terça-feira, 24 de janeiro de 2012

QUE "NOVA MÍDIA" QUER A INTELECTUALIDADE ETNOCÊNTRICA?



Por Alexandre Figueiredo

Que "nova mídia" quer a intelectualidade etnocêntrica, que tanto fala numa "cibercultura popular" num discurso cheio de fantasias, em que pese as posições acadêmicas que garantem o tom "científico" de suas pregações?

Eles falam de "fenômenos" como o tecnobrega e "funk carioca" como se eles não fizessem parte da velha grande mídia. Grande engano. Eles fazem parte, e muito. Eles estão na Globo, na Folha, na Veja, no Estadão, só falta entrarem em Caras. E falta muito pouco.

Fazendo pseudo-militância, eles tentam inverter o discurso para que possam se apropriar de causas progressistas e assim sabotá-las. Tentam creditar como "movimentos sociais" o consumo passivo da "cultura de massa", o espetáculo "alegre" de uma massa conformista, apenas temperado por certas porralouquices da classe média "provocativa".

Acham que basta botar um computador no funqueiro, no tecnobrega ou no bregalhão das antigas que a "cultura popular" - ou melhor, o que gente como Pedro Alexandre Sanches e Ronaldo Lemos entendem como "cultura popular" - entrará na era cibernética, e qualquer bobalhão poderá ser o "Julian Assange brasileiro" apenas cantando bobagens e fazendo mediocridades.

E tudo isso usando as memórias dos falecidos Itamar Assumpção e Oswald de Andrade, que obviamente não podem se defender das bajulações da intelligentzia atual, são usados e abusados na deturpação de suas ideias, de seus princípios, tudo para atender à vaidade de uma intelectualidade divinizada, cheia de compadrios.

Claro, eles não estão aí para falar sobre as distorções do uso de suas ideias para corroborar a mediocridade cultural defendida pelos intelectuais festejados de hoje. E, pior, esses intelectuais vão usando e abusando da memória dos dois falecidos, sob aplausos de uma plateia desinformada nas palestras festejadas desses "pensadores", ou sob elogios ingênuos de leitores que leem Caros Amigos e revista Fórum apressadamente, sem perceber o quanto de Francis Fukuyama o jornalista Pedro Alexandre Sanches oferece ao seu público.

Sim, porque para ele os "paradigmas" da "antiga" música brasileira foram superados. Puro "fim da história" aplicado à Música Popular Brasileira. Agora é misturar alhos com bugalhos, juntando performáticos da música brasileira atual, gênios da MPB obedientes com o mercado e alguns breguinhas (funqueiros, tecnobregas ou o que tiver de brega-popularesco posando de "injustiçado") e transformar a cultura popular numa gororoba para turista ver.

Aí, basta enrolar a opinião pública, falando em "primaveras sociais", "ocupações", "novas tecnologias da informação", "mídias comunitárias" e cooptar tudo que for de movimentos sociais para assinar embaixo na visão etnocêntrica dessa intelectualidade cheia de visibilidade.

E os incautos vão acreditar que o mercado morrerá nas mãos deles, que a velha mídia será golpeada a facões, enquanto, por debaixo dos panos, esses mesmos intelectuais compactuam com a mesma velha mídia que, em suas concorridas palestras, dizem combater.

E aí eles tentam nos convencer de que basta colocar um chip e um modem na cultura brega-popularesca para ela se salvar da mediocridade e entrar no século XXI.

Grande engano. Continuamos em 1990. No máximo, entraremos em 1995, com um É O Tchan fantasiado de seres ciberespaciais. A informática vista acima da mente humana, a globalização acima das realidades locais. Tudo "Disneylândia do mau gosto", consumismo sem cidadania, mas servido aos incautos como se fossem "novas mídias", "cultura do século XXI", "novas expressões das periferias".

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