quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

O CARÁTER SUPERFICIAL E TEMPERAMENTAL DAS MUSAS "POPULARES"


JOANA MACHADO E MARIA MENOUNOS MOSTRAM SEUS CORPÕES NAS PRAIAS. COM UMA GRANDE DIFERENÇA: A SEGUNDA É MUITO MAIS QUE UM CORPO SARADO.

Por Alexandre Figueiredo

O machismo enrustido brasileiro, que não suporta quando outros homens não-machistas acusem os machistas como tais, está em séria crise até no âmbito das "musas populares", que cada vez mostram seu caráter superficial e temperamental.

Dias atrás, a "modelo" Joana Machado, conhecida pelo seu pavio curto, armou uma grande confusão em um parque infantil em Búzios. É certo que foi por causa de uma criança que esbofeteou no filho de Joana, mas ela exagerou e ignorou os apelos de uma mãe pedindo para evitar a briga, xingando os pais e mães, os funcionários do parque e o garoto agressor. Ao lado de Joana, estavam o pai dela e o namorado da moça.

Confusões assim acontecem envolvendo essas "musas". E isso envolve paniquetes, mulheres-frutas, ou "modelos" que "mostram demais" na mídia. Ou seja, não bastasse a mesmice delas mostrarem seus corpos nas praias, boates, ambientes de ginástica, elas ainda perdem a cabeça por pouca coisa.

E olha que a intelectualidade etnocêntrica tentou defini-las como "feministas", só porque elas faziam sucesso sem a aparente interferência de namorados ou maridos. Uma tese falsa, ainda que defendida por gente "de gabarito" como o antropólogo baiano Roberto Albergaria, pela cineasta Denise Garcia e pela jornalista Bia Abramo (que esqueceu das lições de seu pai Perseu e de seu tio Cláudio).

Pois o que essas musas fazem é tão somente defender valores machistas que, como muitos valores reacionários, são dissimulados na medida do possível para serem servidas para a intelectualidade média de esquerda.

E, como os valores no Brasil estão transformando muito, seja pela pressão de seu progresso social, seja pela pressão dos acontecimentos mundiais, isso reflete na crise violenta do brega-popularesco, seus ídolos, símbolos e valores. Uma crise que, por enquanto, não "raspou" os bolsos de seus empresários e dos barões do entretenimento em geral, que aparentemente fazem que nada acontece e transformam o espetáculo popularesco num processo repetitivo.

Mas se negar a crise é tão somente ter que sacar dinheiro para sustentar seus valores e símbolos, então não existe crise econômica na Europa e bastaria um showmício-monstro para recuperar a credibilidade dos políticos tucanos.

A própria crise das paniquetes (ou panicats), agravada pela crise de reputação do programa Pânico na TV e da crise administrativa e econômica da Rede TV!, mostra o quanto "musas" que só se valem da exibição do corpo andam desgastando. Fora os punheteiros de sempre e da mídia mais cafajeste - sobretudo o portal Ego, das Organizações Globo - , a crise de imagem dessas "musas" é um fato indiscutível.

No exterior, vemos, por outro lado, a ascensão de musas que, certamente, mostram seus belos corpos nas praias e outros lugares, mas são dotadas de inteligência e capacidade de dar boas entrevistas e transmitir boas ideias nas conversas com os amigos. E, pasmem, muitas atrizes surgidas no universo teen, como Dakota Fanning e sua irmã Elle Fanning, Hailee Steinfeld e a hoje adulta Emma Watson, surpreendem pelo seu charme , beleza e pelas boas entrevistas que dão.

É certo que lá surgem também aquelas moças superficiais que, surgidas nos reality shows ou em revistas "sensuais", não fogem sequer do contexto da exploração midiática de seus corpos. "Musas" como JWoww e Tila Tequila, no entanto, não conseguem se sobressair, tão a falta de graça das mesmas e da falta de algo importante a fazer que não mostrar seus corpos sarados.

No entanto, as mulheres de verdade são aquelas que não vivem da formosura física. Elas mostram seus corpos conforme o contexto, mas se for preciso deixam de mostrar a formosura, usando trajes discretos e se envolvendo em outras atividades.

Há também o caso da jornalista, atriz e apresentadora de TV Maria Menounos. Norte-americana descendente de gregos, Maria mostra seu corpão em eventos públicos e recentemente apareceu na praia, com seu generoso biquíni. Mas ela, que fala vários idiomas, inclusive o grego, dá boas entrevistas e é uma apresentadora que passa segurança e desenvoltura, sem precisar passar a imagem de "gostosa" o tempo todo.

No Brasil, existem várias mulheres dotadas de inteligência e desenvoltura. E são elas que levam vantagem no imaginário masculino e na vida amorosa. Porque mulher que só vive mostrando o corpo cansa, a beleza física um dia passa e o que sobrará das "popozudas" de hoje só será um ostracismo melancólico e deprimente. E que nenhuma irritação poderá reverter, muito pelo contrário. E, até lá, o país será outro, sem os valores bregas de hoje.

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