
Por Alexandre Figueiredo
Como sabemos, o Brasil é um país do jeitinho, das posturas camufladas, da hipocrisia enrustida. O reduto dos hipócritas é a comunidade "Eu Odeio Hipocrisia" do Orkut, só para se ter uma ideia. E todo mundo é "parafrentex" mesmo sendo antiquado, provinciano e conservador. Mas a direita também usa tatuagem e fala palavrão e poucos percebem, embora não seja difícil notar isso.
Pois nesse contexto o machismo de muitos homens também torna-se enrustido, isso tempos depois da farra sanguinária de crimes passionais impunes e desafiadores que dominou os anos 80 e 90. Que tais farras continuam e até seguem impunes, é verdade, mas com a diferença de que os machistas vingativos de hoje parecem casmurros e constrangidos feito baratas correndo pela calçada da rua à noite.
Mas até o contexto todo mudou. O machismo abertamente defendido por muitos homens ficou mais cafajeste e dissimulado. E mesmo as mulheres tão desejadas pelos machistas, as chamadas "boazudas", em outros tempos eram esposas de banqueiros de bicho, dirigentes esportivos e dirigentes carnavalescos, quando muito casadíssimas com jogadores de futebol. Hoje moças assim não conseguem sequer namorar o ídolo teen do futebol, o astro-jogador Neymar.
E o politicamente correto comemora o celibato - forçado? forjado? forçoso? - das musas "boazudas" ou "popozudas" (devido aos glúteos avantajados inflados pelo silicone) como se fosse um suposto feminismo que eles, por razões óbvias, não conseguem explicar. E, quando alguém os chama de machistas, eles apenas gracejam: "Uia!", "Huahuahuahuahuah!". Risadas esnobes de quem quer disfarçar o peso na consciência.
Afinal, eles alegam - com uma ajudinha da intelectualidade que vê cabelo em ovo nessa "cultura popular" do "deus mercado" - que as moças em questão são "feministas" porque fazem o seu sustento sem a dependência dos homens.
Mas mal sabem eles que tais musas - podendo ser paniquetes, "mulheres-frutas" do "funk", dançarinas de "pagodão" e ex-integrantes do Big Brother Brasil, ou similares - dependem dos homens, sim, como seus próprios empresários, os executivos de TV e os empresários do mercado editorial que publica suas fotos "sensuais". Além de outros homens que comandam boates ou dirigem escolas de samba e times de futebol.
Elas mesmas alimentam o mercado machista fazendo o papel de moças que apenas simbolizam o culto ao corpo, a curtição vazia e aleatória e o desejo sexual compulsivo dos homens. Em outras palavras, elas são as famigeradas "mulheres-objeto", verdade que dói nos politicamente corretos, além da própria cobrança da vida social de que uma mulher hoje, para vencer na vida, tem que ter um mínimo de inteligência e sensatez.
Diante de tais cobranças, os machistas se horrorizam com a simples hipótese de uma paniquete ter que ler um livro ou falar sobre política, ou mesmo estar intelectualmente dentro da média de atrizes e repórteres de telejornais mais convencionais.
Acham que isso tira a graça das "boazudas", que elas são melhores "burrinhas". Ou, dentro do prisma politicamente correto, com um "tipo de inteligência" que nós somos "incapazes" de compreender. "Não somos ignorantes", dizem os direitistas dente-de-leite, como aspirantes a Ali Kamel do amanhã.
Mas a realidade derruba qualquer campanha politicamente correta e qualquer teimosia troleira. Afinal, as belas atrizes de novelas e as belas jornalistas de TV, muitas delas, são fisicamente tão ou mais atraentes do que aquelas que só vivem para exibir sua "sensualidade".
E tudo isso com a grande diferença de que as atrizes e jornalistas rendem uma excelente conversa, dão ótimas entrevistas e até para ir às boates dão seu diferencial, sem tratar a "vida noturna" como um fetiche de vaidade, egolatria e exibicionismo.
Até mesmo uma atriz antes associada ao universo infanto-juvenil, a franco-inglesa Emma Watson, põe no chinelo qualquer "boazuda" brasileira, na medida em que a atriz dos longas da franquia Harry Potter, além da beleza deslumbrante que supera, e muito, a beleza mediana e enjoada das "popozudas", tem charme, sensualidade, simpatia e elegância. Outra que já começa a chamar a atenção como musa é a também atriz Dakota Fanning, outrora um ídolo mirim.
Mas como convencer essa patota masculina, diante da teimosia de muitos deles, potenciais troleiros, que talvez se irritem com certas verdades? Afinal, não é Luciano Huck nem Galvão Bueno que escrevem criticando paniquetes, "mulheres frutas" e similares, mas humildes blogueiros sem muita visibilidade, mas com muito senso crítico para dar.
Daí a machistada "muderna" e "anti-machista" reage. Sim, pasmem, eles se acham "anti-machistas" e acusam os que contestam as "popozudas" de "machistas", só porque falam mal de mulheres, sem saber que tais mulheres na verdade seguem valores machistas, desempenham o papel que o machismo determina para uma parcela das mulheres sexualmente ativas no país.
Mas, feitos "José Serra de bermudas", eles não conseguem convencer. Até se irritam e reagem com insistência, mas cansam. Tentam dizer que não são machistas, dirão que as "popozudas" são vítimas de "preconceito" (sempre aquela pose de vítimas), e tudo o mais. Mas sempre fracassam.
Até porque, no final das contas, as "popozudas" sempre ficam em desvantagem diante das demais mulheres. Elas só são "maiorais" até o fim da masturbação. Depois, caem logo no esquecimento. Não têm substância.













