quarta-feira, 30 de novembro de 2011

AO "POVÃO", AS MIGALHAS CULTURAIS



Por Alexandre Figueiredo

Ninguém percebeu por que realmente a intelectualidade etnocêntrica, essa claque animada da direita cultural que quer impor seus pontos de vista para as esquerdas, quer mesmo com a defesa intransigente do brega-popularesco, definido sob o eufemismo de "cultura das periferias", sendo "periferia" um jargão retirado explicitamente da Teoria da Dependência do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

É a classe média alta, abastada, com medo do avanço dos movimentos populares, que faz com que ela se aproprie do antigo acervo cultural das classes populares, além de se apropriar de todo artista vindo das classes pobres que faça música com inteligência e criatividade que apareça na mídia.

Para isso, ela reserva, para as classes populares, o "povão" e a "ralé" que o politicamente correto rotula com o eufemístico termo de "periferia", o medíocre e intragável brega-popularesco sem pé e nem cabeça.

Integrar o brega-popularesco à MPB não resolve essa disparidade de um povo desprovido de seu próprio passado cultural, diante das elites abastecidas de todo o rico acervo cultural de nosso país, confinado nos museus ou nas estantes dos seus melhores apartamentos de luxo.

Isso porque o ídolo brega ou neo-brega, quando desfilado ao lado de um intelectual de nome ou de um artista de MPB ou de Rock Brasil, é tratado como se fosse uma mascote. Ele nunca seria visto, de fato, como um artista superior que ele nunca é nem se esforçou em ser.

Por outro lado, a gravação do cancioneiro de MPB por ídolos bregas e neo-bregas não os faz mais criadores. Pelo contrário, reduzem-se eles a crooners de algo que, claramente, é superior a eles, afinal trata-se de um mero recurso, banal e fácil demais, de um cantor medíocre usar uma canção, alheia, de melhor qualidade, para tentar alguma associação mais nobre.

As elites intelectuais até tentam argumentar, dizendo que o povo pobre "é capaz" de ser "mais criativo" ao "recriar" músicas alheias ou influências de fora. Balelas. Mera bajulação elitista de uma classe abastada que havia descoberto que o povo pobre outrora fazia coisas geniais e hoje está entregue à escravidão das rádios FM controladas por oligarquias regionais.

Ponha-se terno e gravata em cantores, duplas e grupos de "sertanejo" e "pagode romântico". Tente-se uma associação, tendenciosa e falsa, do tecnobrega e do "funk carioca" a um caleidoscópio de referências musicais e historiográficas. Encha-se seus palcos de luz. Trabalha-se os seus ídolos com um marketing e uma assessoria de comunicação de ponta. Nada disso irá confirmá-los como legítima cultura popular. Por quê?

Porque tudo isso só serve para expressar o pretenso assistencialismo da intelectualidade etnocêntrica e "divinizada", "santificada" pelos internautas médios, beneficiada pela aparente unanimidade dos textos, vídeos e palestras produzidos por seus pensadores ideólogos.

E esse pretenso assistencialismo expressa o caráter paternalista dessa intelectualidade que, demonstrando uma aparente cordialidade, trata como "movimentos sócio-culturais" o passivo entretenimento brega-popularesco para evitar que os verdadeiros movimentos sócio-culturais venham à tona.

Daí, até um Salvador Fest da vida é creditado, falsamente, como o nosso "Ocupar Wall Street", pela intelectualidade que só faz falar mas é "santificada" a todo custo. Não há busca do Google que apresente, fora este blogue e outros poucos, outros textos que ponham em xeque a "santidade" de um Paulo César Araújo ou Pedro Alexandre Sanches da vida.

Para essa intelectualidade, no fundo a serviço dos barões da velha mídia, por mais que aparentemente se volte contra esta, atribui-se um Salvador Fest, uma "aparelhagem", um Rio Parada Funk da vida, como "nosso Ocupar Wall Street", para que não haja um verdadeiro equivalente do Ocupar Wall Street nas ruas brasileiras.

Para os intelectuais de elite, o povo pobre tem que fazer o papel de bobo-da-corte de suas vaidades culturais. O entretenimento brega-popularesco é "divertido" para as elites intelectuais não porque elas gostam realmente dele, e elas próprias falam que "não é preciso gostar dele". Mas é a miséria transformada em espetáculo, as classes populares reduzidas a micos de realejos, enquanto as elites intelectuais, esnobes, dizem que "tudo é lindo e maravilhoso", bajulando o "povão" atribuindo-lhe no discurso uma falsa "luminosidade cultural".

O "povão" tem que ficar resignado, ficar na sua indigência cultural, definida, por eufemismo, como "autossuficiência das periferias". E é estarrecedor que esses intelectuais, encharcados de ideias de Fernando Henrique Cardoso, ainda tenham que, ainda que timidamente, atacar o ex-presidente. Mas, evidentemente, eles não criticam o ex-presidente por extenso, apenas combatem a sigla FHC, para não causar problemas com seu mestre maior.

O "povão" é tratado pela intelectualidade "santificada" como um bando de vira-latas, de "bons selvagens". A intelectualidade roubou dele o legado dos antigos sambistas, sanfoneiros, violeiros etc, jogando no seu lugar a mediocridade de sub-produtos do jabaculê radiofônico, que produzem sambregas (falsos sambistas), breganejos (falsos violeiros), forrozeiros-bregas (falsos sanfoneiros que nem sanfona têm mais, enquanto se servem de mil dançarinas), axézeiros (falsos afrobaianos) e até bregas antigos (falsos seresteiros) e funqueiros.

O estelionato cultural faz com que essa indigência cultural do rádio oligárquico seja visto como "expressão das periferias", quando, na verdade, se existe algum "criador" nessa suposta "cultura das periferias", esse "criador" é o programador de rádio, ou o editor de revistas - no caso de promover musas "popozudas" - , que na prática é uma espécie de capataz do latifúndio cultural da velha grande mídia.

A intelectualidade elitista, ao elogiar o brega-popularesco, na verdade quer impor sua superioridade decisória na avaliação da cultura popular. O povo não decide coisa alguma, só "possui" a voz da mídia popularesca tida como "sua", mas é a voz dos "coronéis", dos políticos carreiristas, dos capatazes e ex-jagunços convertidos em barões do entretenimento.

A classe média alta é que agora "entende" de Cartola, Nelson Cavaquinho, Luís Gonzaga, que pesquisa tudo e todos, que faz um discurso dócil. E que chora quando alguém descobre que eles falam a mesma língua dos "urubólogos" e "calunistas" da velha mídia, apenas diferem no modo com que trabalham esse discurso.

O "povão", subordinado, é enganado quando dizem que o cardápio midiático de música brega ou neo-brega, musas "popozudas" e imprensa brucutu é a "moderna cultura popular". Ela nem pode ter esse rótulo, porque nada contribui para a evolução das classes populares. Ela apenas glamouriza a pobreza e contribui ainda mais para a acomodação e o anestesiamento cultural das periferias.

Ao "povão", se jogam as migalhas culturais e os "restos" de nossa riqueza cultural que as elites não precisam mais ou que permitem que o povo pobre usufrua.

terça-feira, 29 de novembro de 2011

QUANDO A INTELECTUALIDADE SÓ QUER SABER DO 'PLAYLIST' DAS RÁDIOS



Por Alexandre Figueiredo

A defesa da dita "cultura da periferia" pelos intelectuais influentes não passa de uma grande farsa, de uma grande falácia. O discurso que eles trabalham só serve para reafirmar o establishment do entretenimento dominante, expresso por uma suposta "cultura popular" que não é mais do que uma lavagem cerebral planejada pelos barões da grande mídia e do entretenimento do país.

É só comparar a cultura popular autêntica, que constitui na grande diversidade cultural do nosso país, com os bregas e neo-bregas amestrados pela indústria do entretenimento. Vai uma grande diferença. E, o que é pior, com um nível inferior de qualidade, isso apesar do maior acesso às informações que se tem via Internet.

Trata-se de uma geração estranha de intelectuais, que no entanto ainda dispõe de toda visibilidade e de todo um culto de adoração mútua entre seus pares. E que, alinhada à cultura de direita, no entanto quer que sua visão seja a visão de cultura popular que as esquerdas deveriam assumir.

Intelectualidade estranha: sendo comprometida a pensar, reprova o pensamento crítico. "Sem preconceitos", tem o preconceito maior de ver o senso crítico como expressão do "preconceito". Para ela, "não ter preconceitos" é aceitar o estabelecido pelo mercado e pela mídia do entretenimento, sob o pretexto de que esse estabelecido possui "razões" que todos nós "não podemos completamente entender".

É um discurso anti-científico, mas se impõe à comunidade científica. É um discurso sentimentalóide, que se impõe como "objetivo", em monografias, resenhas, artigos e documentários. É um discurso confuso, que se autoproclama esclarecedor. É um discurso publicitário, que tenta dizer "a verdade". E que, supostamente dedicado à expressão das classes populares, na verdade vai contra sua verdadeira expressão.

Que intelectualidade é essa que se alegra tanto em ser contraditória? Cientistas sociais e críticos musicais que choramingam, feito criança contrariada, quando alguém diz que adotam ideais direitistas sobre cultura popular, e classificam o senso crítico de outro como "preconceituoso", só porque vai contra os sucessos radiofônicos do brega-popularesco?

Hoje essas pessoas, nos seus 30 a 50 anos, eram felizes na infância vendo a televisão da ditadura militar, o rádio do "milagre brasileiro", e o que eles defendem é a pseudo-cultura "popular" que vigorou nas rádios e TVs que batiam continência para os generais Médici e Geisel e apoiavam abertamente seus seguidores civis, Fernando Collor e Fernando Henrique Cardoso.

É só perceber os "artistas" que eles defendem, quase todos alinhados de uma forma ou de outra ao direitismo cultural: Waldick Soriano, Michael Sullivan, Alexandre Pires, Chitãozinho & Xororó, DJ Marlboro, É O Tchan, Mr. Catra, Zezé Di Camargo & Luciano, Gaby Amarantos, Chiclete Com Banana, Banda Calypso.

Até quando apelam para a MPB, escolhem nomes que são até reconhecidamente talentosos, mas também andam alinhados com a ideologia de direita, como Roberto Carlos e Caetano Veloso.

É essa intelectualidade que se diz "de esquerda"? Que prefere defender o radinho e a televisãozinha da empregada doméstica? Que pensa que a empregada gosta realmente de toda aquela cafonice através da qual os barões da mídia manipulam os corações e mentes das classes populares?

A sociedade se evolui, as manifestações sociais ocorrem, mas no Brasil a intelectualidade etnocêntrica que dita suas normas para as esquerdas fica com o mesmo temor das madames do movimento Cansei.

À primeira manifestação de protesto nos EUA ou no Chile, o intelectualóide brasileiro médio - mas altamente endeusado pelos seus pares - vai correndo, correndo para o computador tentar lançar a tese delirante que um show do Calcinha Preta da vida é que equivale ao Ocupar Wall Street de lá.

Suas teses são muito estranhas. Tentam creditar a imbecilização cultural da mídia como uma "genuína expressão" da "natural felicidade de um povo". Tentam creditar a hegemonia mercadológica do brega-popularesco como se fosse um "não-mercado", uma "mídia alternativa", um "mercado independente" ou um "processo que passa longe (sic) dos interesses da grande mídia".

Como se as FMs de grande audiência do nosso país não fossem, elas também, controladas pelos barões da grande mídia. A maior patrocinadora do "funk carioca", a Beat 98, é das mesmas Organizações Globo cujo jornalismo é reconhecidamente oposto aos interesses sociais. Será que a famiglia Marinho não estaria também ao lado dos funqueiros, essa gente traiçoeira que anda enganando as esquerdas de graça?

O mesmo ocorre com a rádio O Liberal FM, do Pará, que dá o maior apoio ao tecnobrega. Que, mais do que um ritmo consumido pela maioria, é um ritmo defendido pelos Maiorana, a famiglia midiática de lá, que anda processando o jornalista progressista Lúcio Flávio Pinto, que definiu o "injustiçado" tecnobrega como um lixo.

Isso sem falar da Bahia FM, ou de outras FMs de Salvador que tocam axé-music e seus subprodutos, como o "pagodão" rebolativo e o arrocha, que são veículos herdados explicitamente pelo poderio de Antônio Carlos Magalhães, já que muitas dessas rádios foram dadas de presente para afilhados políticos quando o "cabeça branca" era Ministro das Comunicações.

As elites detentoras do poder econômico não iriam manipular a opinião pública pelo colunismo político mal-humorado. Acreditar nisso será muita ingenuidade. O "povão" é manipulado pela cafonice reinante, pela breguice compulsiva, que lhe subtrai o senso crítico, a busca por conhecimento e a evolução dos valores sociais.

O brega-popularesco quer ver os pobres resignados, quer ver os idosos das classes pobres morrendo pelo alcoolismo, as crianças e adolescentes na sub-escolaridade, a cultura popular fragilizada pelos enlatados culturais norte-americanos.

Uma periferia manipulada culturalmente pela velha grande mídia nem de longe pode ser considerada "criativa". Por trás dessa "criatividade" dos fenômenos da "cultura de massa", claramente subordinada a padrões conservadores e dominantes de entretenimento, há o interesse associado dos barões da grande mídia e do entretenimento.

A cultura popular é livre, mas não pela cabra-cega do entretenimento ditado por rádios e TVs. A cultura popular não vai ao sabor do vento, mas possui motivações sociais. Por isso esse brega-popularesco pode ser altamente popularizado e consumido pela maior parte das populações pobres do nosso país.

Mas, não produzindo conhecimento nem valores sociais - até mesmo seus ídolos mais veteranos se comportam como se estivessem aprendendo a fazer música pela primeira vez - , essa suposta "cultura das periferias" nada tem de cultura genuinamente popular.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

FUNQUEIROS MATAM MOTORISTA E PRATICAM ASSALTOS



COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: "Isso, isso, põe a culpa no funk. É para isso que nós servimos. O preconceito de vocês é implacável", diria um dirigente funqueiro ao ver uma nota dessas. É assim que se expressa a arrogância às avessas do "funk", sempre posando de vítima, quando na verdade apenas não quer ser criticado de forma alguma.

Pior, a campanha toda do "funk" cria um clima de histeria e um complexo de superioridade de seu público que acaba por fazê-lo ainda mais agressivo, brutal e arrogante. E, quando são contrariados, são capazes de assassinar um trabalhador e roubar sua carteira.

Principalmente um motorista que sofre as pressões do seu trabalho dentro de um modelo tecnocrático de transporte coletivo da cidade de São Paulo. Ele teve um mal súbito e por isso provocou o acidente de trânsito que irritou os funqueiros.

Na noite de sábado último, os "pacíficos" funqueiros, além de terem linchado o motorista até a morte, roubaram sua carteira e assaltaram os demais passageiros, além de terem depredado o veículo.

Ué, cadê o "movimento social"? Os funqueiros não eram amigos da classe trabalhadora? Fala sério...

SP: motorista linchado será enterrado no dia que faria 60 anos

Por Hermano Freitas - Portal Terra

O corpo do motorista de ônibus Edmilson da Silva, morto na noite de sábado, aos 59 anos, é velado desde as 17h no Cemitério da Vila Albina, zona leste de São Paulo. O enterro será na terça-feira, às 9h, dia em que ele completaria 60 anos, segundo sua mulher, Digeane da Silva Alves, 35 anos.

Muito abalada, a dona de casa disse apenas que espera que os responsáveis sejam punidos. "Eu só peço justiça, porque o meu marido ninguém traz de volta", disse a viúva. Edmilson foi linchado por moradores na noite de domingo após perder o controle do veículo e atingir diversos carros e motos no Jardim Planalto, no bairro do Sapopemba.

O clima no velório era de revolta, consternação e alguma preocupação. Uma das amigas presentes ao enterro, que amparou Digeane enquanto caminhava para que ela não caísse, disse que tem medo de passar pelo local onde o crime ocorreu. "Depois do que aconteceu anteontem, eu fico preocupada até de falar alguma coisa", disse a empregada doméstica, que não quis se identificar.

Ela afirmou que conhecia muito bem a vítima e que ele costumava deixar ela entrar sem pagar no ônibus. Motoristas e cobradores presentes ao enterro disseram que o sindicato da categoria entrou em um acordo com a Viasul, empresa onde Edmilson trabalhava, para manter a linha fora de atividade até que ele seja enterrado.

O cobrador do coletivo afirmou que o motorista teve um mal súbito e por isso bateu o carro. Ele foi socorrido ao Pronto-Socorro do Hospital Sapopemba, mas, segundo o hospital, já chegou sem vida. O acidente ocorreu por volta das 23h40 na rua Torres Florêncio e Rielli. Testemunhas afirmaram que ali acontecia um baile funk.

O ônibus bateu em um furgão e atingiu mais dois carros e três motos antes de uma passageira puxar o freio de mão. Os frequentadores do baile funk teriam se revoltado com o acidente, depredado o veículo e espancado o motorista. O caso foi registrado na 70ª DP.

TRANSMIL: A ESTRANHA PERSISTÊNCIA DE UMA EMPRESA RUIM



Por Alexandre Figueiredo

Que o sistema de ônibus no Estado do Rio de Janeiro, que era considerado referência para todo o país, está em crise - sobretudo na capital, em que o modelo de padronização visual prevalece, mas fracassa completamente - , não é segredo algum. Mas, no Grande Rio, o que chama a atenção é a insistência de uma empresa falida e deficitária de continuar circulando.

Essa empresa é a Turismo Trans1000. Ou Transmil, para os íntimos. Sua sede é em Mesquita, na Baixada Fluminense. A empresa teve um passado excelente, quando, sob o controle do Grupo Guanabara, tinha ônibus rodoviários e ônibus urbanos longos, chegando a ter alguns com motor Scania.

Mas a decadência da empresa se deu nos últimos cinco anos, quando, já sem ônibus rodoviários, deixou de comprar carros novos grandes - os últimos novos que havia adquirido eram do tipo "micrão" ou "midibus" - , a empresa passou a viver de "migalhas" de outras empresas.

Nos últimos anos, a Transmil passou a fazer toda sorte de erros, equívocos e transtornos, irritando os passageiros que só tem essa empresa como opção para irem ao Rio de Janeiro. Teto furado que faz haver goteiras nos ônibus em dias de chuvas, retrovisor quebrado substituído por espelhinho de barbear, pneus carecas, lataria de ônibus amassada, assentos que se desprendem dos bancos, ar condicionado enguiçado ou enferrujado.

Isso para não dizer que os carros mais recentes da frota da empresa foram fabricados em 2006. É a aquisição mais recente, de apenas 20 carros de comprimento curto, incapazes de cobrir a demanda de passageiros. E até o óbvio transtorno de esperar horas por um ônibus a Transmil oferece, já que suas linhas possuem uma frota pequena, e o setor Mesquita, logo a sede da empresa, é o mais prejudicado, com linhas que chegam a circular com menos de dez carros.

É só fazer uma viagem da Praça Mauá ao Trevo das Margaridas - que liga a Av. Brasil à Via Dutra - para verificar que as duas linhas com destino a Mesquita, 005 Mesquita / Praça Mauá e 478 Mesquita / Central, possuem uma frota minguada e cada vez mais rara.

SÓCIOS ESTRANHOS

As informações sobre os donos da Transmil são muito estranhas. Consta-se que, ultimamente, eram quatro obscuros empresários. Um deles, conhecido como "Sr. Carlinhos", foi misteriosamente assassinado, mas as ações dele continuam nas mãos de herdeiros.

Consta-se, no entanto, que esses empresários podem ser testas-de-ferro de algum figurão poderoso na Baixada, porque só tal possibilidade é que permite que a empresa, mesmo com seu serviço péssimo, continue circulando até hoje.

A Transmil até perdeu parte de seu patrimônio. Perdeu os setores Queimados e Japeri, que agora são operados pela Transportes Blanco, empresa de Belford Roxo surgida numa reestruturação da antiga Expresso São Jorge.

A Transmil também era dona da Elmar Transportes, que foi extinta numa manobra estranha, com a Transmil assumindo as linhas para depois "ressuscitar" a Elmar numa outra oportunidade. Mas a Justiça obrigou a Transmil a deixar essas linhas, operadas por diversas empresas.

BRINCANDO DE SER "BOA EMPRESA"

No entanto, os setores Nilópolis e Mesquita, mais a linha 479 Nova Iguaçu / Parada de Lucas, são uma eterna dor de cabeça para os passageiros. A Transmil chega a brincar de ser "boa empresa" mas não consegue enganar com seus ônibus que, até na pintura, mostram-se velhos, com o branco de sua estampa tão "amarelado" que mais parece "branco-lama" em vez de "branco-gelo".

Mesmo os ônibus com ar condicionado - cinicamente classificados de "Série Ouro" - estão em estado deplorável, com sete anos de idade útil e cujos modelos estão fora de fabricação há cerca de cinco anos.

A Transmil tem até uma linha que passa no começo da Zona Sul carioca. A linha 003 Nilópolis / Passeio, para no começo da Glória, onde tem um terminal de ônibus onde para desde uma linha para Niterói à famosa 350 Passeio / Irajá.

"BONDE SEM FREIO"

Neste "bonde sem freio" da Turismo Trans1000, é estranho que nada seja feito para punir severamente a empresa, cassando suas linhas. A crise já passa por sua fase crítica, e, não fosse suficiente seu péssimo serviço, a empresa ainda remunera mal seus funcionários, atrasando salários e sonegando encargos.

Daí que, no último fim de semana, foi fácil perceber o mau humor dos funcionários da Transmil, que até pouco tempo atrás eram gentis e educados. Não é culpa deles, afinal eles são obrigados a até pedir empréstimos para pagar suas contas e garantir os alimentos para a família, enquanto esperam na Justiça o dinheiro que a Transmil lhes deve.

A única punição que se vê é a apreensão constante de seus carros. O DETRO, órgão que controla o transporte intermunicipal no Estado do Rio de Janeiro, se limita apenas a fazer isso, sem que possa exercer seu poder de cassar as concessões da Transmil. E isso acaba piorando para o lado dos passageiros, porque é cada vez menos ônibus nas ruas.

Fora isso, a grande imprensa mantém um estranho silêncio em relação à Transmil. Só o Fala Baixada divulga queixas sobre a empresa. O resto, quando muito, só publica pequenas queixas, mas não há qualquer campanha ou investigação sobre as irregularidades da Transmil. Fica tudo na mesma coisa.

Nem o Ministério Público do Rio de Janeiro atua para punir a Transmil, já que recente apuração apontou que a empresa "está em boas condições legais". No entanto, a Transmil também é famosa por irregularidades na documentação de sua frota velha que, em parte, continua circulando com a chapa da cidade do Rio de Janeiro, e não de Mesquita.

À ESPERA DE UMA TRAGÉDIA

A Transmil também não tem ônibus adaptado para deficientes físicos. Nem sua recente aquisição obedeceu tal condição, exigência de caráter nacional para os ônibus chegarem a 2014 com frota 100% com acesso e área para portadores de necessidades especiais. Pelo contrário, a Transmil continua com sua frota 100% sem essa condição.

Os carros da empresa enguiçam constantemente. Dois acidentes já ocorreram, um em setembro de 2010 e outro em janeiro deste ano. Parece pouco, mas dá o tom do péssimo estado da frota. O que neutraliza o entusiasmo cínico de uns poucos fãs da Transmil, que ainda têm a vã esperança de ver a empresa voltando aos áureos tempos.

A novela repete o caso da Transportes Oriental, empresa carioca com histórico similar ao da Transmil. A empresa carioca teve que ser extinta depois de uma renovação de frota fajuta. Mas sua antiga subsidiária, a Viação Oeste Ocidental (ou apenas Ocidental), é que teve um acidente trágico, com vários mortos, e ainda assim teve que ser mascarada, extinguindo seu nome mas voltando com o pseudônimo de Rio Rotas.

Parece que as autoridades esperam ocorrer uma tragédia para fazer alguma coisa com a Transmil. A empresa vive seu pior momento, e não possui condições de recuperação. Pelo contrário, a sua crise só piora, a ponto de não poder mais comprar sequer carros bons de segunda mão, mas apenas carros curtos bem antigos e que tão logo se tornam cada vez mais sucateados.

Enquanto isso, o sofrimento de seus passageiros continua, sem que viva alma possa resolvê-los.

O QUE FAZ A PSEUDO-ESQUERDA FALAR MAL DA DIREITA?


MARCHA DEUS E LIBERDADE - Os avós dos pseudo-esquerdistas eram mais sinceros no seu reacionarismo...

Por Alexandre Figueiredo

O que faz os pseudo-esquerdistas de QI neoliberal, com aparente despreocupação, dispararem ataques verbais ou textuais a ícones direitistas dos mais diversos, se eles defendem interesses e princípios semelhantes ao da pseudo-esquerda?

Esta é, no fundo, uma direita flexível, que só apoia o esquerdismo pelos enunciados, pelos lides - jornalisticamente falando - , mas repudia o esquerdismo pelos seus pormenores (e sublides). Se estivesse em 1964, seria capaz até de defender um atentado contra Jango, mas nos últimos dez anos defendeu "incondicionalmente" o presidente Lula pela suposta "inclinação natural para o esquerdismo".

Muitos jovens riquinhos, jornalistas neoliberais, professores reacionários, troleiros malcriados, funqueiros pseudo-militantes, enfim, toda essa fauna que vivia feliz na Era FHC, sem se preocupar com os transtornos vividos pelas classes populares, no entanto hoje parece que cospem nos pratos em que comem.

É só ver seus textos e comentários, e haja ataques a Fernando Henrique Cardoso e Antônio Carlos Magalhães, Fernando Collor e José Sarney. São os primeiros a dizer que a Rede Globo não presta, até com comentários exagerados tipo a Fátima Bernardes é feia, o William Bonner tem a língua presa etc. Disparam ataques contra quem for o direitista da hora, seja ele Marcelo Tas, Eliane Cantanhede ou Marcelo Madureira.

E por que eles se comportam assim, se isso poderá lhes causar problemas no futuro? Afinal, os pseudo-esquerdistas não serão marxistas a vida toda, e eles deixam claro que seu esquerdismo de fachada existe em prol de alguma vantagem, ou é feito pela pressão das circunstâncias. É, portanto, um "esquerdismo de conveniência".

O ataque que eles fazem aos ícones direitistas, aparentemente, pode se tornar uma medida suicida, na medida em que os avanços sociais - coisa que os pseudo-esquerdistas dizem apoiar, mas é a que eles têm muito medo - poderão se efetivar, e as pressões de um mundo em mudanças poderá trazer novas surpresas.

Pois a pseudo-esquerda se diz, por exemplo, solidária às classes populares porque, no Brasil, graças à velha grande mídia, o povo pobre é domesticado pela TV aberta e pelo rádio FM oligárquicos através do entretenimento brega-popularesco que intelectuais "vendidos", por eufemismo, definem como "cultura das periferias".

Mas se essa condição subordinada das classes populares acabar, e até empregadas domésticas vão jogar fora os CDs bregas e neo-bregas que consumiam, aí veremos como os pseudo-esquerdistas poderão agir.

Quando as mudanças são simples promessas e não passam de retórica, os pseudo-esquerdistas aplaudem, ovacionam, apoiam, falam mil maravilhas a favor. Mas se elas saem do âmbito do discurso para chegar à prática, os pseudo-esquerdistas são os primeiros a retomar o reacionarismo, como vulcões adormecidos que voltam à erupção.

Por enquanto, quando tudo está "sob controle" e o debate esquerdista ainda é muito restrito, os pseudo-esquerdistas juram que serão "esquerdistas a vida toda". Ficam felizes porque eventos como a revolta do povo líbio e o movimento Ocupar Wall Street só chega, quando muito, a países sul-americanos "mais europeus" como Argentina e Chile, enquanto no Brasil "movimentos sociais" só são "bailes funk", micaretas, vaquejadas e "aparelhagens".

Se isso de repente mudar e vier, por exemplo, um Ocupar Avenida Paulista, aí é que os pseudo-esquerdistas poderão virar o jogo, exibindo seu direitismo doentio. Os mesmos que pouco antes seguiam até o Emir Sader no Twitter e assinavam Caros Amigos e Carta Capital religiosamente.

Mas e os ataques aos ícones da direita? Isso não poderá colocá-los no isolamento ideológico? Aparentemente, eles combatem seus antigos aliados ideológicos, mas traem seus "aliados de ocasião", o que poderia deixá-los sem plano ideológico seguro.

Só que existem essas reviravoltas e os pseudo-esquerdistas geralmente viram a casaca sem problema. Podem criticar o Marcelo Madureira que eles abraçarão dentro de dois anos. Podem baixar a lenha no Emir Sader com o qual fingem sentir todos os amores possíveis.

Eles aprenderam com o jogo político-ideológico. O próprio fisiologismo político tem dessas manobras. Até Collor e Sarney eram inimigos. Daí que certos professores reacionários e pseudo-esquerdistas, ou certos críticos musicais enrustidamente neoliberais podem baixar a lenha em Marcelo Madureira, Marcelo Tas e o escambau, sem o menor escrúpulo, para depois pedirem desculpas e dizer que os tempos são outros.

Afinal, os pseudo-esquerdistas são espertos. Usam pretexto para tudo. Para seu pretenso esquerdismo, alegam que "apenas pensam diferente" e se acham no direito de serem esquerdistas desse modo. Mas, quando abandonam o esquerdismo de fachada e voltam ao direitismo, também arrumam outra desculpa, dizendo que a direita "tem o melhor diálogo".

A pseudo-esquerda só quer levar vantagem fácil.

domingo, 27 de novembro de 2011

MÍDIA NÃO USA NOTICIÁRIO POLÍTICO PARA MANIPULAR O "POVÃO"


MIRIAM LEITÃO - As classes D e E até sabem quem é ela, mas acham que ela fala difícil e não se preocupam com ela.

Por Alexandre Figueiredo

O que devemos analisar bem é que o carro-chefe da manipulação exercida pela velha grande mídia não poderia ser o noticiário político que é amplamente criticado pelos analistas de esquerda. Essa crítica é pertinente, correta e coerente, mas o noticiário político é apenas um recurso menor que a mídia grande utiliza para manipular a opinião pública.

Afinal, pergunte para um camelô, uma empregada doméstica, um trabalhador rural quem são Miriam Leitão, Merval Pereira, Reinaldo Azevedo e Eliane Cantanhede. Ou eles conhecerão de forma vaga ou genérica - a não ser quando os proletários são politizados o bastante para observar as entranhas da velha mídia - , ou simplesmente os desconhecerão.

Esses "calunistas" e "urubólogos" não falam para o grande público. E nem poderiam falar. Seu discurso tem um quê de rebuscado, mal-humorado e claramente elitista. Seria muita ingenuidade que achemos que o povão consiga entender, apavorado, as declarações "trevosas" desses comentaristas da velha imprensa.

Quem os identifica é a intelectualidade realmente de esquerda, não aquela que se rende ao espetáculo brega-popularesco, mas os esquerdistas sérios, que não têm ilusões quanto aos mecanismos da ditadura midiática.

A intelectualidade classe média de esquerda é que a critica, porque os "calunistas" e "urubólogos" despejam seu reacionarismo explícito, mas de um tom elitista que os fazem incapazes de falarem com o grande público. "Calunistas" e "urubólogos" falam para eles mesmos e para seu "seleto" público altamente conservador e febrilmente reacionário.

O que manipula o "povão" é o brega-popularesco. É a "cultura popular" sem qualidade, feita para o mero consumismo momentâneo, e que vemos que não produz conhecimento nem valores sociais (quando muito, os nivela para baixo), e seu valor artístico é muito duvidoso.

Isso nem de longe é preconceito, afinal está a olhos vistos que seus cantores e músicos, seus jornalistas e celebridades, comprometidos com a hegemonia do "mau gosto", exibem uma mediocridade e uma vulgaridade gritantes, para a qual todo relativismo sucumbe quase sempre à condescendência acrítica e subserviente.

No brega-popularesco, a identidade cultural regional é enfraquecida, mas mesmo os elementos culturais estrangeiros assimilados são sempre de cima para baixo, pelo poder da televisão aberta e do rádio FM controlados por oligarquias. Se isso atrai o grande público, não é por isso que deva atribuir a ele a responsabilidade por essa "cultura", articulada até de forma evidente por executivos, latifundiários, políticos, publicitários e burocratas.

Vê-se que o povo pobre é tratado com um estereótipo pior do aqueles exibidos em programas humorísticos. Mas como esse estereótipo é trabalhado de forma "positiva" e "alegre", ainda que deixe latente uma espécie de bullying midiático contra as classes populares, ninguém desconfia. Não há questionamentos, muito pelo contrário.

A intelectualidade chega mesmo a defender esses estereótipos como se fosse "o verdadeiro povo", e ainda é aplaudida por seus pares, num discurso que nada tem de objetivo, mas de persuasivo. E ainda cria argumentos confusos, mas que tocam na emoção mais frágil. Intelectuais assim viram "deuses", e, por mais que sejam preconceituosos, eles gozam da visibilidade e do prestígio que pensadores muito mais coerentes não conseguem ter.

Afinal, o Brasil, país novo, ainda desconhece muitas coisas complexas que pensadores europeus e norte-americanos já conhecem. Lá, a pseudo-cultura "popular" já teve seu esquema jabazeiro desvendado, as "louras burras" de lá - equivalentes intelectuais das "popozudas" brasileiras, só que muito mais atraentes e charmosas que estas - foram fartamente contestadas, e nem o gangsta rap que há muito deturpou o hip hop consegue convencer com seu arremedo de "cultura das ruas".

Mas aqui, ainda se pensa que são os comentaristas políticos que manobram o povo pobre. Quanta ingenuidade. Seria o mesmo que dizer que Muammar Kadafi era uma ameaça à população do sertão nordestino. É preciso que se coloquem os pingos nos "ís", porque existem vários modos de manipulação e controle social.

sábado, 26 de novembro de 2011

BETH CARVALHO DÁ A SENHA PARA QUESTÃO DO BREGA-POPULARESCO



Por Alexandre Figueiredo

A sambista Beth Carvalho, presidente de honra do PDT, deu a senha para uma questão bastante complexa sobre a cultura brasileira, que boa parte da intelectualidade tem muita dificuldade de perceber (ou talvez seja desinteresse mesmo).

Sobre a ameaça que os EUA faz do samba, ela comentou o seguinte: "A CIA quer acabar com o samba. É uma luta contra a cultura brasileira. Os Estados Unidos querem dominar o mundo através da cultura".

Isso cai como uma bomba para aqueles que acreditam que o neoliberalismo só manipula a opinião pública através do noticiário político. Hoje é a cultura o elemento cada vez mais usado pelas elites neoliberais para manipulação das classes populares.

INTERPRETAÇÃO REQUER CAUTELA

Certamente interpretar a declaração de Beth Carvalho requer cautela. A intelectualidade da direita cultural que defende o brega-popularesco pode usar seus ídolos - que claramente representam o mercado de entretenimento da velha grande mídia - para justificar a falsa solidariedade com a cantora.

Afinal, o que Beth quer dizer não é que a CIA quer combater literalmente a cultura brasileira, mas sutilmente. A questão é muito mais complexa para colocarmos o problema no âmbito do maniqueísmo.

É por isso que os funqueiros - que cada vez mais provam estar associados à direita midiática, embora não admitam no discurso - , por exemplo, tentam puxar a brasa para seu jabá e dizer que "estão do lado do samba", quando na verdade querem tomar sua reserva de mercado, deixando o samba autêntico apenas para redutos fechados da classe média alta intelectualizada.

Afinal, o brega-popularesco (no qual inserem funqueiros, "sertanejos" e "pagodeiros românticos") se serve da diluição dos ritmos populares, transformados em caricaturas, estereótipos e linhas de montagem "artísticas", que em vez de fortalecer a cultura brasileira, a enfraquece por reduzir-se a clichês de mero entretenimento, sem algo que acrescente culturalmente ao povo brasileiro.

BREGA-POPULARESCO: APENAS "CULTURA MEIO BRASILEIRA"

O brega-popularesco, como mero fenômeno mercadológico, é apenas uma "cultura meio brasileira". Seus ídolos são manipuláveis pelo mercado, e se submetem facilmente ao tendenciosismo, já que não possuem uma visão realmente crítica do mundo em sua volta.

Além disso, sua música é mais um arremedo dos ritmos regionais do que uma suposta "modernização" dos mesmos. Esqueçamos delírios modernosos do discurso pós-moderno e pós-tropicalista, mais preocupados em louvar o "deus mercado" da chamada "cultura pop" do que de zelar por qualquer valor sócio-cultural autêntico.

No brega-popularesco, os elementos nacionais são expressos de forma superficial e os elementos estrangeiros assimilados de forma submissa. Os "valores culturais" não são transmitidos pelo contato social da comunidade, mas através das rádios e TVs controladas pelos donos do poder.

O próprio patrocínio suspeitamente entusiasmado da velha mídia e das multinacionais, com um apetite que lembra o amplo apoio empresarial ao IPES-IBAD (os "institutos" golpistas dos anos 60, ancestrais do Instituto Millenium), mostra o quando o brega-popularesco, em que pese a facilidade quase automática de atrair o grande público, está longe de representar, de fato, a verdadeira cultura popular.

APOIO DOS EUA

O apoio dos EUA a essa verdadeira deturpação da cultura brasileira, com ídolos sem muito talento relevante, mas feitos produtos midiáticos destinados ao sucesso estrondoso e interminável, pode não ser direto. E certamente não é, o que pode fazer com que seus ideólogos chamem qualquer um de "paranóico" se afirmar esse apoio, independente de que forma seja.

Pois o apoio ao brega-popularesco não se dá nos gabinetes da Casa Branca nem nos escritórios de Hollywood. Ele se dá da forma mais sutil, pelas multinacionais instaladas no Brasil ou pelas "parcerias" que se faz quando se tenta levar ídolos bregas e neo-bregas para o exterior, seja a "aventura americana" de Alexandre Pires junto a um casal de exilados cubanos anti-castristas, seja a "histórica" apresentação de Ivete Sangalo no Madison Square Garden. Isso para não dizer de turnês européias que envolvem até mesmo muitos funqueiros surgidos do nada.

A qualidade artístico-cultural duvidosa e a própria personalidade submissa e subserviente dos ídolos brega-popularescos, sempre capazes de serem remodulados a cada modismo, mostra o quanto essa "verdadeira (sic) cultura popular" tem por fim estabelecer o controle social pelo entretenimento.

A associação de seus fenômenos com cenários sócio-políticos conservadores - seja o Waldick Soriano durante a ditadura militar, os "sertanejos" da Era Collor e a "maturidade" da geração 1990 durante a Era FHC - deixa muito claro seu caráter conservador. E mesmo a intelectualidade "de esquerda" que os defende não deixa de vir encharcada de ideias neoliberais de toda espécie.

Afinal, essa intelectualidade, tal como Ali Kamel (o "senhor das trevas" da grande imprensa), pensa que "não existem problemas" no Brasil. "Não somos cafonas", "não somos medíocres", diz ela.

Como Francis Fukuyama, a intelectualidade etnocêntrica anuncia o Fim da História da MPB, sigla "caduca", "restritiva" e "discriminatória".

Como Leandro Narloch, a intelectualidade etnocêntrica incrimina o esquerdismo de Chico Buarque, enquanto aplaude o direitismo de um Benito di Paula, por exemplo.

E como Fernando Henrique Cardoso, na sua Teoria da Dependência, a intelectualidade quer que a cultura brasileira se desenvolva subordinada à indústria cultural das rádios FM e da TV aberta, e não mais pelo convívio social das comunidades.

Por isso, o alerta de Beth Carvalho deve ser analisado sem interpretações deturpadas. Não dá para analisarmos a validade da cultura brasileira pelo uso ou desuso da guitarra elétrica, essa questão está mais que superada e hoje qualquer bandinha da Opus Dei toca hinos católicos com guitarra elétrica. Como também é impossível ver a questão da brasilidade pela simples presença ou não de elementos estrangeiros.

Porque o que está em jogo não é a cultura apenas se fechar ou abrir para o que é de fora, mas pelo nível de conhecimento tanto da cultura nacional quanto da cultura estrangeira.

Se em ambos os casos, o conhecimento é superficial, pela via midiática das rádios e TVs, então a cultura se torna fraca, porque não conhece bem seus próprios valores, e é muito menos capaz de compreender os valores de fora e adaptá-los aqui.

"LINHA DE MONTAGEM"

No caso do samba, os "pagodeiros românticos", por mais que tentem algum esforço de parecer "mais sambistas" com o tempo, desconhecem a própria história do samba, ou, quando muito, só a tornam a conhecer na última hora, e mesmo assim como aprendizes apressados e pedantes justamente quando chegam a quinze, vinte anos de carreira.

Pois são "sambistas" doentes do pé, ruins da cabeça, que apenas fazem uma linha de montagem que "progride" conforme os ventos do mercado. Geralmente começam como uma versão caricata da soul music norte-americana tocada com pandeiro e cavaquinho. Tentam soar ao mesmo tempo como os Isley Brothers e o Fundo de Quintal, mas não conseguem se nivelar a um nem a outro, sendo muitas vezes imitações desastrosamente caricatas.

Depois eles começam a fazer um samba de gafieira malfeito, sem saber direito a diferença entre maxixe e lundu. E, só na última hora se "estabilizam" naquilo que podemos apelidar de "imitasamba", copiando apenas os clichês mais manjados de nomes como Fundo de Quintal, Jorge Aragão, Arlindo Cruz e, sobretudo, Zeca Pagodinho.

Isso é como se o Restart, no seu vigésimo CD de carreira, fosse imitar "corretamente" os Dead Kennedys. Mas é uma imitação apenas burocrática, uma cópia de clichês técnicos, sem alma e sem espontaneidade. É algo só para justificar o longo tempo de carreira ou o tendenciosismo de mercado.

Portanto, a verdadeira cultura brasileira não está nas mãos desse pessoal que lota plateias e puxa o sucesso da mídia. Eles são apenas produtos, e mesmo a "evolução musical" deles é medida pelos modismos e pela demanda. Como artistas, eles são incapazes de se aperfeiçoar de forma espontânea e criativa, apenas se aproximando da MPB mais acessível pela mera imitação de seus clichês mais conhecidos.

E essa suposta "verdadeira cultura popular" só serve mesmo para alimentar o mercado conservador da velha mídia e das multinacionais, na medida em que seus ídolos não têm as veias crítica, criativa e artística autênticas, e pouco têm consciência do que realmente fazem para a cultura brasileira.

É justamente essa "cultura popular" midiática o instrumento de controle que o capitalismo dos EUA usa para controlar e submeter as classes populares ao domínio do "deus mercado". E é justamente isso que está latente no recado de uma de nossas maiores sambistas.

CRÔNICA DE UMA DEBACLE ANUNCIADA



COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: O texto do sociólogo Emir Sader descreve a reviravolta direitista que a política social-democrata, ao aderir ao neoliberalismo, causou nas eleições para o parlamento na Espanha.

Crônica de uma debacle anunciada

Por Emir Sader - Blog do Emir

Os resultados eleitorais confirmam as piores previsões para o PSOE, que perde mais de 50% da sua bancada parlamentar. Como expressão de que o caráter mais importante do voto foi contra o PSOE e, como consequência, a favor do PP, este conseguiu a maioria absoluta de maneira folgada, mas só aumentou em 20 parlamentares sua bancada. A Izquierda Unida voltou a seu nível anterior às ultimas eleições, passando de 2 a 11 deputados, cortando sua tendência eleitoralmente decrescente.

Desde que Zapatero, depois de resistir, acabou impondo o pacote recessivo, sob forte pressão dos governos da União Europeia e de Obama –que constrangeu publicamente a Zapatero, anunciando à imprensa que o havia pressionado por telefone na noite anterior ao pacotaço - o roteiro da tragédia estava traçado: recessão, desemprego, aumento acelerado do risco espanhol e derrota eleitoral acachapante. Não deu outra.

O PSOE cumpriu à risca o roteiro, cujo teor trágico estava escondido atrás de uma armadilha da unificação europeia. A própria consulta sobre a unificação europeia confessava o seu segredo: perguntava se estavam a favor da moeda única. Era uma unificação antes de tudo monetária e não uma unificação politica, que se dava à reboque daquela. Mais importante que o Parlamento Europeu passou a ser o Banco Central Europeu.

Depois da lua-de-mel da unificação e do lançamento do euro, o processo de unificação teria, na crise iniciada em 2008, sua primeira grande prova de fogo e o resultado não poderia ser pior. Ao invés de surgir como moeda alternativa ao dólar na hora da crise do dólar, o euro reproduziu, de forma ainda mais negativa, os mesmos mecanismos da crise norteamericana. O euro se revelou ser uma armadilha tal, que os países do centro do capitalismo que ainda tem moedas nacionais e portanto podem desenvolver suas políticas monetárias – como os EUA, a Inglaterra, o Japão, a Suécia e os demais países escandinavos – se defendem melhor da crise. Enquanto os países do euro estão aprisionados à moeda única e submetidos aos ditames do Banco Central Europeu, sob a égide da Alemanha.

A Espanha viveu um ciclo expansivo da economia similar ao dos EUA, com um boom imobiliário como locomotiva, com os correspondentes afrouxamentos dos créditos bancários. Com a diferença de que, quando a bolha imobiliária implodiu na Espanha, ela não tinha para onde correr, enquanto os EUA mantem o poder de imprimir a moeda ainda universal para empurrar a crise mais para frente.

Quando a crise de 2008 ja tinha sido desatada, Zapatero continuava a negá-la e resistia à aplicação do pacote de ajuste do Banco Europeu. No ano passado, quando o recessão já era clara na Espanha, o desemprego aumentava, os papéis da Espanha perdiam aceleradamente valor, Zapatero não resistiu mais e decretou, em maio de 2010, seu pacote recessivo.

O resto foi o desenrolar que mecanicamente desembocou na derrota estrepitosa dos socialistas, pelo voto popular de rejeição ao pacote que produziu mais de 22% de desempregados, com 48% de desemprego entre os jovens. Rajoy continuou sendo muito mau avaliado pelos eleitores, assim como o PP, mas nada superava o desprestígio de Zapatero. Que poderia ter convocado as eleições para o primeiro semestre de 2012, mas convocou-a para este mês, ate aqui o pior momento da crise, talvez porque acredite que a situação ainda vai piorar mais.

O resultado não poderia ser pior para o PSOE. O partido entra em um processo profundo de crise. Até porque, como acontece com a social democracia em toda a Europa, um diagnóstico da crise leva à critica da forma que assumiu a unificação, processo de que eles foram os mais entusiastas.

A Espanha entra em um período pior ainda, porque além da crise – até porque Rajoy vai simplesmente obedecer os acordos do pacote recessivo acertado com o Banco Central Europeu, que esta semana voltou a liberar recursos para a Espanha, quando os seus papéis chegaram ao mais índice negativo e está cada vez mais endividada, condenada a uma década de recessão. Estará pior, porque à recessão se somarão outros elementos vinculados ao PP: retomada do processo de privatizações, cortes ainda mais duros do orçamento publico, retrocessos na lei do aborto e no casamento dos homossexuais (estas questões que motivaram o apoio entusiasmado da Igreja espanhola).

Será um período de grandes turbulências sociais, não só dos indignados, mas também dos sindicatos e de outros setores sociais, como as universidades, os movimentos de mulhres, de homossexuais, entre outros. Mas o PP gozará da maioria absoluta para promover retrocessos em todos os planos da sociedade espanhola, incluídos os Tribunais de Justiça, brecando ao mesmo tempo avanços de laicização do Estado espanhol e de ataque aos restos do franquismo – como o Valle de los Caidos, que Zapatero não chegou a mudar.

Como em Portugal e na Grecia, a social democracia aplica um duro ajuste fiscal, perde apoio popular e entrega de volta o governo à direita. Sem que apareça ainda o horizonte de superação da dicotomia direita-social democracia, que tem levado a política europeia ao beco sem saída.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

O PMDB DO GOVERNO DILMA E O PARLAMENTARISMO DE JANGO



Por Alexandre Figueiredo

É de se notar que a pouca ousadia do governo Dilma Rousseff se deve sobretudo à influência do PMDB que, mesmo na condição de partido da vice-presidência, parece domar politicamente a titular.

Afinal, o PMDB é o único partido remanescente do regime militar que continua existindo até hoje. E que, herdeiro da antiga linha eclética do MDB, sofre os efeitos desse ecletismo. Afinal o (P)MDB sempre foi um balaio de gatos que misturou de setores flexíveis do PSD (o de Juscelino, não o de Kassab) a membros moderados do PCB que não foram pegos pelo AI-1 do começo do dito "governo revolucionário".

O PMDB de hoje parece asséptico, não-ideológico, mas torna-se o que o escritor Tariq Ali define como um dos maiores perigos da política contemporânea: a ascensão do "extremo-centro", de uma nova direita "limpa", "sem ideologias", "cordial" e com um verniz "progressista" que, mesmo bem apresentado, soa muito grotesco e forçado.

Aliás, a atual manobra da centro-direita contemporânea é "aliar para destruir". É uma espécie de sabotagem ideológica. Forja-se um apoio que esconde uma grande cobrança. "Eu te apoiei, não vá me decepcionar", diz o neo-direitista ao esquerdista que aquele disse ser aliado.

E é isso que vemos no governo Dilma Rousseff que tinha tudo para ser mais ousado do que os dois governos Lula que o antecederam. Condições não faltaram para isso, sobretudo pelo temperamento enérgico da presidenta. Expectativas também não faltaram, e lá estavam elas nas apostas que as esquerdas fizeram durante a campanha de 2010. E apoio também não faltava.

Mas se podemos comparar a campanha eleitoral de 2010 com a Campanha pela Legalidade da posse de João Goulart, podemos comparar o atual governo Dilma Rousseff ao governo parlamentarista que se seguiu à referida campanha de 1961, quando a oposição determinou como condição para a posse de Jango a criação de um governo parlamentarista, cujo primeiro presidente do Conselho de Ministros (ou primeiro-ministro) era o nosso conhecido Tancredo Neves, avô do tucano Aécio.

Para quem não sabe, a Campanha pela Legalidade de agosto-setembro de 1961, quando as esquerdas torciam para que João Goulart, o vice do renunciado Jânio Quadros, assumisse a presidência, condição prevista pela Constituição de 1946 mas que era radicalmente combatida pelos ministros militares, mesmo para o ministro da Guerra, Odílio Denys, que em 1955 chegou a aconselhar o marechal Henrique Lott a defender a posse de Juscelino, também ameaçada então (e Juscelino tinha o mesmo Jango como vice).

E os ministros militares eram o demotucanato da época, e havia até a tal "Operação Mosquito" que os milicos planejavam que era abater o avião em que estava Jango, e, fosse quem estivesse junto - desde que não seja algum udenista importante ou qualquer simpatizante da "boa sociedade" direitista - , sofreria a mesma sina trágica.

Mas felizmente os soldados da Aeronáutica, ao decidirem prender nos aviões seus superiores para não cumprirem o plano de atentado, enquanto o Rio Grande do Sul já havia descontentado os ministros militares quando o general Machado Lopes aderiu abertamente à causa da Legalidade, e assim tragédias maiores não aconteceram naquela época. De toda forma, outras tragédias ocorreriam depois, mas são outras histórias.

Dilma Rousseff carece de ousadia em seu governo. Enquanto hesita em relação à reforma agrária, hesitação que pode piorar com o "apoio" que receberá do PSD (o de Kassab, não o de Juscelino), que já conta com a ex-oposicionista Kátia Abreu, a musa do agronegócio, que reúne os "coronéis" de amanhã, hoje posando de neo-empreendedores rurais.

Enquanto isso, Dilma parece consentir com a construção da hidrelétrica de Belo Monte sem saber do risco sócio-ambiental que isso traz. E sem saber, sobretudo, que o projeto Belo Monte é herança do "milagre brasileiro", que originalmente bolou a hidrelétrica mas não pôs o projeto adiante porque a Transamazônica gerou muitas despesas e, naqueles idos de 1974, o regime militar foi abatido pela crise econômica mundial causada pelo aumento do preço de petróleo imposto pela OPEP, no ano anterior.

A hidrelétrica de Belo Monte é daqueles projetos "desenvolvimentistas" que no entanto ameaçam seriamente o meio ambiente, o ecossistema e a sociedade, como foi o projeto de transposição do Rio São Francisco durante o governo Lula, que só iria favorecer alguns fazendeiros, em detrimento da sociedade e do próprio desenho paisagístico da natureza.

E, como Belo Monte, a transposição do Velho Chico traria sérios danos ambientais, causando novos prejuízos em detrimento de supostos benefícios que não vão além de paliativos.

Isso lembra a castração política que o primeiro-ministro Tancredo Neves - que chegou a integrar o mesmo PMDB de Michel Temer - fez com Jango, sobretudo com uma equipe de governo conservadora em que o PSD (ainda o de Juscelino e Tancredo, não o de Kassab e Kátia Abreu) abocanhou seis pastas, e a UDN e o PDC (este com André Franco Montoro, depois um dos fundadores do PSDB) abocanharam uma pasta cada.

Além disso, a disputa partidária e a corrupção dos bastidores no governo Dilma, que atinge nas entranhas tanto o PT, o PDT quanto a centro-direita governista, é um prato cheio para a direitona oposicionista, que assim pode "lavar" seus pecados com o "purgatório" do denuncismo e da calúnia.

Por isso, é necessário que Dilma Rousseff repense sua política, talvez até abrindo mão do pragmatismo. A pressão dos movimentos sociais de fora e a realidade política que se desenha no exterior servem de bons exemplos para o que se deve fazer e para o que não se deve fazer, e os milhares de votos valem muito mais do que qualquer aliança partidária ou programática com forças conservadoras que só atrapalham o progresso do país.

LEANDRO NARLOCH E O DIREITISMO POLITICAMENTE INCORRETO


LEANDRO NARLOCH EM "CASA", O INSTITUTO MILLENIUM.

Por Alexandre Figueiredo

Há uns quinze, vinte anos atrás, ser politicamente incorreto era visto, erroneamente, como algo vanguardista. Quem era "irreverente" e "politicamente incorreto" era "in", e certos pseudo-esquerdistas caíram no delírio quando alguém fazia um falso maniqueísmo entre a direita, politicamente correta, e a esquerda, politicamente incorreta.

Mas os tempos passaram e até vários pseudo-esquerdistas mais veteranos migraram para a direita. E há um tempo um jornalista "politicamente incorreto" é explicitamente um dos militantes da mídia de extrema-direita do país.

O rapaz chama-se Leandro Narloch, cujo reacionarismo já foi alertado por Raphael Tsavkko Garcia. Ele está por trás de dois livros supostamente divertidos e bem-humorados, Guia do Politicamente Incorreto da América Latina - feito em parceria com Duda Teixeira - e Guia do Politicamente Incorreto da História do Brasil, que ele escreveu sozinho com todos os seus neurônios direitistas.

Narloch foi da revista Veja e da Superinteressante - revista até certo ponto superinteressante, mas disse, entre outros equívocos que a Banda Calypso continuava indie mesmo assinando com a Som Livre - e é notório detrator dos imigrantes nordestinos que vivem em São Paulo.

Pois os "divertidos" livros de Narloch são, na verdade, o equivalente brasileiro dos "manuais de idiotas" que Álvaro Vargas Llosa e amigos lançaram anos atrás. Vai no mesmo plano ideológico.

Para Narloch, parece que o mundo é uma podridão só. João Goulart para ele é "corrupto", Che Guevara foi um sanguinário implacável e anti-roqueiro, e pouco lhe importam as virtudes do imperador D. Pedro II. Talvez para Narloch os únicos seres humanos que prestam no planeta Terra sejam aqueles cujo profeta maior é Tio Sam.

Em suas entrevistas, Narloch até tem aquele jeito sinistro de depor do Paulo César Araújo, o historiador dos bregas que, mesmo conservador, é idolatrado pela esquerda mais frágil. O olhar sinistro, a mania de se justificar e de dizer que "batalhou muito para pesquisar e escrever seu(s) livro(s)" é totalmente o mesmo.

A grande diferença é que Narloch não faz nos seus livros o discurso "positivo" de PC Araújo. Daí não ter chance de virar "deus" entre a intelectualidade etnocêntrica nem se fantasiar de "esquerdista" para figurar na Fórum e Caros Amigos. Até porque o que Narloch escreve é puro anti-esquerdismo, dos mais explícitos.

Lendo os textos de Narloch, vê-se que seus "vilões" e "cafajestes" são quase sempre ligados a políticas nacionalistas ou socialistas, vistos ora como corruptos, ora como prepotentes, atrapalhados e metidos. Até Zumbi dos Palmares era visto como tão cruel com os negros quanto qualquer escravocrata.

Ler esse livro, para quem acredita nos movimentos sociais, não deve ser jamais engraçado. Pelo contrário, é o mesmo pesadelo ideológico que se lê nas páginas de Veja. Leandro Narloch soa como uma versão mais pop de Diogo Mainardi e Reinaldo Azevedo, que já são versões pop de Olavo de Carvalho.

Narloch demonstra ojeriza a índios, negros, nordestinos e portugueses, na sua historiografia politicamente incorreta. E politicamente reacionária. De repente, até Tio Patinhas, para Leandro Narloch, é muito mais digno de louvor do que qualquer ativista humanitário, sempre visto como uma figura sórdida escondida numa causa assistencialista.

A maior lição que traz figuras como Leandro Narloch é que fazer movimentos sociais é, para ele, impossível. Não se pode abraçar uma causa social que, de acordo com a ótica dele, sempre resulta em corrupção.

Leandro Narloch pode não ter a visibilidade que um William Waack e um Reinaldo Azevedo possuem, mas se ele não têm o poder de derrubar ministros de governos progressistas, pelo menos ele têm o poder de derrubar a memória histórica do nosso país.

Para Narloch, o Brasil é um país corrupto e cruel, incompetente e impotente, o qual só tem uma única salvação: se vender para os EUA.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

MINISTÉRIO PÚBLICO PEDE BLOQUEIO DE BENS E AFASTAMENTO DE GILBERTO KASSAB



COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: Essa Gilberto Kassab não esperava. Logo ele que preparava seu caminho para o crescimento seguro de seu PSD, e sua corrupção tão bem preservada na impunidade agora passa a ser investigada pelo Ministério Público de São Paulo. Ora, ora, Gilberto apenas faz o que ensinou seu padrinho Paulo Maluf...

Ministério Público pede bloqueio de bens e afastamento de Gilberto Kassab

Por Mariana Ghirello - Portal Última Instância - Reproduzido também no blogue Contexto Livre

O MP-SP (Ministério Público de São Paulo) pediu o bloqueio de bens e o afastamento do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab. A ação movida pela Promotoria de Defesa do Patrimônio Público e Social inclui como réus o secretário municipal do Verde e Meio Ambiente, Eduardo Jorge e seis empresas — entre elas a CCR e a Controlar —. Todos são acusados de participar de uma suposta fraude que movimentou bilhões no contrato da inspeção veicular em São Paulo.

A informação do jornal O Estado de S. Paulo foi confirmada pela Assessoria de Imprensa do TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo). Nos autos, que somam 50 volumes, o MP pede também a perda dos direitos políticos e a condenação por improbidade administrativa dos acusados.

De acordo com o Ministério Público, a ação aponta nulidades da concorrência vencida em 2005 pelo Consórcio Controlar, a inabilitação técnica, econômica e financeira da Controlar para executar o contrato, fraudes na mudança do controle acionário e na composição do capital social da Controlar, inconstitucionalidade de leis municipais sobre a inspeção veicular obrigatória e uma série de outras irregularidades que tornam nulos o contrato e seus aditivos.

A ação foi movida pelos promotores Roberto de Almeida Costa e Marcelo Daneluzzi, que atribuíram o valor de R$ 1,05 bilhão à causa. Os promotores pedem a suspensão imediata da inspeção veicular, a devolução dos valores de multas cobradas dos moradores de São Paulo, além de indenização por danos morais aos donos de veículos.

O MP também busca a responsabilização de Hélio Neves, chefe de gabinete da Secretaria Municipal do Verde e Meio Ambiente, que tem delegação para acompanhar a execução do contrato, e de Félix Castilho, assessor jurídico que teria atuado com desvio de finalidade para dar aparente legalidade a atos ilegais, ignorando pareceres precedentes contrários das suas Assessorias Técnica e Jurídica e decisões do Tribunal de Contas do Município.

A ação pede o afastamento do prefeito porque, no entendimento dos promotores, os processos administrativos demonstram ingerência do prefeito na autonomia da Procuradoria Geral do Município, bem como em virtude da resistência do prefeito em atender as recomendações do Tribunal de Contas que, nos anos de 2007, 2008, 2009, 2010 e 2011, aponta irregularidades no negócio.

Os promotores pedem a responsabilização dos agentes públicos, empresas e empresários envolvidos, com base na lei de improbidade administrativa — que prevê a perda do cargo e dos direitos políticos, entre outras sanções —, além do ressarcimento aos cofres do Município de eventuais prejuízos causados ao erário.

A ação foi distribuída à 31ª Vara da Fazenda Pública da Capital. Os promotores também encaminharam cópia do procedimento ao Tribunal de Contas e à Câmara Municipal.

Outro lado

A Controlar, por meio de Nota à Imprensa, afirmou que ainda não foi notificada da ação movida contra a empresa. Disse também que prestou informações ao Ministério Público durante a investigação "comprovando, por meio de documentação, a lisura na implementação e no cumprimento do contrato de concessão".

A empresa afirma, na nota, que sua atuação, responsável pela inspeção veicular na cidade de São Paulo, é "baseada em princípios de honestidade, ética, transparência e respeito à população".

Por fim, alega que está à disposição para prestar esclarecimentos ao MP e que a inspeção veicular trouxe benefícios para a cidade, "entre eles uma economia de R$ 78 milhões para o sistema de saúde".

A prefeitura de São Paulo também, por meio de Nota à Imprensa, afirmou que não foi notificada pelo Judiciário e destaca que o processo de contratação da Controlar seguiu a legislação.

E a CCR afirmou, em Nota, que em 2009, adquiriu 45% da empresa Controlar do acionista majoritário da empresa. E segundo a empresa, o processo de compra foi concluído um ano e meio depois que a Controlar já tinha começado a fazer a inspeção veicular na cidade.

A companhia, uma das maiores no ramo de concessão de infraestrutura, também afirma que não foi notificada oficialmente da ação. Por fim, diz que é uma empresa de capital aberto, com ações na BM&F Bovespa e "se tornou referência como modelo de governança corporativa e transparência em suas relações com os investidores, usuários e o público em geral".

Veja a íntegra da nota da Controlar enviada ao Última Instância

COMUNICADO À IMPRENSA

A Controlar, concessionária responsável pela inspeção ambiental veicular na cidade de São Paulo, informa que até o momento não foi notificada sobre a ação civil pública protocolada hoje pelo Ministério Público Estadual.

A concessionária prestou em diversas ocasiões todos os esclarecimentos solicitados pela promotoria, comprovando, por meio de documentação, a lisura na implementação e no cumprimento do contrato de concessão.

A empresa reiteraque toda sua atuação tem sido baseada em princípios de honestidade, ética, transparência e respeito à população. A Controlar permanece à disposição para prestar todos e quaisquer esclarecimentos solicitados pelo Ministério Público, pois acredita que a apuração rigorosa dos fatos comprovará a regularidade da implantação do Programa em São Paulo.

A inspeção ambiental veicular é realizada com os mais altos padrões técnicos e já demonstrou grandes benefícios para a cidade com a redução da poluição veicular, entre eles uma economia de R$ 78 milhões para o sistema de saúde.

Assessoria de Comunicação da Controlar

Veja a íntegra da nota da Prefeitura de São Paulo enviada ao Última Instância

Nota à Imprensa

A Prefeitura de São Paulo informa que não foi comunicada pelo Poder Judiciário. Mas, reafirma que a contratação do Consórcio Controlar, responsável pelo Programa de Inspeção Veicular na Cidade de São Paulo, seguiu rigorosamente a legislação em vigor com total transparência.

Veja a íntegra da nota da CCR enviada ao Última Instância

COMUNICADO À IMPRENSA

A CCR é uma das maiores empresas de concessão de infraestrutura do mundo, com negócios em concessão de rodovias, mobilidade urbana e serviços. A companhia esclarece que não foi notificada oficialmente sobre a ação pública protocolada hoje pelo Ministério Público Estadual.

A empresa ressalta que adquiriu 45% da Controlar em 2009, por meio de um processo estruturado e competitivo de venda privada pelo acionista majoritário da época. Este processo foi concluído cerca de um ano e meio após o início do programa de inspeção veicular ambiental na cidade de São Paulo.

Companhia de capital aberto, atualmente com 48,78% de ações no Novo Mercado, a CCR foi pioneira nesse segmento da Bolsa de Valores de São Paulo. Em mais de 12 anos de atuação, a empresa se tornou referência como modelo de governança corporativa e transparência em suas relações com os investidores, usuários e o público em geral.

CCR

São Paulo, 24 de novembro de 2011

JOSÉ ARBEX CUTUCA A INTELECTUALIDADE ETNOCÊNTRICA



Por Alexandre Figueiredo

É o próprio editor de Caros Amigos se lançando contra certas "paçocas" com gosto ruim de jabaculê (e, crê-se, da DINAP da famiglia Civita amicíssima da outra famiglia, os Frias).

Pois mais uma vez a abordagem esquerdista de Caros Amigos vai contra um dos colunistas que escrevem para a revista, Pedro Alexandre Sanches, que é um dos símbolos mais recentes da intelectualidade que, a pretexto de defender uma tal "cultura das periferias", defende na verdade o mercado dominante de entretenimento respaldado pela velha mídia e que promove a glamourização da pobreza.

Essa intelectualidade, que aqui se define como intelectualidade etnocêntrica, adota, de forma explícita, o mesmo procedimento criticado por José Arbex Jr., cujos comentários contra o "funk carioca", no fundo, fazem arrepiar outro colunista ideologicamente alienígena de Caros Amigos, MC Leonardo, também colunista do jornal Expresso (Organizações Globo) e, como funqueiro, foi "redescoberto" pelo cineasta José Padilha, articulista do Instituto Millenium.

Em artigo recente em Caros Amigos, José Arbex Jr. condena a manutenção da pobreza sob o verniz "humanista". É o que justamente faz a intelectualidade etnocêntrica e "divinizada", que arranca aplausos passivos das plateias emocionalmente frágeis.

Notemos, por exemplo, o que essa intelectualidade pensa nas favelas. Elas, na verdade, são construções provisórias, desumanas, forçadas pelas circunstâncias. Mas a intelectualidade - sobretudo os ideólogos do "funk carioca" - define "favela" como se fosse uma residência definitiva, uma arquitetura "pós-moderna" dotada de autossuficiência sócio-econômica e cultural e cujos dramas sociais "existem", mas são "facilmente resolvidos".

É uma maquiagem teórica, metodológica, que transforma áreas problemáticas em "paraísos". A favela, para a intelectualidade etnocêntrica, torna-se uma espécie de "olimpo" de uma visão "positiva" da barbárie e do mau-gosto que essa elite "pensante" atribui às classes populares.

Dessa forma, a transformação das classes populares em "bons selvagens" e "dóceis bárbaros" é uma forma de legitimar as desigualdades sociais sem que defenda as mesmas num discurso mais explícito. Pelo contrário, com a sutileza dos discursos, maquia-se a situação, dizendo que a pobreza "acabou" com a inclusão do povo pobre no mercado do consumo e do entretenimento, como se uma parabólica e uma TV a cores necessariamente trouxesse cidadania aos subúrbios.

Mas, não é assim. As desigualdades continuam e os deslizamentos de terras, tiroteios entre bandidos, repressões policiais etc não existem no "mundo ensolarado" do brega-popularesco e dos ídolos bregas e neo-bregas que sorriem feito bobos mas se dizem "vítimas de preconceitos".

Nos subúrbios, reina a paz e a inocência, e a intelectualidade etnocêntrica tenta enfatizar essa ideia paradisíaca para evitar que movimentos sociais realmente sérios - ainda que incluam humor e algazarra - , tipo o Ocupar Wall Street, tenham equivalentes no Brasil.

Daí que inventam falsos e inconvincentes "equivalentes" ao Ocupar Wall Street como o Rio Parada Funk, os festivais de tecnobrega, o Salvador Fest e por aí vai. Tudo isso, tão bondosamente comentado, no entanto visa ridicularizar os movimentos sociais, afastando do Brasil seus efeitos.

Dessa forma, Pedro Sanches e sua turma "espetacularizam" os movimentos sociais, reduzindo-os a mero entretenimento passivo e abrindo espaço para uma reação da extrema-direita, com seu Cansei e com as pregações de um Leandro Narloch, Reinaldo Azevedo e do "estrangeiro" Olavo de Carvalho.

Desse modo, a centro-direita cultural travestida de "esquerdista", engana os caros amigos com a glamourização da pobreza e a espetacularização dos movimentos sociais, enquanto abre o caminho para a extrema-direita cultural voltar arrotando moralismo, "cheia da razão".

É preciso pensar a pobreza sem delírios lúdico-espetaculares. A pobreza sofre, e não é o consumismo e o entretenimento que resolverão as desigualdades sociais. Como também outros paliativos não resolverão. O problema é muito mais difícil para que ele seja resolvido com "paçocas" jabazeiras que os caros amigos tão boboalegremente leem às pressas e aplaudem.

ESQUIZOFRENIAS DA PSEUDO-ESQUERDA



Por Alexandre Figueiredo

A pseudo-esquerda brasileira é esquizofrênica por excelência. Possui ideias neoliberais - até mesmo para o âmbito da cultura popular - , mas se julgam "socialistas". Nos últimos anos se acham "esquerdistas até morrer", mas se vivessem entre 1963-1964, seriam os primeiros a defender o golpe militar e a ditadura. Tudo isso a pretexto de que Lula é um cara legal e que Dilma é a "nossa presidenta".

Sim, nossos pseudo-esquerdistas de QI demotucano chamam Dilma de "presidenta", para diferirem, no discurso, a seus mestres de direita. Viraram petistas, muitas vezes, porque são jovens, ou porque não querem ficar sozinhos na família, ou porque não querem se passar por antiquados. E pensam que optar pela esquerda é igualzinho vestir a camisa de um time de futebol.

A esquizofrenia, no entanto, é gritante. Não analisam uma atitude do governo petista de forma crítica. Parecem birutas de aeroporto ao sabor do vento, não discutem, não discordam, porque seu esquerdismo mais parece um esquerdismo de Papai Noel, mas que aplaude feito foca de circo. E que mostram mais preconceitos do que sua personalidade "sem preconceitos" pode admitir.

Afinal, são pessoas que vão correndo no Twitter seguir a conta do Emir Sader, mas no fundo fazem a mesmíssima profissão de fé de Ali Kamel e Otávio Frias Filho. E que, quando acusadas de direitistas, vão correndo para o quarto chorar ou tirar satisfações: "Você sabe com quem está falando?", tentam dizer, em última instância.

Mas identificamos algumas esquizofrenias sobre essa pseudo-esquerda que evidentemente torna seu discurso confuso, incoerente, cheio de contradições, inverdades e até mentiras. E que põem em xeque seu "sincero esquerdismo" de fachada, feito mais para agradar os outros do que por qualquer identificação pessoal.

Vejamos dois exemplos bem ilustrativos:

1) COMPORTAMENTO x ANÁLISE SOCIAL - Se a questão é comportamento, o pseudo-esquerdista acredita que ser de esquerda é ser rebelde, temperamental e falar palavrão, enquanto a direita é elegante e paciente nos argumentos. Mas quando se trata de analisar a sociedade, a irritabilidade acaba sendo atribuída ao direitismo dos "calunistas" e "urubólogos", ser de esquerda é ser cordato, educado e paciente nos argumentos.

2) TECNOCRACIA x ENTRETENIMENTO - Se a questão envolve tecnocracia, como no caso dos projetos políticos para o transporte coletivo, a pseudo-esquerda atribui ao esquerdismo a aprovação de decisões "de cima". Quando o assunto é entretenimento, no entanto, atribui-se a superioridade decisória ao lado "de baixo". No primeiro caso, a superioridade está nas autoridades que "tudo decidem de melhor", mas no segundo caso, há o louvor à adesão do povo das periferias, mesmo se o fenômeno de entretenimento também tenha sido lançado por decisão dos "de cima" (os barões do entretenimento).

Pois isso tudo cria contradições sérias que põem o pseudo-esquerdista na berlinda. O pseudo-esquerdista que não sabe por que apoia a campanha pela regulação da mídia mas não consegue disfarçar que tem medo dela é o mesmo que diz amém para a hidrelétrica de Belo Monte.

O pseudo-esquerdista defende a educação pública, mas quer taxas nas universidades federais. Defende a cultura popular, desde que filtrada pela cafonice comercial da velha mídia. Defende os movimentos sociais, desde que longe do Brasil.

O pseudo-esquerdista tapa a revista Veja que lê todo feliz da vida com um exemplar de Caros Amigos. Se inscreve no portal de leitores de Luís Nassif, do Paulo Henrique Amorim, mas na surdina vai para o portal do Globo Esporte "dedurar" o que a mídia esquerdista anda dizendo. Fala muito mal da velha grande mídia para os amigos, mas escondido deles faz sua devotíssima profissão de fé nessa mesma mídia que diz esculhambar.

E, quando a situação oscila entre as mulheres trabalhadoras e as "popozudas" da mídia, o pseudo-esquerdista prefere ficar com estas últimas, por mais que ele adote um discurso "solidário" aos movimentos dos trabalhadores.

O pseudo-esquerdista está perto de nós, apertando nossas mãos, assinando Caros Amigos e Carta Capital, chamando Lula de "cara legal", dizendo admirar Che Guevara e Fidel Castro, seguindo Emir Sader no Twitter e chamando Dilma de "presidenta". Mas exibe seu esquerdismo "híbrido e flexível demais" para ser considerado realmente de esquerda, e com sua preocupação em criticar os "excessos das esquerdas" muito além da conta.

Com toda a certeza, o pseudo-esquerdista é um esquizofrênico, que coloca o tendenciosismo acima da coerência. No fundo, é um arroubo de juventude ou de alguém querendo levar vantagem fácil. Quando a vantagem é obtida ou quando o tempo passa, o pseudo-esquerdista tira sua máscara e, de pseudo-esquerdista falsamente apaixonado, passa a ser um direitista feroz que se volta contra seus "aliados de ocasião".

Cuidado com o pseudo-esquerdista. Ele é o pior direitista de amanhã.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

DIRETOR DE TROPA DE ELITE É ARTICULISTA DO INSTITUTO MILLENIUM



Por Alexandre Figueiredo

Um curto caminho pode estar ligando a APAFUNK ao Instituto Millenium. O cineasta José Padilha, dos filmes Tropa de Elite 1 e 2, está entre os articulistas do Instituto Millenium, conforme atesta o sítio da organização: http://www.imil.org.br/?author=341

O Instituto Millenium é uma nova organização com o mesmo perfil ideológico do antigo Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais (IPES), que existiu entre 1961 e 1972. A fachada de "instituto" dá suporte à expressão do pensamento neo-conservador da direita brasileira, ligada ao neoliberalismo e à hegemonia político-econômica dos EUA. E se o IPES era alinhado ideologicamente à UDN, o Instituto Millenium está alinhado ao PSDB/DEM.

Espécie de "maçonaria" moderna da direita brasileira, o Instituto Millenium reúne figuras como Pedro Bial, Reinaldo Azevedo, Marcelo Madureira, Marcelo Tas, Otávio Frias Filho e Leandro Narloch entre seus integrantes, tanto diretores quanto articulistas. E tem até a Sandra Cavalcanti que também participou do antigo IPES.

No âmbito internacional, o Instituto Millenium também conta com o apoio do irmão do presidente chileno Sebastian Piñera, José Piñera, que foi ministro do general Augusto Pinochet. Também colabora com o Millenium a blogueira Yoani Sanchez, exilada cubana famosa por suas ideias neoliberais.

Erroneamente, Tropa de Elite 1 e 2 foram cortejados por setores pouco críticos da opinião pública de esquerda, como se fosse um "filme de arte", quando se sabe que os filmes não são mais do que produções comerciais do porte de Sylvester Stallone, Steven Seagal e os Duros de Matar de Bruce Willis.

Caso semelhante ocorreu com o escritor Guilherme Fiúza, com seu livro e o roteiro do filmeMeu Nome Não É Johnny, foi vítima dessa incompreensão "positiva". Fiúza também é membro-diretor do Instituto Millenium.

José Padilha, através de Tropa de Elite 1, relançou para o sucesso a música "Rap das Armas", hit do "funk carioca" que havia sido gravado por dois intérpretes, MC Cidinho & MC Doca (também intérpretes do "Rap da Felicidade") e MC Júnior & MC Leonardo (este presidente da APAFUNK).

MENINA-MULHER-OBJETO



COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: No exterior, já começa-se a discutir o processo de erotização das crianças do sexo feminino, que, mesmo de forma mais sutil, preocupa a opinião pública. Aqui, no entanto, a erotização é muito mais explícita, sobretudo através da "saudável liberdade" do "funk carioca" e qualquer questionamento a respeito é tido como "preconceito moralista".

Menina-mulher-objeto

Da CartaCapital

Andar pela casa com os sapatos de salto alto da mãe, colocar seus brincos e pulseiras, batom e perfume… Que menina nunca fez isso? Que menina não quis vestir os signos da mulher adulta e imitá-la? É assim que crescemos, nos espelhando nos outros; buscando, por meio dos gestos copiados, um modelo a seguir, uma orientação para ser. A mola mestra da vida está em seguir exemplos. Fazemos isso com pais e mães, mas também com artistas, professores, enfim, com aqueles que chamam a nossa atenção e provocam o nosso interesse.

Mesmo já adultos, são os outros que nos inspiram e que imitamos: nos vestimos como se vestem os profissionais da nossa área, por exemplo. Agimos e falamos como eles, frequentamos os mesmos lugares e adotamos para nós os fins e valores que eles têm.

Portanto, brincar de ser adulto, sob essa ótica, não só é algo corriqueiro para as crianças como também esperado. Não nos causa estranhamento desde que, nesse terreno, não adentre nenhum toque de sexualidade, como no caso das fotos da menina de 10 anos, Thylane Blondeau, para o mundo da moda. Ensaio de modelo e de que mais?

A mim, particularmente, as fotos incomodaram por terem um toque bizarro. A sexualidade antecipada de Thylane é uma fantasia que ela enverga como se fosse sua mais original realidade. Uma sexualidade, ao mesmo tempo, postiça e natural. Sem dúvidas, precoce. Fruta verde colhida cedo demais.

Fiquei me perguntando, ao olhar as fotos, o que tudo aquilo significaria para a própria Thylane. E se ela entenderia os olhares que certamente a contemplariam. Compreenderia o desejo sexual? Saberia decodificar e lidar com a pedofilia? Saberia o significado de ser criança-mulher-objeto? Puro produto de consumo?

E a anorexia? Saberia que é uma doença e não um padrão estético? Nas fotos, seus bracinhos compridos parecem modelados por ela. Seu corpo todo controlado pelos critérios do mundo da moda: a escassez.

Penso que não só o corpo, mas toda sua vida deve ser parametrada pelas necessidades e ritmos da carreira escolhida (não -certamente por ela): horários de dormir e acordar, alimentos que consumir, férias, tempo para a escola, brincadeiras, companhias, interesses, objetivos, sentido da vida, enfim.

Temo que Thylane construa sua identidade a partir de uma circunstância de trabalho. E de uma circunstância que a condiciona a ser corpo em serventia, principalmente para os interesses anônimos do consumo. Seria uma identidade recolhida da sua condição prematura de mercadoria: sem vontade própria nem destino pessoal. Uma identidade a serviço do desejo (do outro), dos interesses (do outro), da admiração (do outro), da cobiça (do outro)…

As “Thylanes” da moda são meras imagens vestidas de erotismo e vendidas como tal. Mas, se o mercado da moda chega a tanto, é porque recebe da sociedade seu consentimento. Nessas pequenas modelos se apresentam as duas consignações mais presentes em nossa sociedade: sexualidade e juventude. A elas, de um modo ou de outro, todos nos curvamos e por elas somos atingidos.

Juventude estendida
A sexualidade tem sido a exigência capital para quase todas as situações. Ela substitui o amor, a honra, a inteligência, a honestidade, o interesse pelo bem comum… E é requisito para a conquista de empregos, namoros e casamentos, autoestima, posição social etc. No dia a dia, são essas convocações da sexualidade que nos fazem frequentar academias, fazer dietas, nos equilibrar em saltos desconfortáveis e danosos, escolher o estilo das roupas. O insuportável é não ser (sexualmente) desejável.

A juventude tem sido o que rege a busca desenfreada pelas plásticas. Aos 30 anos já são muitos os que recorrem a ela, não para corrigir imperfeições, mas para esconder os primeiros sinais da idade. O estilo do vestuário é todo determinado pelo gosto juvenil e os tamanhos pautados por essa faixa etária.

A juventude, porém, tem de ser cada vez mais extensa. Ela não é vista como um estiramento para a longevidade, mas em direção à infância. E quanto mais jovem aparentarmos ser, mais desejáveis seremos. Ser desejável é ser jovem, quase uma criança – assim é que sexualidade e juventude se conciliam.

Vestindo a criança com a moda adulta, podemos ter a ilusão de que é a vida adulta que impõe padrões à infância e a obscurece. Mas, se olharmos de perto, e com calma, compreenderemos que é da infância que a vida adulta tem retirado os padrões de seu comportamento e aparência.

Não é apenas a criança que se torna, através da sexualização precoce, adulta mais rapidamente. São os adultos que sonham em não crescer.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

DEMISSÕES E HIPOCRISIA DA FOLHA



COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: A Folha de São Paulo se orgulha de divulgar as demissões nas outras empresas midiáticas, mas esconde as suas e chega mesmo ao artifício de demitir funcionários aos poucos para evitar complicações junto aos processos sindicais.

Demissões e hipocrisia da Folha

Do portal R7

A Folha de S.Paulo decidiu passar para os empregados a conta prevista pelos administradores do jornal para o ano que vem.

A alegação oficial é a de que o grupo “está adequando seu corpo de funcionários ao orçamento de 2012”, mas especula-se que o corte se deve ao prejuízo em seu faturamento provocado pela constante queda de assinaturas e das vendas em bancas. Estimativas apontam em 40 o número de funcionários demitidos pelo jornal nos últimos dias.

Os cortes foram anunciados no início de novembro e estão acontecendo em doses homeopáticas, na tentativa de fugir de negociação tanto com os funcionários atingidos quanto com o Sindicato dos Jornalistas.

Segundo a entidade, isso expõe falsidade em relação à “democracia” pregada pelo slogan do veículo.

A Folha de S. Paulo é um dos veículos que mais dão espaço à cobertura de demissões em outros grupos de comunicação, como aconteceu com o recente corte de funcionários na MTV, emissora de TV do Grupo Abril. Em 7 de fevereiro deste ano, ela anunciou com alarde o corte na TV Cultura.

O presidente do sindicato, José Augusto Camargo, afirma, em texto, que as demissões sem explicação contradizem o que a empresa defende publicamente e que esse discurso é apenas estratégia de marketing.

- A recusa de negociar as demissões com o sindicato demonstra o total desrespeito com a entidade e com os jornalistas. No caso da Folha, tal atitude é uma contradição à tão divulgada “democracia” defendida pelo jornal, que na prática é apenas uma estratégia de marketing.

A crise financeira prenunciada pela Folha acontece pela queda de circulação crescente do jornal, fato atribuído por analistas ao declínio de sua credibilidade nos últimos anos. Em Minas Gerais, por exemplo, a Folha vê sua liderança ameaçada pelo popular Super Notícia.

40 anos de casa

Com o corte na quantidade e qualidade de profissionais – alguns com mais de 40 anos de casa -, o resultado piora ainda mais. Menos qualidade, menos credibilidade, menos leitores, menos empregos.

A Diretoria do Sindicato dos Jornalistas reafirma que não existem motivos que justifiquem demissões desta natureza.

- Na verdade, o jornal trabalha com um número limitado de profissionais, que acumulam horas extras excessivas, ‘pescoções’ [o fechamento do jornal na sexta-feira, que inclui a conclusão das edições de sábado e domingo] intermináveis e multiplicidade de funções, como trabalhar para o impresso e também para o portal [a Folha Online].

Entre os suplementos afetados com a demissão em massa estão o Folhateen, voltado aos jovens, que era publicado há 20 anos, e o caderno Saber. O primeiro vai virar uma coluna dentro de outro suplemento e o segundo deixará de existir de vez. Suzana Singer, ombudsman do próprio jornal, escreveu em sua coluna neste domingo (20) que “a causa mortis [dois suplementos] não foi revelada”.

A Folha de S.Paulo continua sem dar explicações sobre os cortes também ao Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo. O sindicato aponta que a empresa “foge” das explicações. O jornal foi procurado pelo R7, mas não retornou o contato.

O blogueiro do R7 e comentarista da Record News Daniel Castro afirma que há pelo menos dois demitidos que tinham mais de 40 anos de casa.

- [O corte atinge] 10% de toda a redação do jornal. Fazia vários anos que não tinha um corte desse tamanho em um grande jornal como a Folha.

"RAP DA FELICIDADE" NÃO É MÚSICA DE PROTESTO. E É RUIM PACAS



COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: O "funk carioca" é um grande embuste que tenta se passar por "movimento sócio-cultural" para que outros movimentos sócio-culturais não aconteçam. Além do mais, seus militantes primeiro falam bobagens para depois dizerem "não é bem assim". Ou seja, primeiro falam mal do policiamento nas favelas ou pedem que o "funk" seja ensinado no lugar das redações escolares, para depois desmentirem.

Os militantes funqueiros são pessoas astutas, traiçoeiras, que praticamente "compraram" a intelectualidade brasileira que os primeiros trairão na primeira oportunidade.

"Rap da felicidade" não é música de protesto. E é ruim pacas

Por Marcelo Pereira - Blogue Pizzaria do Poder

O troço pavoroso e humilhante que é conhecido como "funk" carioca, é um exemplo de decadência musical. Seus expoentes não possuem informação musical e tudo que eles conhecem sobre música é através do rádio e da televisão, péssimos professores de música. O que significa que nada tem de cultural, representando mais um braço da indústria de entretenimento, mesmo quando os projetos são feitos "por conta própria". E dá muito dinheiro aos seus envolvidos, embora ninguém goste de admitir isso.

A ideia de transformar o "funk" carioca em "movimento cultural", se deu pela necessidade de isenção fiscal por parte dos - poderosos - donos das equipes de som, além do acesso dos mesmos á vida política no Estado do Rio de Janeiro. Existe até uma bancada "funkeira" e um partido (o pseudo-esquerdista PSOL). Mesmo assim, essa conquista se dá através de vias alternadas, já que instituições oficiais não reconhecem essa patetice evidente como "cultura".

Além da péssima qualidade musical, caracterizada pela ausência de melodia, por arranjos fracos e vozes de calouro fracassado (abacaxi neles!), o "funk" ainda humilha o povo pobre através de letrinhas imbecis e coreografias ridículas.

O "Rap da Felicidade" não foge disso, já que é tosco e sua letra parece um trabalho escolar feito por uma criancinha de 7 aninhos de idade. Além disso, a "música" não é "rap" coisa nenhuma. É uma cirandinha mal cantada, com instrumental feito por teclado de centésima categoria, daqueles comprados "lá em Acari".

Reproduzo aqui a letrinha desta musiquetinha sem-vergonha que está sendo considerada pelos leigos como "música de protesto". Somente quem não conhece ou despreza a verdadeira música de protesto, sobretudo a da segunda metade dos anos 60 para achar uma tolice como essa, uma "música de protesto". Vou provar aqui que isso é uma mentira, inventada por quem quer promover - e se promover com - o "funk" carioca. Uma novíssima forma de paternalismo e gerar lucros com o sofrimento alheio.

Vão ler e estudar antes de cuspir uma droga como essa.

Vamos à letrinha, com autoria atribuída a um elemento que assina como Julinho Rasta e uma garota que assina somente como "Kátia". Vejam se não parece coisa de criancinha pequena.

Eu só quero é ser feliz / Andar tranqüilamente na favela onde eu nasci, é
E poder me orgulhar /E ter a consciência que o pobre tem seu lugar
- Esse verso é claramente conformista. Como uma letra "de protesto" pode ter um verso que estimula acomodação? Ser pobre é bom? Não ter dinheiro é bom? Esgoto na porta de casa é bom? Morrer de fome é bom? Não ter acesso a serviços básicos é bom?
Esses versos claramente são uma apologia da pobreza.

Fé em Deus... DJ
- Todos sabem que religiões tem muita força na população carente. Quem tem menos instrução é mais suscetível a manobras, da mídia e das igrejas.

Minha cara autoridade, eu já não sei o que fazer / Com tanta violência eu tenho medo de viver / Pois moro na favela e sou muito desrespeitado / A tristeza e a alegria aqui caminham lado a lado
- Esses versos só falam o óbvio. Quem é que gosta de violência? Somente quem a pratica, claro. Mesmo assim a letra fala em "alegria", mais um sinal de acomodação com os problemas com a pobreza.

Eu faço uma oração para uma santa protetora / Mas sou interrompido a tiros de metralhadora / Enquanto os ricos moram numa casa grande e bela / O pobre é humilhado,esculachado na favela
- A religiosidade aparece novamente aqui. Mais uma vez se confirma a ingenuidade de quem escreveu, esperando que um ser invisível e sem existência comprovada possa resolver o seu problema. Há, pelo menos o reconhecimento de que os ricos vivem com melhor "qualidade de vida" (mesmo que seja apenas "grande" e bela", o que não significa qualidade explícita) e que o morador da favela é realmente humilhado.

Já não agüento mais essa onda de violência / Só peço, autoridade, um pouco mais de competência
- Mais um verso óbvio, que poderia ter sido escrito por qualquer pessoa sem vocação artística. Até mesmo um portador de Síndrome de Down é capaz de escrever versos como estes.

Diversão hoje em dia não podemos nem pensar / Pois até lá no baile eles vêm nos humilhar / Ficar lá na praça, que era tudo tão normal / Agora virou moda a violência no local
- Mais um versinho óbvio. Quer diversão? Vai trabalhar, malandro!

Pessoas inocentes, que não têm nada a ver / Estão perdendo hoje o seu direito de viver / Nunca vi cartão postal que se destaque uma favela / Só vejo paisagem muito linda e muito bela
- Como é que é? Enlouqueceu? Cartão postal com favela? Favela é uma construção provisória e improvisada, uma caverna moderna feita para quem não tem condições de arrumar uma casa para morar. Não segue nenhuma regra de arquitetura e são lugares bem inseguros, visto que há "gatos" de energia, construções em áreas de deslizamentos, acessos apertados, além de serem claramente feios e sem qualquer infra-estrutura básica, vamos reconhecer. Somente masoquistas gostariam de viver eternamente num lugar de péssima qualidade, sem dignidade.

Quem vai pro exterior da favela sente saudade / O gringo vem aqui e não conhece a realidade / Vai pra Zona Sul pra conhecer água de coco / E pobre na favela,vive passando sufoco
- Uma contradição. O autor reconhece que a vida "de rico" é melhor que a dele, mas ainda mantém seu amor pela vida na favela. Qualé? Quer viver bem ou viver mal? Decide, pô! Recentemente, favelas viraram pontos turísticos para "gringos", o que no ponto de vista destes, é encarado como um "habitat" natural desta "espécie animal" conhecida como "favelado". Ou seja, mesmo quando a favela se torna objeto de atração para estrangeiros, existe humilhação ao povo pobre. Humilhação que é ignorada pelos autores.

Trocaram a presidência, uma nova esperança / Sofri na tempestade, agora eu quero a bonança / O povo tem a força, só precisa descobrir / Se eles lá não fazem nada, faremos tudo daqui.
- Um detalhe a observar: "trocaram a presidência" na época, se refere ao governo Collor, um governo direitista que desagradou "gregos" e "troianos" após o confisco da poupança, algo que irritou bastante os ricos. O povo tem a força? Só se for a força troglodita dos brucutus. Sem educação (não me refiro a instrução escolar, mas ao preparo intelectual que desenvolve o senso crítico, que nem escola, nem mídia e nem sociedade dão a qualquer indivíduo), o povo não é nada.

Conselho aos defensores dessa joça. Vão aprender o que é cultura, arte e protesto. Vão estudar música. Vocês não sabem nada de coisa nenhuma.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...