quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

POLÍTICA NO RIO É UM DESASTRE; ÔNIBUS PADRONIZADOS TAMBÉM



Por Alexandre Figueiredo

O trágico acidente causado por um ônibus da Viação Andorinha em Madureira, ferindo quatro pessoas e matando uma, mostra o caráter de "genocídio culposo" da política do grupo de Sérgio Cabral Filho e Eduardo Paes.

Sim, podemos definir como "genocídio culposo". Foram muitas pessoas morrendo nos hospitais. Quase morreu gente por conta das explosões de bueiros. Um restaurante explodiu matando três pessoas. Um acidente com bonde matou um turista, e outro acidente matou umas tantas pessoas. E, na semana passada, um prédio caiu matando 17 pessoas.

E, agora, o "maravilhoso" sistema de ônibus, com a medida horrorosa da padronização visual (e seu design enjoado de embalagem de remédio) que apenas é um detalhe (incômodo e gravíssimo, por sinal) de uma lógica que inclui uma rotina tirânica de trabalho dos rodoviários e a concentração excessiva do poder do Estado nas empresas de ônibus "camufladas" pela pintura dos "consórcios".

Um ônibus da Viação Andorinha que circulava na Rua Maria Freitas, na noite de ontem, bateu em uma caçamba de entulho que estava na calçada, a arrastou e fez derrubar um poste. A caçamba fez ferir quatro pessoas que estavam no local. O poste, por sua vez, caiu em cima de um homem de 45 anos, matando-o imediatamente.

Os peritos demoraram quatro horas para chegarem ao local. Quando chegaram, só viram a situação e foram embora. O corpo do morto ficou no local por sete horas depois do ocorrido, esperando o tal rabecão para transportá-lo para um hospital.

No episódio, há uma sucessão de erros. Caçamba de entulho colocada na calçada, diante de passageiros. Rua improvisada - a Rua Maria Freitas, antes, não era reservada aos ônibus, a mudança se deu por conta da construção do "maravilhoso" corredor Transcarioca - e esburacada, com ônibus em alta velocidade, e o sistema de ônibus, com padronização visual (que desafia a atenção dos passageiros) e rotina de trabalho sobrecarregada e estressante, que faz os motoristas "correrem" e causarem acidentes (isso quando não sofrem o tal mal súbito).

Será essa rotina que teremos que aguentar por vinte anos ou mais? Certamente, não. Mas mostra o quanto a metodologia política da turma de Sérgio Cabral Filho e Eduardo Paes não é muito diferente da que Geraldo Alckmin e Eduardo Cury realizam em São José dos Campos.

O tal "choque de ordem" de Paes (e, por conseguinte, de Cabralzinho) não fiscaliza prédios antigos, não verifica instalações de gás, não ordena espaço para caçambas de entulhos, nem os bondes são verificados e, em vez disso, dó pensa em camuflar empresas de ônibus com pintura padronizada.

Tudo isso vai contra os cidadãos cariocas, que estão desamparados, deixados à própria sorte e à perda de qualquer ente querido. Afinal, não são eles os parentes das autoridades e dirigentes esportivos envolvidos com as festas de 2014 e 2016, nem da minoria de busólogos, radiófilos, futebolistas etc que aplaude as políticas de Paes e Cabral Filho feito focas de circo.

São pessoas comuns, iguais às do Pinheirinho, que enfrentam as tragédias do Rio de Janeiro. Tragédias motivadas pela intransigência política, de um lado, e pela imprudência técnica, por outro. A "cidadania de gabinete" mostra, assim, toda sua farsa, e a política carioca, nas mãos desse grupo político "fisiológico", mostrou-se um desastre. Como os próprios ônibus de visual padronizado que confundem os passageiros comuns.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...