segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

A GRÉCIA DE HOJE É O BRASIL DE AMANHÃ?



Por Alexandre Figueiredo

A Europa está em séria crise sócio-econômica. O que faz o inverno de lá um inferno explosivo de protestos e crises políticas. E os problemas sempre pesam nos lados mais fracos, como a outrora grande potência da Era Antiga, a Grécia, e a quase potência europeia Portugal, que um dia tinha muitas colônias política e economicamente estratégicas, inclusive nosso Brasil.

Tudo isso num contexto em que a União Europeia começa a pender mais ao lado da premier alemã Angela Merkel, em detrimento do seu parceiro Nicolas Sarkozy, presidente francês. A União está mais próxima de uma desunião, e o continente europeu vive uma decadência política e econômica que incluiu até a queda do Produto Interno Bruto da Grã Bretanha, fato que fez superestimar o relativo crescimento econômico do Brasil.

Não, não estamos no Primeiro Mundo, e nem fazemos parte do Conselho de Segurança da ONU. Damos pitacos na OCDE, mas não damos um pio para a OTAN. O Brasil ainda é um país emergente e, como Portugal, também foi uma quase potência. Mas os EUA não deixaram. E foi em 1964.

Antes que fosse comentada a situação brasileira, vamos ver o que ocorreu na Grécia ontem. O país outrora conhecido por sua rica cultura, pelos seus grandes pensadores e pela arte magnífica, além do seu poderio militar, é hoje um país europeu pouco destacado e em séria crise econômica.

Para piorar, o Parlamento grego decidiu adotar medidas que estejam de acordo com as rígidas exigências do Fundo Monetário Internacional. Realizou cortes de 3,3 milhões de euros para salvar a dívida pública e isso incluiu toda uma política cruel, de medidas antipopulares.

Na televisão, até a mestra da urubologia, a jornalista Miriam Leitão, teve que concordar com o sentido antipopular das medidas adotadas pelo Legislativo em Atenas. Mas, é claro, é na Europa e não no Brasil, porque o país sul-americano precisa ter uma posição secundária na geopolítica internacional.

A Grécia fechou nada menos que 150 mil postos de trabalho e ainda reduziu em 22% o salário mínimo, o que causou protestos violentos da população, incluindo bombas de coquetel molotov e incêndios em bancos e lojas, entre outros estabelecimentos. A polícia saiu reprimindo e muita gente saiu ferida e presa.

Isso é um desfecho dramático de um país que foi conhecido por sua grandeza cultural. E nos faz refletir do quanto o Brasil ainda vive no complexo de vira-lata, só exigindo o pedigree. Em 1964, tivemos uma grande chance de fazer um salto político, econômico e cultural de grande envergadura, mas o golpe militar não deixou. E os EUA ameaçaram até com uma operação de guerra, a Operação Brother Sam, preparada até para matar João Goulart, o então presidente.

Hoje o Brasil vive num complexo de vira-lata, apegado à breguice mais escancarada que glamouriza a pobreza, trava a evolução sócio-cultural do povo e mantém as elites enriquecidas. Sem uma cultura popular forte, mergulhado numa "cultura de massa" ditada pela grande mídia e defendida, a ferro e a fogo, até pela intelectualidade, o Brasil só conseguirá um pálido progresso sócio-econômico, o que enfraquecerá o país no futuro.

E aí, com a tolerância social não só à mediocrização sócio-cultural quanto à corrupção política, à supremacia tecnocrática e à discriminação do senso crítico, o Brasil, cada vez mais sucumbido à uma posição subordinada na ciranda política mundial, poderá viver crises como as que a Grécia vive hoje.

A Grécia não apresenta uma cultura popular de desenvoltura. Teve que viver uma desastrosa ditadura militar. Sua situação social há muito não chega à sombra do que o país foi no passado. E, portanto, criou condições para um cenário político conservador que apelou para medidas antipopulares para salvar a economia do país, e não o seu povo.

Com um Brasil mergulhado no espetáculo popularesco, na devoção tecnocrática, na alienação social, política e cultural, além de botar a perder as relativas melhorias de hoje, poderá no futuro criar condições para crises políticas e econômicas graves. Será que só nesse caso é que virão os grandes movimentos sociais?

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