domingo, 19 de fevereiro de 2012

RONALDO LEMOS NO COMBATE À PIRATARIA. AHN?!



Por Alexandre Figueiredo

Sim, isso mesmo. O todo engajado no movimento das "mídias livres", o professor Ronaldo Lemos, propagandista das "novas mídias", está desde o começo deste mês desempenhando um cargo de conselheiro-membro do Conselho Nacional de Combate à Pirataria.

É essa informação mesma que você está lendo, caro amigo. E mais, está no Wikipedia, a enciclopédia digital que segue o protocolo Creative Commons, do qual o professor e tecnocrata da Fundação Getúlio Vargas é seu representante brasileiro.

Portanto, não é uma fonte que possa ser contrária a Ronaldo Lemos, o que agrava ainda mais a situação. Afinal, as informações que chegam a respeito da intelectualidade etnocêntrica e que envolvem ramificações entre ela e o capitalismo estrangeiro deixam os desavisados de cabelos em pé. Daí eles quererem tapas os olhos e ouvidos para certas revelações.

Afinal, Ronaldo faz parte, ao lado de Pedro Alexandre Sanches, Hermano Vianna, Paulo César Araújo e outros, daquela "panelinha" de cientistas sociais e críticos musicais para os quais ter senso crítico é sinônimo de "preconceito". Gente que promove todo um mundo de cor e fantasia com suas pregações ideológicas e, por isso mesmo, tornam-se praticamente "semi-deuses".

Contestá-los é algo que exige não apenas habilidade no discurso para desconstruir, em sucessivos e cautelosos textos, as ideias confusas mas sutilmente elaboradas por esses "pensadores". Exige um pouco de jogo de cintura para compensar a baixa visibilidade que o contestador mais corajoso tem em relação a essa intelectualidade festejada em palestras ultra-concorridas.

Quanto ao propósito de Ronaldo Lemos, realmente quem é mais atento pode questionar o teor de suas ideias. Ele aposta em utopias já superadas de que a tecnologia e a globalização irão salvar, por si mesmas, a humanidade. Não é bem assim. Elas apenas facilitam a projeção das expressões sociais, mas não são as expressões sociais em si, como quer Ronaldo.

A princípio, parece estranho para um homem que se engaja na defesa aparente da livre circulação de informação participar de um conselho para o combate à pirataria. Afinal, o combate à pirataria é constantemente usado como um pretexto para grupos impedirem a livre circulação de informações.

Sabemos que muitos intelectuais da informática, como Steve Jobs, escondem ou esconderam (no caso de Jobs, já falecido) intenções e princípios conservadores, normas de mercado, ideias neoliberais. Mas não a ponto de vermos Ronaldo Lemos num conselho de combate à pirataria.

Ronaldo acredita na submissão do homem à máquina, só que num "novo" contexto. E essa preocupação exagerada em informatizar/informalizar a cultura soa muito estranho, camuflando a mediocrização cultural de funqueiros, tecnobregas e similares com uma parafernália tecnológica que contrasta com a miséria real escondida por baixo do maravilhoso discurso glamourizador.

Afinal, não será a periferia a beneficiada por esse engodo cultural todo. O povo pobre não vê a cor do dinheiro, a cara de sua cultura, e ninguém ouvirá o som de sua voz. Tudo isso será escondido ou banido pelos filtros ideológicos de uma "cultura de massa" que "protesta" sem protestar, com "problemáticas" sem problemas, "ocupações" desocupadas, promovendo um Brasil mais cafona, mais brega, mais popularesco e, por isso mesmo, mais medíocre, conformista e imbecil.

No fim, Ronaldo Lemos defende o "deus" mercado. Que o povo pobre seja apenas obediente às suas normas, como criancinhas submissas e comportadas. O "mercado" morre apenas da parte de alguns monopólios ou oligopólios. Mas, na etapa seguinte, outros monopólios e oligopólios são criados, sob o manto da "cultura independente" que disfarça métodos escravistas de trabalho e controles midiáticos ainda mais tirânicos.

Daí que esse discurso todo que "exalta" as "novas mídias" impede o crescimento profissional de camelôs e a evolução na qualidade de vida do povo pobre (reduzido apenas a uma massa "ajudada" pelo "não-mercado" a consumir mais). Deixa o povo nas mesmas condições de miséria, subumanas, mas apenas "evoluídos" para aspectos paliativos de consumismo e precária cidadania.

Por isso, no fundo não é estranho que o "inimigo" dos projetos de combate à pirataria seja agora conselheiro dos mesmos. Será terrível para os camelôs elogiados pelo livro do tecnobrega, pois, em vez deles serem incluídos no mercado formal e crescerem na vida, poderão ser vistos como "criminosos" até por quem dizia defendê-los com entusiasmo.

Daí que defender as "novas mídias" é SOPA. Isso é que dá a plateia dar crédito aos discursos maliciosos de sonho e fantasia...

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