quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

O DRAMA SEM FIM DO POVO DE PINHEIRINHO


NAJI NAHAS, O ESPECULADOR FINANCEIRO SALVO POR GERALDO ALCKMIN.

Por Alexandre Figueiredo

Tudo pelo patrimônio pessoal de um especulador. Nada para milhares de famílias em busca de alguma vida digna. Jogados à própria sorte, os ex-moradores de Pinheirinho, humilhantemente expulsos pela força policial, não sabem aonde ir.

Vítimas do arbítrio, ainda são obrigados a ouvir do prefeito de São José dos Campos, Eduardo Cury, e do governador do Estado de São Paulo, Geraldo Alckmin, além de explicações vazias de sentido, promessas vãs de "novas moradias" que não têm prazo para serem inauguradas.

Para Cury e Alckmin, pouco importa o sofrimento do povo de Pinheirinho. Ver as pessoas agora improvisando uma vida menos sofrida, dentro de abrigos improvisados e problemáticos, e acordar todo dia nessa mesma situação, é algo que deixa muitos perplexos. Afinal, que "legalidade" é essa que o governador paulista se inspirou para fazer a barbaridade da desocupação?

A repercussão negativa do caso, no entanto, já causa mau humor no governador, que na Internet é literalmente "linchado" pela opinião pública. Não sem razão. Afinal, o governador mexeu com uma comunidade há oito anos instalada, com suas famílias de gente trabalhadora, batalhadora.

Talvez com alguns pequenos marginais ou malandros, mas a maioria da população de Pinheirinho, no entanto, era honesta, batalhadora, e só queria o reconhecimento municipal e estadual da favela como um bairro, com melhorias, urbanização e substituição de barracos por prédios populares, com praças, parques e áreas verdes.

Em vez disso, Alckmin preferiu ouvir Naji Nahas. Ele se sensibilizou tão somente com a situação de falência da Selecta, empresa de alimentos muito mal administrada pelo especulador, em vez da comunidade expulsa sob a ameaça de metralhadoras.

Pensando nos tempos do AI-5, quando os poderosos decidiam e o povo tinha que obedecer calado, Geraldo Alckmin fez o seu trabalho sujo, num dia impróprio e sem consultar viva alma. E sorte dele é que a mídia tenta minimizar o caso Pinheirinho, ainda que admita que o povo sofreu com a súbita operação de desocupação.

Isso porque a velha mídia tenta reforçar a promessa de "novas moradias", dando a crer que o problema "é grave, sim", mas "será resolvido". Como, se as promessas logo de cara afirmam que o prazo é desconhecido? Cury e Alckmin alegam que tem que ser cumprido um tal cronograma habitacional, que os ex-moradores de Pinheirinho estão no fim da fila mesmo e terão que esperar até não se sabe quando, e eles é que terão que se virar.

Comovido com o drama dos ex-moradores, um manifestante, Pedro Rios Leão, decidiu fazer greve de fome, diante da sede da Rede Globo no Rio de Janeiro, acorrentado desde o último domingo. Abatido, o manifestante protesta contra a falta de transparência da grande imprensa com o caso, sobretudo pela tentativa de minimizar o drama dos ex-moradores.

Alckmin, além da tal promessa de moradias, falou também no tal "salário-aluguel", uma esmola que dificilmente irá pagar toda a operação de Pinheirinho. E a população foi totalmente humilhada pelo governador por esta operação, que o fim dos sonhos e esperanças de um bairro digno em São José dos Campos não será pago por qualquer quantia.

Pelo contrário, o governador não sabe o prejuízo que causou, a violenta dívida social que provocou, e o desgaste político que atinge ele e seu partido, o PSDB, já mergulhado numa decadência sem precedentes na política brasileira. E que já causa brigas internas entre seus antigos aliados fiéis, como Fernando Henrique Cardoso, José Serra, Aécio Neves e o próprio Alckmin.

E pensar que o partido foi fundado por figuras como André Franco Montoro e Mário Covas, figuras dotadas de um humanismo talvez conservador, mas ainda assim muito mais digno do que o dos "caciques" que hoje (des)norteiam o partido. Se vivos estivessem, os dois fundadores do PSDB teriam condenado o arbítrio de Geraldo Alckmin contra a população de Pinheirinho.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...