terça-feira, 17 de janeiro de 2012

VELHA MÍDIA "MINIMIZA" INCIDENTE DO BIG BROTHER BRASIL


DIREÇÃO DO BBB EXPULSA O INTEGRANTE DANIEL, NA TENTATIVA DE SALVAR A REPUTAÇÃO DO PROGRAMA.

Por Alexandre Figueiredo

O incidente do Big Brother Brasil 12 é mais grave do que se imagina. Diante da aparente liberdade dos integrantes do programa - que sabemos ser falsa, já que muitas coisas são decididas pelo diretor, o temperamental Boninho - , um fato escapou às regras do jogo e da própria direção.

Pois o integrante Daniel havia tido um caso com outra integrante, Monique, e os dois estavam deitados sob o edredom. Com as cenas "quentes" transmitida na madrugada de domingo para segunda, surgiram rumores de que Monique teria sido estuprada pelo parceiro.

Como forma de tentar contornar as coisas - e isso depois de um Pedro Bial tolamente dizer que "isso é amor" - , a direção decidiu expulsar Daniel, sem esperar jogá-lo no paredão. É o primeiro incidente deste tipo no programa, cuja edição deste ano já começou estranha com a desistência de dois candidatos aprovados.

A Rede Globo tenta abafar o caso. Já apagou os vídeos do incidente antes disponíveis em seu portal. Mas certamente não irá impedir que outros internautas coloquem o vídeo no YouTube. O vídeo propriamente dito pode não aparecer com frequência, pelo menos quando eu pesquisei sobre o tema "bbb + estupro", mas ele é citado em vários vídeos só pelo título, pelo menos se referindo à repercussão do caso.

A Folha de São Paulo tenta desmentir a decadência do programa atribuindo um "crescimento" de 80% no "ibope" (ou na Datafolha?) do programa, para 36 pontos no dia do "paredão" que expulsou Daniel. Já o portal Terra anunciava uma humilhante queda para 20 pontos.

A mídia jagunça - chamada oficialmente de "imprensa popular" e dividida em jornais e telejornais policialescos e revistas fofoqueiras - assina embaixo com a emissora dos Marinho. No fundo, a insensibilidade dos editores da "imprensa popular", que não possuem compromissos éticos e já estão acostumados em exibir até popozudas na primeira página, se divertem muito com isso.

Até porque a "imprensa popular" só quer vender e faturar em cima. Ela não tem princípios morais, precisa compensar seu preço barato através do cardápio "noticioso" selvagemente elaborado, empurrado para os incautos mais pobres e desprovidos de uma boa escolaridade. E haja jogadores de futebol, "musas" de glúteos enormes, aberrações de todo tipo e muito, muito BBB.

A cena do possível estupro não pode ser vista apenas como um ato isolado de um integrante que já não faz mais parte do "elenco" do programa. A Rede Globo, que permitiu tudo isso e consentiu com o ato, só revendo suas posições depois da repercussão negativa do caso, não sai inocente na ocasião.

Nem ela, nem a velha mídia em geral, aquela que "veste a camisa" do Big Brother Brasil e seus subprodutos. Leia-se "subprodutos" aquelas "celebridades" que participaram das edições anteriores do programa e que, depois, passam o tempo todo frequentando os sítios de famosos só para exibirem suas vaidades em noitadas, noitadas e mais noitadas.

E o que vemos? Gente que nada tem a nos dizer que fica "permanentemente" famosa por nada. Pouco importam os nomes, já que o pessoal vai para as noitadas do mesmo jeito, e a única coisa "relevante" que fazem é "atacar de DJ", de preferência para misturar Calcinha Preta com Black Eyed Peas, um dos chavões dos DJs mais medíocres no nosso país.

No ano passado, a hoje gestante Priscila Pires armou uma confusão durante o Festival de Barretos. Casada - uma façanha, se lembrarmos que a ex-BBB era famosa por relacionamentos "relâmpagos" - , ela quase pôs tudo a perder quando discutiu com o marido e, com a intervenção da irmã deste, Priscila logo agrediu sua cunhada.

E como ficam os intelectuais que defendem o BBB, como defendem todo tipo de expressão do mau gosto, a pretexto de defender tudo que é "popular" (se o povo "gosta", vale até cadáver em composição jogado na rua, né?)? Não dá mais para eles fazerem mais uma choradeira popcreta falando do nosso senso crítico como se fosse uma "histeria moralista de gente preconceituosa".

Os valores são outros. A mediocridade cultural, há muito consentida pela intelectualidade complacente, já começa a ser durante criticada. E não são só viúvos do Rock Brasil e da Bossa Nova, nem nostálgicos de um moralismo flexível dos anos 1950, mas gente que não aguenta mais que alguém defenda um BBB ou um "funk carioca" como se estes representassem uma "moral mais moderna".

Mas nós não somos moralistas, eventos assim é que são simplesmente desprovidos de qualquer ética, de qualquer moral. A permissividade dos abusos humanos - como o suposto estupro no Big Brother Brasil, da mesma forma que qualquer pedofilia nos "bailes funk" - não pode ser confundida com "liberdade moral", até porque, por trás dessa "liberdade", há um fundo conservador na aparente tolerância com a dita "selvageria popular", até porque funqueiros e intelectuais fãs de BBB, no fundo, acabam defendendo a Rede Globo e seus "valores".

Já deu para perceber como essa "liberdade" nada tem de progressista, quando "musas" conhecidas como popozudas posam de enfermeiras e freiras eróticas, e seus defensores - em tese dotados de posições "progressistas" vagas, mas "sob medida" para o leitor médio de Caros Amigos - preferem condenar a reação das verdadeiras enfermeiras e freiras que se saem ofendidas com a paródia.

Não somos "higienistas", apenas queremos que o Brasil recupere um pouco da cidadania que pensávamos entre 1961 e 1964 e cuja evolução foi interrompida com o golpe militar. A ditadura militar deixou o Brasil num nevoeiro existencial que permitiu a ascensão da tal "cultura do mau gosto" (que defino como uma "ditabranda" cultural) que deixou mal-acostumada uma geração nascida posteriormente, incapaz de discernir o som dos tanques com o canto dos passarinhos.

É essa geração, que inclui a intelectualidade etnocêntrica, que se educou nos valores duvidosos do "milagre brasileiro" e do AI-5, alguns até tardiamente, depois do fim da ditadura, mas através do testemunho saudoso de seus pais. Deles, vieram desde intelectuais dotados de visão paternalista sobre a cultura popular até troleiros que arrotam sua arrogância violenta em mensagens na Internet.

Eles podem dizer, mil vezes, que nossas reclamações contra eventos da "cultura de mau gosto" são expressão do "mais cruel preconceito moralista", dentro de seus delirantes argumentos popcretos, cheios de verborragia pseudo-modernista e pós-tropicalista. Podem nos acusar de "higienistas", "elitistas", "saudosistas" etc, com toda sua sorridente "urubologia".

Só não podem freiar o progresso social do país, que um dia irá romper com esses "valores saudáveis" que a intelectualidade etnocêntrica tanto se empenhou em zelar nos últimos dez anos, como uma "milícia" da antiga Era FHC despida de sua farda demotucana e fantasiada de esquerdista para enganar a todos.

Pois essa intelectualidade terá que engolir seco quando seus preconceitos "sem preconceitos" de classe média "esclarecida" perderem o sentido, e todo o espetáculo brega-popularesco que louvaram virar coisa do passado. Como é o Big Brother Brasil, cujo escândalo recente é uma sentença fatal para o fim gradual do programa.

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