segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

"SOROS-POSITIVOS" TÃO "DIFERENTES" ENTRE SI



Por Alexandre Figueiredo

Quando um mestre gera mais de um discípulo, talvez fosse natural que estes venham a seguir caminhos diferentes e criem correntes até mesmo antagônicas, quando divergirem seus modos de ver as lições de seu mentor.

No entanto, há casos em que discípulos, ainda que sigam caminhos e abordagens aparentemente diferenciadas, não apresentam divergências fundamentais, mais parecendo uma divergência de método e de alguns pormenores de abordagem do que de um conflito ideológico propriamente dito.

Pesquisando sobre o magnata e especulador financeiro George Soros, o "Cidadão Kane" que faz da humanidade planetária seu brinquedinho pessoal, seu "Rosebud" ideológico, vi que dois tecnocratas brasileiros se destacam como grandes colaboradores do Soros Open Society, de perfis à primeira vista "diferentes".

De um lado, temos o ex-presidente do Banco Central durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, Armínio Fraga Neto. Economista, ele é formado, em pós-graduação, na Universidade de Princeton (EUA), como doutor, e pela PUC do Rio de Janeiro, como mestre.

Ronaldo Lemos, por sua vez, é advogado. Fez mestrado em Harvard e doutorado na USP. É ligado à tecnologia, sendo membro-fundador do Overmundo, representante brasileiro do protocolo Creative Commons e um dos simpatizantes do movimento Coletivo Fora do Eixo, para o qual é uma espécie de guru.

Aparentemente, os dois não se misturam. Armínio Fraga é comprometido a uma elite de tecnocratas claramente comprometida com o tucanato, sendo membro do impagável Instituto Millenium. Já Ronaldo Lemos passa uma imagem de "rebelde", supostamente "esquerdista", aparentemente defensor das "subversões" midiáticas e tecnológicas.

Mas dá para perceber que, quando os caminhos se cruzam, as semelhanças entre os dois tornam-se maiores. Tanto Armínio quanto Ronaldo frequentaram (este como professor visitante) a Universidade de Princeton, lecionaram (Ronaldo leciona e dirige um departamento) na Fundação Getúlio Vargas, no Rio de Janeiro, e, sobretudo, colaboraram para o Soros Open Society, do magnata George Soros. São igualmente "soros-positivos".

APOIO OU COMBATE À PIRATARIA? - Além disso, Armínio Fraga é aliado dos colunistas do jornal O Estado de São Paulo, que, na editoria de tecnologia, tem como um dos colunistas justamente o "rebelde" Ronaldo Lemos, que já havia tido uma coluna na Folha de São Paulo.

O mais curioso disso tudo é que Ronaldo Lemos agora faz parte, pasmem, do Conselho Nacional de Combate à Pirataria do Ministério da Justiça, o que nos põe realmente a pensar:

1) Que "novas mídias" ele realmente defende, se ele é um intelectual entrosado com os interesses da velha grande mídia?

2) Se Ronaldo é um defensor entusiasta das "subversões" midiáticas, como camelôs, CDs caseiros, vídeos digitais caseiros, sempre falando em "informalidade" cultural, numa subentendida (segundo o jornal Hora do Povo) apologia à pirataria, por que ele foi nomeado para integrar um conselho contra a pirataria?

Pode ser que, se não fosse a primeira pergunta, a segunda seria respondida com a presumida oportunidade de criar alternativas para diminuir a exploração clandestina de bens culturais. Mas, a julgar pelas ligações de Ronaldo Lemos ao "negócio aberto" de George Soros - um neoliberalismo ainda mais neoliberal, mas feito "pelo social" - e ás boas relações com os barões da velha mídia, dá para perceber o que está por trás desse discurso "revolucionário" todo.

Mas, dentro de um contexto ainda mais sutil, Ronaldo Lemos consegue adotar uma imagem e um discurso ainda mais moderno do que a blogueira cubana Yoani Sanchez. Só que, embora o discurso de Lemos consiga ser feito para boi esquerdista dormir, de todo modo ele não incomoda, em momento algum, o sono dos barões da grande mídia. O que importa é que estes continuam dormindo tranquilos.

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