terça-feira, 17 de janeiro de 2012

EPISÓDIO DO BBB12 GERA CRISE NO PROGRAMA


É BOM O PEDRO BIAL FICAR DE OLHO. O PROGRAMA VIVE SÉRIA CRISE.

Por Alexandre Figueiredo

A repercussão negativa do caso do possível estupro cometido no Big Brother Brasil na madrugada pós-dominical já começa a gerar uma séria crise no programa, na verdade uma franquia do programa original da produtora holandesa Endemol que já teve algumas versões, como a da Grã-Bretanha, encerradas por definitivo.

A expulsão de Daniel, como forma de "limpar a barra" do programa, não conseguiu resolver a situação e o "paredão" habitual, transmitido ontem, teve sua audiência computada em 20 pontos, inferior aos 22 registrados nos momentos críticos da edição do ano passado.

Já se falava em decadência do programa, há um ano. E os 22 pontos já foram considerados uma queda histórica de audiência. Pois agora o "avanço" da queda, de 22 para 20, já sinaliza a decadência do programa, juntamente com os efeitos que o incidente de Daniel contra a colega Monique vão causar daqui em diante.

A Folha de São Paulo tentou desmentir a decadência, falando num "crescimento" de 80%, falando em 36 pontos. Mas, para um jornal que faz coro a muitos interesses da Globo, já dá para perceber o trololó do jornal da famiglia Frias para manter a "aura" do programa.

Não é segredo algum o superficialismo do programa e o estímulo aos instintos mais baixos, quase animalescos (não fosse o mínimo de dignidade biológica dos animais irracionais, protegidos pela Mãe Natureza), de seus integrantes. Também não é novidade o baixo nível intelectual da maioria de seus integrantes, sobretudo nas cinco últimas edições.

Não vamos aqui detalhar as exceções brilhantes, mas cabe reconhecer os méritos do político e jornalista Jean Wyllys e a atriz Grazi Mazzafera, porque eles já tinham uma trajetória própria antes de entrarem no BBB 5. Jean já foi meu colega na UFBA e, além de universitário, já trabalhava como um dedicado jornalista profissional. E Grazi, que já foi Miss Paraná, já era modelo e tinha seus planos profissionais antes de "ser BBB".

Mas eles foram exceção, e hoje mostram sua admirável competência na mídia. O mesmo, infelizmente, não ocorre com outras "celebridades" de proveta que hoje se limitam apenas a exibirem suas vaidades em noitadas.

A repercussão do caso Daniel e Monique já dá o tom de que essa rotina cansou. Os próprios ex-BBBs que só vão a noitadas nem são mais chamados para vários eventos, já que se tornam inúteis, nada acrescentam sequer a imagem das boates, restaurantes e festivais que outrora os contratavam.

O desgaste do Big Brother Brasil fez com que o caso do suposto estupro ecoasse em vários blogues progressistas, com ecos também no blogue de Marco Antônio Araújo, conhecido como O Provocador, e no Conversa Afiada de Paulo Henrique Amorim.

Certo, eles trabalham na emissora concorrente, a Rede Record, que faz festa com qualquer tropeço cometido pela emissora dos irmãos Marinho. Mas isso vai muito além da mera concorrência. Marco Antônio, por exemplo, afirma que a realidade deu uma boa lição no reality show da emissora, e Paulo Henrique reclama por que a Rede Globo não tem sua concessão cassada, já que uma simples alusão a estupro sugere o estímulo a este crime.

Isso porque os BBBs são vistos, pelo cidadão médio, como "ideais de vida", por piores que eles sejam. Afinal eles, em tese, são "gente como a gente", pessoas "comuns" que se tornam "famosas".

Se um rapagão aparentemente estupra uma moça embriagada, tudo parece natural aos olhos de quem desconhece princípios éticos e morais e vê na curtição uma liberação desenfreada de instintos. Para pessoas assim, o já ex-BBB Daniel é "tudo de bom", é "show de bola", é "déiz" (sic).

Raphael Tsavkko Garcia, Altamiro Borges, Conceição Oliveira, Renato Rovai, Eduardo Guimarães, o blogue Escrevinhador (com Rodrigo Vianna publicando texto de Igor Felippe Santos) e até mesmo o blogueiro que lhes escreve já escreveram textos sobre o caso, o que mostra que muita coisa irá acontecer.

Igor, blogueiro ligado ao MST, reclamou, com razão, que a Rede Globo aprontou um escândalo gigantesco e paranóico com a invasão de tratores derrubando um laranjal numa fazenda obtida por grilagem (processo ilegal de apropriação de terras, através de documentos falsos), imagem que se tornou "antológica" na "urubologia" jornalística brasileira. No entanto, a mesma Globo prefere se omitir diante do escândalo potencial do caso Daniel do BBB 12.

Certamente a Rede Globo de Televisão e seus braços-irmãos - é bom deixar claro que o canal pago Multishow também tem sua edição do BBB e há canais próprios para quem compra pacotes avançados de TV por assinatura - vão minimizar o problema, dizer que Daniel já foi expulso e pronto.

A Globo já apagou os vários vídeos do possível estupro, na tentativa de evitar maiores transtornos. Mas semanas atrás até seu antigo executivo, o Boni, definiu o Big Brother Brasil como porcaria na cara de Pedro Bial e serviu de um puxão de orelha para o arrogante diretor do BBB, o próprio filho de Boni, o Boninho.

Pedro Bial já disse que "o show deve continuar". Mas é bom Bial e as Organizações Globo ficarem de olho. Afinal, o país muda e os referenciais culturais dos "longos anos 90" - onde o mercado mandava e desmandava, e a cidadania que se danava - estão sendo postos em xeque, já não mais permitindo que alguém seja tido como "preconceituoso" por criticar os fenômenos "culturais" da velha mídia.

O Big Brother Brasil entrou num processo de crise que só se intensificará daqui por diante. O caso do suposto estupro é apenas efeito natural do seu absurdo formato. A cultura não é um vale-tudo em que a ignorância se expressa a bel prazer e os instintos substituem a inteligência e o bom senso.

Daí que o incômodo do BBB não pode vir de pessoas "higienistas", mas de gente preocupada com o exercício da cidadania, garantido pela Constituição, mas desrespeitado por certos "espetáculos" da velha mídia.

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