domingo, 8 de janeiro de 2012

EM TEMPOS DE MICHEL TELÓ, "SERTANEJO UNIVERSITÁRIO" TENTA SE JUSTIFICAR



Por Alexandre Figueiredo

A indústria de "coitados" continua produzindo seus nomes, e mais intérpretes se autopromovem através da fórmula fácil de reclamar contra o preconceito.

A dupla que se conhece como João Bosco & Vinícius, nome que mercadologicamente desvia o público mais jovem dos verdadeiros artistas da verdadeira MPB, o cantor mineiro João Bosco - que acaba de lançar novo LP - e o poeta Vinícius de Moraes, é também conhecida pelos fãs arrogantes e fascistas que contrastam com o aparente alto astral da dupla.

Não se pode criticar um deslize da dupla que esses fãzinhos - espécie de "urubólogos" do jardim de infância, os Reinaldos Azevedos do amanhã - logo disparam algum desaforo. Para eles, fica uma insegurança de que sua ilusão de aparente unanimidade desaparecesse na medida em que seus ídolos são criticados, mas o reacionarismo deles também não salva a reputação dos mesmos, até pode atrapalhar e botar tudo a perder.

Pois só mesmo na velha mídia para ver o nível provinciano e superficial de percepção das coisas. A dupla deu a referida entrevista no Domingão do Faustão, o Olimpo brega do entretenimento da velha grande mídia, a "sala de recreio" do padrão paleo-midiático das Organizações Globo.

Na entrevista com a tal dupla, os dois reclamavam do "preconceito" que o tal "sertanejo universitário", que o roqueiro Lobão, com todo o seu jeito neocon recente, tem razão ao definir como "agrobrega", teve da crítica especializada, esse Leviatã desconhecido, sem forma definida nem membros conhecidos, talvez um grupo pequeno que incomoda traumaticamente qualquer ídolo brega, neo-brega e pós-brega.

Aí cria-se um "maniqueísmo" tolo entre o "sertanejo antigo" - fala-se não da música caipira autêntica, é claro, mas do "sertanejo" já bregalizado dos anos 80 e 90 - e o "universitário", talvez tão "universitário" quanto os reaças do Comando de Caça aos Comunistas da Universidade Mackenzie.

Isso porque tanto faz ser o "sertanejo antigo" quanto o "universitário". Chitãozinho & Xororó também cantavam músicas "mais dançantes". No fundo, os dois "sertanejos" são iguais um ao outro, porque se baseam nos mesmos elementos de diluição da antiga música caipira, esta ameaçada de desaparecimento.

Afinal, essas duas "vertentes" do "sertanejo" brega, ou breganejo, apenas diferem na embalagem. O rótulo "universitário", que pouco tem a ver com a inteligência atribuída aos estudantes universitários, não é mais do que uma embalagem mercadológica para vender breganejos para as zonas urbanas e até para capitais litorâneas.

"Sertanejo universitário" é um nome pretensioso, oportunista e sem relação com a realidade, mas no fundo poderia se chamar "urbanejo" ou "sertanemo", se a primeira sugestão não fosse comercialmente inexpressiva e a segunda não fosse pejorativa, apesar da clara associação entre o "sertanejo" dos cantores mais recentes e o som "emo" de nomes como NX Zero e Restart.

Aliás, o próprio "sertanejo universitário" foi "inaugurado" com uma apresentação ao vivo entre a dupla de "sertanejo antigo" Chitãozinho & Xororó com outro grupo emo, Fresno.

Atualmente, o filão é representado por Michel Teló, hoje foco de factóides que o colocam falsamente como "sucesso mundial", talvez creditado pela intelectualidade etnocêntrica, de forma grotescamente equivocada, como um cruzamento de Bono Vox com Julian Assange. Nem um, nem outro, evidentemente.

Afinal, Michel Teló é tão "sensacional" quanto uma bobagem lançada no YouTube. E o "sertanejo universitário" nem difere muito de tudo isso. Até porque é fácil inventar duplas assim, cantores do gênero podem surgir até nas mais ricas mansões dos Jardins, em São Paulo. E a "criativa" dupla João Bosco & Vinícius se autopromoveu com uma música de Jason Mraz transformada em "Chora Me Liga", com arranjos de forró-brega, antecipando o "Ai Se Eu Te Pego".

Antes que a patota perder tempo com coisas assim, sugere-se que esses jovens baixem a crista, deixem de arrogância e desaforos e se dediquem a ouvir o Não Vou Pro Céu, Mas Já Não Vivo No Chão, do João Bosco verdadeiramente MPB e leiam os poemas de Vinícius de Moraes.

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