terça-feira, 31 de janeiro de 2012

O FASCISMO DE GERALDO ALCKMIN



Por Alexandre Figueiredo

Geraldo Alckmin mostrou não ter vocação democrática, através das arbitrariedades que fez nos casos da "cracolândia" e, sobretudo, de Pinheirinho. Nos dois, parece que Geraldo não foi um governador democraticamente eleito, mas se comportou como se fosse um governador biônico, nomeado pelo regime militar, vivendo nos tempos do AI-5.

Sem se atentar sobre as implicações sociais que estão por trás dos viciados de crack que consumiam o entorpecente nos arredores do centro de São Paulo, Alckmin acionou a polícia numa operação que, apesar do simpático nome de Operação Centro Legal, em parceria com o ex-aliado Gilberto Kassab (formando outro grupo político na centro-direita, mais "fisiológico"), não foi mais do que uma caçada policial aos supostos "vagabundos arruaceiros".

Sim, porque era isso que os viciados eram tratados. Gente sem emprego, deixada à própria sorte muitas vezes por conflitos familiares, falta de moradia, falta de trabalho, falta de qualquer esperança, e que ainda por cima ainda levava dura nos policiais truculentos e sem qualquer capacidade de refletir sobre suas brutalidades.

E a operação não combateu o tráfico. Os traficantes são os primeiros a fugir, têm até informantes por trás, vão vender o crack em qualquer outro lugar. Possuem também outros distribuidores, outros atravessadores. Ou seja, se Alckmin queria acabar com o pior, não acabou.

A situação até complicou. O "centro legal" ficou mais perigoso. Os viciados, além de assustados, ficaram mais revoltados, e isso pode aumentar a insegurança nas ruas. Afinal, para os viciados descontarem a repressão policial que sofreram em qualquer cidadão que aparecer andando ou indo de carro, as chances serão maiores disso acontecer.

Quanto a Pinheirinho, Alckmin parece ter sentido saudades da ditadura militar. Tanto no arbítrio da lei quanto do rompimento de qualquer legalidade que beneficiasse realmente os cidadãos. Ou seja, o que os juristas chamam de legalidade democrática.

Simplesmente sem esperar que alguma decisão judicial definitiva seja feita, Alckmin fez uma operação policial de surpresa, numa manhã de domingo, horário em que muitas pessoas dormiam ou se preparavam para mais um dia, principalmente de trabalho, porque nas comunidades pobres é comum que muita gente trabalhe nas manhãs de domingos e feriados para garantir um pouco mais de renda para a família, muitas vezes numerosa.

Imagine então se houvesse algum morador de Pinheirinho que, naquele dia, fosse fazer uma prova de concurso, e ver aquela truculência policial na sua frente. Seria um fato comprometedor, que poderia tirar o futuro profissional desejado pelo morador, cuja revolta com o ocorrido certamente iria lhe tirar, no caso, a concentração necessária para fazer a prova que ele tanto precisa para passar para um emprego estável.

Dramas pessoais ocorrem e a insensibilidade de Geraldo Alckmin o fez ser comparado a líderes fascistas. Filiado ao grupo católico medieval Opus Dei, o governador de São Paulo teria retrocedido uns dez séculos, não fosse o aparato policial "sofisticado" de uma operação de guerra. Qualquer semelhança com filmes de pancadaria não é coincidência.

Pois o Estado policialesco do governo Alckmin envergonha a todos. O caráter de surpresa da operação de desocupação de Pinheirinho tornou-se um dos mais humilhantes episódios vividos pelo povo paulista que havia aceitado colocar Alckmin no poder mais uma vez.

Em ato digno de um líder fascista, Geraldo Alckmin desprezou o interesse público, e, por ter realizado um ato arbitrário à revelia de todos e pegando os moradores do bairro popular de São José dos Campos de surpresa, Alckmin fez um verdadeiro ato de arbítrio combinado com improbidade administrativa.

Afinal, o governador paulista preferiu defender a propriedade falida (por má administração) de um especulador financeiro. Ignorou mais de 2 mil famílias, milhares de moradores. Atropelou a lei e fez uma ação de suspresa, rasteira, cínica, e por isso mesmo desonesta, porque feita à sombra da lei, sem consulta popular nem sequer jurídica.

Por isso, Geraldo Alckmin se desgasta violentamente, como um político retrógrado, sem vocação com a coisa pública, altamente reacionário, intolerante, conivente com a corrupção e até amigo dela (ou seja, um corrupto em potencial), já que pertence ao grupo político que realizou uma das maiores "festas" com o dinheiro público nacional, como cuidadosamente investigou Amaury Ribeiro Jr. no livro A Privataria Tucana.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...