segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

"CRACOLÂNDIA" E A OPERAÇÃO POLICIALESCA DO GOVERNO PAULISTA



Por Alexandre Figueiredo

A ação policialesca feita pela operação policial contra os consumidores de crack em São Paulo, "acomodados" numa área do Centro da capital paulista, conhecida como "cracolândia", só fez complicar a situação dos viciados na droga, em vez de significar qualquer ajuda.

A Operação Centro Legal, como foi denominada a medida, feita em conjunto pelo governador paulista Geraldo Alckmin e pelo prefeito da cidade Gilberto Kassab - em que pesem os dois agora estarem em planos políticos ligeiramente opostos - , foi tão somente um ato de truculência, que não via diferenças entre usuários e traficantes.

Muitos desses usuários são moradores de ruas ou favelados, gente pobre que, sem perspectiva de vida, são jogadas para a tentação fácil e escapista das drogas. Gente que não tem a quem recorrer, e pela falta de oportunidades acaba se comportando feito animais jogados à própria sorte.

Embrutecidos, deprimidos, irritados e desconfiados de tudo e de todos, os viciados em crack tornam-se agressivos por conta do sofrimento que se acumula após tantas desilusões. E a operação feita pela polícia, que se limitou a uma mera "remoção" de gente na base do porrete e dos gritos de ordem, no começo deste ano, nem de longe resolveu a questão.

A truculência da polícia só fez causar mais indignação entre eles. Pois a tal operação nem foi de assistência social e muito menos de promoção de segurança. E, com toda certeza, a medida policial nem de longe trará tranquilidade para os paulistanos, porque foi apenas uma repressão pura, que pode representar uma reação futura dos reprimidos.

A situação tornou-se até pior, pois segundo informa o Último Segundo, portal de notícias do IG, um projeto assistencial do Tribunal de Justiça de São Paulo, que iria instalar um posto permanente para atendimento dos viciados, já que a ação policial fez com que os "moradores" da "cracolândia" ficassem ainda mais desconfiados.

O desembargador da Coordenadoria da Infância e Juventude, Antônio Carlos Malheiros, afirmou que a medida do TJ-SP terá que ser reestruturada, sendo um plano completamente diferente do que havia sido planejado antes, por causa dos efeitos psicológicos da repressão policial.

Além disso, a Operação Centro Legal não impediu que outras "cracolândias" surgissem no Centro paulista. Pelo contrário, elas se multiplicaram em pequenos redutos de consumo e venda de crack. Portanto, a ação policial deixou a situação pior do que antes.

Resta saber como responderão à sociedade o prefeito Kassab e o governador Alckmin, expressões políticas do mais retrógrado conservadorismo ideológico, diante do potencial eleitorado que, em âmbito municipal, será chamado às urnas.

Porque o grupo político do PSDB-DEM e do recém-formado PSD de Kassab passarão por um duro teste nas urnas, que irão julgar se vale a pena manter ou não esse grupo no poder. E, com a repressão policial que só fez as ruas de São Paulo ficarem ainda mais perigosas, os eleitores poderão surpreender com seu protesto contra o tucano-kassabismo.

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