quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

É O TCHAN: PRETENSIOSISMO ATÉ EM MONOGRAFIA


MÔNICA NEVES LEME USOU DOS MESMOS ARGUMENTOS DE RONALDO LEMOS PARA DEFENDER "FENÔMENO" DO É O TCHAN

Por Alexandre Figueiredo

O pretensiosismo do É O Tchan é notório. Só o jornalista Álvaro Pereira Júnior e seus pares é que ignoram isso.

No último carnaval baiano, um dos vocalistas do grupo, Compadre Washington, disse que o grupo "está resgatando o samba-de-roda do Recôncavo", numa grande incoerência com a realidade do grupo. Afinal, o que o grupo faz é um pastiche de samba de gafieira, nada a ver com o samba-de-roda que aliás é patrimônio cultural autêntico, obtido de forma competente pelo IPHAN.

Mas o pretensiosismo vai além dos próprios limites do estrelismo de seus integrantes e do seu maior líder, o empresário Cal Adan, uma vez que o É O Tchan é um desses grupos "com dono" que gente como o intelectual etnocêntrico Milton Moura (professor da UFBA) acham natural.

A historiadora Mônica Neves Leme, em tese para a UFRJ que se transformou no livro Que Tchan é Esse?, também se identificou com o clima altamente pretensioso do grupo e criou uma obra cheia de inverdades, já comentada aqui. O pretensiosismo se nota em três momentos.

Primeiro, porque Mônica vai muito além nas comparações delirantes do som do grupo, definindo-o não apenas como "samba-de-roda", mas como lundu, um antigo ritmo derivativo do samba. Incoerência pior ainda.

Segundo. Mônica usa o falecido poeta baiano Gregório de Matos para "justificar" as baixarias feitas pelo grupo (inclusive uma letra que alude a estupro, logo o maior sucesso "Segura o Tchan"), como se os contextos de época fossem parecidos e Gregório (que era um satírico) fosse um grotesco de baixa categoria.

Mas o terceiro momento coloca Mônica em "sintonia" com os mesmos argumentos que se vê no livro de Ronaldo Lemos sobre o tecnobrega, Tecnobrega: o Pará reinventando o negócio da música.

Da mesma forma que Ronaldo fala do cenário tecnobrega, atribuindo ao ambiente uma suposta "cultura alternativa" e um pretenso "mercado independente", Mônica vai no mesmo caminho para analisar o cenário do "pagodão" baiano.

Em ambos os casos, a incoerência é gritante, porque sabemos que esses mercados nada têm de alternativos nem independentes, tal é a mentalidade comercial que se equipara, com todo o rigor de semelhanças, com a das grandes companhias fonográficas mundiais. Apenas os empresários não se enriqueceram a ponto de montar escritórios em Los Angeles nem em Miami.

É o mesmo que dizer que lagartixa não é reptil porque não tem tamanho de jacaré. Ou dizer que lagartixa é roedor porque anda pelas paredes e cantos de uma casa. Mas para essa intelectualidade, inverdades são "verdades", porque é ela que detém o monopólio da visibilidade e do poderio acadêmico.

Por isso o comercialismo do brega-popularesco se torna bem mais pretensioso. Sabemos que o É O Tchan nada tem a ver com samba de verdade, muito menos com samba-de-roda. O som do samba-de-roda é muito diferente, as danças também, nada a ver com a bobagem cafona e de cores aberrantes do grupo de Cal Adan.

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