domingo, 22 de janeiro de 2012

O PROTESTO CONTRA A TRUCULÊNCIA POLICIAL EM PINHEIRINHO



Por Alexandre Figueiredo

Tudo parecia tranquilo. A população de Pinheirinho tinha um direito provisório de permanecer no lugar, enquanto a Justiça avaliava a questão da reintegração de posse, de um lado, e os pedidos de manutenção da comunidade popular de São José dos Campos, de outro.

Movimentos sociais e políticos esquerdistas faziam negociações, e a princípio debates e acordos eram feitos para uma solução pacífica e benéfica para as populações. Até que um imprevisto ocorreu na manhã de hoje, chocando a todos.

Todo mundo foi pego de surpresa. E era uma manhã de domingo. O governador Geraldo Alckmin, dando uma "ajudinha" para o colega de partido, o prefeito Eduardo Cury, resolveu mandar cerca de 2 mil policiais para expulsar, na marra, o povo de Pinheirinho.

Vendo interesses econômicos como prioridade, e em detrimento violento com o interesse público, Alckmin não mediu escrúpulos para expulsar os moradores de Pinheirinho, como quem expulsa um vira-lata de sua casa.

Para piorar, os interesses econômicos em jogo se relacionam aos antigos donos do terreno, a massa falida da empresa de alimentos Selecta, do especulador financeiro Naji Nahas, um dos figurões da corrupção político-empresarial brasileira.

Ou seja, Alckmin ignorou os apelos de gente trabalhadora, ou talvez desempregada, mas que em todo caso não tem outro lugar para morar. Gente que já vive suas dificuldades, e preferiria que Pinheirinho fosse mantida e a comunidade passasse por um projeto justo de urbanização, com qualidade de vida, área verde e espaços de lazer.

Em vez disso, o governo de São Paulo simplesmente apelou para a ação de despejo, sem aviso, e sem esperar qualquer resposta da Justiça, ainda que fosse favorável para a causa de Alckmin e Nahas. E, fazendo puro jogo sujo, o governador paulista decidiu fazer isso numa manhã de domingo, bem cedo, horário em que a maioria dos moradores ainda está dormindo, se bem que, se estivesse acordada, também não seria razão para tal arbítrio.

A mídia associada, que costuma ser solidária com o truculento e medieval governador (ligado à retrógrada entidade Opus Dei), acabou sofrendo a justa represália dos moradores desesperados. Sim, poderia parecer vandalismo, mas era uma reação à truculência da PM do governo paulista, este sim com sede de terrorismo.

Um dos carros queimados era uma viatura da TV Vanguarda, afiliada à Globo, mas outros veículos comuns também foram incendiados, depois de serem usados pelos moradores como barricadas para dificultar o acesso dos policiais à comunidade.

Do saldo, noticia-se um ferido grave no incidente. Chegou-se a falar em sete mortos. Certamente o governo tentará minimizar a tragédia ou, quando preciso, culpar os moradores pela "selvageria" contra uma "ação legal".

Aliás, é uma "ação legal" que nada tem de legalidade. Primeiro, porque foi feita sem esperar qualquer resposta judicial definitiva. Segundo, porque foi feita num domingo. E mostra o quanto o governo paulista, que já havia feito truculência similar contra os usuários de crack no centro da capital, não sabe lidar com a coisa pública.

Mas o PSDB é isso aí, um partido que mostrou a arrogância de José Serra e Fernando Henrique Cardoso, e mostra a brutalidade de Geraldo Alckmin, que queria mesmo fazer provocação contra os moradores de Pinheirinho.

Por isso não fará sentido se o governador paulista dizer, amanhã, que "tentou fazer uma retirada pacífica" dos moradores do local. Com caveirões, policiais violentos e todo um armamento pesado, com toda a certeza o governador havia preparado uma operação de guerra. E tratou os pobres moradores como se fossem uma multidão de bandidos.

Como se Naji Nahas fosse um cidadão honesto...

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