quarta-feira, 28 de março de 2012

LEI QUE PROÍBE MÚSICAS OFENSIVAS ÀS MULHERES É APROVADA NA BAHIA



Por Alexandre Figueiredo

Um projeto de lei foi aprovado na Assembleia Legislativa da Bahia proibindo o uso de letras ofensivas às mulheres, presentes sobretudo no chamado "pagodão baiano" ou "porno-pagode", de grupos da mesma linha musical de Psirico e Parangolé, só que "menos comportados".

São letras que eu mesmo pude perceber quando estava em Salvador. "Só na pancadinha", "Tapa na cara, mamãe", "Toma, toma", "É na madeirada" e, mais recentemente, "Me dá a patinha, sua danadinha". Letras de alto cunho machista, não muito diferentes do que as que ocorrem no "funk carioca" e no tecnobrega mais barra-pesada.

A lei foi criada há cerca de um ano pela deputada estadual Luíza Maia (PT-BA), determinando, entre outras medidas, que o Estado não financie grupos e cantores que interpretem letras ofensivas às mulheres. À lei aprovada, foi incluída também uma emenda estendendo as punições para letras homofóbicas e com apologia às drogas.

“Eu acho que passaram todos os limites da degradação da mulher. Precisava ter um freio. Por que a repercussão do projeto? Porque as mulheres baianas não aceitavam mais”, disse Luíza Maia.



No entanto, a intelectualidade etnocêntrica, que acha a mediocrização cultural "o máximo", protestou contra a medida. O antropólogo Roberto Albergaria que, junto com o sociólogo e historiador Milton Moura, são os queridinhos dessa intelectualidade festejada, já havia feito comentários infelizes sobre a cultura baiana, afirmando que o baiano não quer saber de acarajé e sim de hamburguer, numa alusão claramente entreguista e pró-capitalista.

Agora, Albergaria, que defende o "pagodão" assim como Milton Moura no seu artigo-porralouca "Esses pagodes impertinentes...", lançado há mais de 15 anos atrás, deu outra declaração infeliz, que aposta na mesma desculpa de "liberdade de expressão" dos editores de Veja.

"É uma lei contrária à brincadeira, à liberdade de expressão dos artistas e à própria linguagem do povo", afirmou Albergaria, achando que o machismo do "pagodão" baiano é uma coisa "inocente".

O governador Jacques Wagner tem um prazo de 30 dias para sancionar a lei. Sendo do mesmo partido de Luíza Maia e a lei envolvendo temas de grande interesse público, a tendência é da lei ser finalmente aprovada.

Ela não resolverá na melhoria musical desses grupos, que continuarão medíocres, grotescos e incompetentes. Mas será o primeiro passo para terminar os tempos de muita baixaria e degradação cultural na Bahia.

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