quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

A MORDOMIA DE MR. CATRA NA GLOBO



Por Alexandre Figueiredo

Claro, num país em que Merval Pereira entra na Academia Brasileira de Letras por causa de uma pálida coletânea de artigos, celebridade é aquela Luíza que voltou do Canadá, atração de TV é o Big Brother Brasil e ídolo internacional é Michel Teló, Mr. Catra tinha que vender a falsa imagem de cult na telinha da Globo.

Mr. Catra, segundo certos caros amigos, segue invisível nas corporações da grande mídia. Exceto na maior delas, as Organizações Globo. Há um bom tempo - mesmo quando a Caros Amigos imaginava que ele estava fora da mídia - os irmãos Marinho, filhos do "Dr. Roberto", estendem o tapete vermelho para o funqueiro, que é até amigo de Luciano Huck.

No último fim de semana, Mr. Catra esteve no programa Altas Horas, espécie de laboratório para nomes "difíceis" do brega-popularesco. E, diante da baixa rotatividade do Rock Brasil, eis que os antes admiráveis Titãs - talvez seja influência espiritual de Marcelo Fromer - foram tocar com o funqueiro (que por sinal anda imitando a "extravagância" do gangsta rap estadunidense).

Sim, porque hoje em dia o Rock Brasil, para se manter na mídia, precisa vender sua alma para qualquer imposição de mercado. Tudo para ver se apresenta nas vaquejadas do interior do país, para ver se atinge maior visibilidade no interior do país, monopolizado por breganejos e grupos de forró-brega.

Mas se já vimos os dois Paralamas Bi Ribeiro e João Barone, com o legionário Dado Villa-Lobos, venderem suas almas para um dueto tendencioso com Chimbinha, da Banda Calypso, tudo é possível. Mr. Catra, que cantou com ídolos sambregas, é que é o rei da mídia. Os Titãs é que têm que fazer qualquer favor para continuarem em evidência, apesar de muito mais talentosos que o funqueiro.

E Mr. Catra está tão dentro da velha grande mídia - a mesma que tem Merval Pereira e Miriam Leitão como seus "grandes jornalistas" - , e logo as Organizações Globo, que o jornal popularesco light Extra, na sua coluna Retratos da Vida, tratou o funqueiro como se fosse um "intelectual", colocando-o em alta no termômetro de sobe e desce da coluna, na edição de ontem.

Claro, um jornal como Extra tem tanta moral para dizer quem é intelectual ou não quanto Reinaldo Azevedo tem moral para falar sobre socialismo. E pelo jeito que Mr. Catra é citado no jornal, até parece que é um grande artista. Claro, vivemos em tempo de Michel Teló, em que a mediocridade cultural é tida como "genial" até para gente como Ronaldo Lemos e Pedro Alexandre Sanches.

Desse modo, não é surpresa alguma que os editores de Veja, rindo de toda a condescendência com a mediocridade cultural dominante, já escolheram qual o primeiro país dos BRICs a se tornar potência mundial: a China.

Com toda a falta de liberdade que vive o povo chinês, pelo menos lá existe educação e investimentos para tecnologia e emprego, enquanto no Brasil se brinca com a cultura brasileira como se esta fosse uma lavagem de porco.

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