segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

EL PAÍS PUBLICOU TEXTO EM DEFESA DO "FUNK CARIOCA". E O ESTADÃO ASSINOU EMBAIXO



Por Alexandre Figueiredo

O "funk carioca" em nenhum momento esteve fora da velha grande mídia. Ele é cria dela, faz parte dela. E mais uma prova disso é que o jornal argentino El País, em reportagem publicada há cerca de um ano, chamou a atenção para a "pacificação das favelas" como fator de "revolução" no "funk carioca", conhecido por suas letras chulas e por sua qualidade sonora ruim por natureza.

Sabe-se que El País é um dos veículos da grande mídia argentina, "perseguido" pela Ley de Medios da presidenta Cristina Kirschner, e a reportagem que publicou foi corroborada pelo colaborador do Radar Econômico de O Estado de São Paulo, Alcides Leite Trevisan, economista e professor da Trevisan Escola de Negócios.

Aliás, para todo efeito, continua valendo aqui o fato de que O Estado de São Paulo é um jornal oligárquico, da ultraconservadora famiglia Mesquita, que adota posições retrógradas desde que surgiu. E que acha melhor apoiar o "funk carioca" e o tecnobrega do que reconhecer as passeatas dos sem-terra, o sofrimento dos desabrigados de Pinheirinho e os protestos contra o desemprego, a violência contra as mulheres e o racismo.

Alcides Leite é figura muito querida pelo pessoal do Instituto Millenium, o famoso clube de intelectuais conservadores do país, versão atualizada do antigo IPES. E foi ele que havia citado a reportagem, apostando no mito de que basta o "funk carioca" abolir temas violentos ou pornográficos que "ficará melhor".

O economista cita um exemplo do "funk carioca" com temáticas "cidadãs", dentro daquela morosidade que conhecemos no chamado "funk de raiz" do começo dos anos 90. É o MC Henrico, intérprete do seguinte trecho, politicamente correto: "O exemplo dos jovens é uma arma e um bandido. Ainda sonho em ver meu filho armado com um livro".

Que livro o tal "filho" do funqueiro deve ler não se sabe. Talvez algum do Merval Pereira ou do Ali Kamel, quem sabe? Ou talvez algum da Yoani Sanchez, por exemplo. Ou, para começar, o tal livro de Pedro Bial, figura mais conhecida, sobre o "doutor" Roberto Marinho. Ou então um livro de Silas Malafaia e suas pregações "religiosas".

O que se sabe é que esse direitismo do "funk carioca" está se tornando mais claro e evidente. E o apoio da velha grande mídia a esse ritmo, independente de suas letras serem ou não "mais vulgares", isso é só um detalhe. O discurso de que botar letras "mais cidadãs" vai melhorar o "funk carioca" não passa de conversa para boi dormir.

Afinal, Valesca Popozuda e Mr. Catra fazem suas grosserias, e eles estão livres e soltos nos ambientes da velha grande mídia. As baixarias que eles promovem não os impedem de serem celebridades aparecendo nas revistas sobre famosos, na TV aberta, até mesmo no colunismo social.

E são até premiados com viagens ao exterior, como no caso da Valesca, que viajou para Hollywood. Quem é que banca essa "gente humilde", "pobre de marré de si", para excursionar no exterior é algo que merece investigação (alô, Caros Amigos, revista Fórum!! Acordem!!).

Botar letras "cidadãs" ou não, embora seja anunciado como uma "necessidade", acaba sendo algo secundário. Até porque o "funk" vende mais com temáticas e posturas mais chulas. E não serão letras "mais cidadãs" que farão o "funk" ficar melhor ou pior, até porque sua natureza sonora é sempre ruim. Mas interessa ao mercado manter o império do "mau gosto". Tudo às custas de uma intelectualidade empenhada em persuadir as plateias.

É como se diz a um desavisado: "É o capitalismo, estúpido!".

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