quarta-feira, 7 de março de 2012

A "NOVA" PROGRAMAÇÃO DA GLOBO


O ÍDOLO "GLOBAL" MICHEL TELÓ TAMBÉM ESTEVE NA FESTA, "REPRESENTANDO" O UNIVERSO BREGA DA NOVELA "CHEIAS DE CHARME".

Por Alexandre Figueiredo

A Rede Globo perdeu cerca de 16 pontos no Ibope em fevereiro passado, se comparado ao mesmo mês em 2011. É, considerado, o pior índice de audiência da história da emissora. E teve o exemplo do Jornal Nacional, que depois que perdeu audiência teve que abrir mão da imagem de "casal telejornal" de William Bonner e Fátima Bernardes, substituindo esta pela ex-Fantástico Patrícia Poeta, uma das primeiras damas do departamento de jornalismo da Globo (é esposa do executivo Amaury Soares).

A exemplo do JN, a Globo decidiu criar outras "novidades". Já havia mexido no Fantástico e agora relançará até o "repaginado" Casseta & Planeta, agora como um "programa de temporadas", mais "interativo" no sentido de que terá mais quadros de rua, que certamente mostrarão os ônibus cariocas com o visual padronizado de embalagem de remédio, que fazem a alegria dos "urubusólogos" e seus milhares de fakes.

O Casseta & Planeta Vai Fundo, o novo nome do programa, contará com a ex-Legendários Miá Mello, a ex-BBB Maria Melilo e o ex-Kibe Loco Gustavo Mendes. Mas vamos ver se Marcelo Madureira, o "animador" do Instituto Millenium,

A recente cerimônia de lançamento da "nova" programação da emissora só tem um mistério. O "pacote" não inclui o novo programa de entrevistas comandado por Fátima Bernardes que, até segunda ordem, não tem previsão de quando entrará no ar.

Em compensação, Pedro Bial terá um programa próprio, em que promete mostrar seus dotes "intelectuais". De fato, o jornalista que foi ator performático e poeta pós-moderno - seu xará Pedro Alexandre Sanches iria adorar, aliás até adora, mas o protocolo não o permite a assumir isso - havia se destacado nos meios intelectuais, mas desde que pilotou a burrice televisiva do Big Brother Brasil (em que até a leitura de livros é proibida, ordens do Big Brother Boninho), Bial tornou-se uma figura de credibilidade bastante duvidosa.

CLASSE "C" DOMESTICADA

Haverá novos seriados e novas novelas. Uma delas, Avenida Brasil, tirará o caos de Fina Estampa do ar. Mas outra, Cheias de Charme, que substituirá Aquele Beijo, promete fazer este ano o que o seriado Tapas e Beijos fez no ano passado.

Para quem não sabe, a série Tapas e Beijos, que também volta à grade, foi lançada para dar um verniz "cult" - pelo menos sob o ponto de vista da Globo - no ideário brega-popularesco, transformando Copacabana numa "cidade" pseudo-caribenha, uma sub-Miami cafona e estereotipada.

Cheias de Charme promete caprichar na breguice, lançando a "diva" tecnobrega Gaby Amarantos em rede nacional e tendo até a participação do "cidadão do mundo" Michel Teló. Pelo menos será um motivo para Teló ser um ídolo "global", mas vai ser difícil para a Beyoncé do Pará vender a (falsa) imagem de "sem mídia".

Como a novela das sete, o seriado aposta numa domesticação da chamada classe C, que havia recuperado seu potencial de consumo nos últimos anos. A Globo pensa em manter os antigos pobres em uma mentalidade cafona, brega, como uma forma de evitar a emancipação cultural e o aprimoramento da inteligência e do senso crítico.

Já pensou se essa nova classe C for migrar para a classe B? Será que a chamada classe média alta, já em processo de bregalização - na medida em que a cultura de qualidade, em tempos de "idade mídia", cada vez mais se isola em apreciações privativas de mansões e museus - , vai sucumbir também à cafonice explícita quando tiver a adesão de antigos emergentes?

Só não foi anunciado, ainda, o tal seriado ou minissérie de "funk carioca" com argumento de Paulo Lins. Ficou complicado, depois que muita gente percebeu que a imagem pretensa e pretensiosamente heróica dos funqueiros não consegue mais convencer mais diante da baixa qualidade e das crescentes baixarias do gênero. O "funk" foi golpeado pelo senso crítico da verdadeira nova classe C.

No mais, a emissora continua ideologicamente na mesma. Conservadora até quando tenta ser moderna, achando que ser brega é sinônimo de "cultura popular" e mantendo seu jornalismo de fantasia, às vezes com seus momentos de pesadelo servidos pela "urubologia" da casa.

Se houver mais uma queda de audiência da Rede Globo, pelo menos haverá explicações de sobra para isso.

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