quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

A "SAIA JUSTA" DE FHC E JOSÉ SERRA



Por Alexandre Figueiredo

Nem mesmo a intelectualidade etnocêntrica seria capaz de tanto. Os cientistas sociais e críticos musicais amestrados pela Teoria da Dependência de Fernando Henrique Cardoso dão agora a espinafrar seu antigo mestre, ainda que em beliscadas tendenciosas, hipócritas.

Isso se dá a tal ponto que Pedro Alexandre Sanches, o discípulo de FHC e Otávio Frias Filho, "representante" de Francis Fukuyama no Brasil e fã da "prima" e "fora do eixo" Yoani Sanchez, teve que recorrer à discriminação etária porque os mais jovens não acompanharam os tempos em que Pedro Sanches chamava Frias Filho, seu verdadeiro "caro amigo", de "colega".

Fernando Henrique Cardoso, o nosso conhecido sociólogo e ex-presidente, disse, em entrevista à revista britânica The Economist, que o candidato óbvio do PSDB para a sucessão de Dilma Rousseff é o mineiro Aécio Neves.

Aparentemente, a preferência de FHC pelo neto de Tancredo Neves - deve ser animador para o professor Eugênio Raggi, "penetra" nas festas esquerdistas de BH, se lembrar de seu Estado e do seu ídolo oculto Aécio - foi respeitada por José Serra, histórico discípulo do ex-presidente desde os anos 60, e já testado várias vezes para a competição para o Planalto, numa delas, em 2010, com um fracasso humilhante.

"São opiniões dele. Não estou de acordo com algumas delas, mas não vou polemizar com um amigo", disse Serra, sem dar detalhes sobre as discordâncias do amigo ex-presidente.

No entanto, na coluna de Jorge Moreno, no sítio do jornal O Globo, foi vazada uma informação de bastidor em que José Serra, em conversa com uma pessoa de sua intimidade, havia comentado, aborrecido, sobre o "amigo" e "mestre": "Tá gagá!". E já existe um clima de "saia justa" entre os dois tucanos paulistas, antes profundamente aliados.

O PSDB vive um grande inferno astral. A divulgação, por Amaury Ribeiro Jr., do escândalo financeiro por trás das privatizações do governo FHC e incidentes diversos, uns até tolos (como o da bolinha de papel contra o então candidato Serra), causa mal-estar e desconforto entre os tucanos.

Para complicar ainda mais as coisas, o governador paulista Geraldo Alckmin, por conta das ações que comandou contra viciados em crack no centro paulista e na derrubada de uma extensa comunidade popular em São José dos Campos, anda sendo comparado, por muitos blogueiros, a um ditador alemão de triste lembrança.

Isso tudo deixa José Serra e Geraldo Alckmin enfraquecidos, e Fernando Henrique, como estrategista político - claro, precisa salvar seus dedos - classificou Aécio como "candidato óbvio", depois que o neto de Tancredo foi preterido, durante anos, de qualquer cogitação para a corrida presidencial.

Sobre Aécio Neves, Geraldo preferiu evitar comentários sobre a declaração do "cacique" dos tucanos, mas alegou que "o tema (a sucessão presidencial) precisa ser amadurecido".

Este é mais um capítulo da crise política que envolve o PSDB, um partido que era o paradigma da tecnocracia e cujos membros eram vistos como "modelo" para elites de intelectuais, tecnocratas e políticos.

Mas hoje, com o agravamento desta crise, a política tucana está em cinzas nuvens, que só mesmo o jeitinho mineiro de Aécio para dar a última esperança. Só que Aécio, como um "Michel Teló" da política brasileira, não é garantia de vitória. E, como galã, terá que fazer seu teatro canastrão direitinho em 2014, sem esperar que venham facilmente os aplausos nas urnas.

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