segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

TRAGÉDIA EM BASE DA MARINHA FOI MOTIVADA POR BAIXOS INVESTIMENTOS


BASE DA MARINHA BRASILEIRA NA ANTÁRTIDA, EM FOTO DE 2009.

Por Alexandre Figueiredo

Os baixos investimentos em pesquisas, vício ainda não superado, mesmo no governo de Dilma Rousseff, junto a uma ojeriza às Forças Armadas que impede ampliar a aplicação de recursos financeiros, fez com que a estrutura da base da Marinha do Brasil na Antártida, velha e sem manutenção, provocasse um incêndio que deixou dois mortos e vários feridos.

A tragédia aconteceu na madrugada do último sábado, e os mortos eram o suboficial Carlos Alberto Vieira Figueiredo e o sargento Roberto Lopes dos Santos, cujos corpos foram guardados na base chilena, que chegarão ao Brasil amanhã.

A base é relativamente recente, inaugurada em 1984, e se dedicava às pesquisas científicas de âmbito biológico, geológico, além de ciências espaciais e atmosféricas. O incêndio destruiu 70% das instalações. Um dos feridos sofreu queimaduras nas mãos e num dos braços. 47 pessoas trabalhavam na base, incluindo os feridos.

Agora a base receberá recursos financeiros para sua reconstrução. O ideal era que a base fosse sempre modernizada e recebesse manutenção periódica nas suas instalações. As atividades científicas foram comprometidas com o incidente, o que é lamentável.

Não se pode sentir ojeriza total às Forças Armadas. É um mito que todos os militares tenham defendido o golpe militar, a ditadura, o AI-5 e outras medidas repressivas. O mal não está nas instituições militares em si, porque há o outro lado, de pessoas íntegras e batalhadoras. Um exemplo foi o marechal Henrique Lott, do Exército brasileiro, figura sempre defensora da Constituição e da liberdade democrática.

Na base da Marinha, estavam cientistas que, independente de serem militares ou civis, realizavam atividades de pesquisa na Antártida, que poderiam ajudar muito na compreensão dos efeitos ecológicos que hoje vivemos. E que seriam de muita utilidade para a sociedade civil, pela relevância indiscutível de tais pesquisas.

Mas o Brasil prefere o espetáculo do entretenimento mais chulo, enquanto despreza nossos cientistas e pesquisadores, que não recebem investimentos de ponta. Estes, muitas vezes trabalhando discretamente, poderiam descobrir muitas coisas, desde possíveis catástrofes ambientais que podem ser prevenidas até curas de muitas doenças.

Em várias partes do Brasil e do mundo, temos cientistas de valor. Mas é preocupante o desprezo que a dita "opinião pública" tem a eles. Há dinheiro de sobra para levar Michel Teló para viajar em qualquer parte do mundo, mas "não há" dinheiro para investir em nossos cientistas.

É por isso que se dá a deixa para a direitona midiática, como a revista Veja, que, explicitamente, torce para a China como o primeiro dos BRICs a chegar ao Primeiro Mundo. O Brasilzinho medíocre que fique esperando, enquanto brinca nas folias e, depois, na Copa e nas Olimpíadas a serem realizadas no país.

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