domingo, 1 de janeiro de 2012

OS EUA E O BREGA-POPULARESCO



Por Alexandre Figueiredo

O brega-popularesco é uma cultura "meio brasileira". Por eufemismo, os intelectuais etnocêntricos e "divinizados" dizem que é uma "tradição re-criativa e criadora" da assimilação das "periferias" ao que vem de fora, via rádios e TV.

Esses intelectuais dizem isso como se não houvesse, no âmbito cultural, qualquer interferência de interesses comerciais e sócio-políticos na exploração dos chamados bens culturais. E acham que um sambrega ou um breganejo, que não são mais do que caricatura de ritmos estrangeiros (respectivamente, a soul music e o country), são apenas "modernas linguagens pop" dos ritmos originais.

É certo que não ficamos parados no tempo e que não estamos nem queremos ficar imunes à influência estrangeira. Mas existe a assimilação espontânea, através da vontade de cada um, de referências estrangeiras, podendo até mesmo assimilá-las no rádio, desde que por opção própria. E existe, em contrapartida, aquela assimilação subordinada, porque o rádio impõe, porque é "sucesso", porque é "o som do momento".

Portanto, nem tudo que as periferias assimilam e consomem é espontâneo, recriativo ou recriador. Pelo contrário, o brega-popularesco, do contrário que os intelectuais "divinizados" alardeiam e insistem, nada tem de criativo nem sequer de recriativo. E parece deixar os especuladores norte-americanos dormirem tranquilo.

CIA? - Não se sabe até que ponto a Central Intelligence Agency está envolvida nesse processo de controle social do povo pobre. Embora a intelectualidade de hoje ache isso paranóia, faz sentido ver que o imperialismo norte-americano fica feliz com essa pretensa "cultura popular" que o povo consome, mas que a intelectualidade mais influente defende até com um neurótico desespero, em seus argumentos "objetivos" e "sem preconceitos".

Em todo caso, o brega-popularesco molda o povo brasileiro de acordo com os interesses defendidos pelo Departamento de Estado dos EUA. O brega-popularesco desenvolve uma pretensa cultura "brasileira, mas nem tanto", subordinada às regras internacionais do mercadão pop - espécie de "livre-mercado" da cultura - e deixa o povo pobre mais resignado, "anestesiado" política e culturalmente falando.

O mercadão brasileiro tentou exportar alguns ídolos brega-popularescos. Uns claramente com o apoio da direita norte-americana e mesmo latino-americana, como foi o caso de Alexandre Pires. Mas, chegando lá, os ídolos não vingaram, uma vez que eles demonstram ser imitação do que já acontece no hit-parade local. Alexandre Pires, Sandy & Júnior, Ivete Sangalo, para os estadunidenses, "lembram demais" R-Kelly, Roxette (dupla sueca "adotada" pelo hit-parade dos EUA) e Beyoncè Knowles.

Não há como ver originalidade nem sequer recriação no brega-popularesco. Ele é apenas seguidor de normas mercadológicas. Um pouquinho de pop estrangeiro ali, um pouquinho de música brasileira acolá, dentro das regras rígidas do sucesso comercial.

Portanto, se o hit-parade dos EUA - ao qual se submetem, diretamente, também o Reino Unido e outros países da Europa e do eixo México-América Central (que, mercadologicamente, são integrados, sobretudo Cuba, no lado dos dissidentes anti-castristas, e Porto Rico, esta possessão dos EUA) - não corresponde a um reduto de valorização da arte e da cultura, o brasileiro, no qual se incluem bregas, neo-bregas e pós-bregas, muito menos ainda.

Primeiro, porque, independente do colapso da indústria fonográfica e da existência de muitos selos "pequenos" - que, insistimos, reproduzem a lógica mercantil das grandes gravadoras - , o mercadão brega-popularesco segue direitinho cada passo do show business, o que o coloca, seguramente, em detrimento da verdadeira cultura, que nunca se afeiçoa às regras mercantis.

Segundo, porque a velha mídia brasileira - sim, ela existe e está mais do que onipresente nessa suposta "cultura verdadeiramente popular", e bem mais do que se imagina - é associada aos interesses e ditames dos EUA, e vemos isso no perfil ideológico de sua imprensa, de suas TVs, rádios e outros meios. Exemplificar as Organizações Globo, nesse processo, é chover no molhado de tão óbvio.

Portanto, se o brega-popularesco é visto como uma "rebelião" contra o capitalismo norte-americano ou uma suposta expressão da brasilidade plena, essa visão é altamente equivocada. Funqueiros, "pagodeiros", "sertanejos", forrozeiros, bregas em geral e outros são apenas lacaios de um processo capitalista explícito, que nada tem de rebelião popular nem de algo transformador.

É apenas negócio, consumo, entretenimento vazio, sem acrescentar coisa alguma para o povo. Mas que enriquece todos os empresários associados, inclusive os das multinacionais.

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