segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

FERNANDO MORAIS FEZ O QUE O FORA DO EIXO NÃO TEVE CORAGEM



Por Alexandre Figueiredo

No Fórum Social Temático, o jornalista Fernando Morais mostrou toda sua firmeza e coerência quando afirmou, sem hesitar, que não mexeria um palito para trazer a blogueira Yoani Sanchez ao Brasil.

Ele acrescentou que qualquer campanha midiática a favor de Yoani é, na verdade, uma campanha em defesa dos interesses dos EUA em oferecer sérios bloqueios à nação centro-americana. Morais admite que o governo cubano comete erros, mas diz que nada justifica a intervenção norte-americana para enfraquecer Cuba.

Essa declaração se deu pouco depois de uma manifestação feita em Jequié, pelo Coletivo Borda da Mata, ligado ao Coletivo Fora do Eixo, em favor a Yoani Sanchez e ao documentário feito por Dado Galvão sobre Cuba. Dado Galvão é ligado ao Instituto Millenium, que abriga, entre seu quadro de sócios ou dirigentes, de Pedro Bial a Reinaldo Azevedo, passando por Marcelo Madureira e Marcelo Tas, e que também apoia a blogueira cubana.

Eu vi Fernando Morais numa palestra feita no Circuito Cultural Banco do Brasil, no Rio de Janeiro, em 2009. Junto a ele, estava o conservador Paulo César Araújo, o historiador dos bregas, do qual não dá para entender por que ele é o queridinho da chamada "esquerda frágil", com aquele ar melancólico mais para alguém a um passo de ganhar uma coluna de Veja.

Mas isso é outro assunto, pois Fernando Morais é um grande jornalista, como poucos, e pude ler deliciosamente - mas, num dado momento, de forma apressada (peguei emprestado de uma biblioteca) - o livro Chatô, o Rei do Brasil, sobre o empresário da mídia Assis Chateaubriand. Eu não li o livro Olga, mas vi sua adaptação cinematográfica com a bela Camila Morgado no papel da esposa de Luiz Carlos Prestes, de cuja relação gerou a hoje historiadora Anita Leocádia Prestes.

E, claro, como todo pensador veterano, Fernando Morais vê as esquerdas de forma realista, em vez de um deslumbramento meio esquizofrênico dos mais jovens que misturam pretensiosismo esquerdista com ideias neoliberais, querendo juntar valores de cidadania com livre mercado num só bolo (fecal, de preferência).

Por isso, ouvir os mais velhos é bom. Achar como o jornalista Pedro Alexandre Sanches - que talvez queira receber, às escondidas, a blogueira cubana com quase o mesmo sobrenome - , que "só os mais jovens prestam", é reduzir as coisas na questão meramente etária. É verdade que idade é relativa, mas a sorte dos mais velhos é que eles conheceram uma realidade que os mais jovens hoje só conhecem através dos livros.

A própria mídia deturpou a realidade. A velha mídia deturpou tanto que os conceitos são confusos. A Idade Mídia é a idade das trevas e Yoani é tão "ativista social" quanto Michel Teló é "cidadão do mundo".

No fundo, Yoani Sanchez é um ícone dessa "conscientização" sem consciência que, depois dos anos 90, tomou conta da juventude média brasileira. E que simboliza a mesma gororoba de personalidades que a mídia empurra ao público, junto à Valesca Popozuda, Michel Teló, Neymar, Luciano Huck, Eike Batista, Mr. Catra, Thiaguinho, Geisy Arruda, Justin Bieber e a Luíza que voltou do Canadá.

Por isso é admirável a coerência de Fernando Morais, de uma linha de intelectuais e jornalistas que não quer saber de "socialismo de mercado", de "cidadania de escritório", de "folclore de proveta" ou outras esquizofrenias que os mais jovens, movidos por Rede Globo, Folha de São Paulo, Jovem Pan 2, Veja, 89 FM (sobretudo a fase pseudo-roqueira), por Xuxa, Luciano Huck, Pedro Alexandre Sanches, Paulo César Araújo, Gugu Liberato, José Luiz Datena etc, acreditam.

Novamente se fala: seria melhor o Brasil voltar a ficar nos eixos.

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