segunda-feira, 26 de março de 2012

BREGA-POPULARESCO NÃO FAZ O POVO PENSAR



Por Alexandre Figueiredo

Não custa repetir. O entretenimento passivo do brega-popularesco, a suposta "cultura popular" da grande mídia, por mais que seja reforçado pelo apoio da intelectualidade influente, impede o povo de pensar sobre sua situação no país.

Nem o "funk carioca", a tendência mais "ambiciosa" derivada da música brega, consegue botar o povo para pensar. E nem precisamos detalhar isso aqui, porque isso já foi feito em outros textos. Mas sabe-se que até ele aposta na glamourização da pobreza, na produção de ídolos "coitadinhos" que querem tirar vantagem posando-se de vítimas.

A choradeira intelectual em prol de cantores bregas mais românticos - como Waldick Soriano, Wando, Michael Sullivan e José Augusto - também não contribui em coisa alguma para enobrecer a cultura popular. Até porque isso mais parece uma morbidez intelectualóide, com um quê de elitista e paternalista, do que uma real solidariedade com o povo pobre.

Paciência, há intelectuais com formação cultural conservadora, educadas pela televisão e pelo rádio da ditadura militar, crianças felizes brincando de milagre brasileiro sob as nuvens cinzentas do AI-5.

O povo não aparece de verdade no brega-popularesco. O brega-popularesco transforma o povo pobre numa massa resignada, num rebanho de coitadinhos que só querem entrar nos redutos das elites de cabeça baixa e trajes horríveis. Até agora, o que se viu foi apenas a campanha para que tenhamos que aceitar a inferioridade sócio-cultural e fingir que isso é "cultura superior".

Só que nessa "verdadeira cultura popular" o povo não pensa criticamente a realidade. Não há arte de verdade, não há transmissão de conhecimento, desenvolvimento de valores sociais mais sólidos, não há mobilização, não há senso crítico, não há humanidade, não há alegria de verdade, nem tristeza de verdade, nem qualquer tipo de sentimento autêntico ou real, e nem mesmo a teatralidade das emoções encenadas é real.

Tudo é feito de forma tendenciosa, mercenária, demagógica. Seus "artistas" são de alguma forma submissos com as regras do mercado. O brega e seus derivados nunca foi cultura de verdade porque nunca se preocupou, nem mesmo no auge de seu sucesso, em acrescentar coisa alguma em nossa cultura.

A intelectualidade dominante é que tenta impor essa "ditabranda do mau gosto" como se fosse "a cultura popular do futuro", "o folclore do século XXI", "a MPB com P maiúsculo". Balelas. Pura desculpa elitista de pessoas abastadas querendo parecer generosas com as classes populares.

Para essa intelectualidade, a missão do povo pobre é tão somente consumir dos "bens culturais" a ele associados, mas produzidos sob o claro patrocínio das oligarquias e elites interessadas. Se o povo rebola o "funk carioca", o "rebolation" e o tecnobrega, ou chora ao som de José Augusto e Wando, tudo bem. A intelectualidade associada até inventa que isso é "mobilização social", até para favorecer toda a politicagem que há em cima disso.

Mas quando o povo pobre deixa a mediocridade cultural de lado e passa a lutar por melhorias de vida, a intelectualidade não gosta. Ela vê perder aquela imagem "inocente" que tem do povo pobre cafona, brega e coitadinho.

Daí o pânico da intelectualidade pela volta daquele povo que construiu a história do Brasil. Um povo que incomoda a estabilidade forçada das estruturas do poder. E daí a defesa da intelectualidade para uma pretensa "cultura popular" que anestesia as massas e isola o debate público apenas a uma minoria de iniciados.

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