segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

CAMPUS PARTY, TECNOBREGA E OS PSEUDO-EXCLUÍDOS



Por Alexandre Figueiredo

Em ato realmente falho, Carta Capital, muitas vezes, acaba corroborando, na editoria cultural, com os interesses da velha grande mídia. Nem tanto quanto Caros Amigos e Fórum, revistas que aderem à mediocridade cultural achando (erroneamente) que o socialismo entrará no Brasil pelas vias da breguice.

Pressão do distribuidor? O mercado editorial é assim tão mercenário? De onde vêm as regras para a imprensa de esquerda defender tanto a mediocridade cultural, travestida de "diversidade" e outras alegações? Os cimistas reagem com ceticismo, a direita com esnobismo, e a esquerda deixa no vazio qualquer proposta sua de revolução cultural.

Essa reportagem, publicada na Carta Capital de ontem, soa como um jabá do Coletivo Fora do Eixo, entidade cujas ramificações provavelmente chegariam ao patrocínio do magnata George Soros, guru de um dos intelectuais do "coletivo", Ronaldo Lemos.

O texto mostra o evento do Campus Party, que, como acontecimento promovido pelo Fora do Eixo, teve que mostrar as "pratas da casa", como a cantora Gaby Amarantos, ícone do tecnobrega. O Campus Party é um evento de informática e cultura pop, realizado anualmente em São Paulo.

O Campus Party é pseudo-nerd, baseado na expressão em inglês geek, do viciado em informática. Tornou-se, também, a praça dos pseudo-excluídos, de uma classe já abastada que apenas brinca de ativismo social, sem levar os problemas a sério. "Problemáticas" sem problemas, diga-se de passagem.

E, pelo jeito, o Campus Party é pseudo-vanguardista, por conta do modismo um tanto tecnocrático, outro tanto piratista, que são as tais "novas mídias" defendidas pelos "sem eixo". E já travestindo toda a cafonice infiltrada nos seus ambientes através de uma retórica tecnocrática falsamente arrojada.

O evento teve um cartaz até acima da conta na Folha de São Paulo, que dedicou em seu sítio uma seção especial sobre o CP. E a reportagem de Carta Capital teve que admitir que Gaby Amarantos agora é contratada pela Som Livre e terá tema na próxima novela das sete da Rede Globo.

Depois vem aí o Casseta & Planeta e a Beyoncé do Pará, quem sabe, poderá aparecer no programa, ao lado de Marcelo Madureira, o bobo-da-corte do Instituto Millenium que havia saudado mais de uma vez os padrinhos do tecnobrega, os também contratados da Som Livre Joelma e Chimbinha, da Banda Calypso.

Com a mesma choradeira de "preconceito", agora visto como um sentimento derrotado pelo sucesso do "movimento", o tecnobrega traveste sua cafonice com os discursos de "redes sociais" que esconde toda uma estrutura empresarial capitalista e exploradora que está nos bastidores do ritmo paraense.

A mesma reportagem fala sobre o rapper Emicida. Um intérprete sem surpresas, dentro daquela rotina de hip hop à brasileira que, anos atrás, estaria em alta rotação na MTV. A declaração dele é até exagerada, quanto à defesa da pirataria, mas aparentemente ele e Gaby Amarantos acham que haverá um equilíbrio entre a pirataria e o mercado formal.

No entanto, como que isso vai acontecer ainda não sabe. Mas a libertação do mercado não virá, com certeza, na via dos tecnobregas ou funqueiros. Afinal, o que existe por trás da dicotomia "combate à pirataria" e "liberdade digital" é que, neste cabo de guerra todo, perdem igualmente os artistas. Ou seja, eles perdem tanto em um quanto em outro lado.

Do lado da cruzada antipirataria (representada por projetos como SOPA, PIPA, ACTA e, no Brasil, do projeto do senador mineiro Eduardo Azeredo), os artistas vão perder porque o dinheiro arrecadado no mercado legal irá quase todo para editores e empresários, no mercado da "mídia livre" eles também não verão o dinheiro, desviado no mercado informal para... empresários e editores.

Portanto, estamos num beco sem saída. Um neoliberalismo informacional que se mostra trevoso e medieval no lado anti-pirateiro, mas mostra-se "democrático" no lado dos "novos mercados". No fim, é a luta do seis contra a meia-dúzia. E, a julgar que seu maior propagandista, Ronaldo Lemos, escreve para um dos mais conservadores jornais do Brasil, O Estado de São Paulo, é de se desconfiar de sua "rebeldia" teórica.

Portanto, que "novas mídias" são essas? Que "nova cultura"? Que "revolução" é essa? Tudo isso para depois um de seus ideólogos parar numa coluna do Estadão e uma de suas principais cantoras parar na Som Livre e numa trilha de novela da Rede Globo.

Enquanto isso, o povo de Pinheirinho sofre, o de Anapu sofre, o de Nova Ipixema sofre, o de Lauro de Freitas, Nova Iguaçu, Eldorado dos Carajás sofrem, etc etc etc...

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