é "morta" pelo discurso intelectualóide que a ressuscita depois.

A intelectualidade badalada ainda tem o cinismo de falar em "cultura independente", "novas mídias", "mídias alternativas". Mas no fundo ela quer mesmo é a continuidade do mercadão, de preferência sob nova direção. De que adianta? As mesmas corporações combatidas pelos "fora do eixo" são favorecidas pelas pregações destes.

E os nossos verdadeiros valores vão para o ralo. E reclamar disso ainda é visto como "preconceito", "purismo", "moralismo" e "higienismo". O Brasil se degrada, e qualquer um que reclamar é visto como "chato". Pena.

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