sexta-feira, 2 de março de 2012

"CULTURA" BREGA: O BRASIL TORNADO MEDÍOCRE



Por Alexandre Figueiredo

A verdade é essa: o brega-popularesco é um lixo. Dos bregas originais ao "funk carioca", passando pela axé-music, "sertanejo", "pagode romântico" e outros estilos comerciais. O apoio intelectual não enobrece tais tendências mas, pelo contrário, os expõe a questionamentos que a cada dia crescem.

Afinal, toda essa "cultura popular", que destoa daquela outra cultura popular, mais autêntica, mais orgânica, mais viva e de excelente qualidade, por isso mesmo apela para um Brasil medíocre, resignado, conformista, meio patético, meio pretensioso, um Brasil que mente para si mesmo, se entregando aos interesses capitalistas enquanto desmente tal entrega.

É um Brasil de baixa auto estima, que tem mania de bancar o coitadinho, mas sofre daquelas arrogâncias que pessoas dotadas de complexo de inferioridade possuem. Um Brasil mórbido, sem identidade, mas cheio de muitas máscaras, um Brasil que não se assume, mas se dissimula.

É um Brasil nem tão brasileiro, mas é dotado de referenciais confusos, informações que se contradizem entre si. A breguice dominante é fruto de uma assimilação aleatória, acrítica, subordinada, de dados comunicativos, dentro de uma crise de valores, de economia, de educação, entre outras crises.

Um Brasil que se resigna em ser miserável, mas que depois só se emancipa economicamente, sem cidadania, grotesco, metido, pretensioso. Um Brasil coitado com vergonha de si mesmo, mas desavergonhadamente ridículo, piegas, chulo, retardado.

Por isso, é um Brasil de dar dó. E de dar mais dó ainda quando uma classe média intelectualizada, em vez de ver na cafonice um problema, a vê como a salvação. Mas, por debaixo dos panos, é uma forma dessa classe média, mesmo a dita "esquerdista", expurgar seus pecados elitistas, achando que apoiar a "cultura" brega é apoiar as classes populares. Não é.

Estas é que se encontram desnorteadas. Que cultura elas têm? Boleros fajutos, countrys caricatos, afoxés estereotipados em batidas de rumbas, miami bass mais chulo que o original, rocks da linha italiana totalmente piegas, sambas muito mal tocados e "doentes do pé" em roupagem de soul music caricata.

No comportamento, então, nem se fala. O fascínio pelo pitoresco, pelo ridículo, pelo patético, pelo piegas, pelo grosseiro, é isso a "superior cultura" das classes populares? Para as elites intelectualizadas, o fedor do lixo nas ruas talvez seja visto como "outra forma" de perfumes primaveris, porque a intelectualidade etnocêntrica vê o luxo no lixo.

Mas esse lixo cultural rende muito dinheiro. Tem até o patrocínio do capital estrangeiro. Mas, oh, dizer que o brega-popularesco tem o apoio até da CIA não é permitido, porque a intelectualidade etnocêntrica acha que isso é paranoia dos que essa intelectualidade entende como "higienistas" sociais, que nada têm de higienistas.

Os verdadeiros higienistas, na verdade, são aqueles que apoiam, nos seus textos, toda a mediocridade cultural, de Wando a Mr. Catra, de Waldick Soriano a Michel Teló, de Gretchen a Valesca Popozuda. Eles é que são higienistas, porque, ao dizer que esses ídolos são "cultura superior", enganam o público pobre que, "recomendado" a apreciar a mesmice brega-popularesca, "não precisa" se preocupar com expressões culturais autênticas e de qualidade.

Desse modo, as elites prosseguem encasteladas em seu condomínio, tocando a MPB da qual se dizem "cansados". Não existe uma fronteira entre um Bóris Casoy e um Pedro Alexandre Sanches, no alto de seus teclados de computadores.

Afinal, defender a cafonice protege os acervos preciosos que agora só as elites ilustradas possuem. Elas é que são esclarecidas, cultas, elas que ficam com o melhor. Apenas, com um discurso paternalista que ainda hoje seduzem plateias desavisadas e que dizem que o povo pobre já tem sua "melhor cultura".

Não vamos discutir aqui, porque outros textos fazem isso, das manobras e dos malabarismos retóricos que a intelectualidade faz para legitimar e manter a hegemonia brega-popularesca em nosso mercado, sobretudo quando investe no marketing da exclusão, sempre criando o "coitadinho do momento".

Mas o que está em jogo nisso tudo é evitar a volta daquela força cultural das classes populares, das músicas de excelente qualidade, dos artistas com opinião própria, do povo com atitudes firmes. Isso as elites não querem. Por isso armaram um mercado da mediocridade, cheio de simulacros, disfarces, tudo para piorar as coisas dando a falsa impressão de que tudo está bem.

Afinal, não é na mediocridade musical de hoje que estão os grandes artistas. E não é na mediocridade comportamental que estão as grandes musas, as grandes figuras humanas. A mediocrização cultural é algo que cresce assustadoramente, e isso não pode ser considerado um patrimônio das classes populares porque há muita gente que enriquece por fora ou por trás.

Portanto, cabe a nós questionarmos, e não aplaudirmos, a "cultura" brega-popularesca. Porque o futuro de nosso país está em jogo, e essa "cultura popular" em nenhum momento representou a emancipação autêntica de nosso povo.

Pelo contrário, o Brasil cafona sempre deixa o povo na sua inferiorização sócio-cultural, manifesta pela apologia da miséria, pelo relativismo das visões, pela ocultação das questões de "gosto", que apenas jogam o problema do povo pobre por debaixo do tapete, deixando-o cada vez mais distante das verdadeiras conquistas da cidadania.

Afinal, Brasil culturalmente fraco é carniça para os urubus do capitalismo internacional.

Mesmo a aceitação das classes mais abastadas é apenas uma amostra de seu elitismo esnobe, paternalista e hipócrita. Eles podem até dizer que isso é a "verdadeira libertação popular", roubando até a memória de falecidos como Gregório de Matos e Oswald de Andrade para "justificar" os pontos de vista mais absurdos dessas elites.

No entanto, não convencerão na sua defesa da mediocrização cultural por muito tempo. Com o país mais esclarecido, as máscaras intelectualóides começarão a cair.

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