segunda-feira, 26 de março de 2012

JOSÉ SERRA NÃO É MAIS O ASTRO DO PSDB



Por Alexandre Figueiredo

José Serra, o candidato derrotado do PSDB à Presidência da República nas últimas campanhas, até conseguiu vencer as prévias para disputar a Prefeitura de São Paulo nas eleições deste ano. Mas sua vitória foi muito magra, 52%, o que mostra o sinal de sua decadência política.

Tido como "mais consistente" pela grande mídia, Serra disputou a pré-candidatura com outros nomes menos expressivos do partido, José Aníbal e Ricardo Tripoli. Apesar disso, a vitória de Serra não pode ser considerada "imbatível", uma vez que, praticamente, Serra venceu apenas com metade dos votos dos correligionários.

Até mesmo o blogueiro da Globo, Ricardo Noblat, teve que admitir que foi uma "vitória sem sal". A Folha também saiu decepcionada, definindo o início da campanha como "pouco empolgante". O que mostra que José Serra deixou de ser um dos astros do famigerado partido tucano.

Serra, economista que havia sido líder estudantil - em 13 de março de 1964, como presidente da UNE, estava presente no comício do então presidente João Goulart na Central do Brasil - , havia sido, no passado, ideologicamente oposto à sua tendência atual, tendo sido ligado ao socialismo católico da Ação Popular.

Chega a ser irônico que, no aniversário de 22 anos de Serra, em 19 de março, seis dias após o citado comício, as elites paulistas mais conservadoras tenham feito a Marcha da Família Unida Com Deus pela Liberdade pregando a derrubada de Jango e a instauração de uma ditadura militar para "extinguir a desordem" no país.

Isso porque só tardiamente Serra aderiu ao lado oposto, e na campanha de 2010 fez o mesmo discurso moralista dos golpistas de 1964 e recebeu integrantes do Comando de Caça aos Comunistas (instituição que, pasmem, continua existindo até hoje) e da instituição religiosa medieval Opus Dei.

Não bastasse isso, houve o chilique da mídia associada quando, vendo José Serra ser "alvejado" por uma bolinha de papel durante um protesto no Rio de Janeiro, tentou argumentar que o então candidato foi "seriamente atingido" por um "estranho objeto" jogado contra ele.

José Serra preferiu não mostrar propostas e parecia um candidato tão caricato quanto Fernando Collor em 1989. Mas, naquele ano, Collor conseguiu um apoio midiático suficiente para manobrar tendenciosamente sua campanha, a seu favor. Não havia Internet e, por isso mesmo, a grande mídia gozava de uma reputação quase unilateralmente positiva.

Mas hoje qualquer gafe aparece no YouTube e aquela visão única da velha grande mídia se desfaz feito um castelo de areia. Os chamados "urubólogos" da grande imprensa até tentam intimidar com seu mau humor e suas desculpas, mas o poder "formador de opinião" deles já deixou de ter a força que tinham antes, até cerca de dez anos atrás.

José Serra prometeu unificar o partido em torno dele. Terá um grande trabalho pela frente. Ele já não é mais o carismático ex-líder estudantil há um bom tempo e, mesmo entre os políticos tucanos, ele já começa a ser visto como um "mala".

Talvez a velha grande mídia local, como a TV Globo paulista, a Folha de São Paulo, a Veja e figuras "ímpares" como o jornalista Bóris Casoy, possam dar uma ajudinha na produção de uma imagem mais agradável do ex-presidenciável, para ver se pelo menos Serra ganha um assento no Palácio do Anhangabaú, sede da prefeitura paulistana.

Isso até que chegue 2014 e Serra decida mais uma vez concorrer ao Palácio do Planalto.

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