sábado, 30 de abril de 2011

AS FALSAS ALUSÕES DO BREGA-POPULARESCO


ESTE SENHOR É UM ILUSTRE DESCONHECIDO PARA O PÚBLICO DO TECNOBREGA E DO "FORRÓ ELETRÔNICO". SÓ A INTELECTUALIDADE ETNOCÊNTRICA IGNORA ISSO.

Por Alexandre Figueiredo

A campanha da intelectualidade para fazer continuar prevalecendo a música brega-popularesca e toda sua pseudo-cultura que está por trás, é bem conhecida.

É uma intelectualidade treinada nos salões da tecnocracia demotucana, e que depois foi publicar livros, artigos, colunas, reportagens, documentários, etc, endeusando nomes como Waldick Soriano, Odair José, Tati Quebra-Barraco, Zezé Di Camargo & Luciano, Banda Calypso, Gaby Amarantos, É O Tchan, entre tantos outros.

Essa campanha veio como uma avalanche, semelhante ao movimento dos ideólogos do IPES, nos anos 60. Tanto que a campanha que vemos através de gente como Hermano Vianna, Paulo César Araújo, Pedro Alexandre Sanches, Denise Garcia, Mônica Neves Leme, Ronaldo Lemos, José Flávio Júnior, Rodrigo Faour entre tantos outros poderia muito bem ser apelidada de "CPC do IPES", como se fosse uma resposta tardia do IPES - o "Instituto Millenium" dos anos 60 - aos Centros Populares de Cultura da UNE. Eu até apelido essa intelectualidade de "Instituto Tropicalium".

Pois a campanha deles se destaca pela tentativa de atribuir a essa pseudo-cultura uma suposta continuidade das tradições culturais brasileiras. Tradições que o público de todas essas tendências brega-popularescas desconhece, porque quem conhece essas tradições é a intelectualidade que faz propaganda.

Não é à toa que muitos músicos do brega-popularesco, no auge da carreira e já veteranos, se surpreendem, nos bastidores, com os referenciais de tradição cultural que acabam sabendo por terceiros, em última hora. Ah, existiu um sambista chamado Jorge Veiga? Tinha mais nomes bacanas do forró dos tempos da vovó? O "corta-jaca" também foi criticado em seu tempo?

As falsas alusões seguem dois principais discursos: primeiro a analogia, também falsa, a um moralismo do século passado para desqualificar a rejeição que sofrem os ritmos popularescos de hoje, e segundo, a falsa comparação dos ritmos popularescos com o folclore de outrora ou com referenciais culturais do passado.

Culpam, por exemplo, Lupicínio Rodrigues, Vicente Celestino e Nelson Gonçalves pela música brega dos anos 70. Mas os três cantores nunca foram cafonas. Eles faziam serestas, e eram um retrato do seu tempo. E tinham seu talento, sua beleza, seu valor, sua dramaticidade. Eram mais ligados à tradição ultraromântica da poesia que, popularizada postumamente pela obra de Casimiro de Abreu, tornou-se o paradigma do lirismo amoroso brasileiro.

O problema é que os primeiros ídolos cafonas imitaram os seresteiros do passado como uma caricatura, como um arremedo. Waldick Soriano, por exemplo, tornou-se uma caricatura esganiçada do Vicente Celestino. A pieguice dos ídolos cafonas não pode sequer ser comparada a "O Ébrio", suposta canção cafona de Vicente, porque esta é dotada de um lirismo teatral.

Há também falsas alusões à antropofagia cultural, como no caso do "funk carioca", tecnobrega e "forró eletrônico", quando na verdade seus ídolos e fãs nunca ouviram falar de Oswald de Andrade, o teórico da antropofagia cultural, e nem sabem o que é isso.

O próprio "funk carioca" teve um discurso apologético carregado de muitas referências, que na verdade eram fictícias, produto da mente fértil de seus propagandistas. Na sua propaganda, muitas vezes travestida de "monografias" ou "artigos científicos", tinha de tudo: Revolta de Canudos, Semana de Arte Moderna, movimento punk, Pop-Art novaiorquina etc. Mas é só tocar os CDs de "funk carioca" que tudo isso se desmorona de vez, e o que se ouve não passa de uma coisa tão oca que é difícil de definir, porque é a definição de algo sem valor.

E o caso do É O Tchan? Não bastasse a falsíssima comparação com o samba de roda, porque o É O Tchan faz tão somente uma péssima caricatura de samba de gafieira, o grupo ainda foi associado por Mônica Neves Leme ao lundu, que foi uma das formas de samba mais antigas. Ora, vejam Barravento, de Glauber Rocha, e saberão o que é o samba de roda. E vejam o vídeo "Vamo falá do Norte", do Bando de Tangarás (que teve Braguinha, Almirante e Noel Rosa como integrantes), e saberão o que é um lundu. Em ambos os casos, não há qualquer coisa que tenha ligação com o abominável Tchan (*).

As letras do Tchan, como também do "funk carioca", também tiveram sua baixaria "protegida" pela associação fictícia a Gregório de Matos. Ou seja, o antigo poeta baiano, que viveu no século XVII, passou a ser usado para defesa dessa baixaria, de forma tendenciosa e burra. Quando sabemos que Gregório não fazia baixaria gratuita, ele teve seus propósitos para usar esta linguagem, não era algo feito para ganhar dinheiro ou vantagens midiáticas fáceis.

A rejeição sábia aos funqueiros, porno-pagodeiros etc, também foi falsamente aludida pela intelectualidade etnocêntrica a movimentos moralistas que condenavam o samba, o maxixe e o lundu entre o século XIX e início do XX. Grande engano. Nós somos moralmente muito mais abertos.

Se rejeitamos popozudas, funqueiros, "rebolations", "tchans" ou coisa parecida, é porque eles são estupidez gratuita, não se trata de qualquer condenação ao sexo em si, mas à sua banalização e idiotização. E isso também não deve ser levado como desculpa moralista, porque uma coisa é ser livre, outra coisa é ser idiota e ser escravo dos mercadores do entretenimento.

Portanto, não valeu essa alusão toda, não. Todas essas comparações são falsas. Porque música de mercado é artificial, só se volta ao lucro fácil e tendencioso, nada tem a ver com qualquer continuidade de antigos movimentos culturais que tinham motivos de expressão comunitária e finalidades sociais.

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(*) O É O Tchan é pouco recomendado para a vovó e para o netinho, sendo um grupo abominável dos 8 aos 80. O É O Tchan é impróprio para a vovó, porque é pornográfico e pode causar problema no coração. O É O Tchan é impróprio para o netinho, porque seu erotismo exagerado e grosseiro pode criar desvios de conduta moral e controle dos desejos sexuais na idade adulta.

O É O Tchan é machista, mas suas dançarinas pensam que ser feminista é não contar com o sustento de maridos ou namorados. Dizem que não têm namorados porque está difícil arrumar homens, quando na verdade é porque está difícil arrumar horários para conhecer os homens que são pretendentes. Que, certamente, não sou eu nem você, no caso de você ser um leitor masculino. Nós queremos mulheres realmente de conteúdo, sem qualquer trocadilho pornográfico.

ISSO É QUE DÁ A BANALIZAÇÃO DA EXCLUSÃO



Por Alexandre Figueiredo

Isso é que dá a banalização do discurso que fez a mediocridade sócio-cultural patrocinada pela grande mídia prolongar sua hegemonia, às custas de falsa postura de "excluída" ou "vítima de preconceito".

O discurso que beneficiou de funqueiros a "cafonas de raiz" tinha mesmo que chegar a dois políticos famosos pelo seu reacionarismo, o paranaense Roberto Requião e o fluminense Jair Bolsonaro.

Requião havia agredido um repórter da Rádio Bandeirantes e tomado um gravador dele, de uma forma agressiva e violenta, e Jair Bolsonaro havia feito os famosos comentários racistas e homofóbicos.

Mas aí os dois, vendo a péssima repercussão que seus atos tiveram, bancaram os "excluídos sociais" em depoimentos posteriores.

Requião declarou-se "vítima de bullying" da imprensa, pegando carona no fenômeno que andou em pauta na agenda setting da grande mídia brasileira.

Já Bolsonaro declarou-se "vítima de preconceito" pelo fato de ser heterossexual.

Viu no que deu tanta gente "poderosa" se passar por "excluída"?

sexta-feira, 29 de abril de 2011

O CASAMENTO REAL E O MITO DO ESPETÁCULO NO BRASIL



Por Alexandre Figueiredo

Hoje é o dia do casamento real. O príncipe William de Gales e a modelo Catherine Middleton - ou Kate Middleton, como é mais conhecida - tornam-se marido e mulher, e Kate torna-se oficialmente membro da família real britânica.

A cerimônia de hoje tem a óbvia pompa que imaginávamos em casamentos que envolvem a nobreza, e a cobertura jornalística que tem um quê de sensacionalismo chique. O dinheiro a ser gasto, segundo se prevê, é até mais modesto do que os 48 milhões de dólares usados no casamento da princesa Diana (1961-1997) e do príncipe Charles, pais de William. Provavelmente, deve ser por volta de um quarto do valor investido no casamento realizado há trinta anos atrás.

A mídia do espetáculo, que trata o valor das celebridades como mercadoria, em que o indivíduo famoso se torna uma quase divindade moderna, um fetiche, ao mesmo tempo uma coisa e um semi-deus, um moderno velocino de ouro a ser adorado feito um totem inquestionável.

Certamente a badalação é geral na imprensa do mundo inteiro. Mas, no Brasil, em que mesmo "pobres mortais" como Beyoncè, Britney Spears, Lady Gaga e Guns N'Roses, ou mesmo o já falecido Michael Jackson, habitam o Olimpo do imaginário do jovem médio de perfil conservador, são tidos como "divindades indiscutíveis", o casamento real então só faz aumentar a falsa impressão de superioridade do mundo das celebridades.

Nada contra o casal real. William parece simpático, e Kate de fato é muito linda e charmosa. A família real talvez seja uma boa família cômica, uma Família Trapo da não-ficção, mas politicamente ela causa incômodo nos cidadãos britânicos, por conta dos impostos desnecessários cobrados à plebe, para sustentar o luxo e as frivolidades da realeza britânica.

Um dos mais furiosos questionadores da monarquia britânica, o cantor Morrissey - que há 25 anos atrás, com sua então banda The Smiths, lançou o disco The Queen is Dead que, inclusive, tem uma música, "There's a Light That Never Goes Out", que, segundo teorias conspiratórias, teria "previsto" a tragédia de Lady Diana - , avisou que não vai ver a cerimônia.

Aliás, a própria Lady Di, nesse episódio do final de agosto de 1997, foi vítima do próprio sensacionalismo da imprensa, uma vez que o trágico acidente de carro que abreviou a vida da já ex-princesa, aos 36 anos de idade, ocorreu por conta de uma fuga desesperada de um outro carro com papparazzi (fotógrafos de celebridades - expressão tirada do filme La Dolce Vita, que Federico Fellini lançou em 1960), que perseguiu Diana, seu namorado Dodi Al-Fayed e outros dois ocupantes do carro (um deles foi o único sobrevivente da tragédia).

Mas, no Brasil, é assustador que uma boa parcela da juventude se dê a endeusar de forma tão neurótica as celebridades, o "ideal de sucesso e poder", o fetichismo da fama e da riqueza.

Não se pode questionar qualquer um de seus ídolos, mesmo uma Whitney Houston que cometeu tantos excessos. Ou nem mesmo o rock risível e caricato dos Guns N'Roses (quem conhece o rock de grupos como Led Zeppelin, Thin Lizzy e Deep Purple sabe do que estou falando) pode ser questionado sem que haja uma reação de um de seus fanáticos defensores.

São jovens irritados, indignados, que julgam a importância da pessoa pelo aspecto econômico - vendem discos, aparecem em paradas de sucesso, lotam plateias, aparecem em tudo quanto é revista etc - e, portanto, acham que a reputação é "justificada" pela fama.

Antigamente, uma pessoa, para ter sucesso na vida, precisava ter talento. Hoje é o contrário: a pessoa é vista como "talentosa" porque faz sucesso. Hoje é a fama que justifica a suposta reputação, e não mais é o mérito que justifica a fama de alguém.

Fica subentendida uma certa arrogância, que mostra quem é que tem a "superioridade" toda: os chamados "empresários de talentos", ou às vezes os produtores da mídia e os jornalistas da grande imprensa, que estão por trás da mitificação de determinados ídolos. Isso porque muito dinheiro é investido para promover celebridades, e o "ideal" é que fiquemos todos calados para garantir o sucesso financeiro dos ídolos em promoção.

Isso também se refere à confusão que, aqui no Brasil, se tem com qualidade de vida e direito ao consumo. Associando ao sucesso, a confusão se estende atribuindo o valor pessoal à ideia de riqueza e popularidade, que por si só é uma outra confusão. Afinal, ter mais fãs e maior visibilidade não significa necessariamente ter melhores amigos e reconhecimento pessoal digno.

No brega-popularesco, então, nem se fala. Os maiores medalhões do brega-popularesco, como Ivete Sangalo, Alexandre Pires, Zezé Di Camargo & Luciano, Luan Santana, Leonardo (ex-Leandro & Leonardo) e Banda Calypso, entre outros, possuem defensores fanáticos cujo reacionarismo fez desse "fã-clube" virtual ganhar péssima reputação, sendo apelidados pelo músico Lobão de "mini-Bolsonaros".

Num país de crise de valores, como o Brasil, o endeusamento de celebridades, da família real britânica aos ídolos popularescos do nosso país, passando por ícones do hit-parade dos EUA, mostra o quanto há uma juventude conservadora travestida de moderna - manobra garantida pela pouca idade, geralmente abaixo dos 40 anos - que, hoje, pode endeusar uma Lady Gaga, Whitney Houston ou Axl Rose, mas amanhã irá eudeusar o imperialismo político-econômico dos EUA.

É até engraçado que essa molecada também diga gostar de Che Guevara, talvez por um modismo causado pelos grêmios estudantis. Mas a postura pseudo-progressista se dissolve quando esses jovens exaltam o "deus-mercado", endeusam o mundo da fama, reagindo furiosamente a qualquer vírgula que se falar contra seus ídolos.

Esses jovens são vítimas da ideologia do espetáculo. Mas, como adultos, poderão ser os novos comandantes dessa mesma ideologia, quando terão o poder não de reagir com e-mails ou frases do Twitter, mas com tanques e gás lacrimogêneo disparados contra as manifestações sociais.

Aqui então a coisa fica feia. Fulano é "importante" porque lota plateias,

quinta-feira, 28 de abril de 2011

CAROS AMIGOS FAZ 14 ANOS COM PALESTRA



Por Alexandre Figueiredo

Hoje acontece, às 19 horas, com entrada franca, a palestra comemorativa da revista Caros Amigos, que completa este mês 14 anos de publicação.

O evento ocorrerá no histórico teatro TUCA ARENA, em São Paulo, e representando a revista estará um de seus editores, o professor da PUC Hamilton Octavio de Sousa. Haverá também a presença de Altamiro Borges (Blog do Miro), Bia Barbosa (Intervozes), Raimundo Pereira (Retratos do Brasil) e Rogério Santana (presidente da Telebras). O mediador será o jornalista Marco Piva, diretor do Altercom.

O tema do encontro é Os Desafios da Democratização da Mídia, um tema bastante complexo, mas que sempre está à tona, principalmente agora, com o desgaste da grande imprensa através de sua conduta desequilibrada e antiprofissional.

É verdade que o tema também soa bastante indigesto para os colaboradores "alienígenas" da revista, como Pedro Alexandre Sanches (oriundo da Folha de São Paulo) e MC Leonardo (que agora escreve para o jornal Expresso, das Organizações Globo), tradicionais defensores de tendências "culturais" vinculadas ao poderio da grande mídia e dos barões do entretenimento regional.

No entanto, é torcer para Caros Amigos, passada essa fase, decidir, entre escolher o caminho de Venício A. de Lima e Emir Sader ou o de Pedro Sanches e MC Leonardo, a optar pelo primeiro, realmente comprometido com a democratização da mídia e da cultura brasileiras.

A PATRULHA IDEOLÓGICA DA TV GLOBO CONTRA O MST E AS LUTAS SOCIAIS



COMENTÁRIO DESTE BLOG: A TV Globo da demagogia de Ali Kamel, dos "sertanejos universitários" limpinhos, do assistencialismo lata-velha, da propaganda do "funk carioca", da ilusão das celebridades no Domingão, é, como veículo maior da mídia golpista, uma das responsáveis pela propaganda negativa dos movimentos sociais.

Embora o governo de Jacques Wagner seja de altos e baixos, aqui é citado um ponto positivo do governador baiano.

A patrulha ideológica da TV Globo contra o MST e as lutas sociais

Por Umberto Martins - Sítio do Centro de Estudos de Mídia Alternativa Barão de Itararé

A Globo não se cansa de tentar criminalizar as lutas sociais. Um dos seus alvos prioritários é o Movimento dos Sem Terra (MST). Esta linha reacionária foi reiterada no Jornal Nacional de sexta-feira, 14, que “denuncia” com afetada indignação o comportamento do governo estadual baiano diante de uma manifestação dos sem-terra pela reforma agrária.

“O governo da Bahia está pagando comida e banheiros químicos para um grupo de sem terra que invadiu repartições públicas estaduais”, diz a reportagem. “As despesas são cobertas com dinheiro público. São 3 mil pessoas ligadas ao MST. Só com açougue, a Secretaria Estadual de Agricultura, até agora, já gastou cerca de R$ 30 mil. São 300 quilos no almoço, mais 300 quilos no jantar, tem sido a média diária do consumo de carne”.

Rostos globais indignados

A emissora, que tratou de repercutir o tema no jornal e na internet, aborda o gesto do governo do ex-sindicalista Jacques Wagner como uma política inaceitável, absurda, insinuando ainda que a ajuda é irregular. A indignação fica estampada nos rostos, movimentos e tom dos comentários dos jornalistas.

Inquirido pelo Jornal Nacional, o secretário da Comunicação Social, Robinson Almeida, que falou pelo governo do estado, explicou que não há ilegalidade no pagamento das despesas dos manifestantes. “É uma questão de saúde pública e segurança alimentar. Crianças, idosos, jovens, adultos, velhos que precisavam desse apoio do governo”, afirmou. O argumento não convenceu a Organizações Globo.

Caso de polícia

Refletindo a ideologia e os interesses da nova e velha direita, o veículo da família Marinho, que prosperou sob o regime militar e hoje lidera o oligopólio da comunicação televisiva no Brasil, ainda pensa que luta social é caso de polícia e pressiona para que seja tratada como tal. Estará com saudades dos tempos da “ditabranda”, que apoiou até o último minuto?

No ódio que a Globo destila ao MST e aos trabalhadores, transparece as digitais de classe e o rancor característico das forças obscurantistas. Quando critica a conduta do governo baiano, a emissora sugere, de forma velada, que o movimento seja tratado a pau e bala, como nos anos em que os generais comandavam a política.

Crime?

Os trabalhadores, segundo o Jornal Nacional, “estão acampados em Salvador desde o início da semana. Invadiram estacionamentos e jardins do centro administrativo do governo da Bahia. São 3 mil pessoas ligadas ao MST, o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra. Chegaram de 19 regiões do estado e dizem que só vão sair da área quando forem recebidos pelo secretário da Agricultura.”

“Nós estamos pedindo o assentamento das famílias acampadas, assistência técnica, condições de escola nos assentamentos, melhoramento de estradas”, disse o coordenador do MST, Marcio Matos. Há algum crime nisto? Depende do ponto de vista. Quem se guia pela Rede Globo e é destituído de senso crítico (e não são poucos), certamente dirá que sim.

Quem desenvolveu uma consciência social mais avançada e sensibilidade diante do drama de humildes sem-terra verá que se trata de uma luta justa e legítima pela reforma agrária. O governo de Jacques Wagner, o MST e os trabalhadores sem-terra merecem toda a solidariedade das forças e personalidades progressistas diante da investida reacionária e tendenciosa desta mídia venal.

CHALITA/PMDB E O POSSÍVEL APOIO DO PT EM 2012



COMENTÁRIO DESTE BLOG: A política de São Paulo costura suas alianças fisiológicas para as eleições municipais de 2012 e o grande destaque está na estreia do "novo" PSD - Ulisses Guimarães, só para citar um paulista, deve se revirar no fundo do mar - surgido mediante a crise do PSDB e do DEM.

Há também as relações estremecidas entre os dois antigos partidos-irmãos, o PC do B e o PT, a entrada no páreo político do ex-cantor do grupo sambrega Negritude Júnior, Netinho de Paula, e a migração do escritor de auto-ajuda Gabriel Chalita do PSB (que tem o Netinho de Paula e o "socialista" da FIESP Paulo Skaf) para o PMDB.

Infelizmente, pelo que se vê, é apenas politicagem. O assunto rendeu um debate disponível no Twitter de Raphael Garcia - http://twitter.com/#!/tsavkko.

Chalita/PMDB e o possível apoio do PT em 2012

Por Raphael Tsavkko Garcia - Blog Angry Brazilian

Apesar da grande distância que ainda nos separa das eleições para a prefeitura de são Paulo ano que vem, os bastidores fervilham em possibilidades, apostas e quase certezas. Até agora, porém, nenhuma boa notícia.

A tradicional aliança PT/PCdoB está à perigo, e isto já vem de algum tempo. Desde a discussão no PCdoB sobre um possível apoio ao Kassab até agora, com o lançamento da pré-candidatura de Netinho "Espancador de mulheres" de Paula, a certeza de que o PT terá de enfrentar um antigo aliado.

Netinho é um nome forte, apesar de seu passado e de claramente nunca ter sido comunista na vida (mas até aí, Roberto Freire nunca havia lido Marx direito na vida e presidiu o PCB antes de destruí-lo) e não se sabe se PSB/PDT irão apoiar o partido e dar mais musculatura à candidatura. Aliás, vale lembrar que o PCdoB vem se mostrando tão consistente que Protógenes aceitaria qualquer proposta para concorrer à prefeitura, não importa de que partido.

Quanto ao PSB, aliás, há de se lembrar do propulsor do Socialismo Empresarial, o Paulo Skaf.

Do lado do PSDB, incerteza. O partido foi duramente atingido pela fundação do PSD de Kassab e perdeu uma boa quantidade de vereadores (ao menos 7) e força. alguns especulam até que Serra poderia ser o candidato, mas esta possibilidade parece mais com uma brincadeira de mal gosto de Alckmin do que uma possibilidade real.

O DEM está em crise profunda e dificilmente fará muita diferença nas eleições vindouras enquanto seu racha, o PSD pode surgir como uma força média e incomodar os partidos mais tradicionais. Não se sabe ainda se irão lançar algum nome forte ou apoiar alguma candidatura visando cargos e benesses. O Partido Sem Decência, por breve período o Partido da Boquinha, já declarou não ser de direita, esquerda ou centro, muito pelo contrário! E está pronto a se prostituir pelo melhor valor.

Restou ao PT dar força a um PMDB enfraquecido localmente - que tem apenas um vereador na Câmara Municipal, e a mesma força de potências como o PSC e o PRB. Tarefa ingrata.

Buscando se reerguer o PMDB convidou o Deputado Federal do PSB Gabriel Chalita (aquele mesmo, amigo dos padres e pastores e total incapaz, escritor de auto-ajuda, o que dispensa comentários) para ser seu candidato à Prefeitura e este parece ter gostado da idéia (quem nasceu pra se vender não cansa nunca).

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Sobre Chalita, sua trajetória e sua migração para o PMDB, recomendo a leitura do post "Sucessão Paulistana: Chalita no PMDB" do sempre excelente Descurvo, do camarada puquiano Hugo Albuqueque.
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O problema nisso tudo é que o PT parece ter gostado também da idéia e pode indicar o vice do Chalita e aceitar uma chapa com o PMDB! Claro, não podemos descartar uma aliança do PT com o PSD que, segundo o vereador Jamil Murad, foi criado com apoio e aval da Dilma para ser da base aliada.

O presidente do PT-SP, o deputado estadual Edinho Silva, defendeu que o partido defina seu candidato até o fim de 2011, seja qual for a decisão do tucano.
Edinho disse ser contrário a realização de prévias no PT. "Vou trabalhar para não ter prévia. Para entrar numa disputa acirrada como essa, o ideal é que o PT se unifique."
O petista sinalizou que deve buscar uma aproximação com o atual prefeito da capital, Gilberto Kassab (PSD).
"O movimento do Kassab de criar um partido de sustentação ao governo Dilma tem de ser aplaudido por nós. No momento em que ele vem para a base de apoio da Dilma, nós não podemos ser contra. Temos de elogiar", disse Edinho.

O doloroso de toda essa história é ver o apoio de alguns petistas a este absurdo.


PT com PMDB, PT com PSD, tudo em nome de uma suposta governabilidade federal. A mesma que garantiu o Maranhão mais 4 anos no atraso e mergulhado em corrupção e canalhice com Roseana Sarney. Não importou a recusa do diretório e da militância nem a greve de fome de membros históricos, Roseana recebeu o apoio do partido que por anos a combateu. Foi uma traição de níveis estratosféricos. Em minas, a mesma história e, felizmente, a derrota do Hélio Costa.

O que muitos não conseguem notar é que a questão não é apenas estar no poder - mesmo que como apêndice, referendando canalhas -, mas matar a oposição. Com Kassab, Alckmin, Serra e cia no poder a coisa é péssima, mas nada garante que com o PMDB no poder algo mudará. E não vai mudar. O partido é da mesma escola fisiológica que PSDB/DEM e a única diferença notável será a morte da crítica e da oposição, com o PT enquadrado e a militância forçada a dizer "amém".

É o que vemos no MinC com Ana de Hollanda. Apesar da gestão ser desastrosa, beirando a criminosa, e vir destruindo TUDO que o governo Lula construíu durante 8 anos, o fato de ser governo faz com que parte considerável da militância se sinta ou constrangida em criticar ou simplesmente a apoie de forma acrítica, apenas por ser PT ou do governo do PT. Temos uma gestão péssima e uma oposição mínima enquanto o grosso permanece alienado, conivente ou sem ação.

O que alguns petistas parecem não enxergar é uma diferença básica entre a situação do governo federal e casos como os do PMDB em Minas, Maranhão e talvez aqui em São Paulo: A cabeça da chapa, quem manda, não será do PT, que ficará a reboque.

Uma coisa é você supostamente ter as rédeas do processo, outra é ficar a reboque. Uma coisa é a busca da governabilidade (ainda que com limites) quando você manda, outra é você querer o poder pelo poder e aceitar se submeter ao fisiologismo puro.

Já me perguntei várias vezes, qual o limite entre a prostituição ideológica e a manutenção das bandeiras históricas. O que e até quanto você deve/pode abrir mão em troca de governabilidade? O PT caminha para se tornar um PMDB, um não vive sem o outro, ou melhor, o PMDB não vive sem o PT enquanto este tiver o poder. Foi assim como o PSDB/DEM durante décadas.

Dada a musculatura do PMDB em São Paulo, uma aliança do PT sem sequer encabeçar a chapa soa como fisiologismo puro. Depois das experiências em Minas e Maranhão, parece apenas escárnio.

Fica a pergunta: Qual é o limite das alianças? PMDB, Sarneys, Hélio Costa, PSD do Kassab... Chalita? O que mais? Até onde?

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Recomendo a leitura deste post antigo sobre o PMDB e sua aliança com o PT. Continua atualíssimo.
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Apesar de achar uma certa viagem uma aliança carnal PCdoB/PP, o @FlavioSousa pode ter um ponto:
Mas imaginar que o ego do Chalita permita que ele seja vice?

quarta-feira, 27 de abril de 2011

MORREU A CANTORA NEUSINHA BRIZOLA



Por Alexandre Figueiredo

Faleceu, vítima de complicações causadas pela hepatite, Neusa Maria Goulart Brizola, a Neusinha Brizola, de 57 anos incompletos. A informação veio do blogue Tijolaço, do sobrinho dela, Brizola Neto.

Neusinha era filha de Leonel Brizola e Neusa Goulart, e portanto foi também sobrinha de João Goulart.

Me lembro bem dela, em 1983, quando lançou o compacto Mintchura que foi um sucesso naquela onda do Rock Brasil. Ela chegou a lançar um compacto e um LP, bem naquele estilo "niueive".

Depois ela teve problemas com drogas, a imprensa aproveitou muito disso, e Neusinha desapareceu por conta do sensacionalismo feito pela mídia.

Uma das últimas aparições de Neusinha foi em 2004, no enterro do pai Leonel Brizola.

SILÊNCIO - Até a tarde de ontem, tentei pesquisar alguns sítios da grande imprensa e não achei nota alguma sobre o falecimento de Neusinha Brizola. Certamente, o parentesco influi muito, já que Leonel também não foi muito querido pela grande imprensa, só tendo coluna em O Globo quando tanto o jornal quanto o político gaúcho divergiam do governo Lula.

Só no começo da noite de hoje surgiram as primeiras notas sobre o falecimento de Neusinha.

A CRISE EXTREMA DO PSDB/DEM E O ENCOLHIMENTO DA OPOSIÇÃO



Por Alexandre Figueiredo

A crise do PSDB/DEM, que atinge níveis extremos, e o encolhimento da oposição política em nosso país, pode parecer, à primeira vista, uma excelente notícia. O bloco aliado aumenta, a base de apoio ao governo petista cresce e todos dormiremos felizes na esperança de acordar no dia seguinte com um Brasil transformado em país socialista. Certo?

Errado. Infelizmente, a novela não se encerra por aqui e nem haverá um final feliz à nossa espera na esquina. Pelo contrário, o inchamento da base de apoio do governo petista pode revelar um balaio de gatos dos mais diversos matizes mas enfeitados de vermelho socialista. Nos últimos dez anos, vemos uma revoada de direitistas que, enrustidos, passaram a posar de esquerdistas mesmo escondendo seus preconceitos e crenças, que ainda continuam de direita.

A crise dos dois partidos conservadores, a princípio, até nos diverte, como também diverte o desespero da mídia associada que perde seus representantes políticos. De Judith Brito, executiva da Folha de São Paulo e chefona da Associação Nacional dos Jornais (ANJ), até Ronaldo Caiado, latifundiário que, pelo jeito, não compartilhou dos flertes kassabianos de sua igual Kátia Abreu, o desespero da direita em se ver esfarelada feito um bolo velho é notório e até rende boas gargalhadas.

A debandada do PSDB atingiu até mesmo quadros fundadores, como o economista Bresser Pereira, e os políticos Walter Feldman e Ricardo Montoro, este filho do falecido co-fundador do partido, André Franco Montoro, um político oriundo da direita católica brasileira e ligado ao PDC antes do movimento militar de 1964 dar cabo nos partidos políticos da época.

Mas não vamos nos esquecer que, no lugar da direitona claramente reacionária, teremos uma direitinha que não deixa de também mostrar seus surtos reacionários. É bom deixar claro que Jair Bolsonaro é da base aliada do governo petista, e nem por isso deixou de dar seus ataques de extrema-direita.

Por outro lado, a oposição aparentemente encolhe, mas em compensação haverá negociatas às portas fechadas, e a contaminação de preconceitos de direita nas fileiras esquerdistas. Não é sem razão que meu amigo Marcelo Delfino, do blogue Brasil Um País de Tolos, está há muito desiludido com a esquerda brasileira.

Na verdade, essa migração da direita para setores aliados é um fenômeno bem maior do que a dicotomia esquerda X direita pode sugerir. É a mania recente do brasileiro de dissimular suas posições, quando retrógradas. É uma hipocrisia que pode ser adotada por boa-fé, por má-fé ou por cinismo puro, ou apenas pelo pragmatismo de obter vantagens pessoais.

Num dos raros momentos de lucidez admirável na imprensa conservadora, o jornalista Paulo Moreira Leite, da revista Época, comentando a banalização do mal, em texto que li, por indicação em linque, do jornalista Idelber Avellar (blog Biscoito Fino e a Massa), descreve a pretensão de muitos brasileiros parecerem "luminosos" para agradar a outros.

Alguns trechos que Moreira Leite escreveu merecem ser citados:

A hipocrisia não é uma ideia, nem uma opção. É uma atitude de vida. Você enxerga o que é errado mas finge que não o vê. Simula concordar do fundo do coração com uma ideia, uma proposição, ou mesmo uma decisão em seu local de trabalho ou numa roda de amigos — mas só está agindo de acordo com aquilo que é conveniente para sua vida profissional ou até para começar a namorar uma menina interessante. A base de tudo é tratar a consciência como moeda de troca.

A hipocrisia é aquela postura que nos faz fracos, que esconde nossa estranha
capacidade de esconder convicções e valores pelo esforço de agradar e receber algum benefício. Quanto mais disfarçada, mais eficiente.

Digo isso para lembrar que ninguém vive em laboratórios de valores claros e
atitudes luminosas. Como proclamava-se em 68, nem os maiores gênios habitam torres de marfim.

Cada época cobra seu preço sobre homens e mulheres, que estão condenados a conviver com preconceitos, dramas e atrasos.


Nem precisamos mais dizer detalhes sobre os pseudo-esquerdistas que contradizem suas posturas declaradas com uma visão calcada no neoliberalismo ou no direitismo mais reacionário. Do professor mineiro que escreve como Diogo Mainardi mas diz esculhambar a Veja. Ou do colunista da Folha que foi para a imprensa de esquerda difundir, no contexto da cultura brasileira, a visão de Francis Fukuyama.

Mas fica muito estranho ver direitistas enrustidos falando de seus mestres - seja Fernando Henrique Cardoso, Antônio Carlos Magalhães, Roberto Marinho, Otávio Frias Filho ou mesmo Cabo Anselmo - como se fossem inimigos distantes, num distanciamento ao mesmo tempo falso e risível.

Da mesma forma que é muito estranha a oposição debandar para a base aliada, como gente de um cruzeiro marítimo em naufrágio que nada desesperada para o primeiro barco de pescadores que encontrar na frente. Um barco pequeno, que não tem lugar para todo mundo.

Pois seria melhor que houvesse uma oposição autêntica do que aliados hipócritas. Teríamos diversidade político-ideológica, em vez dos direitistas enrustidos que, de uma forma bastante hipócrita, bajulam Che Guevara e a esquerda brasileira.

O jogo democrático fica comprometido com tanta gente que, dotada de posições conservadoras, passou a virar a casaca e se dizer "socialista". Se relembrarmos que Hebe Camargo participou da passeata do Vale do Anhangabaú, em 19 de março de 1964, a célebre Marcha da Família com Deus pela Liberdade que pediu a derrubada do "comunista" João Goulart, fica patético ouvir a apresentadora dizer hoje que virou "bolchevique".

Como também a situação de instituições simpatizantes com a esquerda faz com que os incautos façam confusões que permitam a associação de valores retrógrados pouco manjados ao universo progressista. Como, por exemplo, achar que Gugu Liberato é "socialista" só porque ele trabalha na mesma Rede Record que Paulo Henrique Amorim, Luiz Carlos Azenha e Rodrigo Vianna.

Os funqueiros - que, no fundo, preferem as Organizações Globo do que a Caros Amigos e o Brasil de Fato e falam mal da esquerda pelas costas - se aproveitaram muito dessas confusões. Muitos referenciais da Rede Globo seguidos pela "recópia" passaram a ser vistos como "equânimos". Daí para um Pedro Alexandre Sanches saído, sob lágrimas de seus colegas e de seu patrão-colega Tavinho Frias, da Folha de São Paulo, para manchar as páginas esquerdistas de tropitucanato temperado com ideias fukuyamianas, é um pulo.

Além disso, a farra adesista atual pode também criar situações como a debandada de antigos esquerdistas da base aliada para a oposição, como foi o caso do Partido Verde, que durante muitos anos foi como que um partido-irmão do Partido dos Trabalhadores.

E quem não garante que surja um novo Cabo Anselmo na base aliada que chutará o pau da barraca esquerdista a qualquer momento? Quem não garante que a bancada ruralista, mesmo na condição de "aliada", jogue os agricultores rurais para escanteio? E quem não garante que apareça um Jair Bolsonaro nos escuros porões do edifício aliado, para disparar seus preconceitos de extrema-direita?

Sabemos que foi muito ruim para a nação uma direita unida até as entranhas que, em 1964, fez o Brasil andar para trás com uma ditadura que arruinou com os brasileiros. Tínhamos um projeto de país que foi interrompido e muita coisa até hoje não foi ainda recuperada, como a cultura das classes populares, praticamente esmagada pelo mercado brega-popularesco apoiado pelo latifúndio e pela mesma mídia golpista que combate os movimentos sociais.

Mas o extremo oposto, que é o inchamento político da base aliada, também não irá resolver os problemas. Antes os camuflasse num momento para agravá-los em outro, como a efetivação de projetos anti-populares supostamente voltados "para o cidadão". A demagogia pós-moderna, aliás, criou esse personagem, o "cidadão", para personificar interesses privados disfarçados de interesses públicos.

No verdadeiro processo democrático, é muito melhor, mais coerente e vantajoso, que tivéssemos um diálogo franco e harmonioso com nossos opositores, do que nos engalfinharmos no momento crucial com qualquer um de nossos supostos aliados.

Em outras palavras, seria bem melhor negociarmos pacificamente as divergências mais explícitas do que entrarmos em sério conflito por causa de divergências ocultas pela convergência de fachada.

Vai ser até pior para nós sabermos quem realmente está no nosso lado. E mais grave ainda será saber quem não está.

IGNACIO RAMONET E A EXPLOSÃO DO JORNALISMO



COMENTÁRIO DESTE BLOG: O jornalista Ignacio Ramonet, da matriz do Le Monde Diplomatique, há muito tempo tornou-se um dos ferozes críticos da mídia conservadora do seu país. Assim como a historiadora brasileira Beatriz Kushnir, Ignacio havia denominado os jornalistas conservadores de "cães de guarda", e nesta entrevista, o jornalista francês comenta o colapso da grande imprensa no mundo inteiro.

Ignacio Ramonet e a explosão do jornalismo

Pelo portal Outras Palavras

Surgiu novo sinal de que a comunicação compartilhada tem futuro e enorme potência transformador. O jornalista francês Ignacio Ramonet – um dos estudiosos mais profundos, refinados e críticos da mídia convencional – acaba de lançar "A Explosão do Jornalismo" (disponível por enquanto, apenas em francês). A grande novidade na obra é a esperança militante que o autor deposita na blogosfera, nas redes sociais e num novo jornalismo que se associe a elas.

Ao longo dos últimos quinze anos, Ramonet foi, talvez, o analista mais destacado da mercantilização e pasteurização da imprensa. Diretor (entre 1990 e 2008) da edição francesa do Le Monde Diplomatique, ele abriu as páginas do jornal a textos agudos sobre a involução por que passaram os jornais, o rádio e a TV, no período. Apontou, sempre com muita riqueza de dados. a associação crescente entre imprensa e grande empresa. Associou este processo ao papel domesticador que a mídia passou a desempenhar no período – totalmente oposto à conceito de “contra-poder”, reivindicado pelos defensores de uma democracia de alta intensidade. Cunhou, num editorial escrito em janeiro de 1995, o termo “pensamento único”, para denunciar o apagamento da diversidade. Lembrou que, nas novas condições, a imprensa passava a desempenhar, para as sociedades capitalistas, papel similar ao que o “partido único” exercera nos países alinhados à extinta União Soviética.

Tal combate deu-lhe relevância e prestígio: político, teórico e acadêmico. Mas nos últimos anos – precisamente quando amplos setores sociais reagiram ao pensamento único apropriando-se da internet e criando um novo jornalismo horizontal e cidadão – Ramonet parecia descrente. Seus textos continuaram apontando, ácidos, a degenerescência da imprensa-empresa. Mas ele mostrava-se pouco sensível à grande novidade. Numa entrevista concedida em São Paulo em 2008, durante o I Encontro do Jornalista Escritor, enxergou uma internet prestes a ser colonizada pelas grandes corporações da indústria da comunicação.

"A Explosão do Jornalismo" reverte este ceticismo. E Ramonet redefine sua posição aportando densidade teórica e imaginativa à luta para construir a nova mídia. No novo livro, ele busca, por exemplo, caminhos para associar a blogosfera a publicações que funcionem como nós na rede – pontos de convergência, debate e colaboração permanente entre blogueiros e outros comunicadores. Também especula sobre as maneiras de oferecer, aos novos meios e seus “neojornalistas”, condições de sustentabilidade material em bases pós-mercantis.

No final da semana passada, Ramonet concedeu, ao jornal francês L’Humanité, ampla entrevista sobre seu novo livro. É um prazer traduzi-la e oferecê-la aos leitores de Outras Palavras (A.M.) Entrevista a Frédéric Durand, no L’Humanité. Tradução: Antonio Martins:

Você afirma, em seu livro, que “o jornalismo tradicional desintegra-se completamente”.

Sim, inclusive porque ele está sendo atacado de todos os lados. Primeiro, há o impacto da internet. Parece claro que, ao criar um continente midiático inédito, ela produz um jornalismo novo (blogs, redes sociais, leaks), em concorrência direta com o jornalismo tradicional. Além disso, há o que poderíamos chamar de “crise habitual” do jornalismo. Ela é anterior à situação atual. Desdobra-se em perda de credibilidade, diretamente ligada à consanguinidade entre muitos jornalistas e o poder econômico e político, que suscita uma desconfiança geral do público. Por fim, há a crise econômica, que provoca uma queda muito forte da publicidade, principal fonte de financiamento das mídias privadas e desencadeia pesadas dificuldades de funcionamento para as redações.

A que se deve a perda de credibilidade?

Ela acentuou-se nas duas últimas décadas, essencialmente como consequência do desenvolvimento do negócio midiático. A imprensa nunca foi perfeita, fazer bom jornalismo foi sempre um combate. Mas a partir da metade dos anos 1980, vivemos duas substituições. Primeiro, a informação contínua na TV, mais rápida, tomou o lugar da informação oferecida pela impressa escrita. Isso conduziu a uma concorrência mais viva entre mídias uma corrida de velocidade em que resta cada vez menos tempo para verificar as informações. Em seguida, a partir da metade dos anos 1990, com o desenvolvimento da internet. Particularmente há alguns anos, com a emergência dos “neojornalistas”, estas testemunhas-observadoras dos acontecimentos (sejam sociais, políticos, culturais, meteorológicos ou amenidades). Eles tornaram-se uma fonte de informações extremamente solicitada pelas próprias mídias tradicionais.

O público parece justificar sua desconfiança em relação à imprensa pela promiscuidade entre o poder e os jornalistas.

Para a maioria dos cidadãos, o jornalismo resume-se a alguns jornalistas: estes que se vê em toda parte. Duas dezenas de personalidades conhecidas, que vivem um pouco “fora da terra”, que passam muito tempo “integrados” com os políticos, e que, em toda o mundo, conciliam bastante com eles. Constitui-se assim uma espécie de nobreza política, líderes políticos e jornalistas célebres que vivem (e às vezes se casam) entre si mesmos, uma nova aristocracia.

Mas esta não é a realidade do jornalismo. A característica principal desta profissão é, hoje, a precarização. A maior parte dos jovens jornalistas é explorada, muito mal paga. Trabalham por tarefa, muitas vezes em condições pré-industriais. Mais de 80% dos jornalistas recebem baixos salários. Toda a profissão vive sob ameaça constante de desemprego. Portanto, as duas dezenas de jornalistas célebres não são nem um pouco representativas, e mascaram a miséria social do jornalismo – na França e em mutos outros países.

Isso não mudou com a internet – talvez, tenha se agravado. Nos sites de informação em tempo real criados pela maior parte da velha mídia, as condições de trabalho são ainda piores. Surgem novos tipos de jornalistas explorados e superexplorados. O que pode consolá-los é saber que, talvez, seu futuro lhes pertença.

Nestas condições, o jornalismo pode ainda assumir o título de “quarto poder”, que age como um contra-poder?

Vivemos uma concentração extraordinária das mídias. Quem examina a estrutura de propriedade da imprensa francesa, por exemplo, constata que ela está em mãos de um número reduzidíssimo de grupos. Um punhado de oligarcas – Lagardère, Pinault, Arnault, Dassault – tornou-se proprietário dos grandes meios. Estes expressam uma pluralidade cada vez menor e se supõem que defendam os interesses dos grandes grupos financeiros e industriais a que pertencem.

Isso provoca a crise do “quarto poder”. Sua missão histórica, que consiste em criar uma opinião pública com senso crítico e capaz de participar ativamente do debate democrático, já não pode ser garantido. A mídia procura, ao contrário, domesticar a sociedade e evitar qualquer questionamento ao sistema dominante. Os grandes meios criaram um consenso em torno de certas idéias (a globalização e o livre-comércio, por exemplo), consideradas “boas para todos” e incontestáveis. Quem as renega deixa aquilo que Alain Minc chamou de “círculo da razão”. Entra, portanto, em desrazão…

Você refere-se às vezes à necessidade de um “quinto poder”.

Sim. Se constatamos que o “quarto poder” não funciona, isso representa um grave problema para a democracia. Não se pode conceber uma democracia sem o autêntico contra-poder da opinião pública. Uma das especificidades dos sistemas democráticos está, aliás, nesta tensão permanente entre poder e no respectivo contra-poder. É o que faz a versatilidade e capacidade de adaptação deste sistema. O governo tem, como contrapeso a seu poder, uma oposição, os patrões, os sindicatos. Mas a mídia não tem – e não quer ter! – um contra-poder.

Ora, há uma demanda social forte e crescente de informações sobre a informação. Diversas associações tem se constituído (na França, a Acrimed) para aferir a veracidade e o funcionamento da mídia. Para que a sociedade possa defender-se melhor. É assim que as sociedades constroem, pouco a pouco, um “quinto poder”. Sendo que o mais difícil é fazer com que a mídia dominante aceite este “quinto poder” e lhe dê a palavra…

Em seu livro, você afirma que o futuro dos jornais escritos é tornar-se imprensa de opinião. Por que?

Os jornais mais ameaçados são, em minha opinião, os que reproduzem todas as informações gerais e cuja linha editorial dilui-se totalmente. Embora seja importante, para os cidadãos, que todas as opiniões se exprimam, isso não quer dizer que cada mídia deva reproduzir, em si mesma, todas estas opiniões. Neste sentido, a imprensa de opinião é necessária. Não se trata de uma imprensa ideológica, ligada ou identificada com uma organização política – mas de um jornalismo capaz de defender uma linha editorial definida por sua redação.

Na medida em que, para tentar enfrentar a crise da imprensa, os jornais decidiram abrir espaço, em suas colunas, a todas as teses políticas, da extrema esquerda à extrema direita, sob pretexto de que vale tudo, muitos leitores deixaram de comprar estas publicações. Porque uma das funções de um jornal, além de fornecer informações, é conferir uma “identidade política” a seu leitor. Porém, agora, o jornal não expressa mais o que são seus leitores. Estes, ao contrário, confundem as identidades dos jornais e se desconcertam. Eles compram, digamos, Libération, e leêm uma entrevista com Marine Le Pen.

Aliás, por que não? Mas os leitores podem descobrir, por exemplo, que têm talvez algumas ideias em comum com o Front National. E ninguém lhes dá referências a respeito, o que provoca inquietação. Tal desarranjo confunde muitos leitores. Hoje, o fluxo de informações que transita na internet permite que cada um forme sua própria opinião. Em plena crise dos jornais, o sucesso do semanário alemão Die Ziet é significativo. Ele escolheu contestar as ideias e informações dominantes, com artigos de fundo – longos e às vezes árduos. As vendas crescem. No momento em que toda a imprensa faz o mesmo – artigos cada vez mais curtos, com um vocabulário de 200 palavras, Die Ziet escolheu uma linha editorial clara e distinta. Além disso, seus textos permitem lembrar de que o jornalismo é um gênero literário…

Ao mencionar a superabundância de informações, na internet e em suas redes sociais, você refere-se a sabedoria coletiva e a embrutecimento coletivo. Por que?

Nunca na histórias das mídias os cidadãos contribuíram tanto à informação. Hoje, quando um jornalista publica um texto online, ele pode ser contestado, completado, debatido por um enxame de internautas que serão, sobre muitos temas, tão ou mais qualificados que o autor. Assistimos, portanto, a um enriquecimento da informação graças aos “neojornalistas”, que eu chamo de “amadores-profissionais”. Lembremos que estamos numa sociedade em que formação superior tornou-se acessível como nunca antes. O jornalismo dirige-se, portanto, a um público muito bem formado – ainda que esta formação seja segmentada.

Além disso, as ditaduras que procuram controlar a informação não conseguem fazê-lo mais, como vimos na Tunísia, Egito e em outras partes. Lembremos que a aparição da imprensa, em 1440, não transformou apenas a história do livro. Ela sacudiu a história e o funcionamento das sociedades. Da mesma forma, o desenvolvimento da internet não é apenas uma ruptura no campo midiático. Ele modifica as relações sociais. Cria um novo ecossistema, que produz paralelamente a extinção maciça de certas mídias, em particular a imprensa escrita paga. Nos Estados Unidos, cerca de 120 jornais já desapareceram.

Significa que a imprensa escrita desaparecerá? A resposta é não. A história mostra que as mídias se reentrelaçam e reorganizam, ao invés de desaparecer. No entanto, poucos jornais vão sobreviver. Sobreviverão aqueles que tiverem uma linha clara, proponham análises amparadas em pesquisa, sérias, originais, bem escritas.

Mas o contexto da hiper-abundância de informações também desorienta o cidadão. Ele não chega a distinguir o que é importante e o que não é. Que informações são verdadeiras? Quais são falsas? Ele vive num sentimento permanente de insegurança informativa. Cada vez mais, as pessoas irão se propor a pesquisar informações de referência.

Como assegurar um futuro à informação e aos que a fazem, agora que ele é acessível gratuitamente?

Embora seja incontestável que a imprensa online é a que dominará a informação nos anos futuros, é evidentemente necessário encontrar um modelo econômico viável. No momento, a cultura dominante na internet é a da gratuidade. Mas estamos, precisamente agora, entre dois modelos, e nenhum deles funciona. A informação tradicional (rádio, TV, imprensa escrita) é cada vez menos rentável. E o modelo de informação online não o é ainda, com raríssimas exceções.

Os novos espaços midiáticos podem modificar as relações de dominação que prevalecem hoje no seio da própria sociedade?

Dediquei um capítulo inteiro de meu livro ao WikiLeaks. É o terreno da transparência. Em nossas sociedades contemporâneas, democráticas e abertas será cada vez mais difícil, para o poder, manter dupla política: uma para fora e outra, mais opaca e secreta, para uso interno, onde há o direito e risco de transgredir as leis.

O Wikileaks demonstrou que as mídias tradicionais já não funcionavam nem assumiam seu papel. Foi no nicho destas carências que o Wikileaks pôde introduzir-se e se desenvolver. O site também revelou que a maior parte dos Estados tinham uma lado obscuro, oculto. Mas o grande escândalo é que, depois das revelações do Wikileaks, nada ocorreu! Por exemplo: revelou-se que, na época da guerra do Iraque, um certo grupo de dirigentes do Partido Socialista francês dirigiu-se à embaixada dos Estados Unidos para explicar que, se estivessem no poder, teriam envolvida a França na guerra. E este fato – próximo da alta traição – não provocou reações.

Esta evolução para mais transparência pode provocar efeitos concretos?

Ela vai necessariamente atingir os privilégios das elites e as relações de dominação. Se as mídias podem, até agora, dissecar o poder político, é porque a política perdeu muito de seu poder, abocanhado pelas esferas financeiras. Sem dúvidas, é à sombra das finanças, dos traders, dos fundos de pensão, que se localiza hoje o verdadeiro poder.

Tal poder permanece preservado porque é opaco. É significativo que a próxima revelação anunciada pelo Wikileaks diga respeito, precisamente, ao sigilo bancário. Graças aos novos sistemas midiáticos, tornou-se possível atacar estes espaços ocultos. Este poder é como o dos vampiros: a luz os dissolve, os reduz a poeira. Podemos esperar, que graças aos novos meios digitais, breve chegará a hora de desvendar o poder econômico e financeiro.

terça-feira, 26 de abril de 2011

CHOQUE DE DESORDEM



Por Alexandre Figueiredo

Muito pretensiosismo e muita invencionice podem deslumbrar certas plateias que acham que promessas políticas mirabolantes e modelos tecnocráticos de administração são sinônimo de perfeição humanitária.

Pois a dupla Sérgio Cabral Filho e Eduardo Paes, governador do Estado do Rio de Janeiro e prefeito do município homônimo, respectivamente, desejava ter uma projeção equivalente ao que Juscelino Kubitschek teve nos seus "50 anos em 5" de 1956-1961. Talvez quisessem até uma projeção maior. Mas não chegaram a ter sequer um terço da reputação do saudoso político mineiro.

Em muitos episódios, os dois políticos só conseguiram pontos a seu desfavor. É certo que seu fã-clube reage a críticas, disparando mensagens grotescas, arrogantes, querendo impor moral mas só mostrando seu nervosismo neurótico de ver seus dois ídolos em xeque e não poder reagir com civilidade. Aí disparam grosserias, a mais leve delas do tipo "deixa de falar besteira...".

O "moderno" (na verdade, antiquado) sistema de ônibus planejado por Eduardo Paes está causando problemas sérios para os passageiros. São muitas as pessoas que pegam ônibus errados, sobretudo de noite, por conta do visual padronizado. Busólogos arrogantes e chapa-brancas tentam esnobar dizendo que isso é bobagem, e que dá para pegar os ônibus certos.

Ignoram eles que as pessoas vivem sobrecarregadas de compromissos urgentes demais para terem tempo de discernir um 676 da Três Amigos de um 910 da Paranapuan. E ignoram que existem idosos, gestantes, deficientes físicos, pessoas com TDAH, entre outros tantos. O caráter anti-social desses busólogos é tal que um deles, ligado a uma prefeitura do Grande Rio, anda com um temperamento pavio-curto comparável ao de um Jair Bolsonaro.

Mas em outras oportunidades, falaremos desse caráter anti-social da padronização visual, que os especialistas mais conceituados duvidam que vá durar 20 anos, ou mais do que isso. Se até em Curitiba a medida decai, apesar dos esforços do fã-clube de Jaime Lerner em mantê-lo "inteiriço" pelo menos até o encerramento das Olimpíadas de 2016 (que ocorrerão só no Rio, mas terá reflexo político e turístico nas demais capitais do país).

Recentemente, houve um atentado contra um blogueiro que criticava os desmandos da dupla carioca. Certamente Cabral Filho e Paes não são neo-varguistas, nem Ricardo Gama um neo-Lacerda, mas talvez haja um "Gregório Fortunato" surgido no subterrâneo dos e-mails reacionários deve estar por trás do atentado, cometido no Bairro Peixoto, na verdade um sub-bairro de Copacabana, bem próximo à Rua Toneleros onde ocorreu o célebre atentado de agosto de 1954.

Aí veio um atormentado que dizimou 12 adolescentes numa escola do Realengo, numa conduta cujo fundo social poderia ter sido prevenido seguramente pelos políticos que há muito tempo controlam o poder no Grande Rio. Um sujeito estressado, maltratado, vítima de bullying e que via Rambos, Bronsons e Braddocks empurrados goela abaixo para a criançada na Sessão da Tarde, nos anos 90.

Ainda tem traficantes no Complexo da Maré e criminosos já ocupam casas nas obras do PAC em Manguinhos, meses depois da "histórica" ocupação da polícia na região da Penha. E até agora nada foi feito na área, pois a Av. Brasil conta com gigantescos galpões vazios que poderiam ser demolidos e substituídos por conjuntos populares que, por sua vez, esvaziariam os morros que, com tantas favelas, tornam-se feios, inseguros e até perigosos para sua população.

Há o alerta de que as obras para a copa do mundo de 2014 continuam atrasadíssimas, e que já se cogitou mudar a sede do campeonato mundial de futebol para Inglaterra ou Alemanha. E, pasmem, Eduardo Paes anunciou que não vai haver investimentos privados, só dinheiro público será utilizado para as obras. Ora, mas dinheiro público não é capim, e o povo brasileiro já sofre com seu salário ainda apertado (apesar das melhorias trazidas pela Era Lula) e com muitos impostos a pagar.

E, agora, são as chuvas. Não é de hoje que a Praça da Bandeira se tornou a Veneza carioca, com as águas do Canal do Mangue transbordando em dias de temporais. Mas algo poderia ter sido feito, diante do pretensiosismo "heroico" dos supostos "super-heróis" Paes e Cabral Filho.

Nos seus momentos de promessas otimistas, os dois parecem nos fazer crer que há recursos públicos infinitos para tudo, que haverá construção de moradias populares dignas, urbanização intensa e ecologicamente sustentável, segurança policial constante e eficaz, e que tudo, tudo e tudo será realizado rapidamente.

No entanto, momentos como na madrugada de ontem para hoje, esse otimismo se desaba. Afinal, o realismo é muito melhor do que o otimismo demagógico e impossível. Porque este otimismo só encontra seus limites e suas impotências ao realizar o compromisso assumido na promessa, porque se verá que os recursos não são grandes, as condições não são sempre favoráveis e mesmo a vontade dos dois políticos não é tanta, assim.

Afinal, para repintar os ônibus com as cores plagiadas dos remédios da Boeringer Ingelheim ou dos portais da Globo.Com, eles decidem rapidinho. Mas para dar moradias dignas para a população, o processo é lento, lento e lento. Cadê o choque de ordem na Habitação?

Aliás, esse governo, estadual e municipal, do Rio de Janeiro, só está demonstrando ser um choque de desordem. Chocados estamos nós, diante de tanto pretensiosismo que se evapora nos momentos mais difíceis.

FUNDADOR DO PSDB, WALTER FELDMAN DEIXA PARTIDO MAGOADO



COMENTÁRIO DESTE BLOG: A crise do PSDB avança seriamente e Walter Feldman, um dos membros fundadores do partido, e que atua como Secretário de Esportes da Prefeitura de São Paulo - cujo titular, Gilberto Kassab, já põe para rodar o "trem" recauchutado do PSD - , sai da agremiação tucana fazendo críticas duras ao governador estadual Geraldo Alckmin. É mais um capítulo da crise tucana que, recentemente, mostrou um Fernando Henrique Cardoso de costas para o povo e Aécio Neves curtindo birita.

Tucanos se bicam. E Feldman deixa partido “muito machucado”

Secretário de Kassab, Walter Feldman deixa PSDB

Por Daniela Lima - Folha de São Paulo, notícia divulgada no blog Viomundo

O secretário municipal de Esportes e Lazer de São Paulo, Walter Feldman, anunciou nesta segunda-feira a sua saída do PSDB.

Ele deixou a legenda fazendo críticas pesadas ao governador tucano Geraldo Alckmin e seu círculo de secretários mais próximos.

Um dos fundadores do partido, Feldman é mais uma baixa do PSDB em São Paulo, que já perdeu seis vereadores.

“Nós que defendemos a aliança fechada pelo ex-governador José Serra com o Gilberto Kassab em 2008 fomos chamados de traidores. Sinalizamos muitas vezes a vontade de superar esse episódio. Trabalhamos pela campanha do Geraldo em 2010. Ele e seu grupo não conseguiram superar”, disse Feldman.

O ato representa mais um capítulo na disputa interna do partido iniciada nas eleições de 2008 entre os grupos de Serra e Kassab.

O secretário nega que ingressará no PSD –novo partido de Gilberto Kassab– pelo menos por enquanto.

“Eu preciso de uma legenda na qual me sinta abraçado ideologicamente. Mas não é hora de tratar disso. Estou muito machucado”, afirmou.

A debandada tucana já era esperada desde a volta de Alckmin ao Palácio dos Bandeirantes no começo do ano e desde o início do movimento de Kassab para criação do PSD.

As saídas dos vereadores foram anunciadas na semana passada. São eles José Police Neto, que preside a Câmara Municipal, Dalton Silvano, Juscelino Gadelha, Gilberto Natalini, Ricardo Teixeira e Souza Santos. A maioria dos dissidentes deve migrar para o PSD.

Eleito vereador a primeira vez em 1983 pelo PMDB, Feldman está no PSDB desde 1988.

Depois de ter ocupado a Casa Civil do governo paulista durante parte da gestão Mário Covas (1995-2001), ele voltou ao Executivo pelas mãos de Serra quando foi indicado para a Secretaria de Coordenação das Subprefeituras em 2005.

AÉCIO NEVES E A "ISENÇÃO" DA MÍDIA



COMENTÁRIO DESTE BLOG: Aécio Neves foi transformado em coitadinho pela mídia demotucana, mas virou o palhaço da imprensa jagunça. Em ambos os casos, o político tucano tornou-se uma personalidade menos reprovável, numa sociedade em crise de valores. O artigo da Carta Maior fala apenas da reação da mídia demotucana, mas a espetacularização do "político biriteiro" pela imprensa "popular" não deixa de ser outra forma de minimizar o problema da irresponsabilidade do neto de Tancredo Neves.

Aécio Neves e a "isenção" da mídia

Do Editorial da Agência Carta Maior

Sem dúvida o aspecto mais chocante no episódio da blitz da Lei Seca, no Rio, que flagrou Aécio Neves dirigindo com habilitação vencida e metabolicamente impossibilitado de soprar o bafômetro, não foi o fato em si, mas o comportamento da mídia demotucana.

Os blindados da "isenção" entraram em cena para filtrar o simbolismo do incidente, "um episódio menor", na genuflexão de um desses animadores da Pág 2 da Folha. Menor? Não, nos próprios termos dele e de outros comentaristas do diário em questão.

Recordemos. Em 24 de novembro de 2004, Lula participou da cerimônia de inauguração de turbinas da Usina de Tucuruí, no Pará. No palanque, sentado, espremido entre convidados, o presidente comeu um bombom de cupuaçu, jogou o papel no chão. Fotos da cena captada por Luiz Carlos Murauskas, da Folha, saturaram o jornalismo isento ao longo de dias e dias. Ou melhor, anos e anos.

Sim, em 2007, por exemplo, dois colunistas do jornal recorreriam às fotos de Tucuruí para refrescar o anti-petismo flácido do eleitor que acabara de dar um novo mandato a Lula. O papel do bombom foi arrolado por um deles como evidencia de que o país caminhava a passos resolutos para a barbárie: "Só falta o osso no nariz", arrematava Fernando Canzian (23-07-2007) do alto de sofisticada antropologia social.

Sem deixar por menos, Fernando Rodrigues pontificaria em 09-04-2007: "...Respira-se em Brasília o ar da impunidade. Valores republicanos estão em falta. Há exemplos em profusão (...) em 2004, Lula recebeu um bombom... O doce foi desembrulhado e saboreado. O papel, amassado. Da mão do petista, caiu ao chão. Lula seguramente não viu nada de muito errado nesse ato. Deve considerá-lo assunto quase irrelevante... Não é. No Brasil é rara a punição - se é que existe - para pequenas infrações como jogar papel no chão. Delitos milionários também ficam nos escaninhos do Judiciário anos a fio (...) Aí está parte da gênese do inconformismo de alguns, até ingênuos, defensores de uma solução extrema como a pena de morte. Gente que talvez também jogue na calçada a embalagem do bombom de maneira irrefletida. São "milhões de Lulas", martelava o jingle do petista. São todos a cara do Brasil...".

NÃO SE FAZ REVOLUÇÃO COM BREGANEJO


OS TUCANOS CHITÃOZINHO & XORORÓ APARECEM AQUI AO LADO DO DEPUTADO KASSABISTA PROTÓGENES QUEIROZ.

COMENTÁRIO DESTE BLOG: Dioclécio Luz, atualmente, é hostilizado pelos fãs de histórias em quadrinhos por conta de uma polêmica desnecessária causada por uma suposta associação das histórias da Turma da Mônica ao bullying. Independente de sua pertinência ou não, a polêmica ofuscou os bons textos que o jornalista e esquerdista autêntico (engole essa, Pedro Alexandre Sanches!) fez reprovando os ritmos brega-popularescos dominantes na grande mídia. Vale relembrar esse texto, que tem cerca de dez anos.

NÃO SE FAZ REVOLUÇÃO COM BREGANEJO

Por Dioclécio Luz - Portal Não 64

Vamos por partes: o Brasil virou Tiazinha (*). Somos uma fantasia, um desejo, mas não somos nada. O Brasil também é os pagodeiros e os breganejos (que alguns chamam de sertanejos/country) – somos o inútil, o tempo doce do entretenimento, açúcar e chantily, uma disenteria geral. Cultura? Somos a TV Globo que determinou nossa idade falsa, nossos falsos ídolos, nosso falsos mestres, nossos falsos presidentes, nossas falsas realidades.

O que resta para ler, ouvir, guardar e ruminar no bucho da emoção? Ora, os mesmos donos do poder, a mesma elite nacional e internacional está dizendo ao povo o que ele deve escutar nas rádios, ou se deslumbrar nos cinemas e TVs. É a mesma tropa de malfeitores, o mesmo interesse vampiresco. Mas se não há diferença, então por que esta indiferença das esquerdas para a cultura? Ninguém diz: fora ladrões, bandidos, patifes, piratas! E os artistas consagrados? Cadê Caetano Gil, Milton, Gal Costa? Por que eles – que já são ricos e famosos, e têm um nome na história da música brasileira – quando entrevistados não dizem que isso que rola aí nas rádios e TVs é uma bosta?

O fenômeno da mediocrização da cultura resulta da globalização desenfreada. Já não se fala em arte e cultura, fala-se em entretenimento. Não por acaso a Walt Disney se tornou a maior empresa do ramo no mundo. Somos todos uns patetas.

E o que faz a grande imprensa diante dessa erosão cultural, desse desvirtuamento de conceito promovido pela nova ordem mundial? Ora, adequa-se. Aquém do compromisso com os grandes capitais, encarrega-se de promover a burrice. Uma burrice camuflada como inteligência. Exemplos? Centenas Os mais recentes. Veja, Isto é, e todos os grandes jornais brasileiros abrem suas pernas para a venda do filme Star wars. imprensa burra já não comenta cultura, mas, produtos de mercado: tal filme ou disco custou tantos trilhões, e já vendeu tantos zilhões.

Será que ninguém percebeu a influência disto tudo sobre o povo brasileiro? Será que ninguém percebeu que o american way of life é diariamente introjetado no cerne do povo brasileiro? Será que ninguém percebeu que a cultura americana está substituindo a nossa? Que no Goiás, Minas e interior de São Paulo o povo está se fantasiando de cowboy, e vai a festa country sem saber a diferença entre dog e cat mas se achando o máximo? Será que é possível fazer uma revolução, como pretende o Partido dos Trabalhadores, com gente que cultiva uma arte desencantada, fora da nacionalidade? O que cantaremos na hora de festejar a conquista do Governo Federal Democrático e Popular: "entre tapas e beijos"?... Ou, "é o amor"? Ou outro breganejo qualquer? Talvez a música de um desses grupos de pagode – todos bonitinhos, arrumadinhos, jeitosinhos, igualzinhos, com musiquinhas fuleirinhas e as vozinhas mixuriquinhas...

O que deve ficar bem claro é que a cultura determina a determinação de um povo. Por interesse da indústria cultural o conceito de arte e cultura estão sendo malignamente substituídas pelo produto cultural que ela impõe. E esta cultura visa objetivamente a alienação (eles chamam "entretenimento"). Com o monopólio nas mãos da elite se promove a fragmentação da nação e o estabelecimento de um pensamento único, que é de consumo e não de cidadania. Insistindo: se o PT quer fazer uma revolução, uma mudança na sociedade, tem que pensar nisso: que hoje o povo está sendo encaminhado via entretenimento para a alienação. Ou alguém conta com Xuxa para mudar o país? Ou com o padre Marcelo Rossi? Ou Chitãozinho e Xororó? Enquanto mito cultural eles orientam o consumo material e emocional do povo, e para o pior que existe – esta é a tragédia.

Não se faz revolução enquanto a trilha sonora do país se limitar à bunda music (a cara de ACM), às duplas sertanejas (cuja única relação com o campo é cantarem como galinhas chocas), o forró mastruz com leite (que provoca nó nas tripas) e os pagodeiros (clones deles mesmos que se acham cantores). Cabe ao PT atuar para que se revele a boa arte nacional – que existe, mas está oculta por interesse da mesma elite parceira do Governo FHC.


(*) A Tiazinha pode ter sido uma musa calipígia. Mas o tempo mostrou que ela era, dos males, o menor. Por trás dessa assistente de palco, havia uma atriz consistente, Suzana Alves, que nada tem a ver com a vulgaridade atribuída a ela. Recentemente, vemos musas calipígias muito piores, como Solange Gomes, Valesca Popozuda etc, mas estranhamente elas são poupadas de críticas. Certamente não por Dioclécio, que se desse oportunidade, falaria mal delas do mesmo jeito.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

PARA JULIAN ASSANGE, GUANTÁNAMO É "MONSTRUOSIDADE"



COMENTÁRIO DESTE BLOG: Documentos recentes divulgados pelo Wikileaks mostram que na prisão de Guantánamo, presídio militar que os EUA mantém em Cuba, presos são mantidos em condições sub-humanas, além dos meios de colher depoimentos também terem sido bastante violentos. Não bastasse isso, documentos revelam que muitos dos detentos são na verdade inocentes e que teriam sido falsamente denunciados por informantes que desejavam ser premiados pela delatação.

Para Julian Assange, Guantánamo é "Monstruosidade"

Por Natália Viana - Portal Pública

“Os Arquivos de Guantánamo, que o WikiLeaks começou a publicar, jogam luz sobre essa monstruosidade da era Bush que a administração Obama decidiu continuar”, afirmou Julian Assange com exclusividade para a Pública nesta segunda-feira.

A declaração de Assange resume a importância do vazamento mais recente da organização, que começou a ser publicado ontem à noite. São milhares de fichas de prisioneiros ou ex-prisioneiros de Guantánamo, em Cuba, e outros documentos relacionados, emitidos pela JFT-GTM (Força-Tarefa de Guantánamo) e enviados na forma de memorandos ao US Southern Command (Comando Sul dos Estados Unidos).

As fichas relatam o estado de saúde dos atuais presos, refazem a teia investigativa que os levou à prisão e revelam que boa parte dos acusados foram incriminados com base em depoimentos de outros presos obtidos sob tortura dentro e fora de Guantánamo – nas prisões secretas da CIA. Uma revisão cuidadosa dso documentos revela que o mercado de recompensas promovido pelos Estados Unidos levou à detenção de inocentes por acusações formuladas por informantes interessados em prêmios em dinheiro.

Também revelam como são feitos os “pareceres”, que recomendam a permanência ou não dos presos em Guantánamo, não apenas pela força-tarefa mas também pelos responsáveis pela investigação criminal e psicólogos encarregados de avaliar a maneira que devem ser utilizadas as informações obtidas em outros interrogatórios.

“A publicação dessas informações é importante para o público, para os prisioneiros e ex-prisioneiros, e para os juízes que se ocupam desses casos. Muitos estão presos há anos sem acusação formal e com base em testemunhos falsos”, disse Assange.

“Está na hora de reacender a discussão pública sobre a prisão de Guantánamo, na esperança que finalmente se possa fazer alguma coisa para trazer justiça para esse estabelecimento”, afirmou o fundador do WikiLeaks, que qualificou Guantánamo de “estabelecimento de ‘lavagem de pessoas’.

A comparação com a lavagem de dinheiro, em que bancos internacionais “escondem” recursos suspeitos, é empregada por Assange pelo fato de Guantánamo esconder da sociedade a verdadeira história dessas prisões para justificar a política criminosa de prisão sem julgamento e os meios ilícitos empregados para prendê-los.

Publicação

Na conversa com a Pública, Assange fez questão de destacar que os veículos parceiros nesse lançamento são o Washington Post, dos EUA, o El Pais, da Espanha, o Telegraph, do Reino Unido, a revista Der Spiegel , da Alemanha, o francês Le Monde, da Franca, o Aftonbladet, da Suecia e o italiano La Repubblica.

Isso por que, apesar de não estarem entre os parceiros oficiais, os jornais New York Times, dos Estados Unidos, e Guardian, do Reino Unido, publicaram ontem reportagens baseadas nos mesmos documentos secretos, entregues por uma outra fonte, que preferiu permanecer anônima. Segundo a Pública apurou, por causa disso, o vazamento foi adiantado porque os dois jornais pretendiam “furar” o WikiLeaks.

É o capítulo mais recente da novela que envolve o WikiLeaks e esses dois jornais.

No início do ano passado, o Guardian contratou uma jornalista inglesa que obteve os documentos relativos às embaixadas americanas de um colaborador do WikiLeaks. Naquele momento, o jornal desistiu de publicá-los antes da organização, porque Assange ameaçou processá-lo com base em um contrato assinado pelas duas partes.

Depois disso, Julian rompeu com o Guardian, que publicou um livro sobre o Wikileaks considerado tendencioso pelo fundador da organização. Assange também se irritou com a publicação do processo contra ele movido na Suécia, incluindo detalhes sobre as relações que manteve com as mulheres que o acusam de delitos sexuais. “Transparência é para governos e não para pessoas”, disse ele na época.

Também com o New York Times, as relações têm sido conturbadas. Em janeiro, o editor Bill Keller escreveu um artigo em que chamava Julian de “arrogante, cabeça-dura, conspiracional e estranhamento crédulo”, alem de dizer que ele “cheirava mal”. Não foi o primeiro problema: depois da publicação dos documentos das embaixadas americanas, Keller passou a chamar Assange e o WikiLeaks de “fonte” em vez de uma organização jornalística. A diferenciação tem consequências legais, pois os jornalistas são protegidos pela quarta emenda constitucional americana.

No início de abril, durante um congresso de jornalismo na Universidade de Berkeley, na California, Keller e Assange – este por skype já que está sob prisão domiciliar – , participaram de um debate em que o fundador do WikiLeaks acusou o jornal de trabalhar a favor do governo americano. “O papel da imprensa é obrigar as organizações poderosas a prestar contas, e não encobrir seus erros”, disse.

Keller continuou chamando o WikiLeaks de “fonte” durante todo o debate. Mas brincou: “A grande vingança de Julian e que eu terei que passar anos da minha vida participando de debates sobre o WikiLeaks”.

Leia o que dizem os documentos de Guantánamo

ALIANÇA COM A DIREITA IMPEDE AVANÇO NOS DIREITOS HUMANOS



COMENTÁRIO DESTE BLOG: Este texto é um interessante fragmento de uma denúncia grave sobre o envolvimento do empresariado durante o regime militar. Se verificarmos bem o nosso passado histórico, além de ficarmos pasmos ao ver que empresas estrangeiras como a Coca-Cola, a Bayer, a Shell e a Philco, entre tantas outras, financiaram toda a campanha que se deu no golpe de 1964 e no regime militar, e ainda tinham dinheiro para a operação Brother Sam (que, na prática, seria uma guerra entre Brasil e EUA), as multinacionais também deram seu apoio, ao sabermos que empresas como o grupo Ultra (Ultragas), Grupo Pão de Açúcar (supermercados Extra) e Grupo Folha (Folha de São Paulo), além de também sustentarem o regime, ajudaram os órgãos de tortura, então dá para entender por que a verdade histórica não interessa a muita gente.

Aliança com a direita impede avanço nos direitos humanos

Acordo com empresários que financiaram ditadura é uma das principais causas do entrave; entidades e ministra defendem abertura de arquivos.

Por Lúcia Rodrigues - Sítio da Revista Caros Amigos

O Brasil é o país mais atrasado do Cone Sul quando o assunto é direitos humanos. Enquanto Argentina, Chile e Uruguai já condenaram centenas de agentes do Estado que perseguiram, sequestraram, torturaram e assassinaram milhares de ativistas de esquerda durante os anos de chumbo, aqui nenhum repressor sentou no banco dos réus.

O máximo que se conseguiu até agora foi uma sentença da Justiça paulista reconhecendo publicamente o ex-comandante do DOI-Codi de São Paulo, Carlos Alberto Brilhante Ustra, como torturador. A sentença, no entanto, é apenas declaratória, não tem desdobramento penal. E ele continua solto.

A diferença na condução das questões ligadas aos direitos humanos pelo Brasil e por seus vizinhos é abissal. Na Argentina, por exemplo, já ocorreram mais de 700 julgamentos de militares com condenações, inclusive, à prisão perpétua. Mas qual seria o motivo de tanta benevolência por parte do Estado brasileiro para com seus criminosos de farda? A chave para o enigma deve ser procurada no baú de empresários que financiaram o golpe e sustentaram a ditadura durante mais de duas décadas.

Praticamente todas as empresas envolvidas com a repressão continuam atuando no mercado. Agora não mais financiando os fios elétricos que descarregavam voltagem no corpo dos “subversivos” nos anos 60 e 70. Os tempos são outros. Uma demão de verniz conferiu a um passado sombrio o brilho da plasticidade democrática. Esses empresários continuam doando polpudas quantias, mas agora na forma de contribuição declarada ou de recursos não contabilizados, como é conhecido popularmente o famoso caixa dois das campanhas eleitorais.

Paralelamente à atividade econômica que continuaram desenvolvendo, se converteram nos grandes timoneiros do rumo político do país. Como se sabe generosidade tem limites. E apoio é via de mão dupla: pressupõe contrapartida. Lógico supor, então, que uma das imposições a seus financiados é para que estes impeçam qualquer possibilidade de envolvimento de seus nomes e da suas empresas em escândalos dessa magnitude.

Não é difícil imaginar o desgaste, que uma revelação dessa envergadura, provocaria na imagem de seus produtos. “Fica difícil justificar. A Folha perdeu leitores quando falou em ditabranda. Quando os empresários dão dinheiro (para campanhas políticas), estão dizendo: ‘limpa minha barra, senão não dou mais’. A lógica da rede de cumplicidade é essa. É um cala boca”, ressalta Ivan Seixas, representante do Fórum de Ex-Presos Políticos.

Cumplicidade

“A ditadura montou essa rede de cumplicidade quando montou a caixinha para a repressão”, frisa. Ivan destaca a Folha de S. Paulo, Rede Globo, o Grupo Ultra, Pão de Açúcar e as empreiteiras Camargo Correa e Andrade Gutierrez, como algumas das companhias que contribuíram com a repressão. “Essas empresas deram grana. Se o torturador Ustra sentar no banco dos réus vai alegar que, além de cumprir ordens, foi financiado por empresários”, destaca o ex-preso político.

O BRASIL POLITICAMENTE CORRETO DE ALI KAMEL



Por Alexandre Figueiredo

Recentemente, o jornalista Ali Kamel havia perdido um processo contra Paulo Henrique Amorim, que havia questionado o sentido da expressão "Não somos racistas" aproveitada pelo livro do chefe de jornalismo da Rede Globo. Amorim questionou o sentido politicamente correto da expressão, não exatamente duvidando do não-racismo de muitos brasileiros, mas do contraste entre o sentido "absoluto" dessa frase e a dura realidade sofrida pelos negros no Brasil.

Na verdade, a expressão "não somos racistas" é um sintoma de um sentimento politicamente correto, propagado pela grande mídia, de tentar mascarar os problemas negando ou distorcendo posturas assumidas por pessoas reacionárias.

Enquanto reina o mel nas declarações de muitos figurões da grande mídia, ou mesmo de meros internautas escondidos em comentários no Twitter ou aqui no Blogger, eles mesmos escondem seus preconceitos sociais nos porões de seu inconsciente, os mesmos preconceitos que eles supostamente se esforçam em combater no discurso.

Já tive eu mesmo a experiência de ser vítima dessa postura "cidadã" da linha Ali Kamel quando critiquei as musas "popozudas". Houve gente que me chamou de "machista", sem perceber (ou ao menos admitir) que essas "musas" é que expressam uma visão machista da mulher brasileira. Houve quem posasse de pseudo-progressista e falasse até na "liberdade do corpo", fazendo "contracultura" em copo d'água. Não, "não somos machistas", prega esse pessoal cegamente.

Aí temos que ser politicamente corretos. Para não sermos racistas, muitos racistas enrustidos rejeitam a ideia de, por exemplo, dar melhores condições de vida, trabalho, segurança e proteção legal ao povo negro. Reforma agrária para negros e índios que vivem no interior do país, então, essa rapaziada sente o maior horror.

Para essa rapaziada "sem preconceitos", porém mais preconceituosa do que ela poderia admitir em derradeira instância, "não ser racista" é um nerd eleger a Tati Quebra-Barraco como a "mulher de seus sonhos" e achar que o medíocre Alexandre Pires é "o maior gênio da MPB".

Tudo isso, no entanto, não contribui em coisa alguma para superar o racismo. Em nada contribui. É só desculpa para fazer prevalecer o estabelecido pelo establishment da mediocridade cultural, que segue independente de raça, credo e cor.

E olha que temos negras lindíssimas, como Taís Araújo e Sheron Menezzes, e termos grandes artistas negros como Milton Nascimento, além de termos tido o geógrafo Milton Santos, como um dos maiores intelectuais de todos os tempos. E temos muitos negros batalhadores, que com muita dignidade fizeram, fazem e farão grandes contribuições para nossa sociedade.

A História do Brasil mostra muitos e muitos negros geniais, batalhadores, íntegros e admiráveis, de ontem, hoje e amanhã, que nos convidam admiravelmente a esquecer os poucos negros que se servem no circo do mercantilismo popularesco, do neoliberal-populismo da grande mídia da qual Ali Kamel faz parte.

É claro que o carinha que acha Alexandre Pires e Tati Quebra-Barraco "geniais" não tem o menor conhecimento de figuras como a falecida escritora Carolina Maria de Jesus, que em 1960 lançou um livro, Quarto de Despejo, que fala da realidade das favelas, bem antes desse tipo de residência entrar na agenda da juventude politicamente correta de classe média.

Por outro lado, o carinha também despreza um mestre da voz e do talento chamado Agostinho dos Santos, que não bastasse suas virtudes ajudou outro citado mestre, o citado Milton Nascimento, no começo de sua carreira. E Milton já surpreendeu a todos com seu magistral álbum de estreia, em 1967, Travessia, de rica poesia humanística e belos arranjos e melodias.

Mas a questão não é apenas o racismo desses politicamente corretos. Os fascistinhas de e-mail, tão afeitos em mascarar seu fascismo de bermudas com um discurso que lhes dê a falsa impressão de que eles é que "são socialmente conscientizados", também manobram seu discurso diante de temas como machismo, elitismo e outros preconceitos.

Eles desconhecem o Living Theatre, os Dzi-Croquettes, o teatro de Zé Celso Martinez Correia, a Semana de Arte Moderna de 1922, mas acham que o espetáculo oco das "popozudas" - sejam paniquetes, mulheres-frutas, dançarinas de "pagodão" ou "independentes" como Solange Gomes - é expressão da "liberdade do corpo". Fazem "contracultura" num copo d'água, quando mais parecem neo-macartistas brincando de Contracultura dos anos 60.

Eles nunca leram o Pif-Paf, nem o Pasquim, nem a imprensa marginal, nem os fanzines dos anos 80, mas acham que o popularesco jornal Meia-Hora é "parecido" com o Pasquim, num total senso de desinformação. Da mesma forma, nunca leram a Última Hora no seu período áureo sob a batuta de Samuel Wainer e no entanto criam uma analogia fictícia e equivocada entre o sangrento Notícias Populares e o antigo jornal de cunho nacionalista-popular.

Eles nunca ouviram falar de Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Ronald de Carvalho, Anita Malfatti, Patrícia Galvão, Manuel Bandeira e outros, mas tentam falar do "funk carioca" e do tecnobrega como se eles fossem supostas extensões da Semana de Arte Moderna de 1922, num claro, gravíssimo e constrangedor exemplo de desinformação histórica.

Para essa patota alimentada pelo Brasil midiático e politicamente correto, esboçado por Ali Kamel, Otávio Frias Filho, os irmãos Marinho, Diogo Mainardi, os tecnocratas tucanos da USP, entre outros artífices e ideólogos, "todos somos tudo de bom" dentro do contexto politicamente correto que faz muita gente ser "sofredora" e "altruísta" e entrar nas fileiras dos verdadeiros excluídos e vanguardistas como qualquer legítimo fura-filas.

Dessa forma, a frase "não somos racistas" não é discutível porque o racismo é bom. Pelo contrário, o racismo é terrível de tão ruim, é um crime e é um ato abominável, pela sua natureza.

O problema é que a frase do livro de Ali Kamel mascara os problemas raciais ainda existentes, além de ocultar o racismo que esconde por trás daqueles que acham que Alexandre Pires, Tati Quebra-Barraco, Parangolé e Psirico são "geniais", mas nunca ouviram e nem querem ouvir falar de Carolina Maria de Jesus, Agostinho dos Santos, Jorge Veiga, Milton Santos, Cruz e Souza e outros.

Assim, também se distorcem conceitos feministas que acobertam valores machistas. Usurpam-se conceitos vagos que apenas lembram referências culturais nobres de outrora, que só servem para reafirmar arremedos grotescos e caricatos na mediocridade musical de hoje. Defende-se uma "cidadania" que não passa de um receituário moralista risível de tão inócuo. Enfim, são outras hipocrisias expressas sob a capa de "ser tudo de bom".

É o que mostra o quanto na Internet reina essa mentalidade golpista enrustida, vinda de pessoas que parecem jovens e modernas. Pessoas que lembram hoje o que um Cabo Anselmo era outrora, ou que um José Serra e Ali Kamel, para não dizer, em casos extremos, um Jair Bolsonaro, são hoje em dia.

É preciso mascarar esse reacionarismo travestido de "tudo de bom". Gente "sem preconceitos" que, num momento ou em outro, mostram preconceitos muito piores do que aqueles que dizem abominar.

É um pessoal capaz de chamar eu e você, leitor, de "preconceituosos", "elitistas", "moralistas", "burguesinhos" e "playboys", se achando a expressão máxima da "conscientização social" no país, mas no primeiro impulso mostra seus sentimentos podres, anti-sociais, retrógrados e restritivos. E que tal "conscientização social" não passa de um artifício para que esses verdadeiros burguesinhos mantenham as classes populares, com seus negros, seus índios e suas feministas, afastadas de qualquer raio de proximidade deles.

É como se eles quisessem "falar bem" das classes populares para que elas se mantenham longe do "território" deles e não os incomodem nos seus privilégios elitistas expressos no alto de seus condomínios de luxo.

É essa a manobra das elites conservadoras em parecerem "certinhas". Para que o povo não se volte contra eles, que eles possam expressar seus preconceitos de classe na "mais completa paz".

domingo, 24 de abril de 2011

UM ESPECTRO RONDA BRETTON WOODS


O ACORDO NA CIDADE DE BRETTON WOODS, NOS EUA, FOI O BERÇO DO FMI E DO BANCO MUNDIAL, HÁ 67 ANOS.

COMENTARIO DESTE BLOG: Este é um ensaio sobre a crise mundial do capitalismo e uma comparação entre o liberalismo clássico de John Maynard Keynes e os atuais rumos do neoliberalismo a partir dos EUA. Um bom texto para debater a teoria capitalista no seu conjunto.

Um espectro ronda Bretton Woods

O fantasma de Keynes retorna, profético, a Bretton Woods: esquecemos as lições de economia que nos ensinaram nossos ancestrais.

Por Will Hutton - Tradução de Cainã Vidor - Revista Fórum

Os fantasmas estão à espreita no Mount Washington Hotel de Bretton Woods, localizado no fundo de um vale assombrosamente silvestre e belo sob o Monte Washington de New Hampshire, ainda coberto de neve até mesmo no inicio de abril. Estão por lá os espectros dos delegados que estiveram no hotel em julho de 1944 para finalizar o acordo que criou o FMI e o Banco Mundial na conferência econômica internacional de maior êxito jamais vista. Mas o fantasma que ronda todo aquele que tenha participado em algum sentido da história é o de John Maynard Keynes, o maior economista do século XX, chefe da delegação britânica.

Negligenciou sua saúde tratando de conseguir o grande acordo de negociação. Um sistema comercial e financeiro mundial que combinava a abertura e a igualdade, evitando acima de tudo o protecionismo que foi precursor do nazismo e da Segunda Guerra Mundial. A maioria de nós consideraria o FMI, o Banco Mundial e quase sete décadas de paz e crescimento do comércio mundial, ao menos até 2009, como um resultado muito bom, mas Keynes tinha a impressão de que não havia aproveitado suficientemente bem o momento único da conclusão de uma guerra, quando a gente estava preparada para deixar de lado as diferenças nacionais pelo futuro bem comum.

Quis destruir a teoria propagada por economistas e políticos que pregavam equilíbrios orçamentários, austeridade pública, primazia da soberania nacional e liberdades para as finanças em casa e no exterior. Em troca, ele queria regras que reconhecessem a interdependência entre países e criar instituições globais e uma moeda mundial que abriria espaço aos governos para manobrar atuando com inteligência e criatividade a fim de estimular o emprego, o comércio e o crescimento. Conseguiu algo do que desejava, mas não o bastante e não é incomum escutar os ecos de seu discurso de despedida, no qual avisava de seus temores de que voltariam os dragões.

Na sexta-feira pela tarde, enquanto se celebrava aqui outra grande conferência econômica para debater a atual crise da economia internacional, organizada pelo Instituto do Novo Pensamento Econômico, que têm o rei liberal do fundo de cobertura, George Soros, como seu pioneiro e agitador, o discurso de despedida de Keynes parecia inquietantemente profético. Retornaram os dragões. Em Washington, um Partido Republicano revivido pôs o governo americano perto de fechar, a falta de autoridade política para liberar fundos enquanto combatia severíssimos cortes do gasto federal. Do outro lado do Atlântico, uma legião de fundos de cobertura e bancos de investimento forçou um diminuído e sozinho governo português a recorrer ao FMI e a União Europeia para um resgate multimilionário em euros. Na Grã-Bretanha, George Osborne se apresenta como paladino da imponente velocidade de seu plano de redução orçamentária, dizendo que não jogará roleta-russa com a economia britânica. Encontram-se por toda parte os ecos da linguagem que Keynes tratou de espalhar em Bretton Woods.

São todos estes exemplos de políticos que respondem a novos desafios em circunstâncias que se transformaram. A questão é se têm razão. Por exemplo, até os democratas norte-americanos estão de acordo com os ativistas do Tea Party do seio do Partido Republicano em que se os EUA repetem o que fizeram na primeira década deste século, então a dívida pública se duplicará, tornando-se insustentável. O argumento é se a resposta deveria consistir em promover cortes no governo federal norte-americano ou se o governo, apesar das constrições fiscais, forma parte da solução mediante seu papel de estimulador de um crescimento maior e sustentável. Na Europa, o governo português poderia ter gerido seus assuntos com mais disciplina e os investidores desconfiam que possam perder dinheiro se acontecesse uma suspensão de pagamentos ou uma reestruturação da dívida. Mas novamente o resultado é ferozmente desmedido: os mercados decidiram de forma unilateral voltar-se contra o governo de Portugal, que não tem outra opção a não ser recorrer aos empréstimos do FMI e da UE.

Ao menos sobra a cortesia do FMI no que diz respeito ao que se sucedeu no Mount Washington Hotel há 67 anos. Mas Keynes teria ficado ainda mais desiludido ao final da Conferência de ter acreditado que o FMI iria ser utilizado como fundo de resgate para fazer do mundo um lugar seguro para especuladores ou bancos sobrecarregados, enquanto os povos têm que aceitar a temível austeridade. Isso era o contrário do que ele esperava que o FMI fizesse.

Sua meta consistia em converter o FMI em uma instituição que pudesse conceder a países na situação de Portugal um espaço no qual pudessem respirar financeiramente, entre outras razões porque se todo o mundo começa a apertar os cintos simultaneamente, então mínguam as perspectivas de outros países. Mas ele se encontraria duplamente alarmado pela forma que se está pondo em prática uma jihad em escala mundial contra a petição de empréstimos por parte dos governos depois de um arrocho de crédito que deixou muitos países com altas dívidas privadas contraídas por empresas e indivíduos que não podem cumprir com seu serviço. Há países, com a Grã-Bretanha e os EUA em mente, que tiveram que recorrer ao Estado para impedir uma queda financeira de primeira ordem, e agora o mesmo sistema financeiro que salvaram se volta contra eles e os põe na berlinda por ter as mesmas dívidas públicas que salvaram os bancos.

Um dos problemas é que a economia e os economistas foram demasiado débeis na hora de estabelecer que a crise tinha sua origem em comportamentos privados mais do que públicos ou em demonstrar de que modo o crescimento e a geração de emprego são resultado de uma completa interação entre as ações, o gasto e o quadro dos governos e o dinamismo do setor privado. O governo é parte inevitavelmente da solução, não o problema irredimível. Fica mais fácil para o movimento do Tea Party em todo o mundo, seja no seio do Partido Republicano, no Tesouro ou nos fundos de cobertura, especular contrariamente aos estados periféricos pertencentes ao euro, debilitando-os de um jeito ou de outro para impedir que atuem de forma criativa e inteligente como resposta a uma continuada crise financeira e aos níveis de dívidas privada que estão nas nuvens.

Dá a impressão de que nos últimos seis meses não houve em absoluto crescimento econômico na Grã-Bretanha e isso ainda antes que as imponentes medidas de austeridade se deixem sentir. Disse a um alto funcionário britânico que acreditava que não somente existia a possibilidade de que o crescimento britânico ficasse condenado durante anos, mas que o conjunto da economia corria perigo de cair num estancamento ao estilo do Japão. Ele respondeu que outros governos também pensavam o mesmo.

Economistas e dirigentes empresariais não deveriam deixar que o chanceler saísse impune com declarações ao Tea Party sobre os riscos de bancarrota para a Grã-Bretanha, na qual não há outra opção além de sofrer. Keynes dedicou sua vida a por em jogo esse pensamento e durante alguns anos o manteve vivo. As más notícias mentem que somente mediante desastres, como o que viveu Keynes, mudem o modo de pensar das pessoas. As boas notícias consistem em que são muitos os economistas excelentes e iconoclastas – há muitos por aqui – de muitos países que querem liberar de novo este combate. Trata-se de uma luta contra o pensamento convencional... e contra o tempo.
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