sábado, 3 de março de 2012

BREGA-POPULARESCOS VÃO AOS EUA LOUVAR O IMPERIALISMO



Por Alexandre Figueiredo

Música da periferia? Expressão das classes populares? Nada disso. Por mais que a intelectualidade mais influente, que detém o monopólio da visibilidade e para a qual sempre há um microfone aberto, diga que os ídolos bregas, neo-bregas e pós-bregas são a "verdadeira cultura popular", esses artistas na verdade não são mais do que fantoches do "deus" mercado.

E são premiados facilmente com viagens para o exterior, como vimos na excursão de Valesca Popozuda nos EUA, a vez de Léo Santana no mesmo país e a excursão europeia de Michel Teló, para "justificar" seu "sucesso mundial", com nota paga até no portal de celebridades Just Jared.

E se tem até funqueiro surgido do nada, que nem mesmo o público do gênero ouviu falar, que faz turnê pela Europa e volta "conquistando o mundo" (quando, na verdade, só tocou em casas noturnas pouco expressivas de lugares ainda menos expressivos nos páises europeus), então dá para perceber o equívoco dessa pseudo-cultura "popular".

Ninguém vai exigir, é claro, que um cantor viaje para outro país com as mesmas finalidades de um expedicionário ou um cientista social. Mas o que deixa claro nesses ídolos brega-popularescos é que eles vão para o exterior para louvar as benesses do capitalismo.

Como fantoches da velha mídia e do mercadão - por mais que a intelectualidade desminta, ora com desculpas, ora com raiva, isto é fato - , esses ídolos da suposta "cultura das periferias" atendem aos interesses de grupos capitalistas e dos barões da grande mídia.

Por mais que uns reclamem do suposto (e, não raro, inexistente) boicote da grande mídia, eles aparecem "facinho, facinho" na Rede Globo e na Folha de São Paulo, na Caras e em outros rincões grão-midiáticos nacionais. Isso está mais do que explícito, sobretudo pelo caráter "carneirinho" que se vê em funqueiros, "pagodeiros", "sertanejos" e coisa e tal.

Afinal, são pessoas sem qualquer visão crítica do Brasil em que vivemos. Isso faz uma diferença, se compararmos com nomes do passado, como Jackson do Pandeiro, Zé Kéti e João do Vale, ou mesmo de artistas como Beth Carvalho e Chico Buarque, porque estes sempre tinham (e têm, nos casos dos que hoje estão vivos) opiniões críticas, análises concisas da realidade em que vivemos.

Já os ídolos brega-popularescos, não. Eles são elevados a "gênios da cultura do povo pobre" só porque sofrem rejeição da crítica especializada, transformada esta, pela intelectualidade etnocêntrica, em monstros disformes, sem cara, sem número. Mas essa rejeição não traz mérito algum aos supostos "injustiçados" da música brasileira e eles, comprovadamente, não são mais do que serviçais da velha mídia, do velho mercado.

Por isso, eles não vão viajar para Nova York, Los Angeles ou para a Europa para outra coisa senão usufruir das benesses do imperialismo. Se fosse apenas para apreciar a zona urbana de Nova York ou Los Angeles, Paris ou Londres, tudo bem, mas o que está em jogo não é conhecer a modernidade do Primeiro Mundo em si, mas admirá-lo como se ela fosse algo supremo, divino, como se eles estivessem entrando nos templos sagrados do capitalismo desenvolvido.

E não podemos chamar Léo Santana, Valesca Popozuda, Michel Teló etc de "alienados", porque a intelectualidade etnocêntrica de nosso país passou a ridicularizar qualquer senso crítico, como num bullying academicista e metódico. Como se o "sucesso" e o rótulo de "popular" justificasse qualquer absurdo, enquanto qualquer questionamento coerente é visto como "preconceituoso" ou, na mais ínfima das hipóteses, "chato".

Gente como Noam Chomsky, Umberto Eco ou Morrissey, só para citar pessoas dotadas de um bom senso crítico, já conhecem essas áreas modernas e não têm ilusões. São gente do Primeiro Mundo, que conhece bem suas crises e problemas. Ninguém vai dizer que os neons de Nova York são a luminosidade suprema de um paraíso da modernidade divina ou que a Disneylândia é o paraíso celestial instaurado na Terra. Até a Morena da Laje viajou para ver o Mickey como se este fosse uma divindade.

Mas os ídolos brega-popularescos sim, vão contemplar o luxo do Primeiro Mundo achando que estabelecem um contato com o Alto, sem qualquer avaliação realista. Eles vão para a Disneylândia, para Hollywood, sem qualquer consciência realista, senão a resignação de sua própria inferioridade social.

Como pobres mortais que vão contemplar a superioridade do G7, vista por eles como paraísos do consumo pleno, os ídolos brega-popularescos, evidentemente, não têm a missão de fazerem uma pesquisa sociológica do Primeiro Mundo, mas por outro lado veem suas cidades e seus locais com um olhar de turista terceiro-mundista ingênuo.

Eles não verão a miséria, não saberão que nos EUA também existe muita pobreza, muitas desigualdades sociais, e que os jovens protestam em Nova York, Londres, Paris, Madri, Roma e Atenas não por causa dos cortes das mesadas de seus pais. As ocupações mostram que o Primeiro Mundo está em crise, e isso a "boa índole" dos ídolos brega-popularescos não tem qualquer noção dessa realidade.

O que esses ídolos fazem, quando vão para o Primeiro Mundo, é tão somente isso: ir como turistas submissos contemplar a superioridade do consumismo capitalista, fazer propaganda de suas excursões para os fãs brasileiros e fazer seu nome na velha grande mídia à qual são servos obedientes, embora a associação com a velha mídia nem sempre é assumida no discurso.

Enquanto isso, a Grécia está em violenta crise, a miséria continua em Nova Orleans, o desemprego é grande na Europa e, no Brasil, os desabrigados de Pinheirinho ainda não conseguiram novas e boas casas para morar.

Mas isso é uma realidade muito cruel para as tolices boboalegres dos "rebolations", "créus" e "tereretetês" da vida.

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