sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

"FORA DO EIXO" E DENTRO DO MILLENIUM. MAS NÃO ESPALHE ISSO, NÃO!!



Por Alexandre Figueiredo

A relação de intelectuais que defendem o brega-popularesco - incluindo o "funk carioca" e o tecnobrega - e a intelectualidade que está ligada ao direitismo midiático mais explícito havia tido seu episódio recente ocorrido dias atrás na cidade baiana de Jequié.

Depois que o cineasta José Padilha, um dos que colaboraram para a formação da Apafunk (Associação dos Amigos e Profissionais do Funk) através da inclusão do "Rap das Armas" (antigo sucesso de MC Júnior & MC Leonardo) na trilha de Tropa de Elite, revelou-se envolvido com o Instituto Millenium (instituição da qual se associam nomes como Reinaldo Azevedo, Leandro Narloch e até estrangeiros como os chilenos irmãos José e Sebastian Piñera), outro episódio também envolve os dois pólos intelectuais supostamente divergentes.

Pois numa praça de Jequié, um grupo ligado ao Coletivo Fora do Eixo, o coletivo Borda da Mata, havia se reunido para saudar Yoani Sanchez e o cineasta Dado Galvão, que fez um documentário sobre Cuba, bem sob o ponto de vista do imperialismo norte-americano. Pois Dado também está envolvido com o Instituto Millenium, que por sua vez tem Yoani Sanchez, a blogueira cubana neo-conservadora, como "sócia honorária".

Pois a solidariedade a uma blogueira que, apesar de vender a imagem de "independente", é famosa por suas ideias neoconservadoras, da parte de um "coletivo" aparentemente ligado à cultura alternativa e que se projeta, aparentemente, à esquerda, é bastante suspeito. Assim como já é suspeita a intelectualidade associada, como já descrevemos muito a seguir.

Pedro Alexandre Sanches é cria do mesmo Projeto Folha criticado duramente por José Arbex Jr., da Caros Amigos. Ronaldo Lemos, tecnocrata autor de um livro sobre tecnobrega, também fez parte da Folha de São Paulo.

Há a violenta disparidade do tecnobrega que desmente radicalmente o que Lemos falou do tecnobrega, um "fenômeno sem mídia", quando, o jornal O Liberal e a rádio Liberal FM, veículos da grande mídia paraense, da família oligárquica Maiorana e sócia das Organizações Globo no Pará, deu o maior apoio ao ritmo paraense, que em contrapartida é hostilizado pelo blogueiro progressista Lúcio Flávio Pinto, do Jornal Pessoal, processado judicialmente pelos mesmos Maiorana. Lúcio descreveu o tecnobrega com uma única palavra: "lixo".

Essa contradição toda mexe nos bastidores da intelectualidade etnocêntrica, cada vez mais associada à velha mídia, embora tente dar a falsa impressão contrária, com um discurso que fala em "novas mídias" que, no âmbito cultural, não é mais do que realimentador dos mesmos valores da "cultura popular" da velha mídia.

AÇÕES INTEGRADAS, NO "UDIGRUDI" - Ação "de boa-fé"? Fuga da "orientação nacional" dos "fora do eixo" ou desconhecimento do background direitista de Yoani Sanchez? O apoio solidário à blogueira cubana do grupo de Jequié é algo estranho para a postura "esquerdista" do "coletivo", cujo congresso paulista foi reportado por Pedro Sanches na revista Fórum.

Certo, não dá para ver em Sanches um esquerdista sério, já que o máximo que ele fez foi narrar um abraço entre Dilma e Lula. Aliás, ele havia consentido, numa entrevista com o autor de um livro sobre Wilson Simonal, Gustavo Alonso, quando este fez elogios ao general Emílio Garrastazu Médici, cujo governo foi marcado por intensa repressão que, por pouco, não tirou a vida da nossa hoje presidenta Dilma Rousseff.

Mas o apoio, "ingênuo" ou "despretensioso", à blogueira cubana, mostra o caráter sombrio de uma intelectualidade reunida num "coletivo" que se anuncia como uma rede integrada, o que desmente qualquer orientação "destoante" ou "acidental" ao apoiar a blogueira e o documentarista claramente ligados ao Instituto Millenium.

Pelo menos, no caso do "funk carioca", que nunca foi de fato esquerdista, deixa-se claro o envolvimento do ritmo com as Organizações Globo que só mesmo um tolo para achar que o ritmo carioca não tem ligações com a velha mídia. Ainda corre um discurso neste sentido, mas não é com frequência, até por ser pouco convincente ou verossímil. E até mesmo MC Leonardo colabora com um dos veículos dos Marinho, o jornal popularesco Expresso.

Daí que, quando se falou que existe ligação entre funqueiros e o Instituto Millenium, a única reação que aqueles fizeram foi de silêncio. Como a própria velha mídia, no escândalo tucano da privataria. Porque os fatos estão claros e o "funk carioca" sinaliza explicitamente que, se quiser apunhalar as esquerdas pelas costas, o fará sem remorso.

Já no caso do Fora do Eixo, a situação já mostra uma coisa delicada. Afinal, é um movimento que aparentemente se relaciona ao mercado independente, à cultura alternativa, embora sinalize apoio ao brega-popularesco. Mas até nisso a instituição trabalha dentro de um discurso que se apropria de clichês do Modernismo e da retórica socialista.

Por isso a atitude dos "fora do eixo" em Jequié solta o sinal do alarme. Por estratégia, os "cabeças" do FdE e do Millenium evitam citações mútuas nos respectivos portais. A ação integrada ocorre no "udigrudi" (underground), com um abraço de José Padilha com os "amigos do funk", com o encontro entre Pedro Alexandre Sanches e Gilberto Dimenstein, com um grupo de Jequié defendendo Yoani Sanchez e com Gaby Amarantos aparecendo em "discretos" programas da Rede Globo, que não aparecem no horário nobre.

Tudo isso para não despertar suspeitas. Mas acaba deixando vazar a associação, à velha intelectualidade midiática, de uma intelectualidade que prefere zelar pelo mercadão do midiático brega-popularesco do que pela defesa da verdadeira cultura popular, ameaçada de desaparecimento.

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