sábado, 11 de fevereiro de 2012

O ALICIAMENTO "SOCIAL" DO BREGA-POPULARESCO



Por Alexandre Figueiredo

O jabaculê do brega-popularesco tornou-se mais arrojado. Devemos admitir que pessoas com alguma mentalidade mais moderna, dentro das normas de publicidade e propaganda, fizeram com que a música comercial brasileira se propagasse além dos limites do jabaculê radiofônico, indo para outros meios mais "relevantes".

Que o brega-popularesco é uma pseudo-cultura tida como "popular", nós já sabemos. E que a Música de Cabresto Brasileira, expressão musical do brega-popularesco, sempre se esforçou em ir além do "modismo", não porque realmente quer ser levado a sério, mas porque precisa ter lucros permanentes.

Isso faz com que outros meios sejam usados para reforçar o sucesso comercial. A música brega-popularesca não quer realmente ser levada a séria, mas precisa dar a impressão disso para que assim possa permanecer no mercado com mais facilidade.

Daí que, nos anos 90, foi muito comum os mercadores do brega-popularesco negociarem com sindicatos de trabalhadores, grêmios estudantis e entidades filantrópicas para empurrar os ídolos popularescos emergentes ou mesmo em ascensão ou no auge do sucesso.

Quem não se lembra das festas do Dia do Trabalho, em que até os medalhões do brega-popularesco que aparecem no Domingão do Faustão participam? E as choppadas que mostram o que há de mais canhestro no popularesco mais rasteiro, seja o "funk carioca", o "pagodão" baiano e o forró-brega?

É porque o brega-popularesco passou a ser socialmente mais engajado? Nada disso. Por trás dessa "generosa" atitude, houve negociações que fizeram com que ídolos popularescos firmassem contratos com sindicatos, grêmios estudantis, etc. Tudo negócio.

Isso fez com que o brega-popularesco, mesmo com seu comercialismo aberrante e com sua qualidade artístico-cultural bastante duvidosa, se prolongasse na popularidade às custas de causas aparentemente nobres.

E isso fez também com que o outro lado da negociação, como sindicalistas e dirigentes estudantis, tomassem o gosto da coisa, porque é uma boa grana que chega a seus bolsos.

Todavia, a cultura brasileira sofreu um duro golpe com isso. O peleguismo sindical e estudantil deu mais um exemplo do seu tendenciosismo, enquanto o patrimônio cultural brasileiro se tornou cada vez mais vítima de todo tipo de deturpação e da expansão de expressões de caráter duvidoso e valor mais duvidoso ainda.

E isso abriu caminho para "voos" mais altos, como o suborno a quase toda uma intelectualidade feita para apoiar os ídolos brega-popularescos.

Tanto neste como nos outros casos e ainda em outros similares, quem deveria zelar pela verdadeira cultura brasileira - que não é a de meros lotadores de plateias - acaba contribuindo para sua decadência, compactuando com a mediocridade cultural midiática.

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