terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

O VERDADEIRO "OCCUPY QUALQUER COISA"



Por Alexandre Figueiredo

Há a "Disneylândia do mau gosto" que é a periferia de contos de fadas da intelectualidade etnocêntrica, que arranca aplausos de incautos que "viajam" no discurso de sonhos e fantasias dos ideólogos da "cultura popular" midiática.

Mas há a realidade cruel, como vimos no caso de Pinheirinho, o bairro popular de São José dos Campos sumariamente destruído por ordens da polícia do governador Geraldo Alckmin. O povo foi enxotado pela força policial, e já começam a surgir denúncias de abusos cometidos tanto por policiais quanto por autoridades. Uma desabrigada de Pinheirinho teria sofrido abuso sexual de um policial. Doações para as famílias desabrigadas foram extraviadas pela prefeitura de São José dos Campos para revenda. Enfim, o episódio de Pinheirinho é uma grande tragédia, um terrível drama social.

No entanto, os intelectuais "influentes", que são "endeusados" pela opinião pública média, falam de uma periferia de cor e fantasia. De uma clara apologia à pobreza, que glamouriza a miséria e promove nas periferias o mito do "orgulho de ser pobre".

Pelos textos que pesquiso na Internet, há coisas horripilantes por trás dessa intelectualidade, que aos poucos vêm à tona com mais frequência no debate público. E que, certamente, este blogue reportará assim que obter informações mais precisas.

Por enquanto, podemos analisar o que um manifestante do tal "microfone aberto" do Congresso Fora do Eixo, realizado no ano passado, disse sobre um "occupy qualquer coisa", quase que uma alusão irônica aos movimentos de ocupação social que ocorreram nos EUA e na Europa.

Da forma que o tal manifestante expressou, nota-se o desdém em relação à ideia lançada pelo movimento Ocupar Wall Street. Soa um quê de puro esnobismo. Aparentemente, o cara quis dizer: "vamos nos manifestar em qualquer lugar, não importa o tema", mas isso pode ser interpretado de uma forma subliminar e que nada tem de progressista.

Primeiro, pelo uso da palavra occupy, em inglês, indicando uma compreensão apressada da situação. Segundo, o termo "qualquer coisa" esvazia qualquer motivação temática ou causal, para ele tanto faz haver um flash mob que apenas chame a atenção da opinião pública por coisa nenhuma.

Para ele, talvez a "mobilização social" tenha que ser algo tão vazio quanto o sucesso de Michel Teló ou o "meme" da "Luíza, que voltou do Canadá". Mas, como se vê nos objetivos ocultos do Coletivo Fora do Eixo, sua concepção de "movimentos sociais" só têm sentido quando o verdadeiro senso crítico não está em jogo.

Para os "fora do eixo", nada de melhoria de vida, nada de qualidade de vida, nada de valores morais melhores, nenhuma cidadania. O que importa é apenas facilitar o acesso das populações pobres ao consumismo e ao entretenimento, e eles usam um discurso que tomam como "movimentos sociais" processos que nada têm de movimento social, mas tão somente espetáculos de consumismo que supostamente "apavoram" a "boa sociedade".

Porque, para os "fora do eixo", a cidadania "já existe", a sociedade está "perfeita", basta agora transformar a velha grande mídia em "novas mídias" que não assustem os barões da grande mídia, apesar de sugerirem, no discurso, a ideia contrária. Até porque esse discurso de que o "funk carioca" e o tecnobrega estão "fora da mídia" é repetido até mesmo nos próprios espaços da velha grande mídia, como Folha de São Paulo, Estadão e O Globo.

Portanto, o "occupy qualquer coisa" pode representar, por exemplo, o que o governo de São Paulo, na gestão de Geraldo Alckmin, que patrocinou o Congresso Fora do Eixo no ano passado, reservou para a população de Pinheirinho. Ocupem qualquer lugar, ocupem qualquer alojamento vagabundo, ocupem qualquer ruela (exceto as ruas principais do centro da capital paulista), fiquem à sua própria sorte.

O resto quem resolverá são as retóricas paternalistas da intelectualidade etnocêntrica dotada de muita visibilidade. Afinal, o "microfone aberto" está sempre aberto a eles. Ao povo, nem sempre.

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