quinta-feira, 29 de março de 2012

DEFENSORES DO "FUNK" PREFEREM FESTAS COM "PROIBIDÃO"


UNIDADES DE POLÍCIA PACIFICADORA ESTARIAM REDUZINDO A OCORRÊNCIA DE "BAILES FUNK" NO RIO DE JANEIRO.

Por Alexandre Figueiredo

Desesperados com a redução de espaços para seus eventos, os defensores do "funk carioca" afirmaram, em reportagem do Terra Notícias, que as Unidades de Polícia Pacificadora do Rio de Janeiro fizeram diminuir a ocorrência dos chamados "bailes funk", que agora só acontecem com autorização policial.

Sem querer defender as UPPs, expressão de um grupo político pouco confiável, nota-se no entanto que o outro lado, o dos "ativistas" funqueiros, também se expressa pelo sentimento de frustração em relação à medida, já que, aparentemente, o governador Sérgio Cabral Filho e o prefeito carioca Eduardo Paes são simpáticos à "causa" funqueira.

O que surpreende é que vários de seus entrevistados, quando falam da saudade de quando havia mais "bailes funk" em locais como Rocinha e Complexo do Alemão, assumem sua preferência aos "bailes" com o chamado "proibidão", variação do "funk carioca" com temáticas mais agressivas, várias delas com apologia ao crime.

CONTRADIÇÃO

Na reportagem, nota-se que um dos principais dirigentes funqueiros do país, o também intérprete MC Leonardo, da APAFUNK, caiu em contradição a respeito do "funk carioca", expressando sua solidariedade aos eventos com "proibidão".

"O funk não tem que educar ninguém", disse ele, contrariando toda a pregação que ele faz quando divulga o ritmo para professores e acadêmicos. Na famosa reunião dos funqueiros na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (ALERJ), há três anos atrás, quando foi decidido pelos parlamentares da casa que o ritmo era um "movimento cultural de caráter popular", MC Leonardo falou da a "possibilidade" do "funk carioca" ser promovido "em favor da cidadania".

Foi neste evento que o DJ Rômulo Costa, da Furacão 2000, afirmou que o "funk carioca" poderia substituir o exercício de redações nas escolas, a pretexto de atrair mais interesse e dedicação dos alunos. Foi aplaudido, pasmem, na ocasião, por gente em boa parte ligada à Educação.

Agora MC Leonardo muda o discurso, quando surgem as cobranças a respeito. Passou a defender o "proibidão", sob as mesmas alegações que o antropólogo baiano Roberto Albergaria fez em defesa das baixarias da música baiana.

Faz parte. Afinal, é uma intelectualidade (e seus associados, pois MC Leonardo é "protegido" de Hermano Vianna) financiada por empresas multinacionais, que desprezam o povo pobre. Para essa intelectualidade, o povo tem que somente consumir aquilo que as rádios empurram para ele, a título de "cultura das periferias".

Não há ética, nem estética, nem cidadania em jogo. É tudo consumismo. Enquanto isso, a intelectualidade vive feliz nos seus apartamentos confortáveis, certos de que serão aplaudidos de pé nas próximas palestras. Apesar das contradições de suas posições e da de seus seguidores.

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