terça-feira, 24 de janeiro de 2012

PINHEIRINHO E O NERVOSISMO DE GERALDO ALCKMIN



Por Alexandre Figueiredo

A péssima repercussão da ocupação policial na favela de Pinheirinho, em São José dos Campos, deixou Geraldo Alckmin nervoso. Provavelmente entre perplexo e irritado, diante da encrenca em que se meteu, o governador de São Paulo tentou justificar a medida, arbitrariamente feita numa manhã de domingo, praticamente à revelia da lei.

Para não dizer que está indiferente aos fatos, Alckmin prometeu investigar se houve abuso policial na operação. Como se não acreditasse no óbvio, Alckmin disse que vai analisar as imagens para ver se houve excesso de força contra os moradores.

Algumas declarações do governador foram feitas:

"(O excesso de força policial) sempre é avaliado. A operação foi acompanhada por um juiz de direito presente todo o tempo, o doutor Rodrigo Capez, representando o Tribunal de Justiça de São Paulo. Toda a operação foi filmada, documentada. Agora vamos avaliar também", disse o mandatário do estado.

"Acontece que não é uma tarefa simples, mas a polícia tem de cumprir a ordem judicial, que era a desapropriação. O governo não tem essa opção de atender ou não, caso contrário não precisaria ter Justiça. A decisão é uma decisão judicial, que a polícia é requisitada para fazer a execução . O que que nós vamos fazer é junto com a Prefeitura (de São José dos Campos), e tenho a certeza de que o Governo federal também vai ajudar, é tratar da questão social. A Prefeitura já está cadastrando todas as famílias, elas estão tendo todo o abrigamento e as famílias serão por nós amparadas."

No entanto, nada justifica aplicar a medida numa manhã de domingo, sem que a Justiça Federal divulgue seu parecer e tomando toda uma população de surpresa. E, como quem morde primeiro e depois assopra, Alckmin disse querer assistir as famílias desabrigadas.

Sim, porque é isso mesmo que a operação causou: populações desabrigadas. A burocracia cadastral oferecerá paliativos, e vários (ex?) moradores de Pinheirinho foram colocados em ginásios escolares, o que ironicamente indica uma catástrofe, depois da truculência policial, da operação feita de surpresa, do arbítrio do governo paulista.

O patrimônio decadente do especulador Naji Nahas é, para Geraldo Alckmin, mais importante do que as vidas de muitos trabalhadores e suas famílias.

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