domingo, 15 de janeiro de 2012

BRASIL FORJOU "PENTA" PARA ABAFAR CPI DO FUTEBOL


BRASIL x INGLATERRA, NA COPA DE 2002 - Seleção britânica parecia "fraca demais" do que o costume no segundo tempo do jogo.

Por Alexandre Figueiredo

A "brilhante" performance da Seleção Brasileira de Futebol na Copa de 2002, que celebrará 10 anos este ano, na verdade teria sido uma grande armação. O "histórico" pentacampeonato, na verdade, trata-se de mais um dos capítulos das manobras de Ricardo Teixeira, presidente da CBF mas com boas relações com os "cartolas" da Fifa.

O futebol brasileiro não era lá grande coisa em 2000, 2001. Não é preciso ser cronista esportivo para entender isso. Mesmo a Rede Globo, a maior interessada pelo espetáculo do fanatismo futebolístico brasileiro, reclamava das performances instáveis dos jogadores brasileiros.

Era sempre o mesmo refrão: "Sem convencer a torcida, Brasil vence jogo por tais pontos" (geralmente um placar "magro", tipo 1X0 , 2X1). As jogadas eram burocráticas, os jogadores brasileiros não avançavam nos adversários, os lances eram muito tímidos, e os gols eram feitos mais por questão de sorte do que de grande habilidade.

Quem entende de futebol, então, sabe muito bem disso. É só comparar os times europeus, incluindo suas seleções, com a Seleção Brasileira. Os europeus contam com velocidade, capacidade de dribles, de avançar nos adversários na caminhada para o gol. Muito diferente do "bailinho" que os jogadores brasileiros costumam fazer presos ao seu campo de defesa.

É nesse contexto que o futebol brasileiro entrava no século XXI esbanjando a mais pura mediocridade. Já não mostrava condições reais sequer para entrar numa copa do mundo. Refém dos anunciantes internacionais - sobretudo a Nike - e atolado pelos interesses gananciosos dos "cartolas", como são conhecidos popularmente os dirigentes esportivos, a Seleção Brasileira de Futebol também sofria pela falta de entrosamento de sua equipe.

Pois as eliminatórias para a Copa do Mundo de 2002, no ano anterior, mostravam isso. A Seleção Brasileira não mostrava segurança nos jogos, e parecia mesmo que não iria passar para uma vaga no campeonato internacional. E mesmo o bajulador da "seleção", Galvão Bueno, já reclamava das jogadas inseguras e das vitórias apertadas.

No entanto, como que por um "milagre", a seleção do Chile, que não é normalmente um time fraco, se comportou, nas eliminatórias, ao enfrentar os jogadores brasileiros, como um clone do Tabajara Futebol Clube. Como um grande ator de teatro que faz um papel de débil-mental, os jogadores chilenos pareciam "piores" e "atrapalhados" além da conta, e deram de graça a vaga da Seleção Brasileira para a Copa do Japão e da Coreia do Sul.

Mas o outro lado da "festa", no entanto, acontecia nos bastidores do futebol. Ocorria, no Congresso Nacional, a CPI do Futebol, que envolveu dirigentes até do Flamengo e do Vasco (advinhem: Eurico Miranda!) na época, e um esquema de lavagem de dinheiro, sonegação de impostos e evasão de divisas (ou seja, desvio de dinheiro para o exterior).

Além disso, havia o envolvimento de "cartolas" com radialistas e jornalistas esportivos, e houve até mesmo uma "bolada" entre Ricardo Teixeira e o banqueiro Aloísio Faria, dono do Delta Bank e ex-sócio do Banco Real, proprietário da Rede Transamérica FM, grupo de emissoras de rádio que poucos analistas associam à mídia golpista, mas que desta faz parte com muito gosto.

Diante desse grande escândalo do futebol brasileiro, que poderia comprometer o poderio de Ricardo Teixeira e causar grande indignação popular, o "cartola" teve que fazer sua "magia" pondo suas cartas na manga.

SELEÇÃO FRACA E FORTES "MAIS FRACOS AINDA"

Tanto a campanha das eliminatórias de 2001 quanto o campeonato internacional de 2002 foi uma série de armações. Os adversários da Seleção Brasileira de Futebol pareciam mais fracos do que habitualmente costumam ser. É verdade que todo time perde e ganha, mas a "derrota fácil" dos pesos pesados do futebol ou de seleções consideradas de bom desempenho nos faz desconfiar do outro lado, as vitórias fáceis demais da Seleção Brasileira nesse período.

O que se viu nesses jogos envolvendo a Seleção Brasileira de Futebol foi praticamente um roteiro pré-estabelecido. Na prática, a Copa de 2002 não passou de um jogo eletrônico praticado por Galvão Bueno, que "torcia" pela "seleção", e Ricardo Teixeira, que "manobrava" cada um dos adversários.

Na Copa de 2002, notava-se um "roteiro" pré-estabelecido para dois tipos de adversários dos jogadores brasileiros. Os mais fracos sofriam uma goleada fácil, em partidas que pareciam "peladas" de várzea. Já os mais fortes sofriam uma derrota apertada e suspeita, sobretudo o estranho jogo contra a seleção da Inglaterra.

Este jogo foi o mais esquisito da copa, em que pese um jogo anterior que cujo árbitro coreano fez uma irregularidade em favor da Seleção Brasileira, algo que quase "melou" o campeonato. A seleção inglesa tinha tudo para ganhar a partida, já que os jogadores brasileiros, além de inseguros, estavam irritados. Ronaldinho Gaúcho cometeu uma falta e recebeu cartão vermelho.

Neste jogo, que contou com o super craque David Beckham, que não goleou, a seleção inglesa até conseguiu derrotar os fracos brasileiros no primeiro tempo. Mas, no segundo tempo, os jogadores ingleses praticamente "não jogaram", deixando, numa atitude estranha para um time assim, o campo de defesa "livre" para os brasileiros fazerem seus dois gols.

O jogo, se resultasse na derrota da Seleção Brasileira de Futebol, seria o fim do sonho do pentacampeonato em 2002. Era o jogo da "volta para casa". E, estranhamente, outras seleções fortes tiveram desempenho "ruim" na Copa de 2002. Era muita coincidência tantos times considerados bons sofrerem derrotas humilhantes, todos eles, enquanto a fraca seleção brasileira vencia "fácil demais", praticamente sem encontrar resistência no campo adversário.

Na partida final contra a Alemanha, outro comportamento estranho foi dos jogadores alemães que, derrotados, não demonstraram um desapontamento sequer. Parecia que eles haviam cumprido um trabalho que ninguém sabe exatamente o que foi, mas deve ter sido tramado pelos bastidores.

Mas a Copa de 2002 demonstrou-se tão artificial quanto a Guerra do Iraque em 1991, se é para se comparar o futebol com as batalhas bélicas, tão do gosto dos fanáticos da bola. E a Seleção Brasileira de Futebol poderia ter ganho seus últimos três prêmios em outras copas, como o Tri em 1966, o Tetra em 1982 e o Penta em 1986.

Além de termos contextos sócio-políticos menos negativos (em 1966 havia a ditadura militar, mas nesse tempo o povo ainda ia para as ruas, sobretudo os estudantes), e a geração 80, de Zico, Roberto Dinamite, Paulo Roberto Falcão e o saudoso Sócrates, tinha mais humildade que os jogadores atuais e fazia melhores jogadas em campo.

A "COPA" DE RICARDO TEIXEIRA E DA GLOBO - Muita gente fala que a Copa do Mundo da França, de 1998, foi marcada pelas pressões da Nike sobre a Seleção Brasileira de Futebol, quando o principal patrocinador ordenou que o jogador Ronaldo Nazário entre em campo, mesmo com fortes dores nos pés. A pressão contribuiu, na época, para a derrota da Seleção Brasileira, na final contra a seleção da França, com o agressivo craque Zidane como destaque.

Nessa época, a França foi a espertalhona do campeonato. Mas na Copa de 2002, temos que admitir, foi a Seleção Brasileira de Futebol que desempenhou esse papel. Afinal, o evento não foi a copa dos torcedores brasileiros - perto da festa de 1958, 2002 não passou de uma entediante festinha infantil - , mas foi a "copa" de Ricardo Teixeira e da Rede Globo de Televisão.

Foi a Globo que deu ênfase ao comportamento patético de torcedores ingênuos, que sem saber metade do que rola nos bastidores pulava histericamente diante de cada "vitória" da "seleção". Era o espetáculo midiático do sensacionalismo esportivo, numa época em que a velha imprensa ainda exercia incólume sua supremacia e a noção de showrnalismo mais conhecida ignorava o âmbito esportivo, justamente o paraíso astral do sensacionalismo da imprensa e da mídia.

Ninguém falou, nesses "momentos felizes", que houve também a pressão dos anunciantes, e que um contrato com Ronaldo Nazário e o então ascendente Ronaldinho Gaúcho valiam mais dinheiro do que o do marido da ex-integrante das Spice Girls. E que o "penta" foi fruto mais das pressões da Nike do que por qualquer mérito natural da "seleção", que, pelo que se viu, foi medíocre.

Afinal, a Seleção Brasileira de Futebol, em 2002, não estava essa maravilha toda para vencer uma copa. Os jogadores não estavam entrosados, não havia jogadas seguras, e tudo o que se viu foi a estranha atitude dos adversários não marcarem seu campo de defesa quando jogadores como Ronaldo, Ronaldinho Gaúcho e Rivaldo se dirigiam para o gol.

As seleções estrangeiras estiveram piores do que realmente são, e a Seleção Brasileira parecia muito melhor do que realmente era. Há fortes indícios de que a Copa de 2002 não passou de uma copa fictícia, calculada pelos interesses dos "cartolas", e de um campeonato marcado pela manipulação de resultados tão comum na corrupção esportiva. E que, no caso brasileiro, só serviu para desviar a atenção da corrupção que ocorria na época nos bastidores do futebol brasileiro.

Desculpe por estragar a festa dos torcedores brasileiros, mas sejamos realistas: graças a Ricardo Teixeira, a Seleção Brasileira de Futebol foi mais vilã do que heroína na mais estranha copa do mundo da história do futebol.

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