segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

O TROLOLÓ DA REVISTA "CONTA MAIS"



Por Alexandre Figueiredo

O hype de Michel Teló continua rendendo. O "sucesso mundial" do cantor, superestimado pela velha granda mídia, não bastasse uma sucessão de factóides e uma euforia sensacionalista que está muito aquém da realidade, agora apela pela mesma choradeira que envolve ídolos brega-popularescos em geral.

Pois essa choradeira se divide em duas formas. Se o ídolo brega-popularesco não se tornou um grande sucesso, os comentários contra ele são tidos como "preconceito". Mas se o ídolo brega-popularesco já é um sucesso estrondoso, os comentários digiridos contra ele ganham outra definição, a da "inveja".

Claro que não é um nem outro. Não é preconceito, porque quem não gosta de ídolos popularescos verifica mais do que aqueles que gostam, geralmente anestesiados pelo "dramalhão" pessoal que supostamente antecedeu o sucesso de cada ídolo. E não é inveja, porque inveja pressupõe alguém querer estar no lugar do ídolo para fazer a mesma coisa, e isso é coisa que os críticos não fazem.

Pois é esse o pretexto da revista Conta Mais, um dos ícones da imprensa fofoqueira - espécie de variação "glamourosa" da imprensa jagunça - , usou para a matéria de capa de sua edição mais recente, falando que o "sucesso" de Michel Teló era vítima de "inveja".

Superestimando o sucesso como se fosse uma unanimidade, a revista, dirigida pelo ex-jurado do Programa de Calouros de Sílvio Santos, Décio Piccinini, toma como ênfase nas "ações invejosas" um comentário irônico de Bruno Medina, membro do grupo de rock Los Hermanos, que "sugeriu" para Teló passar o ano todo fora do Brasil.

Ironicamente, Bruno é colega de banda do cantor e guitarrista Marcelo Camelo. Em que pese seu grande talento e pelo entrosamento artístico com Maria Rita Mariano, a filha de Elis Regina que canta muitas composições de Camelo, este costuma ser complacente com nomes popularescos como Ivete Sangalo e Kelly Key. Aliás, Ivete também foi "vítima" da "inveja" hoje atribuída ao jovem breganejo paranaense.

Só a "pérola" escrita no anúncio publicitário da revista, no sítio da Editora Escala, é ilustrativa de que a mídia força a barra para promover certos fenômenos midiáticos: "Algumas músicas são como chiclete: guardam nos nossos ouvidos e, por mais que a gente jure de pés juntos que nem gosta dela, de repente se pega cantando. Que atire a primeira pedra quem nunca se deu conta de estar cantando 'ai se eu te pego, ai ai...delícia, assim você me mata...'. E assim, Michel Teló, que emplacou o hit não só no Brasil como nos mais inusitados cantos do mundo, vai colhendo os frutos do sucesso".

História de pescador perde diante de lorotas neste sentido. A impressão que se tem é que Michel Teló, de repente, se equiparou à histórica chegada dos Beatles aos Estados Unidos, que transformou a banda de Liverpool em fenômeno mundial. Mas só um tolo para acreditar que Michel Teló foi realmente um fenômeno mundial.

Como acreditar numa mídia que condena os movimentos sociais, que se cala diante da corrupção dos políticos tucanos, quando ela diz que Michel Teló "faz tanto sucesso no exterior que é mais tocado do que Adele"? Essa mentira escancarada, que no fundo é feita para fortalecer o poderio da velha mídia na manipulação da opinião pública, é derrubada quando a realidade que surge além do perímetro midiático desmente tais ilusões.

Pois Adele, a jovem cantora de soul music britânica, é muito mais tocada que Michel Teló, que dentro dos parâmetros do que é tocado constantemente nas várias rádios da Europa - com reflexos nos EUA, ou talvez por reflexos vindos do país norte-americano - , é apenas um ídolo menor, de projeção minúscula, quase imperceptível diante de dezenas de ídolos norte-americanos, ingleses, franceses, espanhóis, italianos, alemães etc que rolam diariamente nas emissoras de rádio europeias.

Isso sem falar que Michel Teló não é um cantor de MPB, por mais que reclamem os complacentes de plantão (Caetano Veloso incluído). E, em termos de música brasileira, a MPB autêntica - que não necessariamente lota plateias com facilidade, mas se preocupa primeiro com a qualidade musical - tem muito mais espaço nas rádios europeias do que qualquer fantoche lançado pelo brega-popularesco.

Neste sentido, intuimos que até mesmo uma "rotineira" Maria Rita Mariano tem 90% de chances a mais de fazer sucesso na Europa do que Michel Teló. O mercado estrangeiro é exigente, e é certo que existem rádios comerciais e jabazeiras lá, mas o senso crítico dos europeus, capazes de, com o continente em crise, realizar manifestações sociais relevantes, minimiza qualquer ídolo mais rasteiro que tente dar sua cara por lá.

Por isso, criticar o sucesso de Michel Teló nada tem a ver com inveja, mas com coerência. Mas, para uma revista que endeusa o Big Brother Brasil e as celebridades supérfluas do "imaginário popular", não dá para levar a sério seus trololós impressos.

Como toda revista de fofocas, Conta Mais não tem compromisso com a realidade. Vive de factóides sobre gente famosa. E o "sucesso mundial" de Michel Teló não é mais do que a maior fofoca da atualidade.

Conta outra, equipe do Conta Mais, porque esse "sucesso" de Michel Teló é papo velho.

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