sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

A HIPNOSE COLETIVA DO BIG BROTHER BRASIL



Por Alexandre Figueiredo

Beleza, o Brasil. A intelectualidade nacional vive de ficar defendendo modismos como se fossem a "salvação da lavoura". Tentam deixar de lado questões de estética ou gosto, e pouco estão preocupados se o país anda degradado ou não.

Pois é essa permissividade que garante a manutenção da pasmaceira, da mesmice que não dá a menor contribuição de progresso social para as classes populares. Pelo contrário, elas se limitam ao consumismo pleno, que não é cidadania.

E não dá para relativizar, não. Porque de um lado temos as classes populares da vida real que sofrem conflitos, infortúnios e tragédias. De outro temos as "classes populares" da "vida real", entregues ao mais compulsivo consumismo de "bens culturais" marcados pela superficialidade, em todos os seus aspectos.

Evidentemente, à classe média intelectualizada, os nossos conhecidos intelectuais "divinizados", todos "cheios da razão", interessa a manutenção do laissez-faire popularesco. Tentam justificar pela "liberdade", "diversidade cultural", "respeito ao outro", "ruptura do preconceito" etc, mas no fundo só querem ver o povo pobre amestrado pela televisão e pelo rádio FM.

E mais uma vez um desses subprodutos vem à tona, o Big Brother Brasil, que recebe a adesão, infelizmente, dessa classe média permissiva, no fundo aliviada ao ver que os movimentos populares do Oriente Médio, da Europa e dos EUA não chegam ao Brasil, quando muito ao Chile e Argentina.

Pois o Big Brother Brasil, cobaia dos delírios verborrágicos das monografias da intelectualidade "divinizada", que no momento já "relativiza" os malogros do "fenômeno" Michel Teló de forma "mais positiva", é o espetáculo da superficialidade humana.

O BBB, agora na sua 12ª edição, o BBB 12, novamente mostrará pessoas ociosas, desejosas de lucro - o tal prêmio do programa - , cuja única obsessão é a curtição vazia, compulsiva, consumista e narcisista. Nenhum acréscimo à vida dos cidadãos. Aliás, nenhuma cidadania.

Além disso, antes que a intelectualidade média "de esquerda" venha a glorificar o programa nas suas campanhas de "relativização do grotesco", tudo pelo bem da "apologia à pobreza" que tranquiliza as classes médias altas, é bom deixar claro que seu apresentador e animador maior, o jornalista-poeta Pedro Bial, é um dos diretores do Instituto Millenium, o clube por excelência dos temíveis tucanos. E até seu parodista do Casseta & Planeta, Marcelo Madureira (que fez o Pedro Miau), também está junto.

Certamente a intelectualidade etnocêntrica ficará em silêncio quanto a este detalhe. Para ela, defende-se os valores da velha mídia sem que se defenda propriamente a velha mídia. Mas se a instituição "velha mídia" é combatida, ao menos no discurso, seus princípios e valores são mantidos.

Só que o que a intelectualidade etnocêntrica não percebe é que, defendendo os valores, princípios e símbolos da velha grande mídia, se está defendendo a velha grande mídia de qualquer jeito. E haja quatro meses para aguentar, "relativizadamente", as chatices dos participantes do Big Brother Brasil, que, depois do ocorrido, voltarão ao flash dos famosos através de noitadas, noitadas e mais noitadas.

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