sexta-feira, 23 de março de 2012

BREGA PARAENSE AGRADA FOLHA DE SÃO PAULO



Por Alexandre Figueiredo

Oficialmente, o tecnobrega "apavora" a velha grande mídia e faz os barões da mídia correrem de medo. Mas, na prática, a coisa é completamente outra.

Enquanto nas palestras festejadas de ambientes como o Fora do Eixo e nas "seguras" pregações de gente "tarimbada" como Ronaldo Lemos e Pedro Alexandre Sanches, o tecnobrega continua discriminado e invisível na grande mídia, causando "terror" na hipotética elite "moralista" que parece viver ainda em 1910, toda essa retórica é derrubada quando vemos a realidade acontecer.

Afinal, existem dois Parás.

Um está no discurso do brega-popularesco, "Pará-disíaco", "Pará-dão", "Hit-Pará-de", que mostra uma suposta periferia - na verdade, a "classe média" cooptada pelo mercado, composta de uns poucos emancipados das classes pobres - e que a intelectualidade influente faz vista grossa do apoio da grande mídia local, como a famiglia Maiorana, do grupo O Liberal, que sempre manteve as portas abertas para o tecnobrega, tecnomelody, brega-pop-cult e outras fórmulas.

Outro está na realidade nua e crua que as verdadeiras periferias sofrem. A dos conflitos de terras, do desmatamento e do comércio madeireiro, da violência suburbana, do analfabetismo, dos moradores de ruas, dos alagamentos das habitações pobres em dias de muita chuva, dos acidentes de barcos superlotados que matam muitos humildes.

Parece repetitivo esse discurso, mas temos que repetir assim mesmo. Afinal, também é repetido como mantra o discurso que o tecnobrega está fora da mídia, enquanto toda a grande mídia, que supostamente discrimina o ritmo paraense, dá ampla cobertura ao gênero que agrada até Fausto Silva, Nelson Motta e Ali Kamel.

E estamos a poucas semanas de ver Gaby Amarantos numa trilha de novela da Rede Globo, uma façanha "acidental" que deve render muita choradeira, como hoje rendem lágrimas viscosas e diabéticas dos que se esqueceram que Michael Sullivan foi um "chefão" musical da Globo e da representante brasileira da RCA, que Wando apareceu em trilha de novela da Globo e José Augusto, também, sendo "Aguenta Coração" tema da novela Barriga de Aluguel.

Tudo "coincidência", claro. Afinal, temos que acreditar que todos esses caras lutaram pela Revolução Cubana ou comandaram movimentos neo-zapatistas, enquanto aqueles que nunca foram com suas caras - potencialmente acessíveis à revista Caras - se enquadram em hipotéticas patrulhas moralistas de 1910.

Para quem acha que o tecnobrega não apareceu na Folha ou, se aparece, é "mera coincidência", aqui está um linque de um texto elogioso do periódico de Otávio Frias Filho. E aqui aparecem tanto Felipe Cordeiro, entrevistado pelo ex-jornalista (mas não ex-seguidor) da FSP, Pedro Alexandre Sanches, quanto a Gang do Eletro, um dos ícones do "divertido" tecnobrega, que em nada apavora os barões da grande mídia, que até dormem tranquilos com eles.

Como da mesma forma que os barões da grande mídia, sobretudo das Organizações Globo, dormem tranquilos ao som de "funk carioca".

Talvez o tecnobrega tenha uma chance no programa TV Folha da TV Cultura.

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