domingo, 31 de julho de 2011

MACHISMO POLITICAMENTE CORRETO



Por Alexandre Figueiredo

Como sabemos, o Brasil é um país do jeitinho, das posturas camufladas, da hipocrisia enrustida. O reduto dos hipócritas é a comunidade "Eu Odeio Hipocrisia" do Orkut, só para se ter uma ideia. E todo mundo é "parafrentex" mesmo sendo antiquado, provinciano e conservador. Mas a direita também usa tatuagem e fala palavrão e poucos percebem, embora não seja difícil notar isso.

Pois nesse contexto o machismo de muitos homens também torna-se enrustido, isso tempos depois da farra sanguinária de crimes passionais impunes e desafiadores que dominou os anos 80 e 90. Que tais farras continuam e até seguem impunes, é verdade, mas com a diferença de que os machistas vingativos de hoje parecem casmurros e constrangidos feito baratas correndo pela calçada da rua à noite.

Mas até o contexto todo mudou. O machismo abertamente defendido por muitos homens ficou mais cafajeste e dissimulado. E mesmo as mulheres tão desejadas pelos machistas, as chamadas "boazudas", em outros tempos eram esposas de banqueiros de bicho, dirigentes esportivos e dirigentes carnavalescos, quando muito casadíssimas com jogadores de futebol. Hoje moças assim não conseguem sequer namorar o ídolo teen do futebol, o astro-jogador Neymar.

E o politicamente correto comemora o celibato - forçado? forjado? forçoso? - das musas "boazudas" ou "popozudas" (devido aos glúteos avantajados inflados pelo silicone) como se fosse um suposto feminismo que eles, por razões óbvias, não conseguem explicar. E, quando alguém os chama de machistas, eles apenas gracejam: "Uia!", "Huahuahuahuahuah!". Risadas esnobes de quem quer disfarçar o peso na consciência.

Afinal, eles alegam - com uma ajudinha da intelectualidade que vê cabelo em ovo nessa "cultura popular" do "deus mercado" - que as moças em questão são "feministas" porque fazem o seu sustento sem a dependência dos homens.

Mas mal sabem eles que tais musas - podendo ser paniquetes, "mulheres-frutas" do "funk", dançarinas de "pagodão" e ex-integrantes do Big Brother Brasil, ou similares - dependem dos homens, sim, como seus próprios empresários, os executivos de TV e os empresários do mercado editorial que publica suas fotos "sensuais". Além de outros homens que comandam boates ou dirigem escolas de samba e times de futebol.

Elas mesmas alimentam o mercado machista fazendo o papel de moças que apenas simbolizam o culto ao corpo, a curtição vazia e aleatória e o desejo sexual compulsivo dos homens. Em outras palavras, elas são as famigeradas "mulheres-objeto", verdade que dói nos politicamente corretos, além da própria cobrança da vida social de que uma mulher hoje, para vencer na vida, tem que ter um mínimo de inteligência e sensatez.

Diante de tais cobranças, os machistas se horrorizam com a simples hipótese de uma paniquete ter que ler um livro ou falar sobre política, ou mesmo estar intelectualmente dentro da média de atrizes e repórteres de telejornais mais convencionais.

Acham que isso tira a graça das "boazudas", que elas são melhores "burrinhas". Ou, dentro do prisma politicamente correto, com um "tipo de inteligência" que nós somos "incapazes" de compreender. "Não somos ignorantes", dizem os direitistas dente-de-leite, como aspirantes a Ali Kamel do amanhã.

Mas a realidade derruba qualquer campanha politicamente correta e qualquer teimosia troleira. Afinal, as belas atrizes de novelas e as belas jornalistas de TV, muitas delas, são fisicamente tão ou mais atraentes do que aquelas que só vivem para exibir sua "sensualidade".

E tudo isso com a grande diferença de que as atrizes e jornalistas rendem uma excelente conversa, dão ótimas entrevistas e até para ir às boates dão seu diferencial, sem tratar a "vida noturna" como um fetiche de vaidade, egolatria e exibicionismo.

Até mesmo uma atriz antes associada ao universo infanto-juvenil, a franco-inglesa Emma Watson, põe no chinelo qualquer "boazuda" brasileira, na medida em que a atriz dos longas da franquia Harry Potter, além da beleza deslumbrante que supera, e muito, a beleza mediana e enjoada das "popozudas", tem charme, sensualidade, simpatia e elegância. Outra que já começa a chamar a atenção como musa é a também atriz Dakota Fanning, outrora um ídolo mirim.

Mas como convencer essa patota masculina, diante da teimosia de muitos deles, potenciais troleiros, que talvez se irritem com certas verdades? Afinal, não é Luciano Huck nem Galvão Bueno que escrevem criticando paniquetes, "mulheres frutas" e similares, mas humildes blogueiros sem muita visibilidade, mas com muito senso crítico para dar.

Daí a machistada "muderna" e "anti-machista" reage. Sim, pasmem, eles se acham "anti-machistas" e acusam os que contestam as "popozudas" de "machistas", só porque falam mal de mulheres, sem saber que tais mulheres na verdade seguem valores machistas, desempenham o papel que o machismo determina para uma parcela das mulheres sexualmente ativas no país.

Mas, feitos "José Serra de bermudas", eles não conseguem convencer. Até se irritam e reagem com insistência, mas cansam. Tentam dizer que não são machistas, dirão que as "popozudas" são vítimas de "preconceito" (sempre aquela pose de vítimas), e tudo o mais. Mas sempre fracassam.

Até porque, no final das contas, as "popozudas" sempre ficam em desvantagem diante das demais mulheres. Elas só são "maiorais" até o fim da masturbação. Depois, caem logo no esquecimento. Não têm substância.

sábado, 30 de julho de 2011

A BAND MENTE COMO A GLOBO! SÓ É MAIS BARATA...



COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: Com uma lucidez contundente, o blogueiro Laerte Braga escreve sem rodeios sobre o caráter conservador da TV Bandeirantes, propriedade do neto de Adhemar de Barros (o governador de São Paulo que patrocinou a marcha Deus e Liberdade no Vale do Anhangabaú, que defendeu o golpe de 1964). É uma forma de mostrar as novas gerações o que é mesmo a mídia conservadora.

O texto choca, um pouco, diante de uma plateia que, feito papagaio, se limita a engrossar o coro quando o assunto é Globo, Folha e Abril. Mas, quanto ao resto, age de uma ingenuidade vergonhosa.

Sem sectarismos, Laerte Braga dá um bom relato dos descaminhos da grande mídia - e aqui ele fala de "mídia boazinha", aquela grande mídia que não está no "topo da pirâmide", mas só um pouco abaixo - e faz críticas até mesmo aos retrocessos cometidos pelo governo Dilma. A esquerda de verdade não tem medo de exercer a opinião crítica.

A BAND MENTE COMO A GLOBO! SÓ É MAIS BARATA...

Por Laerte Braga - Blogue RedeCastorPhoto

É possível “comprar verdades” na REDE BANDEIRANTES, como se faz com a GLOBO, a RECORD ou qualquer outra rede de TV no Brasil. Ou a jornais, revistas e rádios de grupos privados. Grupos privados de comunicação servem a interesses de bancos, grandes corporações empresariais, latifúndios e vendem a ideologia do neoliberalismo. Mentem a soldo dessa gente. Fazem parte do esquema Murdoch e algumas são sócias.

O JORNAL DA BAND, edição de sexta-feira noticiou que grupos islâmicos seriam os responsáveis pelos atentados na Noruega. Há pelo menos três horas antes qualquer empresa de comunicação, em qualquer lugar do mundo, no mínimo eficiente, no duro mesmo sem seriedade alguma, caso da BAND, sabia que um cidadão norueguês havia sido detido pelo polícia como responsável pelo atentado numa ilha onde estavam jovens trabalhistas.

A BAND insistiu em grupos islâmicos sabendo que mentia. A mentira é deliberada, faz parte do processo de induzir o telespectador a acreditar numa verdade que não existe, mas para a qual são pagos, falo dos comprados, a BAND.

Hoje já se sabe que os jovens trabalhistas assassinados estavam reunidos num seminário e haviam aprovado um boicote a Israel, grande acionista do Brasil (um país que já começa a ficar sem dono, ou com outros donos melhor dizendo).

Como se sabe que o atirador detido é norueguês e cristão fundamentalista. O pessoal de Edir Macedo segue a mesma linha com outra definição. Edir até agora pelo menos não matou ninguém, só mete a mão no bolso da manada. O norueguês vai e mata quase uma centena. Como aquele judeu ortodoxo que matou Itzak Rabin por ter assinado a paz com os palestinos e reconhecido o Estado Palestino.

A BAND, em seguida, na mesma edição, pega o general Augusto Calabar Heleno, nascido no Brasil, mas servindo aos EUA e vai a RESERVA RAPOSA SERRA DO SOL mostrar que os índios da reserva estão vivendo em condições “miseráveis”. Os índios desmentem, mostram o contrário, a BAND não mostra, claro a conta bancária da turma aumentou e muito. O general Heleno é notório traidor. A única coisa que falou foi sobre “área produtiva”. Quer as terras para o latifúndio e o transgênico nosso de cada dia, regado a agrotóxico.

O xis da questão é impressionar a manada (a da BAND é pequena) e dar a impressão que “a” é “b” e em seguida emitir a fatura. Joelmir Betting é só uma cópia masculina de Miriam Leitão, nada além disso.

Em Band veicula mentiras sobre Raposa Serra do Sol está a nota CONSELHO INDIGENISTA MISSIONÁRIO colocando os fatos como de fato são e desmentindo os MENTIROSOS da REDE BANDEIRANTES.

Fica a sensação que na avidez da mentira, da desinformação, prevalece o lema “um dia ainda viro GLOBO”, aí o faturamento aumenta.

Demonizar muçulmanos é uma palavra de ordem constante na mídia privada. Tem já uma rubrica nos pagamentos para isso, é permanente. Explodiu um buscapé? Coisa de muçulmano.

A imensa e esmagadora maioria do estado terrorista e usurpador (ocupa a força terras palestinas, foi inventado pelas grandes potências) de Israel apóia o genocídio contra palestinos, acredita piamente que são superiores e agora contam com apoio dos cristãos fundamentalistas, como na Noruega.

Tudo bom as bênçãos do líder nazista Bento XVI e a inspiração do beato João Paulo II.

No caso específico do Brasil, um desses vacilos do governo Lula e um acordo de livre comércio com Israel abriu as portas para que o Estado nazi/sionista comece a ocupar o País em setores estratégicos e logo-logo toma posse. Começou pelas Forças Armadas.

Israel é hoje quem detém o controle acionário de EUA/ISRAEL TERRORISMO S/A. Deixou de ser o segundo majoritário acionista, passou a ser o primeiro. Impõe medo e terror em todo o mundo.

Por aqui também as polícias militares – organizações terroristas principalmente contra professores, trabalhadores de um modo geral – são financiadas e treinadas por agentes norte-americanos e israelenses.

O tráfico de drogas? Isso é bobagem, os grandes cartéis proporcionam grandes lucros aos bancos em todo o mundo, movimentam bilhões de dólares por ano e gerente estende tapete vermelho para qualquer Beira-mar da vida. Os grandes bancos são de judeus/sionistas, logo de criminosos contra a humanidade.

O que se percebe é que determinadas matérias de interesse do latifúndio, dos donos, são veiculadas por redes como a BANDEIRANTES, por uma espécie de contenção de gastos. A turma lá é mais barata e um extra por conta de matérias criminalizando muçulmanos, ou mentindo com um general traidor sobre RAPOSA RESERVA DO SOL, acaba permitindo uma noite num inferninho de melhor qualidade.

Ao invés de pastel de vento, um de carne, outro de palmito e um dia chegam ao caviar.

A Noruega, como qualquer país da Europa Ocidental, da chamada Comunidade Européia vive um processo de nazificação e isso está óbvio nas declarações do governador geral da Micro-Bretanha (ex-Grã Bretanha), David Cameron, que decretou o fim do multiculturalismo.

Os jovens que estavam na ilha e foram assassinados covardemente por um cristão fundamentalista estavam, exatamente, defendendo o multiculturalismo.

A BANDEIRANTES sabia disso muito antes da edição do telejornal de sexta. O importante, no entanto, é a MENTIRA.

Ressuscitar o general Augusto Calabar Heleno deve ter valido uma boa grana do latifúndio. Via de regra vem em forma de anúncios para não dar muito na vista.

É possível até que tenha a ver com projeto do ministro da Defesa Nelson Jobim de entregar 30 quilômetros de fronteiras para operação conjunta de traficantes que governam a Colômbia com militares brasileiros. Breve, consultores norte-americanos.

Dizem, não sei, dizem, que o Brasil é governado por Dilma Rousseff e que a presidente é brava.

Tenho minhas dúvidas. O governo exibe um nível de entreguismo semelhante ao de FHC.

A propósito, contam que um norte-americano que estava no Brasil quando a princesa Izabel assinou a Lei Áurea pegou um pouco de terra de nosso (nosso?) País e disse que iria levar ao seu país (seu? Agora é de Israel) para mostrar que o que aqui se fez com paz, lá se fez com sangue (mentira histórica).

Não é bem assim. Vejamos o caso da Grécia. Lá impuseram um pacote goela abaixo dos gregos que resistem nas ruas. Aqui tentaram primeiro com um tresloucado, Collor de Mello e conseguiram com um canalha lato sensu, Fernando Henrique. É só pegar o governo do tucano e comparar com o pacote imposto à Grécia.

Disso a BANDEIRANTES não fala nada.

Está no bolso dos caras, como qualquer GLOBO da vida, só que com a vantagem de ser bem mais barata que a concorrente.

Vem aí Haroldo Lima, dizem que comunista, mas da empresa PC do B, defender a presença de companhias estrangeiras no pré-sal. Os caras são uns artistas. E ainda controlam a UNE, antiga União Nacional de Estudantes, transformada num grande conglomerado de grandes “negócios”, tipo código florestal de Aldo Rebelo.

sexta-feira, 29 de julho de 2011

CRISE NO PRIMEIRO MUNDO: DÍVIDA NOS EUA E EXTREMA-DIREITA EUROPÉIA



Por Alexandre Figueiredo

O Primeiro Mundo vive, eventualmente, períodos de crises e agitações sócio-políticas. Mas o que surpreende os noticiários nos últimos tempos é que os Estados Unidos da América, considerados a nação mais poderosa do planeta, a única que se tem o direito de ter dois Estados federativos fora de sua extensão territorial - os Estados de Havaí e Alasca que Dwight Eisenhower, o então chefe da Casa Branca, havia dado de presente para Tio Sam em 1959 - , está envolvido em sérias dívidas financeiras.

Sim, a nação mais poderosa do planeta, paradigma do moderno imperialismo político e econômico, está à beira da falência.

Tudo por conta de pesados investimentos em conflitos bélicos em outros países, muitas vezes sem a influência direta dos EUA. Diga-se direta, porque desde a Guerra Fria havia sempre a interferência indireta das autoridades estadunidenses nos outros países, para defesa de interesses políticos e econômicos estratégicos, sobretudo para não perder o poder de domínio para nações concorrentes, que, até 1990, havia sido a URSS.

O Congresso Nacional dos EUA pode votar hoje, ou então em outro dia, o aumento do teto da dívida pública, para permitir o financiamento para o pagamento, e, se não conseguir aprovar o aumento, os EUA terão que adotar a moratória. Aquilo que seus "cães de guarda" brasileiros, os cronistas políticos da mídia golpista, tão esnobemente chamam de "calote".

Essa crise pode pôr em xeque a permanência do Partido Democrata na Casa Branca. Barack Obama, presidente dos EUA, sonha em ser reeleito em 2012, e, se não conseguir resolver essa crise, terá que entregar a faixa presidencial para o rival do Partido Republicano.

Os "luzias" do Partido Democrata, embora não façam diferença, na política externa, aos "saquaremas" do Partido Republicano, na política interna são um pouquinho mais flexíveis do que o principal partido rival. Existe pluripartidarismo nos EUA, mas a política é tradicionalmente polarizada entre os dois partidos. Algo que uma rivalidade entre o PMDB e o PSDB daqui.

Mas se existe a direita ortodoxa, republicana, e heterodoxa, democrata, nos EUA, o que assusta na Europa é a ascensão dos movimentos de extrema-direita em alguns de seus países. Na França, existe a figura do líder político Jean-Marie Le Pen. Na Alemanha, tiveram que destruir o túmulo do nazista Rudolf Hess e cremar seus restos mortais, para evitar que neo-nazistas se reúnam para, a título de homenagear o defunto, rearticular seu movimento.

Na Noruega, o duplo ataque com atentado a bomba e chacina, em Oslo e na ilha de Utoya, teve 76 vítimas fatais oficialmente, embora tenha se anunciado, antes, 92. Surpreende, naquela nação marcada pela prosperidade social, a frieza e o sadismo do autor dos ataques, Anders Behring Breivik, que havia publicado um texto condenando a miscigenação racial e o multiculturalismo, citando até mesmo o Brasil. E vários de seus mortos eram de partidos rivais ao partido ultradireitista que ele apoiava.

Mas mesmo no Brasil e nos supracitados EUA e extrema-direita existe. Nos EUA, o Tea Party, uma espécie de "Cansei" ianque, milita, com o apoio dos radicais conservadores do Partido Republicano, pelo famigerado pretexto da "moralidade" para defender valores aristocráticos medievais. No Brasil, já existe um braço dessa organização, mas o que se vê também são gangues de neo-nazistas dotados de profundo ódio racista e homofóbico, além da fúria que se dirige contra imigrantes nordestinos.

A extrema-direita pode se aproveitar das eventuais crises no Primeiro Mundo e nos países em desenvolvimento para articular movimentos políticos retrógrados e autoritários. É um golpismo que ainda assombra nessas alturas do século XXI.

A crise econômica, através da manutenção das desigualdades sociais, e a conivência social - da mídia, sobretudo, como a Folha de São Paulo que falou bem dos fascistas que fizeram passeata pró-Jair Bolsonaro - é uma boa armadilha para esses movimentos pelo retrocesso sócio-político. Convém abrirmos os olhos.

A INCURÁVEL SÍNDROME DE VIRA-LATA



Por Alexandre Figueiredo

Embora o Brasil passe por transformações de ordem política e econômica, culturalmente ainda há uma campanha para que, sem assumir no discurso, o povo brasileiro permaneça eternamente na sua síndrome de vira-lata.

A "cultura popular" de mercado, como é o complexo brega-popularesco, insiste em manter sua hegemonia, tentando nos fazendo esquecer de seu vínculo com contextos político-midiáticos conservadores. Agora todo mundo é "progressista", "votou em Dilma", e há até breganejo metido a engraçadinho dizendo que "virou trotskista".

Todo o establishment do entretenimento popularesco, da Música de Cabresto Brasileira, da imprensa jagunça, das musas "popozudas", tudo agora é "cidadania", "liberdade" e "cultura das periferias". Como se fôssemos ingênuos, essa pseudo-cultura forja uma "Contracultura" de ranço demotucano mas que, pelas relações tendenciosas do mercado midiático, é empurrada goela abaixo para a mídia esquerdista, aproveitando a boa-fé de certos progressistas de coração mole.

O eterno cacoete da síndrome de vira-lata, que trava ainda mais o desenvolvimento social de nosso país, até mais do que qualquer pressão dos tecnocratas do Fundo Monetário Internacional, se recicla agora em novos métodos, dentro da adaptação do velho jeitinho brasileiro dentro dos "modernos" conceitos de politicamente correto aqui vigentes.

O discurso de defesa dessa pseudo-cultura "popular" dá o tom dessa síndrome, reciclada, atualizada e ampliada. E que se tornou um verdadeiro discurso de pedinte, usado, pasmem, pela mesma classe média que fala em "defesa das classes pobres" nas suas festejadas palestras e nos badalados sítios da Internet, mas não estão aí para resolver os verdadeiros problemas vividos pelas classes pobres. Se há deslizamento de terra, haja lágrimas de crocodilos dessa classe "esclarecida".

O que vemos nessa "maravilhosa" defesa da "cultura popular" de mercado, moldada pela grande mídia mas "inocentemente" atribuída à "autossuficiência das periferias"? Balelas, tão somente! A suposta autossuficiência das periferias é um discurso, inspirado no que as classes dominantes dos EUA fazem com os pobres de lá, que tenta dar uma falsa impressão de que os pobres não precisam de ajuda para sobreviver.

Vemos o povo pobre transformado em atração do circo midiático. O povo só deve ser "bom" naquilo que ele tem de "ruim". Isso é discurso moralista de direita? Não é. Por outro lado, desde quando é discurso de "arautos da direita" questionar a domesticação sócio-cultural representada por cafonas, neo-bregas, popozudas e tudo o mais?

Discurso direitista é o contrário, é defender a prevalência de tudo isso. É toda essa defesa que vemos em textos dos "inabaláveis" Paulo César Araújo, Pedro Alexandre Sanches e Hermano Vianna, que continuam expressando sua santidade na maioria dos textos vistos na busca do Google. Eles é que defendem o status quo, usam mil argumentos para tentar nos convencer de que é melhor um povo pobre domesticado diante da TV e do rádio do que lutando por melhorias de vida.

É essa classe média demagógica, pseudo-esquerdista - e nem um pouco estou sendo direitista ao falar isso - que acha lindo que as revoltas sociais ocorram bem longe daqui, no Oriente Médio, em Madri, Atenas, Roma e Davos. Quando o assunto é aqui, esses "esquerdistas convictos" - que há 15 anos só faltaram sentar no colo de FHC feito bonecos ventríloquos do sociólogo-presidente - só querem que "movimentos sociais" sejam mesmo o povo pobre deslocando que nem gado para os galpões que tocam os sucessos da rádio FM popularesca tal.

E aí eles usam a síndrome vira-lata de, pelo menos, duas formas.

Primeiro, diante dos cantores, grupos e duplas de brega-popularesco no auge do sucesso, usa-se não o discurso naturalmente triunfante do sucesso conquistado, mas o marketing da exclusão, a cosmética da pobreza etc. De repente, aquele cantor no auge do sucesso banca o coitadinho e diz que é "vítima de preconceito" só porque não é reconhecido pelos estudiosos da MPB.

Mas o segundo aspecto justifica a rejeição descrita no primeiro. Que é o "artista" ou celebridade de brega-popularesco, podendo ser na música ou no comportamento, querer bancar o "correto" depois de ter cometido atos constrangedores e patéticos.

É o cantor, grupo ou dupla que passam anos gravando discos ruins, produzindo canções medíocres, para depois, tardiamente, sonhar em "fazer MPB".

É a popozuda que exibe os glúteos para a mídia, se possível na cara do telespectador, que diz coisas tipo odiar ler livros, ou posa como freiras ou enfermeiras eróticas, para depois bancar a "certinha" e posar de fada-madrinha em sessões promovidas pelo jornal popularesco tal.

É o apresentador bronco que se autopromove divulgando a violência do "mundo cão", mas depois quer ser o comunicador cult de auditório.

PRECONCEITO CONTRA SI MESMOS

Enfim, é a celebridade que primeiro se enriquece às custas de sua mediocridade para depois querer ser o "genial", o "correto", o "decente". Isso acaba sendo uma verdadeira falta de respeito da própria celebridade consigo mesma, e até mesmo um preconceito que ela sente contra si,

Ou seja, quando convém, o cantor de sambrega faz sua imitação de soul music ou mesmo de brega romântico com instrumentos de samba. O cantor breganejo faz sua imitação de country e mariachi com violões brasileiros. Todo mundo cantando letras de sofrimento amoroso que, de tão caricato e grosseiro, chegam a ser ridículas. Em outros estilos, como o "funk", o forró-brega a axé-music, ocorre a mesma coisa.

Aí, quando chegam os cinco anos de carreira fonográfica, os mesmos ídolos musicais de sucesso descobrem tardiamente que seus primeiros trabalhos são irremediavelmente medíocres e, em certos casos, jogam culpa nos empresários e produtores. E acham, esses "músicos", que depois de tanto tempo têm direito de fazer parte do primeiro escalão da MPB.

Só que, se eles hoje sentem a obsessão pela MPB, por que não sentiram isso antes, há 20 ou mais anos atrás? Por que só recentemente "descobriram" Renato Teixeira, Jorge Ben Jor, Wilson Simonal, Gal Costa, Elis Regina, se eles rolavam nas rádios durante a infância desses cantores popularescos?

Ou, no caso das popozudas, que, apesar de conhecerem ícones do charme feminino como Luíza Brunet, só tardiamente se interessam por alguma coisa próxima. Isto é, quando se interessam. Mesmo assim, fazem questão de dizer que "não são vulgares", ou, no momento extremo, posarem de ninfas, fadas-madrinhas, brancas-de-neve, Betty Boop ou ícones clássicos como Marilyn Monroe.

Tudo isso tardiamente, na última hora. O que quer dizer que impera, implicitamente, a norma: "Eu pago mico primeiro para depois fazer correto". E isso vem de um preconceito contra si mesmos.

Afinal, ninguém nasce sabendo, mas o próprio erro consiste em transformar sua ignorância inicial em milhões de cópias vendidas. É tirar sarro de si mesmo, se auto-esculhambar, que é o mesmo que faltar o respeito a si mesmo. Quando chega a hora de querer fazer as coisas direito, é tarde demais.

Primeiro o ídolo musical faz sua mediocridade alegremente. Depois sente vergonha e quer fazer bonito. E, no caso da música brega-popularesca, os ídolos "veteranos" tentam depois, na última hora, fazer MPB, como se fosse adiantar muita coisa. Não adianta. Os motivos abaixo são evidentes.

Primeiro, porque eles se afirmaram pela breguice que fizeram. Segundo, porque seguem as mesmas normas da chamada "MPB burguesa", com todos os seus clichês de luxo e pompa, que apenas os faz neo-bregas "aristocratizados". Terceiro, isso só expressa a visão confusa desses ídolos, que acham que podem ser "cultura popular de verdade" vestindo roupas de grife, enfeitando os cenários e enchendo de orquestras.

Por isso o fracasso de cantores brega-popularescos que tentam, muito tardiamente, alguma sofisticação musical. Por mais que se esforcem, apenas se tornam forçados, soam fake. Acabam por empolgar apenas os mesmos fãs de suas fases escancaradamente bregas, que acompanharam seus ídolos ao longo dos anos pela mídia.

Assim como as musas vulgares que, desesperadas, querem se passar por "musas sofisticadas" ou "militantes feministas". Ou por apresentadores grotescos que querem ser "grandes comunicadores". Ou a imprensa jagunça que quer ter o mesmo prestígio do Pasquim.

Toda essa pretensão tardia, na última hora (pegando carona no trocadilho, o Notícias Populares querendo ter o prestígio do jornal Última Hora), soa forçada, tão grotesca quanto as grosserias que querem dar a impressão de que deixaram para trás. E, muitas vezes, não deixaram.

Outro motivo é que essas guinadas sempre são tendenciosas, quando torna-se vergonhoso bancar o "pagodeiro brega", o "sertanejo brega", a "popozuda grosseira", o "jornalista brucutu", e aí o pessoal só opta para ser "decente" ou "sofisticado" quando as coisas pegam mal para ele.

Isso não significa melhora, porque esses ídolos, verdadeiras mercadorias do entretenimento, até tentam se aperfeiçoar como produtos, mas continuam humanamente medíocres e toscos. Até porque essas guinadas tentam apenas mascarar a responsabilidade dos "artistas" envolvidos com as grosserias, breguices e tosqueiras que fizeram quando eram ídolos emergentes.

Tentam escapar das consequências de seus erros, com suas guinadas para "melhor". Mas são como lata velha pintada com verniz de ouro. Não ganham brilho próprio, mas o brilho falso do tendenciosismo.

No fim, é a mesma síndrome do vira-lata. Primeiro o músico, o jornalista, a celebridade, se afirmam fazendo coisas ruins ou medíocres. Se enriquecem com isso, e, quando nada lhes desfavorece, ficam felizes com a ruindade que fazem.

Mas depois, com as pressões futuras, tentam mudar, fazem pose de vítimas e querem ser "geniais" sem fazer por onde. Mas tentam, tentam e tentam, querendo impor uma superioridade que não têm. Mas aí foi tarde demais.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

NELSON JOBIM DÁ AULA PARA O PROFESSOR EUGÊNIO RAGGI



Por Alexandre Figueiredo

Nelson Jobim deu sua aula de supletivo para o professor mineiro Eugênio Arantes Raggi.

Ensinou como ser direitista sem deixar de assumir posições de direita.

Em entrevista à Folha de São Paulo, o ministro da Defesa admitiu que votou em José Serra, o "Eugênio Raggi" da Universidade de São Paulo.

Isso caiu como uma bomba na fauna pseudo-esquerdista brasileira.

Que sempre via no PMDB uma moita para camuflar seu direitismo através de um "esquerdismo de resultados".

A "galera" queria defender o livre-mercado, a "cultura popular" de cabresto, a tecnocracia na Comunicação e nos Transportes, achando que pode acreditar nisso tudo e em Che Guevara ao mesmo tempo, agora não dormirá nesta virada de quinta para sexta.

Pois o ministro da Defesa afirmou que votou em José Serra na eleição passada.

A patota que era "ixperta" em acender suas velas para dois santos, para o "deus mercado" e para o "comunismo (quase) ateu" (não fossem os pseudo-esquerdistas da IURD), está machucando suas bocas de tanto morder os beiços.

Afinal, até pouco tempo atrás, diziam que "todo mundo votou em Dilma".

Até o senador norte-americano John McCain e os tecnocratas do FMI, todo mundo "votou em Dilma".

Quase iam dizer que "até Fernando Henrique Cardoso votaram em Dilma", quando veio Nelson Jobim e, pimba! Ele disse que votou em Serra.

Já deve ter gente indo para o banheiro com disenteria de tanto comer paçoca com jabá lendo a revista Caros Amigos.

Pelo menos Nelson Jobim não dissimulou. Daí sua aula de sinceridade para o professor mineiro Eugênio Raggi e para os colonistas-paçocas, antropólogos-esquentas e historiadores-bregas que acham que podem ser socialistas defendendo a intervenção do "deus mercado" na cultura brasileira.

Até porque esses neoliberais acanhados adotaram seu "esquerdismo de resultados" só para agradar empregadas domésticas, porteiros de prédios, garis, feirantes, faxineiros.

Se a maioria dos professores de BH aderiu ao petismo, por que o "Cabo Anselmo da Pampulha", tietaço do Cruzeiro e da Globo.Com, iria ficar sozinho? O "Diogo Mainardi" do fórum Samba & Choro tinha que viajar de popa no primeiro navio que encontrou pela frente.

Quanto a Nelson Jobim, ele deve ter saudades de quando trabalhava para FHC.

Afinal, é o único Jobim que FH e seu projeto cultural popularesco, que deu o título de "MPB" para "sertanejos" de asfalto e "pagodeiros" de butique como um príncipe concede títulos de nobreza para seus amigos, poderia admitir.

Até porque, baseado nos "ensinamentos" do prof. Raggi, Tom Jobim é cria do DIP do Estado Novo. E Lourival Fontes teria inventado a Semana de Arte Moderna de 1922.

Hoje a patota pseudo-esquerda perderá o sono.

O ministro da Defesa falou que não é de dissimulações.

Estragou com o teatrinho dos falsos esquerdas e seu sonho da Teoria da Dependência de FH atravessar os tempos e as ideologias.

Talvez o prof. Raggi possa lançar a candidatura de Tiago Leifert para o governo de Minas Gerais em 2014, porque para a presidência da República não vai dar.

Leifert terá 34 anos em 2014. Será "di menor". A idade mínima para ser candidato a presidente da República é de 35 anos. Está na Constituição Federal.

A VISÃO DOS "CAROS AMIGOS" SOBRE CULTURA


FRANCIS FUKUYAMA E PEDRO ALEXANDRE SANCHES - Tese do "fim da história" chegou à MPB pela porta dos fundos. Mas chegou.

Por Alexandre Figueiredo

A mídia esquerdista ainda não encontrou sua cara própria quando o assunto é cultura. Infelizmente, ainda predomina, oficialmente, abordagens que corroboram a mesma visão da mídia golpista, que patrocinou e promoveu tendências brega-popularescas, que são a "cultura popular" escravizada pelo "deus mercado".

Três periódicos esquerdistas, Carta Capital, Caros Amigos e Revista Fórum, ainda sofrem pelo maniqueísmo fácil que nada contribui para uma visão realmente de esquerda da cultura popular: de um lado, a MPB autêntica para usufruto privativo das classes mais abastadas; de outro, a "cultura popular" de mercado, estereotipada, apátrida e domesticada, que é a "cultura" brega-popularesca.

A ilusão da intelectualidade de esquerda é que esse fosso que separa a "MPB de classe média" da "cultura popular de mercado" fosse resolvido com a integração de um e de outro, num claro viés paternalista, como se o povo pobre fosse reduzido a um bando de mascotes "inofensivos".

Quando muito, cria-se uma "terceira via" através tanto da regravação de sucessos - manjados e, de preferência, com temática inofensiva - da MPB por ídolos brega-popularescos (como os ditos "sertanejos" e "pagodeiros" vestidos com pompa e luxo), seja por grupos "performáticos" como a Orquestra Superpopular, uma espécie de Banda Vexame que quer ser levada a sério, ou algo como um Festa Ploc 80 "mais cabeça", no sentido caetânico do termo.

Essa utopia mostra uma grande falha na formação até mesmo de certos analistas de esquerda. Uma formação de classe média, pequeno-burguesa, que mais uma vez tem um surto de paternalismo no auge do politicamente correto brasileiro.

Essa formação aponta o distanciamento desses pensadores da realidade do povo pobre, vista de longe nos documentários da TV paga ou no convívio superficial com empregadas domésticas, porteiros de prédios, camelôs, feirantes, garis e faxineiros. Nada que possa garantir uma compreensão aprofundada das periferias, apesar de alardearem o contrário.

Esse é o problema. E isso historicamente mancha as atividades das esquerdas. Negocia-se uma transformação parcial, de uma forma ou de outra mantendo sempre o status quo de algum contexto, já que grupos de interesses pressionam para que o idealismo esquerdista cedesse muito de seu impulso inicial.

O grande problema na imprensa esquerdista é que o setor cultural ainda é muito de direita. Até mesmo o caderno "Mais!", extinto suplemento da Folha de São Paulo, apelidada de Folha Serra Presidente pelo perfil claramente demotucano do jornal, foi mais esquerdista do que certas abordagens culturais "de esquerda".

Isso por conta de colaboradores ligados à direita midiática de alguma forma, mas que, como um cão que não quer largar o osso, escrevem para a imprensa esquerdista pondo seus preconceitos "sem preconceitos".

Um deles é um dirigente funqueiro que tem coluna na Caros Amigos, mas também tem outra no jornal Expresso, das Organizações Globo. O referido funqueiro põe na Caros Amigos uma visão de periferia digna do quadro "Parceiros do RJ", aquela visão estereotipada de comunidade pobre de filme da Globo Filmes. Aquela que glamouriza a miséria, como se a pobreza fosse uma coisa linda.

E até agora nenhum funqueiro desmentiu qualquer associação com a mídia golpista, antes esnobasse, em mensagens na Internet, quem criticasse o sucesso deles ou mesmo a aparição deles na Rede Globo.

Outro, conhecemos, é o festejado crítico musical Pedro Alexandre Sanches, cuja obsessão parece ser a de passar pelo maior número possível de veículos de imprensa de São Paulo. Este crítico escreve para a Fórum, Carta Capital e Caros Amigos, mantendo seu tráfico de influência na intelectualidade esquerdista, que nem ao menos expressa seu desconfiômetro diante do DNA folhista do colonista-paçoca.

Pedro chegou a escrever até mesmo sua tese sobre o que é ser crítico musical. Diz que para ser crítico não precisa de regras e que seu trabalho busca estimular a reflexão do público. Na prática, porém, em que pese seu inegável talento de entrevistador, o que Pedro Sanches faz é justamente a propaganda de modismos, algo que ele diz reprovar dos demais críticos.

Entrando de gaiato na imprensa esquerdista, sabemos, através deste blogue, que tudo o que Sanches fez foi reforçar essa visão viciada do maniqueísmo entre a "MPB burguesa" e o "brega-popularesco" e a ilusão de que juntando um e outro se irá promover a efetivação de uma cultura popular autêntica.

Embora tenha um respeitável elenco de entrevistados - o que, exageradamente, faz Pedro Sanches ser endeusado por seus fãs - , Pedro Alexandre Sanches tem uma visão de "cultura popular" bem próxima dos preconceitos caetucanos do jornal que o consagrou, a Folha de São Paulo.

Portanto, ele em nada expressa a extensão, no âmbito da crítica cultural, da ruptura que observarmos em analistas como Emir Sader, Venício Lima e Altamiro Borges no âmbito midiático. Vale lembrar que cultura e mídia se integram, e não dá para defender a Lei dos Meios, a regulação dos meios de comunicação, se nos limitamos a reafirmar, sem qualquer crítica, a pseudo-cultura "popular" historicamente vinculada à velha grande mídia.

Pelo contrário. Por mais que Pedro Alexandre Sanches deixe a sua plateia leitora extasiada porque entrevistou e escreveu sobre a MPB autêntica dos anos 70, ele sugere a mesma tese do "fim da história" lançada pelo historiador neoliberal Francis Fukuyama, há cerca de vinte anos.

Pois Fukuyama também fez um discurso parecido com o de Sanches, ao se referir à história da humanidade. Fukuyama, na sua abordagem, reconheceu que a história da humanidade teve seus heróis, seus personagens audaciosos, e seus vilões. Que houve muitas transformações e façanhas. Mas, segundo ele, com a queda do Leste Europeu entre 1989 e 1991, a história da humanidade cumpriu seu termo, e agora o que vale são os "benefícios" da sociedade tecnocrática e neoliberal, atribuída a ele como "moderna democracia global".

A mesma análise faz Sanches, quando afirma que a MPB teve suas façanhas, seus méritos e seus avanços, mas hoje o que vale é praticamente a "cultura popular" do mercado. Mesmo quando tenta disfarçar a ótica fukuyamiana, Sanches deixa claro que a era de gênios como Cartola, Luiz Gonzaga ou mesmo Chico Buarque acabou, e o que temos é apenas a geração de ídolos que "não somos obrigados a gostar", mas cuja mediocridade artística é vista como "sabedoria intuitiva das periferias".

Em outras palavras, se Francis Fukuyama disse que a história da humanidade acabou e que agora homens e mulheres do mundo inteiro só precisam participar do circo institucional do "deus mercado", Pedro Alexandre Sanches disse que a história da Música Popular Brasileira cumpriu seu termo e agora homens e mulheres só precisam consumir os sucessos da "cultura popular" veiculada pelo "deus mercado" fonográfico e radiofônico.

Neste sentido, Sanches dialoga com Fernando Henrique Cardoso, na medida em que o crítico vem de uma formação ideológica que aplica ao tema cultural os mesmos conceitos lançados pela Teoria da Dependência, na corrente defendida pelo ex-presidente da República.

Embora Hermano Vianna deixe a mesma influência sociológica bem mais clara do que Sanches, pela citação mais frequente da dicotomia "centro X periferia", o ex-empregado de Otávio Frias Filho não deixa de também apresentar essa visão, deixando subentendido a "superioridade" do poder radiofônico (ligado a oligarquias que respaldam o capital estrangeiro) na "construção" de uma pretensa "cultura popular" que alimente o mercado "popular" de entretenimento.

A cada dia, se mostra que a cultura é um tema pouco analisado pelos analistas de esquerda, que acreditam ver nesse tema uma virgem inocente que baila à revelia do processo político.

Enquanto isso, nos últimos 50 anos, boa parte dos sucessos radiofônicos consumidos pelo povo da periferia são acertados nos escritórios fonográficos - dos quais as "pequenas gravadoras" do Norte-Nordeste são extensão provinciana desse sistema voraz - , nas fazendas dos "coronéis", nas gerências radiofônicas. O povo pobre é reduzido a bobo da corte da classe média paternalista.

A propósito, "Caros Amigos" é uma alusão à famosa música de Chico Buarque e Francis Hime, dois "incômodos" artistas brasileiros. Por que agora virou moda atacar Chico Buarque e endeusar os bregas e neo-bregas que batem ponto no Domingão do Faustão e na Ilustrada?

Assim não há esquerda que permaneça no poder mantendo o coronelismo cultural da grande mídia e da Música de Cabresto Brasileira.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

FIFA E GLOBO MULTIPLICAM A MAMATA POR 12



COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: Ainda vai dar muito o que falar a corrupção que está em torno do futebol brasileiro. A Globo e a Fifa (CBF, incluído) estão comemorando a farra financeira que vai engrossar ainda mais o patrimônio financeiro, que certamente irá para os paraísos fiscais, porque a grana é muita. E, embora os governantes digam que nenhuma verba pública será investida nos preparativos para a copa, o que ocorre é o oposto, como o exemplo da dupla carioca Eduardo Paes e Sérgio Cabral Filho que, sorridentes, deram de bandeja R$ 30 milhões para Globo e Fifa.

E, se puderem, Cabral Filho e Paes dariam muito mais. Tudo às custas de ônibus padronizado, hospitais em crise, passarelas caindo, bueiros explodindo e outros desastres.

Fifa e Globo multiplicam a mamata por 12

Por Marco Antônio Araújo - Blogue O Provocador

O que está ruim sempre pode piorar. Depois de sabermos que A Globo e a Fifa vão fazer a festa do sorteio das eliminatórias com dinheiro público, descobrimos que a mamata deve se repetir em cada uma das 12 sedes da Copa do Mundo de 2014.

Trata-se da tal Fan Fest, aqueles telões e arquibancadas construídos para torcedores assistirem aos jogos nas cidades em que ocorrem as competições. Pois a empresa que vai cuidar disso também é a Geo Eventos, criada pela Globo e pelo Grupo RBS. Quanta surpresa.

Todos os nossos governantes juraram que não seria usado um único centavo de verbas oficiais na Copa. Estamos vendo exatamente o contrário. A festinha do sorteio das eliminatórias nos custará R$ 30 milhões, pagos pelo Governo do Estado e prefeitura do Rio de Janeiro.

Prepare seu bolso, cidadão brasileiro. Imagine isso multiplicado por 12. Essa conta vai ficar salgada. E pode apostar: não virá um único centavo da iniciativa privada, como tem sido a praxe em tudo que envolve a Copa.

É espantoso. Um país com tantas prioridades em saúde, educação e transportes está se dando ao luxo criminoso de bancar essa farra milionária que só beneficia as figurinhas carimbadas de sempre.

Infelizmente, muita bolada vai rolar nesses próximos três anos. Da forma como tudo vem sendo encaminhado, vamos comemorar se não falirmos até ser dado o pontapé inicial. Não está havendo a menor resistência nesse assalto aos cofres públicos.

Fica aqui uma sugestão para a mascote da Copa: um palhaço verde-amarelo, de calças arriadas e uma batata quente na mão. A batata pode ter o formato de um globo; no centro, o logotipo da Fifa. Tudo a ver.

OS "LUZIAS" E "SAQUAREMAS" DO BRASIL DE HOJE



Por Alexandre Figueiredo

O historiador Ilmar Rohloff de Matos havia lançado, em 1986, o livro O Tempo Saquarema, pela editora Hucitec, que recebeu até prêmio literário. Falava da disputa política nos tempos do Segundo Império brasileiro, entre o Partido Conservador e o Partido Liberal.

A origem dos apelidos "luzias" e "saquaremas", apelidos originários da reação pejorativa - um apelido era dado pelo oponente e vice-versa - se deu, respectivamente, quando os movimentos liberais de 1842 resultaram em várias derrotas, uma delas em Minas Gerais, no combate de Santa Luzia, quando os liberais foram derrotados pelas tropas do então Barão de Caxias, o mesmo Luíz Alves de Lima e Silva depois conhecido na posteridade como o Duque de Caxias.

Desse modo, os adeptos do Partido Conservador apelidaram os liberais de "santa-luzias" ou "luzias", como forma de marcar negativamente os rivais políticos.

Já o termo "saquarema", por sua vez, teria vindo de um grupo de proprietários de terras, adeptos do Partido Conservador, que reagiram aos desmandos de um padre e subdelegado de polícia de Saquarema, José de Cêa e Almeida. O termo teria surgido de forma jocosa, para definir esse grupo e seus protegidos, mas depois foi adotado pelos próprios seguidores do Partido Conservador, a ponto de lançarem periódicos com o nome de O Saquarema, em Pernambuco e São Paulo.

Os tempos passaram, mas a posteridade registrou a frase popular anotada por Ilmar de Matos sobre a falta de diferença essencial entre os "luzias" e "saquaremas": "nada tão parecido com um saquarema como um luzia no poder".

E quem seriam os "luzias" e "saquaremas" dos dias atuais?

Bingo. Os "saquaremas", sabemos, seriam o grupo político mais claramente conservador e inflexível, o grupo do PSDB e do DEM e das elites associadas aos mais ortodoxos interesses dominantes. Seria o Partido Conservador propriamente dito, o "partido" do demotucanato e da mídia golpista propriamente dita.

Mas há também os "luzias", que, embora pareçam idealistas, são também conservadores. São o "partido liberal" dos conservadores heterodoxos, da direita mais flexível. Se enquadram nesse grupo o PMDB e seus partidos-satélites (PP, PR, PRB, PSC e outros), ou mesmo a centro-esquerda mais frágil e cooptável, existente no PT, PDT, PC do B e PSB.

Os "saquaremas" de hoje são criticados pela pregação anti-social de seus princípios privatistas, elitistas, saudosos de tempos em que eram dominantes, sobretudo no regime militar.

Mas os "luzias" são poupados porque, parecendo flexíveis, parecem "solidários" às causas progressistas. Mas no fundo também defendem o "livre mercado" e o controle social das classes populares a partir de medidas paliativas e de um padrão mercantilista de "cultura popular" trabalhado por uma mídia mais flexível.

No entanto, são valores que também são aceitos, em momentos de maior paternalismo, pelos "saquaremas", na medida em que a pseudo-cultura midiática permite que o povo pobre continue submisso aos ditames das "pequenas mídias das periferias", eufemismo para um complexo empresarial que reúne as grandes mídias regionais e as grandes empresas regionais de entretenimento, apoiados por grandes redes de comércio atacadista e varejista.

A grande bronca que se dá às esquerdas no nosso país é essa vontade mole de ser cooptada por uma direita flexível que parece "solidária" e "identificada" com a revolução social, mas que no fundo tão somente recorre ao jeitinho brasileiro de manter o status quo das classes dominantes sem ofender as classes populares, mas fazendo o possível para que ela continue manipulada pelo poder midiático, culturalmente domesticada e posta à margem do debate público nacional.

Essa incapacidade da esquerda de romper com certos mecanismos dominantes, encontrando, no meio do caminho, "luzias" que se chamam Paulo Skaf, jornal Meia Hora, Gilberto Kassab, Eugênio Raggi, Mário Kertèsz, Pedro Alexandre Sanches, Paulo César Araújo, Michel Temer, José Sarney, Fernando Collor, Edir Macedo, Eduardo Paes, Jaime Lerner e outros, a enfraquece, fortalecendo a reação de oposicionistas que estejam ou não alinhados com os "saquaremas", também não se comprazem com o poder "generoso" e "cordial" dos "luzias".

Portanto, nada tão parecido como um saquarema como um luzia no poder.

terça-feira, 26 de julho de 2011

AMY WINEHOUSE E O ENTRETENIMENTO BRASILEIRO



Por Alexandre Figueiredo

Uma das tragédias mais comentadas nos últimos dias, além do atentado em Oslo, na Noruega, é o falecimento prematuro da cantora Amy Winehouse. Não vamos aqui ficar no clichê das "mortes aos 27 anos" - que trouxe à memória curta e frágil das gerações recentes outros ídolos que não só Kurt Cobain, mas Jimi Hendrix, Jim Morrison, Janis Joplin e Brian Jones - , mas vamos nos ater às questões em torno do entretenimento, um problema ainda subestimado, mas que, nas suas veias, correm intrigas midiáticas perigosas.

A morte de Amy, que, sabemos, era usuária de drogas pesadas, ao mesmo tempo que causou comoção, despertou reações que variam da histeria moralista anti-drogas - que reprova o uso das drogas por si só, mas sem qualquer visão objetiva sobre o assunto, se limitando à condenação vazia e piegas - ao oportunismo de quem quer agora se promover às custas da genialidade da cantora.

Sim, porque Amy, apesar do seu estilo junkie, era uma artista genial. Tinha uma excelente voz, era compositora inspirada e mesmo seu estilo retrô, com cabelo tipo "bolo de noiva" dos anos 60 e sonoridade entre a soul music de 1967-1974 e o reggae e ska de 1979-1981, referências anteriores ao nascimento dela (que, na verdade, nasceu em 1983, portanto, morreu com 28 incompletos, a exemplo de Hendrix e Morrison), soa espontâneo e bastante expressivo.

Os jovens brasileiros até deveriam agradecer a Amy Winehouse porque, apesar do apelo midiático dela ser comparável a qualquer nome do pop eletrônico mais acessível, a cantora tinha referências da soul music sessentista que estavam esquecidas há tempos e não foram assimiladas pelas gerações atuais.

E vale também dizer que as gravações de Amy tinham a qualidade sonora das gravações hi-fi sessentistas, com aquele som de cantores e bandas se apresentando num salão, com efeitos de eco e tudo.

Numa época em que, em países como o Brasil, a mediocridade cultural vive seu apogeu e tenta empurrar com a barriga o eminente risco de desgaste - com o "jeitinho" de fazer trainée com os ídolos mais "veteranos", a turma neo-brega dos anos 90 que agora faz uma "MPB de mentirinha", falsamente sofisticada - , o talento ímpar de Amy desperta cobiça e inveja. Mas nada comparável à onda de certos "paçoqueiros" de combater Chico Buarque e tudo que se associe a ele.

Pois lá fora a mídia do entretenimento é discutida, questionada em suas entranhas, e mesmo ícones como Michael Jackson e Amy Winehouse são de alguma forma questionados. Mas é um questionamento que não tem o caráter rancoroso daquele que recebe Chico Buarque, pois o cantor carioca, na medida em que é atacado por certos críticos musicais "iluminados" ou por pós-graduandos em busca de visibilidade, acaba por simbolizar o golpismo enrustido que essa patota, que se diz "esquerdista" mas faz o jogo da direita tucana, faz.

Pois atacando Chico Buarque, animados pelo "sinal verde" que as merecidas críticas à Ana de Hollanda dão para certos calunistas, ataca-se não os erros que sua irmã de fato cometeu, mas também toda uma simbologia que inclui o ISEB, o historiador Sérgio Buarque de Hollanda (pai de Chico, Ana e outros irmãos), o Brasil de Jango, de Tom Jobim, de Cartola, da Previdência Social, da Companhia Siderúrgica Nacional e Vale do Rio Doce pré-privataria, das reformas de base, da reforma agrária e coisa e tal.

"Músico bom é músico morto", dizem os golpistas do entretenimento. Seja morto em vida ou em morte física. Bom mesmo é o ídolo de "funk melody" falando em festinha no apê, o ídolo sambrega que cantava sobre baratas bancar o pretenso sofisticado, os breganejos cantando com orquestra sinfônica, a popozuda posando de fada sininho. Legal é a mediocridade triunfante que depois se fantasia de algo "genial" para enganar a opinião pública.

E isso se dá a partir de antropólogos, sociólogos, historiadores e críticos musicais que exaltam o entretenimento fajuto da grande mídia brasileira, camuflando o óbvio envolvimento de famiglias midiáticas, latifundiários e barões do entretenimento jogando a "culpa" do processo nas periferias.

Eles não nasceram para acompanhar a trajetória da música brasileira do pré-1964 e, quando se deram por gente, já havia o AI-5 e toda a pregação midiática que separava a música brasileira de qualidade do seu povo, confinando até mesmo os melhores sambas na apreciação privativa das classes mais abastadas. O "zé povinho" que ficasse com o brega e "criasse algo" em torno daí...

Por isso nem mesmo uma cantora "neo-retrô" - um rótulo equivocado, mas usado para algum didatismo para definir Amy Winehouse - surge aqui no Brasil. Quando muito, o que temos são os empresários donos de agências de famosos que inventam grupos de "dance music" e fazem todo aquele marketing preciosista: os muitos Sublimes, Maurício Manieri, Fat Family, Rouge e Broz que desaparecem com o tempo, sem deixar marca. Empresários que pensam serem os descobridores do ouro ou da paz mundial, mas que só vivem entre seus escritórios e as boates noturnas onde lançam seus pupilos.

Mas temos um Chico Buarque que não é retrô de anos 60, porque é um personagem da própria década, e que mantém sua integridade musical que inveja certos críticos. Afinal, não é um ídolo que grava cinco discos bregas e medíocres até ficar rico e depois tenta uma sofisticação forçada pelas circunstâncias. Foi um cantor que desde o começo tem compostura e respeito consigo mesmo como artista.

Como artista, Amy Winehouse era íntegra e criativa. Mas, como pessoa, era muito falha. Mas isso é outro problema. Mas também, no brega-popularesco, temos artistas que, se aparentemente não cometem os excessos que mataram Amy, também estão longe de serem os "anjos guardiães" de nossa cultura.

Pelo contrário, eles deturpam os referenciais culturais para depois tentar se autopromover às custas de uma pretensa qualidade cultural. Não por acaso, muitos ídolos da mediocridade popularesca de 1990 agora se acham "artistas da cultura de raiz". Todos eles, felizes diante do circo midiático da Era Collor, pagando jabá para as rádios. Duas décadas se passaram e esse elenco todo arrota arrogância e falsa sofisticação para entrar no jet-set sob o rótulo de "verdadeira MPB" ou "MPB com P maiúsculo", entre outras demagogias.

Mas como acredita-se que o entretenimento no Brasil é inocente, que a pseudo-cultura "popular" é um bebezinho que engatinha inocentemente tanto pela Alameda Barão de Limeira e pela Casa Amarela, tanto pelo Projac quanto pelo Fórum Social Mundial (onde quer que o evento aconteça), então muitos ficam felizes com a morte prematura de Amy Winehouse. É um caso estrangeiro. Se fosse com funqueiros, axézeiros ou forrozeiros-bregas, a choradeira ia rolar.

No fundo, a "fauna" de defensores do brega-popularesco, dos troleiros de Internet aos antropólogos, sociólogos e críticos musicais "intocáveis", se aproveita da opinião pública que, segundo um Caetano Veloso e Gilberto Gil ainda distantes do encanto pelo "sistema", definiam como "as pessoas a falar de jantar tão preocupadas em nascer e morrer".

Aí Amy Winehouse morre, há um atentado em Oslo, jornal sensacionalista só é boçal no Reino Unido, o Oriente Médio explode e a intelligentzia feliz com seus "funks", axés e tecnobregas.

COMO MONTAR UMA PSEUDO-CULTURA "POPULAR"



Por Alexandre Figueiredo

A dita "cultura popular" veiculada pela mídia nada contribui para o progresso sócio-cultural das classes pobres. Elas apenas aparecem como meras consumidoras ou, recrutadas para o meio artístico, se limitam a reproduzir valores dominantes veiculados e promovidos pela grande mídia.

Desde o regime militar, essa pseudo-cultura é transmitida em larga escala, e seus produtos chegam a ser "diversificados" para o "gosto do freguês". Criaram-se modismos regionais, sob o claro apoio da mídia oligárquica de cada região, mas hoje existe uma campanha que quer vender todo esse elenco desse entretenimento midiático como se fosse a "verdadeira cultura popular".

Sabemos desse mecanismo todo e seus defensores tentam nos convencer de falsas alegações "sociais", "intelectuias" etc, como os antigos golpistas de 1964 falavam de "democracia e liberdade".

Mas aqui vamos mostrar os procedimentos principais para dar a impressão de que essa "cultura" é "verdadeira", e como se dá sua insistência em prevalecer essa visão.

Eis as regras dadas aos "artistas" e "musas":

1) NACIONAL, MAS NEM TANTO - Quem se envolve com música tem que fazer ritmos com alguma "regionalidade", mas bastante limitada. Precisa obrigatoriamente colocar alguma influência estrangeira, inspirada pela superficialidade radiofônica dos "sucessos das paradas". Isso visa aliar, culturalmente, os valores do coronelismo, através da linguagem "regional", e o capitalismo hegemônico, através da supremacia dos elementos estrangeiros.

2) NADA DE CONSCIÊNCIA CRÍTICA - Os ídolos musicais do brega-popularesco não podem adotar uma visão crítica do mundo. Eles terão que sorrir apenas e falar, nas entrevistas, sobre sua origem humilde, suas relações familiares e só. Nada de defender o MST, por exemplo, porque irritaria os fazendeiros que despejam milhões de reais para promover, por exemplo, ídolos "sertanejos", e a trazer ídolos da axé-music e "pagode romântico" para cantarem em rodeios.

Quando muito, o "artista" deve adotar uma visão ufanista do país - tipo dizer que acredita "no povo do nosso país" - e um certo puxa-saquismo a políticos em ascensão (podendo ser um Fernando Collor ou Dilma Rousseff conforme as circunstâncias). Até para escolher os covers de MPB para gravar, deve-se tomar muito cuidado. "Construção", de Chico Buarque, ou "Caminhando" de Geraldo Vandré, nem pensar. Algumas opiniões confusas sofre sexo e fidelidade conjugal são ótimas para estimular a popularidade.

3) O CELIBATO DAS "MUSAS" - As chamadas "musas calipígias", que nada fazem de relevante senão exibir os corpos "turbinados" para a mídia, são obrigadas a quase sempre romper com seus namorados e maridos para não "atrapalhar a carreira".

Em certos casos, os maridos e namorados até são indenizados pelos empresários das "musas" para viverem longe delas. Quanto a elas, até mesmo uma falsa imagem de "encalhadas" pode ser criada, como no caso das dançarinas do É O Tchan.

4) SER "POLÊMICO" OU "SOFISTICADO", É SÓ ESCOLHER - Os ídolos brega-popularescos podem optar por adotarem estilos "polêmicos" ou "sofisticados", conforme o receituário de certos estilos. A axé-music, o sambrega ("pagode romântico") ou breganejo ("sertanejo") tentam ser pretensamente sofisticados.

O forró-brega, o "funk carioca" e o porno-pagode ("pagodão baiano") costumam ser pretensamente polêmicos. Em certos casos, porém, o forró-brega pode parecer "sofisticado" quando tenta emular o baião de raiz, e o "funk carioca", aliado ao brega de Odair José & cia, já possui uma vertente chamada "funk melody".

5) SER ADAPTÁVEL E OBEDIENTE - O ídolo popularesco tem que estar pronto para mudar conforme os ditames do mercado. Mudar o visual, a tecnologia e a técnica para atender às demandas do mercado. Se começou a carreira fazendo uma imitação "caipira" de Waldick Soriano, passe depois a imitar o Clube da Esquina.

Mas o ídolo deve prestar atenção no tendenciosismo e nas imposições do empresário. De Geraldo Vandré, por exemplo, já tem "Disparada" para coverizar. Nada de letras críticas, sofrimento só aquele fictício das letras amorosas. A opção é seguir o que o empresário disser: que música de samba autêntico, de caipira autêntico, de baião autêntico gravar, qual o terno que cai bem, qual será a roupagem musical a assumir, se a onda é imitar Wilson Simonal ou Jorge Aragão, Renato Teixeira ou Flávio Venturini, se há um bom tributo musical promovido por uma grande rede de TV, e por aí vai.

A adaptação também tem por fim tentar um pretenso desvínculo com a grande mídia. Saber aparecer no Domingão do Faustão da Rede Globo, fazer seu Arquivo Confidencial, para depois ir para a Rede Record reclamar do boicote da grande mídia a ele. O público não vai questionar mesmo, vai ver a choradeira e isso será crucial para o aumento de popularidade.

E, como o empresariado do brega-popularesco precisa continuar faturando, eles lançam mão até de investir na intelectualidade para esta defender uma música de mero consumo como se fosse a mais sublime arte do folclore brasileiro. Aí será ótimo para o intelectual, porque aí ele não vai esperar chegar verbas do CNPq para fazer sua tese de pós-graduação. Ele faz sob o patrocínio dos barões do entretenimento.

Quanto à intelectualidade, os procedimentos devem ser estes:

1) RETÓRICA ENGENHOSA - Crie todo um discurso que aproveite os mais sofisticados recursos da retórica linguística. Se faz reportagens, encha de new journalism, com uma pitada de História das Mentalidades, com alguns maneirismos inspirados nos textos e entrevistas de Caetano Veloso, paradigma de guru da intelectualidade média brasileira.

Se faz monografias ou ensaios acadêmicos, melhor ainda, e aqui não precisa ser "científico" se o intelectual possui visibilidade no meio acadêmico. Basta ser um "nome de respeito" que qualquer besteira é publicada. Ninguém vai desafiar a reputação do intelectual influente e cheio de contatos poderosos.

2) ETNOCENTRISMO DO BEM - O intelectual tem que atribuir ao "outro" - no caso o ídolo brega-popularesco e seu público - uma sabedoria e um engajamento que este na verdade não tem. No "funk carioca", por exemplo, a regra é atribuir a esse ritmo chinfrim referências das mais díspares, como a rebelião de Canudos, a Semana de Arte Moderna, a Pop Art anglo-estadunidense e o punk rock. A regra, em suma, é essa: procurar cobrir uma caixa de presentes vazia de conteúdo com o máximo de embalagem sofisticada.

Isso é eficaz, porque o público e os "artistas" de brega-popularesco passam a ter a falsa impressão de uma sabedoria e um engajamento que eles nem têm ideia do que se trata ou para que serve. O intelectual se torna senhor de sua consciência, ainda que de forma "positiva". Isso cria dois efeitos contraditórios entre si, mas eficazes para o sossego dos poderosos: o povo pobre não é encorajado a mobilizar-se, porque é "feliz", mas é induzido a pensar que mobiliza, apenas porque consome os sucessos "mais polêmicos" do brega-popularesco.

3) FALSA INDEPENDÊNCIA MIDIÁTICA - A intelectualidade etnocêntrica, que defende o brega-popularesco, é dependente da grande mídia. Sim, dos mesmos barões da grande mídia em que se enquadram calunistas, urubólogas e produção de reporcagens. Afinal, esses intelectuais se formaram dentro da ideologia neoliberal ensinada por Fernando Henrique Cardoso e companhia, e isso inclui até mesmo as "recomendações" midiáticas de "titio" Otávio Frias Filho.

Mas mudam-se as circunstâncias e a intelectualidade tem que fingir que nada tem a ver com a mídia. E aí vai Pedro Alexandre Sanches, por exemplo, entrar de gaiato na mídia esquerdista. A desculpa é que o brega-popularesco está acima da grande mídia e, por isso, acima das ideologias. Mas isso até o mestre não-assumido de Sanches, Francis Fukuyama, fez: o historiador do "fim da história" também se dizia "acima das ideologias".

Cria-se até uma "matemática" estranha para a projeção de seu discurso e a dos ídolos que defende na grande mídia. Se aparece na Globo e na Folha de São Paulo, mas no dia seguinte está na Rede Record, então "está fora da mídia". É como se houvesse uma equação fictícia que diz: "G1 + R7= -M" (alusão a G1, portal da Globo, R7, portal da Record, e "m" de mídia).

4) INVERSÃO DE VALORES - A intelectualidade tem que criar uma inversão de valores para promover os ídolos brega-popularescos como "modernos". A própria promoção de seus estilos musicais a pretensa "superioridade cultural" é uma inversão, se sabemos que as músicas brega-popularescas são medíocres e antiquadas.

Nesse sentido, promove-se o machismo das musas "popozudas" como se fosse "feminismo", daí o celibato forçado da maioria delas. O discurso intelectual tem que promover os ídolos no auge do sucesso como "coitadinhos vítimas de preconceito", numa tentativa de colocá-los no primeiro escalão da MPB (o que sabemos ser impossível). E tenta esnobar acusações (verídicas) de alienação, mediocridade e baixo valor estético. Aliás, a norma é esquecer toda e qualquer análise estética. Até livros de Aristóteles são condenados ao lixo. Tudo para manter a validade do brega-popularesco sem se preocupar com problemas que comprometeriam seu sucesso financeiro.

Outra manobra é inverter os sentidos de sabedoria e ignorância. O público de brega-popularesco, tal qual seus ídolos - classificados, para o bem da retórica, de "povo da periferia" - , como sabemos, é tido como portador de uma "sabedoria" que não sabe do que se trata nem para que serve. Da mesma forma que o que entendemos como ignorância popular é tido como "ignorância nossa" de "não" entendermos a "sabedoria intuitiva" desse povo.

Quer dizer, é uma coisa doida, surreal. Ao povo pobre é atribuída uma sabedoria que este não tem a menor ideia do que seja. E nossos conhecimentos críticos, fruto de muito raciocínio, são na verdade uma "ignorância" que temos diante da "sabedoria popular" que está aí. Quer dizer, o povo sofre miséria e sua ignorância é fruto de suas óbvias limitações sociais. Mas é "sábio e inteligente" por causa disso. E nós, que raciocinamos e refletimos criticamente, porque sempre procuramos saber das coisas, somos "burros" porque nosso senso crítico vai contra o estabelecido pela indústria do entretenimento.

No fundo, todo esse processo acima citado visa manter os lucros dos empresários que lucram com o entretenimento dessa pseudo-cultura "popular", que também garante o controle social, mantendo as classes populares domesticadas e menos estimuladas a mobilizar-se por melhorias sociais.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

CABRAL E PAES DÃO R$ 30 MILHÕES À GLOBO E À FIFA


EDUARDO PAES, RICARDO TEIXEIRA E SÉRGIO CABRAL FILHO - "Pessoas tão legais, que só fazem o bem do povo. Tenho nojo de quem fala mal deles", diria certo busólogo chapa-branca.

COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: "Oh, que horror! Mais uma reportagem contra meus queridos Eduardo Paes e Sérgio Cabral Filho! O que se faz contra eles me dá nojo", diria um busólogo ligado a uma prefeitura fluminense pelo PR, por sinal o partido da corrupção no Ministério dos Transportes. Mas o problema hoje é outro, mas como o busólogo pelego também apoia o grupo político de Paes e Cabral Filho, dá no mesmo. E ele sente nojo dos textos que se publicam contra os dois. Mas a culpa não é de quem denuncia, mas de quem faz para ser denunciado.

Para efeito de análise deste texto, entende-se a CBF (Confederação Brasileira de Futebol) como "sucursal" da Fifa.

Cabral e Paes dão R$ 30 milhões à Globo e à Fifa

Por Paulo Henrique Amorim, incluindo reprodução de reportagem do UOL Notícias - Blogue Conversa Afiada

Saiu no UOL:


Globo recebe R$ 30 milhões de governo e prefeitura do Rio para organizar festa da Fifa


Vinícius Segalla
Em São Paulo

A Geo Eventos, empresa de eventos das Organizações Globo e do Grupo RBS, vai receber R$ 30 milhões do governo estadual e da prefeitura do Rio de Janeiro para organizar o evento em que será realizado o sorteio preliminar das eliminatórias da Copa do Mundo de 2014, o chamado “Preliminary Draw”.


A empresa foi contratada em regime de exclusividade pelo Comitê Organizador Local (COL) da Copa do Mundo de 2014 para produzir e captar patrocínios para a cerimônia. O sorteio acontecerá no dia 30 de julho, às 15h, na Marina da Glória (zona Sul do Rio), e será transmitido ao vivo para cerca de 200 países. Porém, a partir desta terça-feira, a Fifa promoverá uma série de atividades em uma espécie de “aquecimento” para o grande evento de sábado.


Vencedora da disputa promovida pelo COL, a Geo Eventos foi ao mercado à caça de patrocinadores para bancar a festa. Encontrou apenas dois: a prefeitura do Rio e o governo estadual. Cada um assinou um contrato de patrocínio, publicado nos diários oficiais do município e do Estado, no valor de R$ 15 milhões cada. A quantia teria sido acertada entre a Geo Eventos e as autoridades públicas, baseando-se, de acordo com a empresa das Organizações Globo, “em negociações e custos de mercado”.

(…)

Navalha

Percebe-se que quem manda é a Fifa, quem manda é a Globo, e o Cabral e o Paes obedecem.

A chave da questão está na frase: “A quantia teria sido acertada entre a Geo Eventos e as autoridades públicas, baseando-se, de acordo com a empresa das Organizações Globo, ‘em negociações e custos de mercado’. “

Convém recordar que o governo do Rio desviou recursos para prevenir tragédias na região Serrana para a Fundação Roberto Marinho.


Paulo Henrique Amorim

A SUTIL CAMPANHA CONTRA A CULTURA POPULAR AUTÊNTICA


LOURIVAL FONTES E FILINTO MÜLLER, OS CHEFÕES DO ESTADO NOVO - O legado de 1922 agora é "culpa" deles.

Por Alexandre Figueiredo

A campanha que se faz contra a verdadeira cultura popular brasileira - não essa "cultura popular" do "deus mercado", mas aquela que se formou durante séculos e é nosso patrimônio - é sutil e não-assumida, mas mostra o quanto as elites fazem para manter, a todo custo, a domesticação social das classes populares.

O motivo é muito claro: apavorados com as manifestações sociais que ocorrem de Roma a Cairo, passando por Atenas, Davos, Tel-Aviv e chegando pertinho daqui por Buenos Aires e pelos Andes chilenos, os donos do poder investem pesado no brega-popularesco que serve de água com açúcar para as classes pobres, mas que gera fortunas para os barões do entretenimento.

No barco afundando da grande mídia, seus mini-Murdochs passam o setor cultural do PiG para outros barcos, como quem quer salvar seu ouro deixando-o no depósito do inimigo.

A campanha contra a verdadeira cultura popular visa isolar a MPB autêntica da "ingrata" classe média universitária - Chico Buarque, Edu Lobo etc - , que ainda rola nas rádios FM adultas do país, para o usufruto isolado de profissionais liberais e socialites.

Enquanto isso, empurram a antiga música popular das classes pobres para o confinamento dos museus, já que eles são nosso patrimônio. Mas as elites não querem um patrimônio vivo, mas um patrimônio transformado em fóssil, em acervo arqueológico de um passado que os fukuyamas-paçocas não querem que volte.

A argumentação de que a verdadeira cultura popular do pré-1964 não pode voltar - ideia que notei implícita nas arrogantes mensagens do professor Eugênio Arantes Raggi no fórum Samba & Choro - é de que ela simboliza o "insuportável" nacionalismo do Estado Novo.

É como se essas elites intelectuais, tão festejadas e badaladas entre setores frágeis das esquerdas, mas encharcadas de conhecimentos herdados de Fernando Henrique Cardoso, Francis Fukuyama e outros, atribuíssem o patrimônio cultural brasileiro pré-1922 e a renovação trazida pelos modernistas como se viessem da imaginação dos dois chefões do Estado Novo, o diretor do Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP) Lourival Fontes e o chefe de polícia Filinto Müller.

Filinto, aliás, teve um detalhe irônico. Ele havia sido, mais tarde, senador pela ARENA, o partidão do regime militar, e em 1973 ele faleceu no conhecido acidente aéreo que matou também o brilhante cantor Agostinho dos Santos.

Tal alegação tem como pretexto a confusão que se tem com o envolvimento de intelectuais modernistas na construção da identidade nacionalista da Era Vargas, como se a geração de 1922 fosse culpada pela instauração do Estado Novo. Daí para acreditarmos que até os rituais indígenas do pré-1500 não passarem de invenção de Lourival Fontes, é um pulo.

A intelectualidade vendida agora se sente à vontade para criticar Chico Buarque, porque é irmão da ministra, e baixar a lenha no legado cultural acumulado há séculos pelos brasileiros. "Legais" são os queridinhos musicais das eras Geisel, Collor e FHC e da Rede Globo, Caras e Folha de São Paulo, tratados feito coitadinhos nos artigos tendenciosos empurrados para a mídia esquerdista.

Sorridentes, Hermano Vianna e Pedro Alexandre Sanches dão um chapéu de frutas para Francis Fukuyama, uma frigideira para o historiador nipo-estadunidense batucar e depois dizem que nada têm a ver com "o fim da história". Acham que vão fazer "revolução cubana" com a "dança da bundinha". Quanta tolice...

Querem porque querem substituir a cultura popular pelo brega-popularesco apátrida, estereotipado, domesticado, o mero circo conservador do entretenimento resignado. Chegam ao ponto de obrigarmos a esquecer questões estéticas, pois só mesmo no Brasil para uma elite pensante pedir para que deixemos de pensar. E, cinicamente, ainda querem vender sua visão paternalista e idealizada do povo pobre como se fosse "generosamente socialista".

A direita cultural representada por esses intelectuais de classe média, sabemos, não assusta a grande mídia. Sua "generosa" visão do povo pobre hoje mais parece a do moleiro do conto "O amigo dedicado" de Oscar Wilde. Isso também se sabe. E está evidente.

Afinal, a classe média - não os universitários dos CPC's da UNE, que só queriam dialogar com o povo, mas a intelectualidade pós-tropicalista e tucano-uspiana que influi hoje em dia - queria se apropriar do antigo legado cultural popular, tal qual o moleiro sobre as flores cultivadas pelo jovem jardineiro no conto de Wilde. E dar-lhe, em troca, o "carrinho de mão" quebrado das referências do hit-parade norte-americano.

Essa campanha "generosa", a cicuta com sabor de cereja que a opinião pública tão alegremente sorve sem saber, só serve para reafirmar, no âmbito cultural, os interesses decadentes da velha grande mídia que acreditamos serem derrotáveis apenas no jornalismo político.

Esse empastelamento cultural promovido pela intelectualidade vendida só irá pavimentar o caminho para que governos mais conservadores e elitistas voltem ao poder, levando às últimas consequências o que certos grupos aliados já fazem de retrógrado no governo Dilma.

E, para o bem dos donos do poder que faturam com o entretenimento, a cultura brasileira corre o risco de desaparecer, dando lugar a um pálido hit-parade que de "cultura" só tem o rótulo e a campanha publicitária, de preferência travestida de monografia, reportagem ou documentário.

domingo, 24 de julho de 2011

A TRISTE MISSÃO DO INTELECTUAL BRASILEIRO


HERMANO VIANNA - Exemplo de como a visibilidade é moeda de troca para a projeção intelectual.

Por Alexandre Figueiredo

Triste sina do trabalho intelectual brasileiro. Triste saber que um dos países do bloco BRIC insiste em travar o progresso sócio-cultural para não comprometer o poderio econômico que envolve até mesmo o entretenimento.

O intelectual brasileiro sofre limitações, e só se dá bem quem estabelece pacto com a grande mídia. Seja Hermano Vianna ou Paulo César Araújo ou, de uma forma mais enrustida, Pedro Alexandre Sanches.

Mas quem não segue o circo da mídia e do entretenimento e não aceita o papel de ver cabelo no ovo do entretenimento, se dá mal.

Cientistas são obrigados a apelar para as universidades e centros científicos estrangeiros para fazerem seus trabalhos.

Intelectuais de senso mais crítico são obrigados a falar para pouca gente, porque não mostram a visão fantasiosa que ilude e arrembanha as massas.

Se é um blogueiro ou jornalista, a missão é tão somente de divulgar recados de autoridades, do empresariado e até dos ditos "artistas de sucesso". Sem questionar, apenas corroborar o que lhe é de obrigação divulgar.

Internautas e blogueiros que não concordam (mesmo!) com o status quo do establishment midiático são obrigados a aguentar mensagens agressivas de internautas que mais parecem dublês de censores de determinados blogues ou sítios de Internet.

Pensar é visto por parte da sociedade como algo perigoso. O raciocínio crítico, no Brasil, ainda é visto como se fosse um tabu, aceita-se apenas quando certas abordagens críticas são coletivamente compartilhadas.

Mas até mesmo questionar a Folha de São Paulo, um dia, foi visto como um ato anti-social. Quem criticava a Folha era acusado de preteri-la em favor do jornal O Globo ou do "tradicional" Estadão. Hoje sabemos que isso não tem a ver, que Folha é tão grande mídia quando Globo e Estadão.

Mesmo assim, torna-se ainda um problema criticar o padrão midiático de "cultura popular", defendido claramente pela grande mídia e pelos seus cavaleiros do Instituto Millenium, mas endossado por uma intelectualidade dita "de esquerda", como se no lado de baixo do Equador não existem os pecados conhecidos da indústria cultural, nem suas armadilhas, nem seus truques.

Nomes como Umberto Eco, Jean Baudrillard, Guy Debord, Eric Hobsbawn e Noam Chomsky praticamente falam para os ventos para uma plateia "de esquerda" que mal conseguiu abandonar suas leituras diárias do caderno Ilustrada da Folha.

Aí, tomadas dos mesmos chiliques dos "iluministas de engenho", que defendem o legado francês de 1789 apenas nos pontos que não atingem o regime escravista então vigente no século XIX, a classe média "esclarecida" brasileira só aceita os conceitos esquerdistas que não rompam com o establishment do entretenimento popularesco.

Por isso, uma tradição de mais de 80 anos de análises, debates e críticas da indústria cultural no Primeiro Mundo quase não têm reflexo no Brasil contemporâneo. Aqui o que vale é o mundo de sonho, de fantasia.

Afinal, no moderno escravismo pequeno-burguês, os "esquerdistas de botequim", tal qual os "iluministas de engenho", também possuem seus "escravos": os porteiros de prédio, as empregadas domésticas, os garis, os faxineiros. Eles são escravos do coronelismo eletrônico da mídia, que investe numa "cultura popular" baseada na domesticação do povo pobre.

Não podemos confrontar com esse mercado milionário, tal qual não podíamos, há 150 anos atrás, confrontar o mercado escravista, porque tem muita gente rica envolvida com isso. Só que, em termos politicamente corretos, somos capazes de creditar a grande mídia regional como se fossem "pequenas mídias das periferias".

Mas os Maioranas que, com seu grupo O Liberal, investem em tecnobrega, são tão "pequenas mídias" em relação ao poder midiático de hoje quanto os Frias e os Marinhos diante dos Murdoch nos EUA. Francamente, os mini-Murdochs do Norte e Nordeste dificilmente se enquadrariam no estado de espírito das verdadeiras mídias independentes.

Só que o poder midiático é mais sutil no âmbito cultural e o que vemos é a intelectualidade mais badalada ser premiada pela sua ingrata tarefa que vai contra a função social de produção de conhecimento: a redução do intelectual a mero menino de recados da grande mídia.

Isso vale tanto para um Hermano Vianna que se envolve com as Organizações Globo quanto um Pedro Alexandre Sanches que se esconde na mídia esquerdista. Literalmente, os dois pensam a mesma coisa, são garotos de recados do poder midiático, que pensam a "cultura popular" de uma forma em que uma observação mais cuidadosa reconhece conceitos do pensamento direitista clássico ou moderno.

É só ler os textos deles, de Paulo César Araújo, Denise Garcia, Mônica Neves Leme e outros, para ver a presença de ideias de Roberto Campos, Auguste Comte, Henry Ford, Francis Fukuyama e outros, adaptadas estas ao âmbito da "cultura popular".

A própria dicotomia "centro X periferia" citada por Fernando Henrique Cardoso parece ter divertido Hermano Vianna, porque este usa e abusa dos dois termos, o que mostra que ele leu muito as obras do ex-presidente. Mas o próprio Pedro Alexandre Sanches, de uma forma ou de outra, faz o mesmo, o que atesta sua formação tucana que aprendeu dentro das redações da Folha.

Até para falar em "pequenas mídias", eles não deixam de se enquadrar no pensamento direitista, como no deslumbramento em relação à globalização e à tecnologia, apenas usando eufemismos como "cultura alternativa", "mercado independente" e "pequenas mídias das periferias" para definir o mercado regional dominante do establishment brega-popularesco.

Todos esses intelectuais beberam das fontes da Teoria da Dependência de Fernando Henrique Cardoso e Enzo Faletto, e juntaram tudo isso aos conceitos pós-tropicalistas de Caetano Veloso não mais como o rebelde de 1967 e já comandando o establishment da indústria cultural brasileira.

Seu método parece normal, com monografias, reportagens, documentários, ensaios, mas a roupagem "científica" e "objetiva" só serve para mascarar o caráter marqueteiro desses "garotos de recados" da indústria do entretenimento. Seus textos não contestam coisa alguma, a não ser aqueles que tentam contestar esse verdadeiro império recreativo que serve de enriquecimento extra aos mesmos barões da mídia que apavoram a opinião pública com seu "jornalixo" político.

Por isso, lamenta-se que o intelectual brasileiro tenha que atuar contra sua natural missão de exercer o senso crítico. Ver que o intelectual tem que louvar o estabelecido, aceitando suas contradições, investindo numa "problemática sem problemas", mostra o quanto se desperdiça a capacidade de raciocinar.

É tudo em prol da visibilidade fácil, dos tapinhas dos colegas, da paz forçada do poder midiático dominante, essa tarefa dos intelectuais mais badalados do país só usarem suas teorias para reafirmar o estabelecido, e não para estudá-lo da maneira realmente objetiva.

Essa intelectualidade vendida para a mídia se acha a maioral. As buscas do Google dão a crer que muitos sítios os tratam como quase divindades. Mas, no exterior, diante dos mais renomados intelectuais da Europa e dos EUA, eles não são mais do que uma massa inútil e ineficaz de popstars de seminários, não muito diferente do superficialismo dos gurus da autoajuda.

sábado, 23 de julho de 2011

A CULTURA NÃO É UMA VIRGEM BAILANDO NO PARAÍSO



Por Alexandre Figueiredo

A insistente contradição entre o ácido questionamento do noticiário político conservador e uma certa acomodação ao entretenimento de direita veiculado pela mesma grande mídia - até isentando a responsabilidade desta no processo - mostra a má compreensão que setores influentes da classe média brasileira tem sobre cultura.

Pensam que a cultura é como uma virgem imaculada que baila no paraíso, indo sem lugar definido, apenas bailando, bailando. Ou então imaginam que a cultura é um bebê que passeia pela casa sem saber aonde está indo, apenas sendo dirigida pelo seu impulso natural do instinto.

No entanto, a cultura é um processo que envolve relações sociais, transmissão de valores etc. E, num contexto de conflito de classes, a cultura sofre, até mais do que a política strictu sensu, os conflitos e manobras que envolvem dominadores e dominados.

Achar que a coisa explode no noticiário político e nos latifúndios, mas acreditando que reina a maior paz em "bailes funk", micaretas, vaquejadas e festivais de "pagodão" é cometer a mais grave das incoerências.

Primeiro, porque, desde 1964, a direita política e econômica fez de tudo - sim, de tudo - para evitar que os progressos sociais desejados pelos movimentos progressistas de então florescessem, e se o IPES-IBAD, os dois "institutos" golpistas, comandavam uma série de instituições e movimentos da direita brasileira, por que temos que reduzir as manobras direitistas de hoje para o âmbito rigorosamente político?

É evidente que manobras mais perigosas são feitas em âmbito cultural, porque o que está em jogo é o desenvolvimento do espírito social de um povo, com suas crenças, atividades e valores. As manobras da grande mídia neste sentido visam manter as classes populares domesticadas, e a aparente "felicidade" das mesmas não causa estranheza, até porque as massas se tornam inofensivas.

Afinal, a classe média manipula seu discurso: "estamos em outro país. Vejam as revoltas sociais explodindo lá fora, as passeatas, os protestos em Davos. É tudo lindo, mas aqui reina na santa paz, todo mundo ao Vibe Show ver seu cantor de 'pagode romântico', seu 'funk', seu tecnobrega, é uma beleza".

Parece coisa do Jornal Nacional nos tempos do regime militar. O mundo explode e se mobiliza lá fora, mas aqui reina na "santa paz" do mercado dominante e da massa obediente.

Só variam alguns detalhes do discurso. A grande mídia que investe no brega-popularesco, mesmo sendo a mesma grande mídia do discurso neoliberal, é vista como uma "acidental divulgadora" de seus ídolos e valores.

Se há uma grande mídia regional, ela é mídia "pequena", "independente" e "alternativa". Até porque seus empresários evitam no máximo o uso de paletós e gravatas, quase sempre aparecem de camiseta, jeans e tênis, e quando muito combinam paletós com camisas de algodão e tênis de caminhada.

Isso porque "lidamos" com uma "cultura popular" que é vista como a virgem do paraíso. Temos uma "Disneylândia" nas periferias, tudo é sonho e fantasia. Mas o discurso claramente contrasta com a realidade sofrida pelas classes populares. Sobretudo nas zonas rurais, onde a pistolagem corre solta.

Os recortes discursivos mal conseguem disfarçar o contraste que, por exemplo, vemos no Pará. De um lado, a "inocência lúdica" do tecnobrega, de outro os sangrentos conflitos de terra. De um lado o Pará-paraíso, de outro o Pará explosivo do coronelismo.

Difícil entender por que algumas pessoas insistem em contrastar a abordagem política da cultural. Gustavo Alonso Ferreira disse que a ditadura militar foi "muito popular" e eu é que sou "arauto da direita". O Jornal Nacional dos tempos de Cid Moreira e Sérgio Chapelin ainda está fortemente marcado na vida das pessoas.

O fato de se bater na tecla no assunto de cultura, numa abordagem que é um verdadeiro remo contra a corrente hoje vigente, é porque o país atravessa por transformações sociais que a classe média não consegue compreender. E que, em muitos casos, não aceita mesmo, investindo num recacionarismo furioso que contrasta com seu "esquerdismo de pose".

Esses reacionários falam mal de Fernando Henrique Cardoso no discurso, mas na prática seguem religiosamente suas lições. Os maiores discípulos se encontram naqueles que, ainda que xinguem seus mestres até de forma grosseira, seguem fielmente suas lições mais importantes. Sinal de que, em algum ponto, os discípulos continuam seguindo com entusiasmo os seus mestres "desafetos".

sexta-feira, 22 de julho de 2011

A MÍDIA GOLPISTA QUER MOBILIZAÇÃO... DA CLASSE MÉDIA "CANSADA"



Por Alexandre Figueiredo

O alerta foi dado por Altamiro Borges. A imprensa partidarizada e seus "calunistas", num surto reacionário comparável ao de 1963-1964, que resultou no golpe militar, e no de 2005-2006, que deu no malfadado movimento "Cansei", agora prega uma nova manifestação "popular" contra o governo Dilma.

É certo que o governo Dilma Rousseff, com seus equívocos e até retrocessos, torna-se bastante criticável, até mesmo pela esquerda petista. Mas a mídia direitista exagera o tom, e mesmo os erros mais evidentes são pretexto para eles "demonizarem" o discurso, numa histeria paranóica que fez seus "avós" de 1963 falarem na instalação do comunismo pelo governo João Goulart (que, garante sua hoje viúva Maria Thereza Goulart, nunca foi comunista).

Se o pretexto da patota de 1963 era o da "democracia e liberdade" supostamente ameaçadas pelos ventos políticos de Moscou, Havana e Pequim, nos últimos anos o pretexto é o da "ética". Foi essa a tônica do movimento Cansei, que como a antiga Marcha Deus e Liberdade de 19 de março de 1964, contou com a dama Hebe Camargo, a mesma que tentou dizer recentemente que "virou bolchevique", talvez de um jeito irônico e provocador.

A mídia golpista que manda os intelectuais associados - inclusive os que tentam se infiltrar na imprensa esquerdista - dizerem que "movimentos sociais populares" são o povo ir que nem gado para os galpões de mega-eventos para consumir estilos brega-popularescos (do "sofisticado" sambrega ao "polêmico" tecnobrega), agora indaga por que o povo "não vai para as ruas" diante da crise nos bastidores do governo Dilma.

Quer dizer, quando interessa, os "calunistas" ou mesmo os colonistas-paçocas pedem para as classes populares não irem para as ruas, a não ser para pagar seu ingresso baratinho para consumir passivamente o sucesso determinado pelos programadores de rádios FM. Mas, quando é de lhe convir, pede para que o povo "vá para as ruas" pedir a expulsão de presidentes (ou presidentas) que se comprometam com reformas sociais, ainda que cometam erros por conta até mesmo da indigesta salada política de aliados.

É claro que o pânico, no fundo, se dirige à classe média, mas quando é conveniente para a direita, até mesmo as classes populares, os "cidadãos comuns", são usados para defender as causas dominantes. Aliás, a própria "cultura popular" que está aí nas rádios e TV aberta não é mais do que um engodo que agrada e muito os interesses das elites e dos grupos oligárquicos envolvidos.

Diante do clima tenso diante da crise do magnata Rupert Murdoch, no exterior apitou o correspondente brasileiro do jornal El País, Juan Arias, que alertou sobre a suposta crença de que no Brasil "todos são ladrões".

Mas a "banda de música" reacionária teve seu coro engrossado pelos brasileiros Fernando de Barros e Silva, Eliane Cantanhede e Merval Pereira, apavorados com a situação. O Globo recusou-se a publicar o direito de resposta do Movimento dos Sem-Terra. E Veja deve estar preparando, para a próxima edição, também novos petardos sobre o pânico da velha grande mídia.

Até o Instituto Millenium reproduziu um antigo texto de Marco Antônio Villa, da Folha de São Paulo, falando da situação. Aliás, reina um grande baixo astral no portal "imparcial", autoproclamado "instituto" para ver se é levado a sério, que pede o "combate à corrupção", a "reação contra a falência de valores sociais" etc.

COSPIR NO PRATO EM QUE COMERAM

A direita explícita reclama da mesma falência sócio-moral que defendeu através de sua mídia. No entetenimento, a mídia golpista investiu numa decadência de valores promovendo o ceticismo popular diante da corrupção e impunidade e o recreio libertino de uma "cultura popular" sem personalidade.

Só que a direita se fragmentou e, se temos os demotucanos de um lado com seu reacionarismo explícito e seu direitismo ortodoxo, temos outra direita, a "direitinha" que tenta se infiltrar nos canais de apoio à centro-esquerda - podendo até ser, por exemplo, o PMDB e a Rede Record - para aprontar e melar o governo petista que tanto diz apoiar.

Em ambos os casos a direita cospe no prato em que comeu. Seja para difundir, para si mesmos, valores de corrupção para obter vantagens pessoais com facilidade, seja para produzir valores sócio-culturais decadentes que agora são a bandeira de luta da direita "solidária" e da pseudo-esquerda que atrapalham o governo Dilma sob o rótulo de "aliados".

Daí que os erros do governo Dilma Rousseff se devem pela gororoba política que faz ocorrer focos de corrupção no governo, e que fizeram o mesmo nos tempos do "mensalão" de Marcos Valério. Esses erros existem, e Dilma precisa resolver a situação para não perder a credibilidade. Tentativas até ocorrem, com a expulsão de filiados do PR do gabinete do Ministério dos Transportes, mas ainda é pouco.

Pseudo-esquerdistas e direitistas "solidários" podem até se sentirem incomodados quando se fala da antiga associação dos mesmos ao demotucanato que hoje "clama por ética". Mas eles, mesmo "rompidos" com os aliados de dez anos atrás, acabam agindo ao gosto deles, na medida que sua formação conservadora sempre impõe algum empecilho a governos de centro-esquerda que dizem "apoiar com muita paixão".

No fim, os pseudo-esquerdistas e direitistas "solidários" só estão no respaldo à esquerda para apedrejar seus vidros e fugirem. Por enquanto eles juram que são "esquerda até morrer". Mas, se a crise agravar e a bomba cair nas mãos deles, eles voltarão para o seio direitista - note-se que eles nunca rebatem acusações de direitismo com firmeza; uns até gracejam e xingam, mas desmentir não desmentem - e defender o velho conservadorismo que no fundo sempre defenderam.

A cautela que o governo Dilma deve tomar é evitar as pressões de aliados pouco confiáveis, levar adiante seu projeto reformista e procurar rever seus procedimentos socialmente excludentes tomados. Caso contrário, a direitinha, no apogeu da crise, voltará para os antigos amigos, e aí pode até ser que o "novo" PSD se junte ao PSDB, PPS e DEM, e talvez um PR descontente, para criar uma "frente ampla de direita" para o novo pleito presidencial de 2014.

Portanto, o governo federal segue um caminho perigoso. Convém avaliar e rever seus rumos.
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