quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

OS URUBUSÓLOGOS



Por Alexandre Figueiredo

A crise na busologia do Rio de Janeiro já foi anunciada. Alguns de seus destacados busólogos foram tomados de estrelismo e passaram a defender desde o secretário de transportes Alexandre Sansão, da equipe do prefeito carioca Eduardo Paes, até a moribunda e perigosa Transmil.

Vendo, nas redes sociais, as comunidades dedicadas ao tema "Busologia no RJ" ou "Busologia do RJ", além de mensagens deixadas em fóruns virtuais diversos, o que se nota é a agressividade e a grosseria com que agem essa minoria de busólogos, que há um bom tempo provocou um "racha" entre os busólogos do Estado do Rio de Janeiro.

De um lado, existem busólogos que continuam admiráveis que adotam uma postura independente ao sectarismo do grupo político de Eduardo Paes. Até discordam do projeto de transporte coletivo do "poderoso" Alexandre Sansão, mas fotografam os insossos ônibus com visual padronizado apenas pelo natural objetivo de informação.

De outro, no entanto, estão busólogos dotados de muita arrogância, que por sua vez se polarizam entre um conhecido grupo de "profissionais" da busologia e um busólogo que, liderando outro grupo, é conhecido por suas atitudes agressivas e até por fazer bullying contra busólogos discordantes.

Este segundo grupo e seus dois "pólos" ou "sub-grupos", um feudo a dominar as comunidades sobre busologia fluminense com sua agressividade, andam preocupando não só a busologia fluminense, como o resto da busologia brasileira e até mesmo setores não-busólogos da opinião pública, que andam perplexos com as baixarias feitas por essa "elite" de busólogos.

Do primeiro sub-grupo, articula-se um grupo no qual dois deles já são conhecidos por disparar palavrões contra quem discordasse de suas opiniões ou mesmo boatos (já havia corrido, nos círculos busólogos, um boato sobre uma lei que nunca existiu, senão na forma de um projeto de lei mal-interpretado).

Não vamos dizer nomes. Mas eles são conhecidos dentro do debate busólogo feito nas redes sociais e nos fóruns digitais. E, do outro sub-grupo, o agressivo busólogo, ligado a uma prefeitura do PP (o mesmo partido do Ministério dos Transportes e do Ministério das Cidades, de famigerada conduta "fisiológica"), já chegou a se desentender com o outro sub-grupo, irritado por ver o tal busólogo virar "estrela" num especial de um programa do canal Multishow.

Esse busólogo agressivo chega mesmo a escrever mensagens ofensivas desqualificando até o estado civil de busólogos que não concordam com ele, tão preocupado este com os comentários contra seu "herói" Alexandre Sansão. Talvez visando a carreira política, o tal busólogo tenta desmoralizar quem não concorda com ele, ficando este com o "pensamento único" na busologia fluminense.

Aliás, já corre uma piada de que tais busólogos, que defendem medidas anti-populares como a formação política de consórcios, a concentração de poder dos secretários de transportes e a padronização visual dos ônibus, vendo o sucesso do Bilhete Único, um dos típicos paliativos para esse modelo de transporte, agora reivindicam a implantação do Pensamento Único como forma de garantir a "certos busólogos" acessos à cargos políticos estratégicos ou a posições de destaque nas comitivas que receberão as autoridades políticas e esportivas na Copa de 2014 e nas Olimpíadas de 2016.

A "urubusologia" - trocadilho entre busologia e "urubologia", que é como se conhece o reacionarismo dos articulistas da velha grande mídia - anda preocupando pela arrogância e pelos argumentos repetitivos expressos por essa "elite" de busólogos. São atitudes fascistas que fazem até sentido acontecerem, expressas de argumentos arrogantes e irritados até mesmo a manifestos de bullying e trolagem.

Afinal, o modelo de transporte coletivo imposto na cidade do Rio de Janeiro, feito sem consulta à população, tem a raiz autoritária de Jaime Lerner, planejado no calor do "milagre brasileiro" do governo Médici, e que é falsamente vendido como "moderno" visando enganar turistas e atrair investidores estrangeiros.

Ironicamente, esses busólogos pró-Alexandre Sansão reclamam, quase em uníssono e com as mesmas palavras, das "repetidas queixas" contra a padronização visual dos ônibus cariocas. Dizem para os discordantes "mudarem o disco", mas é o disco dos busólogos pró-padronização visual que anda riscado e pulando o tempo todo.

É claro que essa postura agressiva e intolerante dos busólogos - que mal conseguem disfarçar a aflição de que o projeto de Alexandre Sansão (na verdade, adaptação do projeto do curitibano Jaime Lerner) venha a falir a qualquer momento - tem como pano de fundo o desejo de busólogos de fazerem parte do gabinete do secretário de Transportes, numa hipótese de reeleição de Eduardo Paes.

A politicagem em torno da busologia fluminense, que cria pelegos desse porte, mostra que eles não se comprometem com o interesse público, embora tentem afirmar o contrário. No fundo só veem os ônibus de fora, enquanto aguardam o banquete a ser preparado pelo grupo político de Paes e Sérgio Cabral Filho para 2014 e 2016.

"SOPA", "PIPA", "ACTA" E EDUARDO AZEREDO IRIAM ADORAR

Um agravante adicional do reacionarismo busólogo é que alguns deles, além de defender pontos de vista contrários ao interesse público, "pedem" aos discordantes que não publiquem as fotos dos busólogos em questão. Pouco importa o respeito aos créditos originais, a "solicitação" em certos casos chega a ser feita às custas de palavrões ou comentários ofensivos.

Isso é um prato cheio para haver um grupo de apoio às campanhas reacionárias de censura na Internet (cujos projetos continuam beneficiando assinantes e detentores de poder diversos e seus adeptos), tipo SOPA, PIPA, ACTA e o projeto brasileiro do senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG), porque daí para esses busólogos "de elite" defenderem a censura digital é um passo.

Muita gente fala que esses busólogos-pelegos não defendem qualidade no sistema de transporte. E, com medo de serem desmascarados, fazem mil ofensas, xingações ou argumentos pouco convincentes. Dessa forma, eles se expõem negativamente nas redes sociais e nos fóruns digitais, e seu reacionarismo grosseiro cobrará a eles o preço da arrogância e do desrespeito.

Mas talvez eles estejam mais preocupados com as festas de 2014 e 2016. Mas, no final delas, virá a conta, e "pendurar" ou fazer fiado será proibido.

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