quinta-feira, 31 de março de 2011

BISPO DE TRÍPOLI DIZ QUE 40 PESSOAS MORRERAM POR BOMBAS DA COALIZÃO



COMENTÁRIO DESTE BLOG: O ataque das forças da coalizão (EUA, Reino Unido e França) contra a Líbia, além de estar longe de representar os princípios diplomáticos e o respeito à autodeterminação dos povos, ainda faz vítimas inocentes, que estão no meio do caminho dos ataques. O bispo de Trípoli, Dom Giovanni Martinelli, fez seu alerta e sugeriu que os países envolvidos na Operação Aurora da Odisséia optassem por soluções diplomáticas para encerrar a ditadura de Muamar Kadafi.

Bispo de Trípoli diz que 40 pessoas morreram por bombas da coalizão

Do Portal Terra - Reproduzido também no Blog Ronaldo - Livreiro

O bispo apostólico da Igreja Católica na Líbia, Giovanni Innocenzo Martinelli, informou nesta quinta-feira que pelo menos 40 pessoas morreram em um bombardeio da coalizão internacional sobre Trípoli.

"Os chamados ''bombardeios humanitários'' causaram dezenas de vítimas entre civis em alguns bairros de Trípoli. Em particular, em Buslim, destruiu-se um edifício civil, o que causou a morte de 40 pessoas", disse Martinelli em Trípoli à agência de notícias vaticana "Fides".

O bispo destacou que, nesta quinta-feira, vários hospitais de Trípoli foram atingidos por bombas, um deles no bairro de Misda, no sul da capital.

"Embora se saiba que os bombardeios buscam atacar somente alvos militares, é certo também que eles atingem alvos em bairros civis, afetando a população", declarou o bispo.
Segundo ele, a situação em Trípoli torna-se cada dia "mais difícil".

"A escassez de combustível se agravou, como demonstram as filas intermináveis de carros nos postos de gasolina. No plano militar, parece que há um impasse, já que, aparentemente, os rebeldes não têm força suficiente para avançar", explicou Martinelli.

Ele insistiu que a solução diplomática é o "caminho mestre para pôr fim ao derramamento de sangue entre os líbios", além de oferecer a Kadafi "uma saída digna" do poder.

O GOLPE DE 64 E O DIREITO À VERDADE



COMENTÁRIO DESTE BLOG: O golpe de 1964 foi em primeiro de abril, mas durante muito tempo era apenas a "revolução democrática de 31 de março", como diziam as forças políticas que derrubaram o governo constitucional de João Goulart. Até hoje as feridas do regime militar continuam ardendo, e o país tornou-se muito complexo para dizermos que o golpismo está superado, até porque o reacionarismo ainda está muito forte no Brasil.

O golpe de 64 e o direito à verdade

Um padre amigo me citou certa vez um trecho do Evangelho de São João: “queiram a verdade, porque a verdade vos tornará livres”. Ou então o que dizia o notável Gramsci: aos revolucionários só interessa a verdade, nada mais do que a verdade. Simples assim. A verdade sobre o regime militar, mais cedo ou mais tarde, deverá ser exposta porque liberta. Vejo como uma purificação da alma brasileira. Uma catarse necessária, fundamental. Temos de olhar para os monstros que torturaram e mataram sem piedade, reconhecê-los. Ao menos isso. O artigo é de Emiliano José.

Por Emiliano José - Agência Carta Maior

O 47º aniversário do golpe militar de 31 de março de 1964 é uma boa oportunidade para refletirmos sobre uma grande mancha, uma nódoa moral que mancha a alma brasileira. O golpe militar violentou o Estado de direito, derrubou um presidente constitucional, desrespeitou as liberdades individuais e coletivas e, sobretudo, submeteu o país aos interesses do grande capital nacional e internacional, capital que se acumpliciou inteiramente com o golpe. Os responsáveis pelo golpe militar cometeram um crime de lesa-pátria. E com o Ato Institucional Nº 5 (AI-5), em 13 de dezembro de 1968, os militares radicalizaram a ditadura, institucionalizando o terror de Estado, acabando com quaisquer vestígios de legalidade, e atentando, a partir daí de modo cotidiano, contra os direitos humanos.

Alguns historiadores concluíram, numa explicação rasa, simplista, que a anarquia militar deu origem à ditadura e ao terrorismo de Estado. Penso que não. A ditadura militar e o terrorismo de Estado foram resultado de um planejamento na Escola Superior de Guerra (ESG) que reproduziu pensamentos de guerra de escolas norte-americanas, que não admitiam um governo democrático reformista, progressista, porque era essa a natureza do governo Goulart. Todos os generais-presidentes eram foras-da-lei. Cúmplices na derrubada de um governo constitucional, e também na criação de um ordenamento jurídico autoritário e espúrio.

Esses generais-presidentes, por mais de 20 anos, comandaram o martírio imposto aos jovens estudantes, aos operários, a todos os que se opuseram ao regime militar das mais variadas maneiras e adotando as mais diversas formas de luta. Os generais-presidentes são criminosos. Não podemos, a Nação não pode, eximi-los da responsabilidade dos crimes de prisão, tortura, assassinato, desaparecimento de opositores ocorridos dentro das instituições das forças armadas e nas ações chamadas de combate.

Lamentavelmente, temos que dizer que as forças armadas brasileiras, as daquele período histórico, têm as mãos sujas de sangue. Essa gente tem nome e sobrenome. Daí a importância do resgate da verdade. Se ainda estão vivos, torturadores e assassinos precisam ser punidos, e o primeiro passo é o conhecimento da verdade. Não há prescrição para esse tipo de crime. Não pode haver. À luz do direito internacional, do nosso direito e à luz dos direitos humanos.

Esclareço, embora me pareça óbvio, que ao fazer isso ninguém está pretendendo julgar os militares brasileiros de hoje, que se encontram cumprindo suas funções constitucionais. Mais: creio que às Forças Armadas atuais deveria interessar que toda a verdade viesse à tona, que se desse nome aos torturadores publicamente, de modo a separar o joio do trigo, a enterrar de vez aquele período, e a não permitir de modo nenhum que tais Forças Armadas voltassem a se envolver em políticas terroristas, como ocorreu durante a vigência da ditadura militar inaugurada em 1964.

Um padre amigo me citou certa vez um trecho do Evangelho de São João: “queiram a verdade, porque a verdade vos tornará livres”. Ou então o que dizia o notável Gramsci: aos revolucionários só interessa a verdade, nada mais do que a verdade. Simples assim. A verdade sobre o regime militar, mais cedo ou mais tarde, deverá ser exposta porque liberta. Vejo como uma purificação da alma brasileira. Uma catarse necessária, fundamental. Temos de olhar para os monstros que torturaram e mataram sem piedade, reconhecê-los. Ao menos isso.

Direito à verdade. Direito à memória. Temos que reconhecer que lamentavelmente grande parte de nossa juventude de hoje não tem a menor idéia do que aconteceu nos porões da ditadura. É preciso que a sociedade medite sobre o que aconteceu, sobre a covardia que é submeter à tortura prisioneiros de qualquer natureza. É curioso assinalar que nem mesmo a legislação da ditadura, nem mesmo ela, admitia que a tortura fosse admissível. Eles não quiseram passar recibo. Mas, não adianta: a história registra as coisas. Na pele, no corpo, na alma de milhares de brasileiros ficaram gravadas as garras dos assassinos da ditadura. Não é panfletarismo gratuito: é que eram assassinos, e da pior espécie, e além de tudo covardes. A tortura é um ato de covardia, para além de monstruoso.

Do ponto de vista jurídico não há impedimento para o julgamento dessas pessoas, militares e civis. Pelo sistema de direitos humanos sacramentado pela ONU, pela OEA, não há prescrição para crimes deste tipo. Não é objetivo da Comissão da Verdade, sei, até porque impossível, até porque fora de suas atribuições, promover quaisquer espécies de julgamento. Ela quer apenas e tão-somente conhecer, garantir que a sociedade brasileira conheça a verdade. Saiba sua própria história.

Quando o General De Gaulle assumiu o governo provisório, após a libertação da França na Segunda Guerra Mundial, fez uma declaração singular: sua primeira medida seria instituir tribunais regulares para julgar os colaboracionistas, porque a França jamais poderia encarar o futuro com confiança se não liquidasse as contas do passado. Poderíamos acusá-lo de revanchista? Certamente não. Em nosso caso, não liquidamos as contas do passado e isso prolonga a nódoa moral criada pelo terrorismo de Estado.

Não apenas não liquidamos as contas, como o fizeram tantos países latino-americanos, como o Argentina, o Chile, o Uruguai, que viveram ditaduras também. Na Argentina, os carrascos, maiores e menores, amargam prisões, depois de julgamentos regulares, sob um Estado democrático. Jorge Videla está na prisão. Nós, nem ainda conhecemos toda a verdade.

Essa impunidade histórica alimenta um vício secular na política brasileira. O vício de um sentimento de imunidade do poder. No poder, os autoritários, fardados ou não, se julgam inatingíveis, se corrompem, traem os interesses nacionais, entregam as riquezas do país, relativizam atrocidades cometidas, como se os fins justificassem os meios. Creio que estamos mudando. Que no governo Lula, houve prisão de gente de colarinho branco, embora sob protestos de parte de nossa elite. Mas, ainda temos muito que avançar para acabar com quaisquer imunidades ou impunidades. Todos estão ou devem estar submetidos à lei. Ninguém tem o direito de torturar ninguém, e quem o fizer nunca deixará de estar ao alcance da lei.

A mídia anunciou que o Exército Brasileiro retirou da agenda a “comemoração” do 31 de março. Se corresponde aos fatos, ainda há esperança. Só temos a saudar tão sábia decisão. Chega a ser trágico que os novos militares cultuem com ordem unida e desfile público os crimes cometidos pelos generais do passado. Não dá para construir uma verdadeira democracia com esse tipo de tradição. O 31 de março só merece repúdio. Nunca comemoração. Ao fazer isso, creio, se de fato o fizeram, se acabaram com tais celebrações, as Forças Armadas atuais se incorporam definitivamente ao ideário democrático, se adequam aos novos tempos do Estado democrático.

A Comissão da Verdade quer apenas a verdade, o exercío do direito à verdade, à memória. O direito que tem qualquer pai, qualquer mãe de família, qualquer parente de saber o que ocorreu com seus entes queridos, muitos deles desaparecidos, milhares torturados pelos criminosos fardados ou não sob as ordens dos generais-presidentes entre 1964 e 1985.
Porta-vozes dos criminosos do passado tentam carimbar a Comissão da Verdade como revanchismo. Ela não tem esse caráter. Ela segue o caminho de todos os países que enfrentaram regimes genocidas, ditaduras terroristas, como foi o nosso caso. Queremos justiça, apenas justiça. Quer resgate de uma dívida do Estado brasileiro, na letra e no espírito da Constituição Federal. Quer o direito coletivo à verdade, um direito das vítimas da ditadura, um direito dos brasileiros.

Aqui, minha saudação aos bravos militantes brasileiros que tombaram na luta contra a ditadura de 31 de março de 1964. Minha saudação aos que lutaram e sobreviveram. E que não querem se esquecer do que houve. E ao manter na memória aqueles tempos não o fazem por qualquer espírito revanchista. Agem assim primeiro porque quem passa pela tortura, pela prisão, e sobrevive, nunca mais se esquece. E segundo, ao não se esquecerem e ao lembrarem publicamente dos crimes da ditadura, advertem as novas gerações que devem prezar muito as liberdades democráticas, valorizar a democracia, firmar a convicção de que ditadura nunca mais.

Emiliano José é jornalista, escritor, deputado federal (PT/BA), e ex-preso político.

quarta-feira, 30 de março de 2011

CONTROLE E LEGISLAÇÃO PARA A INTERNET: O ANONIMATO



COMENTÁRIO DESTE BLOG: Raphael Garcia traz uma boa contribuição para o debate envolvendo a polêmica questão do anonimato na Internet.

Controle e Legislação para a Internet: O Anonimato

Por Raphael Tsavkko Garcia - Blog Angry Brazilian

Óbvio que precisamos de legislação na internet, de algum controle, a questão é: que controle?

Aquele imposto pelo Estado que, em conjunto com grandes empresas, busca censurar, garantir a Liberdade de Empresa e nos manter reféns, ou um controle popular, decidido democraticamente por aqueles que efetivamente sabem do que se trata a internet e sua filosofia?

É a oposição entre o Marco Civil e o AI5Digital, HADOPIS e outras propostas de Estado para censurar a todos nós.

Tratando de um caso específico: O anonimato.

Conheço quem se oponha ao anonimato na rede, que não compreenda sua necessidade. Oras, da mesma forma que existe o disque denúncia - anônimo - temos o direito de postar anonimamente e resguardar nossa integridade física e moral.

Se alguém tem um blog de denúncias e acaba indo contra um político pode garantir sua segurança através do anonimato. Posso fazer denúncias anônimas na vida "real", porque não poderia na "virtual"?

E, da mesma forma que recebemos ligações trote de anônimos, estamos sujeitos à anônimos incômodos nos assediarem na rede. E, em casos de falsidade ideológica, quando alguém usa nosso nome na rede, existe legislação que trata do caso sem a necessidade de nenhum tipo de legislação específica para a rede, no máximo uma adequação.

Quando nós, defensores da rede livre, falamos contra as regulações que se discutem para a rede, falamos na verdade contra as tentativas do Estado de nos censurar e monitorar em nome de supostos benefícios coletivos, benefícios à sociedade. Não compreendo porque o Estado acha difícil coibir a pedofilia no nascedouro - nos hotéis no nordeste, no interior do país, nos grotões, onde muita gente sabe o que acontece mas nada faz -, mas acha simples simplesmente guardar todos os logs de usuários, como se fôssemos todos suspeitos e criminosos.

Qual a intenção por trás? Porque ir direto contra a rede se todos os crimes cometidos com seu apoio (da rede) já existiam antes de forma igual ou pelo menos semelhante?

Fica claro que a intenção das legislações e projetos em discussão não é a de garantir qualquer direito aos cidadãos, senão o de salvaguardar o direito (sic) do Estado estar em todas as partes.

Vejam bem, eu sou Socialista, acredito num Estado forte, num Estado atuante na economia, garantindo todos os direitos básicos do cidadão, mas também sou defensor da privacidade, do direito do indivíduo ter liberdade. Dentro da minha casa - e assim como no meu perfil da internet, no meu computador - quem manda sou eu e o Estado não tem nada que se meter. Até que eu cometa algum crime, o Estado não tem o direito de bisbilhotar minha vida pessoal.

Se não permitimos a instalação de câmeras em nossas salas, para que autoridades do Estado nos vejam e observem, porque eu permitira que lessem meu e-mail apenas porque dizem que isto me dará segurança? Porque eu permitiria ter a privacidade de meus dados invadida apenas pela suposta idéia de segurança coletiva?

São questões pertinentes nas quais devemos pensar e nos preocupar.

JAIR BOLSONARO E O RACISMO DOS CANALHAS



COMENTÁRIO DESTE BLOG: Infeliz e totalmente retrógrada a declaração "moralista" do político e militar Jair Bolsonaro, que de repente se esqueceu que racismo é crime, que homofobia está para ser assim considerada. No caso do racismo, vale lembrar que o pioneirismo legal, pasmem, foi lançado por um udenista, o político e jurista Afonso Arinos, que, mesmo sendo de direita, era de uma direita decente e respeitosa.

Preta Gil é criticável pelo seu apoio à mediocridade cultural brasileira, mas ela é um ser humano e nada justifica o racismo. Ela até é conhecida por sua beleza negra jovial e graciosa, e além disso nada justifica o comentário mesquinho, racista, homofóbico, desumano e ofensivo do senhor Bolsonaro, que não merecia mais fazer parte da política nacional.

Uma coisa é discordar de algumas posições adotadas por Preta, outra é fazer manifestos racistas. A discordância pode ser democrática, o racismo sempre é anti-democrático. Nesta situação, estou completamente ao lado de Preta Gil e apoio qualquer processo contra Bolsonaro.

Jair Bolsonaro e o racismo dos canalhas

Por Wevergton Brito - Portal Vermelho

Certa vez, em conversa com uma amiga, ela me relatava em cores vivas exemplos de preconceitos que atingem a mulher negra. De classe média alta, executiva, casada com um professor universitário branco, quando se dirige ao setor reservado aos clientes exclusivos de um banco privado é comum aparecer um funcionário com a advertência de que aquele espaço é para clientes especiais. Em uma dessas ocasiões, ao mostrar o cartão que provava sua condição de cliente especial, ouviu que “não pode ser cartão de terceiros”.

Por ocasião de sua lua de mel na Bahia, ao voltar da praia para o quarto em que estava hospedada (o marido não quis descer naquela manhã) foi parada por um segurança que a acusou de ser “garota de programa”. Ao contrário de outras mulheres negras que sofrem esse tipo de agressão e reagem à altura, minha amiga tem uma reação de pânico. Começa a tremer e sente uma imensa fragilidade.

Esses dois exemplos são até suaves para as pequenas e grandes humilhações cotidianas que sofrem as mulheres negras, atingindo sua auto-estima, e muitas vezes provocando depressão, angústia, síndrome do pânico, etc.

Para essas mulheres, o todo poderoso diretor de Jornalismo da Rede Globo, Ali Kamel, que afirma não existir racismo no Brasil, chega a ser motivo de chacota, tão distante da realidade são suas observações que acabam, queira ou não Ali Kamel, servindo para perpetuar o racismo, pois se ele não existe entre nós, então não existe motivo para combatê-lo, já que não se combate o que não existe.

Mesmo sem existir racismo no Brasil, pelo menos de acordo com Ali Kamel, assistimos declarações como as do Senador do DEM, Demóstenes Torres, que por ocasião da discussão sobre cotas no Senado, afirmou que nas senzalas não havia estupro, havia, isso sim, “sexo consensual” entre senhores e escravas. Ou seja, para o senador “democrata” a escrava era perfeitamente livre para se negar a deitar com o seu “dono”!

Ontem, no entanto, o escondido, hipócrita e sujo racismo brasileiro veio à tona de forma nua e crua. O deputado federal Jair Bolsonaro (PP) vem a público afirmar que seus filhos jamais namorariam uma negra, pois “foram bem educados”. Ou seja, na doentia visão de Jair Bolsonaro, as negras são seres inferiores e degeneradas que só mereceriam a atenção de pessoas que não tivessem acesso a uma educação que os prevenisse contra essa convivência perniciosa.

Assim que, estarrecido, li e assisti as declarações de Jair Bolsonaro, pensei em como estavam se sentindo as milhões de mulheres negras, as milhões de mães de família, atingidas em sua dignidade. Pensei na própria nação brasileira, também ferida em sua honra, pois milhões de brasileiras que constroem e sustentam a nação foram cruelmente ofendidas. Busquei em minha memória uma palavra que descrevesse uma pessoa que, em pleno século 21, pensa desta maneira. Teria que, necessariamente, ser uma pessoa infame, vil, abjeta, velhaca e desprezível.

Pois bem, meus amigos e amigas, existe uma palavra que, de acordo com o dicionário, contém todos esses significados: canalha. Não posso me furtar, portanto, a dizer a verdade: Jair Bolsonaro é um canalha, pois um racista pode até não assaltar o próximo, no sentido de ser ladrão, mas sem dúvida merece cada um dos epítetos que o dicionário atribui à palavra canalha.

Agora nos resta agregar outro adjetivo ao deputado federal Jair Bolsonaro, que é o de criminoso. O racismo é crime previsto em lei e não existe imunidade parlamentar que permita a qualquer um ofender a honra de toda uma nação.

São necessárias ações em todos os campos, tanto no Congresso quanto na justiça. A impunidade, neste caso, será tão grave e gritante quanto a própria vil agressão.

TELECINE CULT: A QUEM INTERESSA CHAMAR O CINEMÃO IANQUE DE "ALTERNATIVO"



Por Alexandre Figueiredo

Uma das mais graves afrontas à memória histórica dos cinéfilos brasileiros é cometida impunemente por um canal de TV paga, sem que muitos percebam o significado do problema.

Trata-se do canal Telecine Cult, um canal supostamente associado ao cinema alternativo, mas cujo carro-chefe é o cinemão comercial da fase áurea de Hollywood.

Numa grande hipocrisia publicitária e num jogo de propaganda enganosa, o canal da Rede Telecine se chamava Telecine Classic, até 2005, quando mudou para o nome atual. O nome Telecine Classic também era pretensioso, mas pelo menos era mais honesto.

Usando como logotipo um gato dentro de um balão, numa estética aparentemente associada ao cinema europeu, o Telecine Cult usa como lema a expressão "alternativo". Só que em quase todo o seu horário, o que se vê são filmes de grande sucesso da fase áurea de Hollywood, produzidos geralmente nos anos 40 e 50.

QUALIDADE DOS FILMES NÃO JUSTIFICA

Diante da apresentação do problema numa comunidade do Orkut, um dos integrantes chegou a usar como desculpa o fato de que o cinemão de Hollywood era de qualidade melhor do que o atual, na tentativa de justificar a manobra do Telecine Cult.

De fato, os filmes da fase de ouro de Hollywood eram bem feitos, bem produzidos, marcaram a vida de muitas gerações etc. Mas nada disso justifica creditá-los agora como "alternativos". É brincar com a memória curta de muita gente.

Pensar assim é o mesmo que não ver diferença entre a programação de um circo e uma aula numa faculdade de Ciências Humanas. Sem falar que a desculpa do internauta soa muito subjetivista e é um comentário típico de pessoas mais jovens, sem muita noção do que gerações anteriores vivenciaram e, por isso, totalmente vulneráveis à "memória curta" que, para eles, é tão somente o puro desconhecimento dos referenciais do passado. Em outras palavras: desinformação pura das coisas.

O tipo de gente que pensa assim é o mesmo que acredita que "anos 80" são apenas a gororoba de entretenimento que essa rapaziada viu na televisão na referida década. Só que, para eles, "anos 80" não são necessariamente os acontecimentos que ocorreram na década - e olha que eles tinham idade para terem conhecido Tancredo Neves, por exemplo - , mas sim muitos seriados e desenhos animados que, na verdade, foram produzidos originalmente nas décadas de 50, 60 e 70.

CINEMA ALTERNATIVO SURGIU PARA QUESTIONAR HOLLYWOOD

Aceitar que o Telecine Cult passe filmes da era de ouro de Hollywood sob o rótulo de "cinema alternativo" - num claro balaio de gatos que, neste sentido, o gatinho do logotipo talvez tenha sua razão de ser (como o ditado "na noite, todos os gatos são pardos") - é simplesmente jogar no lixo todo o esforço que as gerações anteriores de cinéfilos e cineastas fizeram para provar que cinema não é só Hollywood.

Desde o pós-guerra, a ilusão de Hollywood foi contestada por cinéfilos, críticos de cinema e cineastas. Afinal, Hollywood era um dos veículos para a transmissão do american way of life, da ideologia de sonho consumista, apoiada em enredos cinematográficos que afirmavam o padrão de vida "ideal" lançado pelos EUA.

Isso inclui desde comédias românticas, musicais, suspenses, como também faroestes. Tudo isso simbolizava o poderio do comercialismo norte-americano, que com sua força mercadológica chegava mesmo a sufocar as expressões cinematográficas de outros países.

Quem leu o livro Introdução ao Cinema Brasileiro, do cineasta e estudioso do cinema brasileiro Alex Viany (1918-1994), conhece bem o drama que o cinema brasileiro sofreu para ter um mercado interno forte, porque o cinema dos EUA chega ao ponto de ter, no Brasil, um mercado bem mais forte do que o nosso.

Hoje as discussões sobre o cinema brasileiro - que resultaram em tentativas de criar uma indústria própria, através da Atlântida, Vera Cruz e Cinédia, entre outras - se evoluíram para a hegemonia da Globo Filmes, mas essa é uma outra história, tal qual a "cosmética da fome" que banaliza as temáticas sobre o povo pobre no cinema nacional.

Aliás, não por acaso, as Organizações Globo, donas da Globo Filmes, detém a franquia da rede Telecine, a rede que, com a violência de um Rambo, tenta destruir a memória histórica do cinema mundial.

No Brasil, Alex Viany era de uma geração que incluiu Paulo Emílio Salles Gomes e Walter da Silveira, que se empenhou em criar cineclubes para assistir a filmes independentes ou europeus cujos temas fugiam da estética de sonho ou do poderio ideológico (como nos faroestes) do cinemão norte-americano.

Os cineclubes sofreram a influência de análises e discussões sobre cinema feitos na Europa, e que resultaram, nos anos 40, no movimento do Neorealismo na Itália, e, na década seguinte, na nouvelle vague da França.

No Brasil, os cineclubes serviram de laboratório para que muitos estudantes de cinema analisassem a experiência mercadológica nacional nos anos 50 - sobretudo em relação às chanchadas - e criassem um outro tipo de cinema, que buscasse a identidade nacional de maneira crítica, e que foi batizado de Cinema Novo.

Não precisamos detalhar esses três movimentos de cinema não-comercial, o da Itália, da França e do Brasil, mas eles, juntos, simbolizam muito bem o esforço de cinéfilos, cineastas e jornalistas para fazer um cinema diferente da ilusão estadunidense.

Mas tudo isso para, depois, uma rede de TV paga botar por água abaixo todo esse esforço, porque agora a ilusão de Hollywood se nivelou ao "mesmo plano" da nouvelle vague, do Neorealismo e do Cinema Novo.

Vá falar, há 50 anos atrás numa faculdade, que John Wayne é ator de "cinema alternativo". As chacotas seriam inevitáveis. Se você for chamado de burro ao dizer isso, pode crer que é um adjetivo mais gentil.

Mas hoje, se você vai para uma faculdade e diz a mesma coisa, ninguém questiona, ninguém contesta. Pelo contrário, vão se limitar a comentar coisas do tipo "aquele filme (com John Wayne) eu vi na Globo quando era criancinha", "ah, aquele (outro) filme eu me lembro daquela cena final em que etc". Ridículo.

Esse grande desserviço à memória histórica só faz o Telecine Cult não merecer o crédito que tem. Pouco importa se exibe filmes clássicos. Em certos casos, nem tão clássicos assim, como filmes tipo Robocop ou os com Steven Seagal, ou mesmo qualquer filme banal dos anos 80, de preferência os maiores fracassos de bilheteria, que assim possam ser relançados como "alternativos" para uma plateia de memória curta.

Afinal, não podemos mais ser a eterna terra de cego em que qualquer equívoco "menor" é tido como "acerto". Temos que ter senso crítico e não trair as lições do passado, pouco importando se a gente viveu ou não esse passado. Mas nossos pais e avós viveram esse passado, e o que vemos é que as lições que eles tiveram é condenada a perecer no túmulo, devido à tolas e hipócritas "revisões" históricas que tratam os absurdos da vida como coisas naturais.

Só o caso do Telecine Cult daria num bom filme de Luís Buñuel.

terça-feira, 29 de março de 2011

MORRE O EX-VICE-PRESIDENTE JOSÉ ALENCAR



COMENTÁRIO DESTE BLOG: Certamente, José Alencar, que foi vice-presidente nos dois mandatos de Luís Inácio Lula da Silva, foi um notável empresário mineiro. Mas, pelo menos, ele mostrou-se uma figura humanista, além de ter se comportado com humildade e coragem na luta contra o câncer.

Como vice-presidente, sua atuação não teve surpresas, mas não prejudicou o projeto reformista do titular, contrariando perspectivas pessimistas no começo do primeiro mandato de Lula.

Morre aos 79 anos José Alencar, ex-vice-presidente da República

Por Wanderley Preite Sobrinho e José Henrique Lopes - Portal R7

Morreu às 14h41 nesta terça-feira (29), aos 79 anos, o ex-vice-presidente da República José Alencar, que lutava contra um câncer desde 1997. Segundo boletim médico, divulgado às 15h, o ex-vice faleceu em decorrência da doença e "de falência de múltiplos órgãos".

Alencar havia sido internado em “condições críticas” na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, na última segunda-feira (28), com um quadro de suboclusão intestinal, ou seja, parte do intestino estava entupido em decorrência do câncer na região.

Os médicos, no dia seguinte à internação, afirmaram que Alencar não passava mais por tratamento e estava sendo sedado para não sofrer. Com voz embargada, o médico Raul Cutait disse que Alencar estava "em um momento muito difícil de sua vida".

As idas e vindas do ex-vice ao Sírio eram constantes. Alencar teve alta hospitalar no último dia 15 de março, quando voltou para sua casa, em São Paulo. O ex-vice havia sido internado no dia 9 de fevereiro com peritonite, inflamação na membrana que reveste a cavidade abdominal. O problema foi causado por uma perfuração no intestino.

Em dezembro do ano passado, o ex-vice-presidente deu entrada no Sírio-Libanês com uma grave hemorragia no intestino. O sangramento, causado por um tumor na região abdominal, foi posteriormente controlado pelos médicos por meio de um procedimento chamado embolização.

O tratamento contra o câncer, doença que ele combatia há mais de uma década, foi retomado em janeiro, após ter sido suspenso devido a seu estado de saúde, considerado delicado.

O ex-vice-presidente passou por diversas cirurgias e sessões de quimioterapia para combater tumores no rim, próstata e abdome, além de se submeter, sem sucesso, a um tratamento experimental fora do país.

Devido à doença, Alencar optou por não concorrer a uma vaga no Senado na eleição de 2010. Ao anunciar a desistência, disse que não seria justo com os eleitores tentar uma nova candidatura.

- Sempre disse que só aceitaria examinar uma candidatura se eu estivesse curado. Eu me sinto curado porque estou muito bem, mas continuo fazendo quimioterapia e não sei se seria honesto colocar o meu nome como candidato fazendo a quimioterapia. E eu não posso parar com a quimioterapia.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a presidente Dilma Rousseff, muito próximos a Alencar, estão em Portugal nesta terça-feira (29).

Homenagem

No dia 25 de janeiro, Alencar recebeu o aval dos médicos para sair do hospital e participar de uma solenidade na sede da Prefeitura de São Paulo. Na ocasião, ele recebeu da presidente Dilma Rousseff uma medalha comemorativa do aniversário da cidade. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva também estava presente.

Ao ser condecorado, ele discursou em uma cadeira de rodas e lembrou a luta contra o câncer.

- O período longo em que fiquei ativo me trouxe essa dificuldade de locomoção. Estou fazendo fisioterapia e estou melhorando [...] Não posso me queixar, mas tenho de fazer a minha parte. Estou lutando para não morrer e estamos vencendo com a força de Deus. E seja qual for o resultado, será uma vitória nossa.

CAETANO VELOSO, PEDRO ALEXANDRE SANCHES E LOBÃO



Por Alexandre Figueiredo

Existem as "vacas sagradas" da MPB. Correto. Existem também as do Rock Brasil. Tudo bem. Mas existem também as "vacas sagradas" da Música de Cabresto Brasileira, aquilo que você, caro leitor, entendia como "aqueles sucessos do povão", seja de que tendência ou região for.

Mas existem também as "vacas sagradas" da intelectualidade. E existe o esquema de compadrio, de troca de elogios, de troca de favores, de troca de privilégios.

Um dos críticos farozes da mediocridade cultural brasileira, que se apoia nesse clientelismo todo, é o músico João Luiz Woerdenbag Filho, conhecido como Lobão. Ex-baterista do Vímana, ex-baterista da Blitz, ex-líder de Lobão & Os Ronaldos, amigo-testemunha de Cazuza, Júlio Barroso e Cássia Eller, ex-editor da revista Outra Coisa, ex-apresentador da MTV.

Lobão - cuja diferença etária ao sisudo empresário Eduardo Menga é exatamente a mesma que o blogueiro Marcelo Delfino tem em relação a mim, de quatro anos - nasceu há 54 anos e divulga a biografia que ele escreveu sob o apoio de pesquisa do jornalista Cláudio Júlio Tognoli. O livro se chama 50 anos a Mil.

O polêmico roqueiro já havia superado a falha que cometeu na revista Outra Coisa, quando acolheu o funqueiro Mr. Catra (concorrente do MC Créu metido a "difícil"). O funqueiro logo deixou cair sua máscara quando, vendendo a falsa e inexistente imagem de "sem mídia", não era mais do que um queridinho das Organizações Globo.

Recentemente, as almas-gêmeas Caetano Veloso e Pedro Alexandre Sanches haviam feito comentários sobre a biografia de Lobão. Sanches havia entrevistado o roqueiro em mais de uma oportunidade. Uma delas, no programa Roda Viva, da TV Cultura.

Pois o colunista-paçoca havia também, em outra entrevista, perguntado se Lobão era de direita, e se não me engano Pedro ainda estava na Folha de São Paulo, e, portanto, não era o "esquerdista profissional" de hoje em dia. Lobão respondeu que não é de esquerda nem de direita e apenas disse nos tempos de escola que era "de direita" só para provocar os colegas envolvidos na chamada "esquerda festiva" (na qual, ironicamente, PAS tenta hoje se enquadrar).

Na sua coluna na Caros Amigos, Sanches havia feito uma longa resenha sobre a biografia de Lobão. Num misto de admiração e crítica, Sanches não esconde seu incômodo quando cita que o Lobão expressa sua aversão às "vacas sagradas da MPB". Mas é uma postura dúbia, já que Sanches também se incomoda com o status quo dessa mesma MPB, cuja sigla o jornalista expressa um claro desdém.

Afinal, sabemos, o colunista-paçoca segue a orientação corporativista da intelectualidade festiva, que se baseia na atitude clientelista de apoiar e defender a hegemonia da Música de Cabresto Brasileira.

Quanto a Caetano Veloso, que pelo seu estilo de escrever é "mentor" ideológico do estilo de Pedro A. Sanches, foi curto e grosso no comentário sobre a biografia de Lobão, naquela eventual irritabilidade do cantor baiano quando ele e seus aliados são criticados (no caso, foi a irmã dele, a cantora Maria Bethânia, pivô de um caso de financiamento milionário de verbas públicas para um simples blog de poesia).

Disse Caetano sobre Lobão, jogando farpas também contra Tognolli, que difundiu a expressão "máfia do dendê" que Paulo Francis há anos havia criado:

"Toda a grita veio com o corinho que repete o epíteto "máfia do dendê", expressão cunhada por um tal Tognolli, que escreveu o livro de Lobão, pois este é incapaz de redigir (não é todo cantor de rádio que escreve um Verdade Tropical (a história da tropicália escrita por Caetano)".

Lobão não se silenciou com o comentário de Caetano e, simplesmente, respondeu em seu Twitter que está tranquilo, afirmando ainda que foi ele quem escreveu o livro: "Mas isso já está ficando muito chato: quem escreveu o texto de 50 Anos a Mil fui eu, e o Tognolli fez a pesquisa da mídia e ponto".

Na entrevista ao Le Monde Diplomatique, em dezembro do ano passado, Lobão havia feito comentários contra o "sertanejo universitário", que ele definiu como um exemplo de acomodação cultural da música brasileira de hoje. Mas, em outras épocas, ele havia feito críticas a Ivete Sangalo, Alexandre Pires e outros ícones popularescos.

É o roqueiro Lobão se lançando contra os carneirinhos do entretenimento popularesco brasileiro e à burocracia clientelista da "MPB burguesa".

BBB11 TERMINA. E OS ABUSOS DA GLOBO CONTINUAM



COMENTÁRIO DESTE BLOG: O Big Brother Brasil termina hoje, fingindo que continua no auge, quando já começa a sentir o peso de seu desgaste. Numa época de crise da "cultura" brega-popularesca, o programa só cumpriu seu rotineiro cronograma de divulgação na grande imprensa, e certamente, com seu fim, seus integrantes mais badalados farão sua "carreira" anual entre boates, vaquejadas e micaretas.

Enquanto isso, o cavaleiro animado do Instituto Millenium, Pedro Bial, voltará para lá, reencontrando seus colegas e talvez incentivando Marcelo Madureira - de castigo para "reinventar" o Casseta & Planeta, que pela primeira vez não começa sua nova temporada no próximo mês, mas no segundo semestre do ano - a retrabalhar o humorístico.

BBB11 termina. E os abusos da Globo continuam.

Por Brizola Neto - Blog Tijolaço

Mais cedo postei o artigo (insuspeito, de um dirigente de bancomultinacional) falando do peso da educação no desenvolvimento chinês.

Agora, antes de almoçar, leio uma matéria que seria irônica, se não fosse trágica.

E, também, no insuspeitíssimo O Globo.

É que o blog do Big Brother, certamente por distração de seus mentores, publica a seguinte informação:

“Na quarta-feira, 30 de março, existirão 169 ex-integrantes do “Big Brother Brasil”. Um número que chama atenção ao ser posto, lado a lado, ao de profissionais com carteira assinada em algumas atividades regulamentadas pelo Ministério do Trabalho: hoje, no Brasil, existem 18 geoquímicos, 34 oceanógrafos, 77 médicos homeopatas e 147 arqueólogos, entre outros ofícios. No entanto, na mesma quarta, alguém estará R$ 1,5 milhão mais rico (ou menos pobre, dependendo do ponto de vista), e não será um desses trabalhadores.”

Pois é. Mas o que o “brother” vai ganhar é nada, perto do que a Globo fatura.Ano passado foram R$ 300 milhões; em 2011, estima-se, R$ 400 milhões. E fatura porque as grandes empresas pagam para patrocinar.

Não tenho notícia de uma grande empresa patrocinando uma Universidade. Não tenho notícia de uma multinacional investindo na formação de oceanógrafos, ou de arqueólogos, ou de homeopatas, ou geoquímicos.

Nem vejo os nossos gloriosos colunistas dizendo que as empresas devem ter uma função social, como prevê, desde 1946, a nossa Constituição.

Nada contra as moças e rapazes que estão ali tentando um lugar ao sol que, em nosso país, durante décadas, nos acostumamos a não merecer pelo estudo, pelo trabalho, pela austeridade. “Faz parte”, como dizia o bordão de um ex-”brother”.

Mas tudo contra o império do interesse comercial moldando, a seu bel-prazer, um comportamento social marcado pela competição a qualquer preço, pelo exibicionismo, pelo vazio, para embolsar milhões.

Sempre é bom repetir o que diz o artigo 221 de nossa Constituição:

A produção e a programação das emissoras de rádio e televisão atenderão aos seguintes princípios:

I – preferência a finalidades educativas, artísticas, culturais e informativas;

II – promoção da cultura nacional e regional e estímulo à produção independente que objetive sua divulgação;

III – regionalização da produção cultural, artística e jornalística, conforme percentuais estabelecidos em lei;

IV – respeito aos valores éticos e sociais da pessoa e da família.

É por isso que quando a Globo fala em princípios, em educação, em trabalho honesto, em respeito ao ser humano, o cheiro da hipocrisia se espalha no ar.

segunda-feira, 28 de março de 2011

OBRAS NO BRASIL PARA COPA DE 2014 ESTÃO ATRASADAS



Por Alexandre Figueiredo

Pelo jeito, o Brasil anda brincando com determinadas coisas. Acha que copa de 2014 e Olimpíadas de 2016 são uma moleza.

Pois o presidente da Fifa, Joseph Blatter, reclamou que as obras do Brasil para a realização da copa do mundo de futebol em 2014 estão muito atrasadas. Segundo Blatter, nesse mesmo espaço de tempo, a três anos antes de sediar uma copa, a África do Sul estava bastante adiantada nas obras para 2010.

São Paulo e Natal estão entre as capitais com maior dificuldade de conclusão para as obras. Mas mesmo cidades como o Rio de Janeiro e Salvador ainda não estão em ritmo adequado para se prepararem para o evento.

Outro problema pendente é quanto aos aeroportos. Até agora, não houve uma política de reformulação, modernização e ampliação dos aeroportos, nem da preparação para a recepção de turistas estrangeiros. Para piorar, o Aeroporto Luiz Eduardo Magalhães, em Salvador, teve seu teto desabado e seu chão alagado durante um temporal que atingiu a capital baiana.

Blatter ameaçou transferir a sede da copa de 2014 para a Inglaterra, se as obras no Brasil não forem cumpridas com rapidez.

A BOMBA QUE EXPLODE NOS BASTIDORES DO FORRÓ-BREGA


TIMÓTEO PINTO, O "TIMPIN".

Por Alexandre Figueiredo

No jornal O Globo, na edição de 27/03 da Revista do Globo, a reportagem de capa fala de uma séria polêmica envolvendo o blogueiro Timóteo Pinto, do Cabaré do Timpin (apelido do blogueiro), e empresários do chamado "forró eletrônico", envolvidos em um escândalo envolvendo plágios, roubo de músicas e exploração de cantores e dançarinos.

Devido ao escândalo, Timpin tornou-se conhecido como "o Julian Assange do agreste", pela divulgação dos bastidores do forró-brega, isso apesar dele ser curitibano.

O cabaré nem é tão ousado assim e Timpin ainda é tolerante com o brega-popularesco mais "profissional", publicando inclusive um texto de Vítor Chaves, da dupla Vítor & Léo, um dos símbolos do "sertanejo universitário", apadrinhado pelos barões do agronegócio e pelas novas gerações filiadas à UDR.

Mas, no âmbito do forró-brega, Timpin já causa um abalo suficiente na hegemonia do brega-popularesco, se levarmos em conta que o "som nordestino" é monopolizado por uma minoria de empresas, ligadas a rádios, à indústria do entretenimento e apoiada por latifundiários e políticos da região.

Entre essas empresas, estão a Luan Promoções e a A3 Entretenimentos, que controlam o mercado musical dominante no Norte e no Nordeste brasileiros. Há também a Rede Somzoom Sat, que inclui até rede de rádios, que como as outras participa de um poderoso esquema de eventos, apresentações ao vivo, jabaculê, contratos para rádio e TV aberta, etc.

Consta-se que essas empresas são responsáveis pela divulgação dos sucessos do forró-brega no YouTube, o que contradiz qualquer tese de "mídias pequenas" tão associada ao estilo. Até para detentores do poder é bem fácil criar uma conta numa rede social da Internet.

ESCÂNDALO PODE ABALAR ENTRETENIMENTO NO NORTE E NORDESTE

Uma das denúncias divulgadas por Timóteo Pinto é que uma música do DJ Reginho, seu próprio sucesso "Minha mulher não deixa, não", primeiro ia ser gravada pelo grupo Garota Safada, que ofereceu R$ 25 mil pela exclusividade de gravação da música. Mas, logo depois, veio o grupo Aviões do Forró (um dos mais badalados do gênero e já com uma legião de fanáticos) oferecendo o dobro do valor do outro grupo para interpretar exclusivamente o sucesso.

Outra denúncia, que está sob o conhecimento do ECAD, é que o refrão de "Minha mulher não deixa, não" é idêntico a uma canção de um grupo de evangelização infantil de Recife, Turma do Zé Alegria, lançada há cinco anos.

O forró-brega é famoso também pela apropriação constante de músicas estrangeiras, que quase sempre ganham uma versão em português e um arranjo mais tosco. De Bee Gees a Nirvana, até mesmo a música "The Unforgettable Fire", que nem foi um dos maiores sucessos do grupo inglês U1, ganhou uma versão tosca do grupo Calcinha Preta.

OPORTUNISMO - Em tempos de mediocridade cultural hegemônica na mídia, já surge um movimento oportunista em que o ruim tenta ser "melhor" do que o pior. Um esperto empresário da Forrozão Promoções (que estabelece parcerias como o Somzoom Sat) tenta promover o "movimento" Forrozão das Antigas, na tentativa de reabilitar grupos veteranos de forró-brega, como Mastruz Com Leite, Limão Com Mel e Magníficos.

A desculpa é que esses grupos mais antigos, com cerca de 21 anos de existência, trabalham com repertório original. Isso não significa necessariamente que eles sejam bons ou mais autênticos. No entanto, é aquela aposta no ditado popular que diz: "Em terra de cego, quem tem um olho é rei".

Aliás, ainda se vai discutir a respeito do brega-popularesco do cenário de 1989-1997, os neo-bregas que acompanharam e retrabalharam o receituário de seus antecessores, que agora vende a imagem de "música de qualidade". Fica para um outro texto.

ESCÂNDALOS SIMILARES PODEM ENVOLVER OUTRAS TENDÊNCIAS

O que Timpin mostra, no entanto, pode envolver também outros estilos, como a axé-music - concorrente direta do forró-brega no Nordeste, mas concentrado na Bahia e em Sergipe - , o porno-pagode ("pagodão" baiano), o arrocha, o tecnobrega e o breganejo. Ainda que a profusão de duplas de "sertanejo universitário", por exemplo, seja dotada de um nível de astúcia bem maior do que a das armações do forró-brega.

Mas também os escândalos podem envolver o "funk carioca", também famoso pelo poderio férreo de seus empresários (em sua maioria DJs que comandam equipes de som). Inclusive com denúncias muito piores.

Afinal, se até funqueiros obscuros que nem metade do público do gênero no Rio de Janeiro conhece, pode fazer turnê européia (claro, não são nas melhores casas, o povo de lá não é trouxa), alguma coisa está errada. Também a profusão de "popozudas" associada ao gênero indica, em si, que há muita coisa errada nos seus bastidores. Está talvez na hora de haver uma espécie de "Wikileaks do Pancadão".

A "PANELINHA" NEM ESTÁ AÍ

Diante do escândalo do forró-brega, o antropólogo Hermano Vianna, integrante da "panelinha" de intelectuais que defende o brega-popularesco (que também inclui, sabemos, Ronaldo Lemos, Pedro Alexandre Sanches, Denise Garcia, Rodrigo Faour, Paulo César Araújo, Milton Moura e outros), afirmou que não "ainda não analisou" as picuinhas relacionadas ao episódio.

Pior, como mero propagandista da Música de Cabresto Brasileira, Hermano se limitou a classificar o forró-brega como uma "sensacional combinação da sanfona com a metaleira tropical". Um rótulo que, convenhamos, soa muito vago, assim como o "neo-forró" citado por Pedro Alexandre Sanches.

EM RELAÇÃO A TIMPIN E A REVISTA DO GLOBO

Nem a reportagem nem o blogueiro citado, no caso a Revista do Globo e Timóteo Pinto, devam ser superestimados. É um avanço que a mídia conservadora divulgue escândalos desse tipo, talvez numa lacuna causada pela mídia esquerdista que não pode silenciar-se ao assunto sob a velha e já inconvincente ladainha de que o forró-brega é "vítima de preconceito".

Mas esse avanço se deve porque o forró-brega foi longe demais na desqualificação cultural e artística, e até mesmo na badalação do brega-popularesco na grande mídia existe limites. Até porque deixam vasar casos de exploração de cantores e dançarinos, de roubo de músicas, de descumprimento dos direitos autorais.

No entanto, nem Timpin nem O Globo querem a ruptura com o brega-popularesco. Eles ainda defendem um mercado forte, que mesmo nos seus intérpretes mais "profissionais" (a geração de 1990-1997 que dominou as rádios nas épocas de Collor e FHC) envolve interesses mercantis em detrimento dos verdadeiramente artísticos e culturais, por mais que seus "artistas" pareçam musicalmente mais "lapidados" e tenham algum domínio na exploração da imagem e no uso de tecnologia.

O avanço se dá porque até mesmo divulgar os escândalos do forró-brega - cuja hegemonia já causa revolta entre os nordestinos e seu domínio sufoca não só a MPB, mas outras tendências do brega-popularesco - soa uma novidade, porque até as piores coisas do brega-popularesco, a pretexto de uma aparente aceitação da "cultura da periferia", eram toleradas.

Mas, independente de um jornal que defenda o brega-popularesco ou de um blogueiro que, em que pese os ataques ao forró-brega, ainda apoia o tecnobrega e o breganejo, as denúncias contra os bastidores do forró-brega são apenas o início de todo um desgaste da Música de Cabresto Brasileira. Um desgaste que nem os "artistas" mais dotados de profissionalismo conseguirão resolver.

Sobretudo, se levarmos em conta que vivemos num tempo em que o episódio do blog milionário de Maria Bethânia abriu a caixa de Pandora da música brasileira como um todo, revelando mordomias financeiras tanto para o filho de Ricardo Noblat quanto para ídolos popularescos como Tchakabum e a dupla "universitária" Fernando & Sorocaba.

Muita coisa ainda vai ser revelada por trás da indústria cultural brasileira. É bom prepararmos para o efeito dominó e pela queda de totens e "vacas sagradas".

UMBERTO ECO ESCREVE SOBRE VISÃO DISTORCIDA DA CULTURA POPULAR



Por Alexandre Figueiredo

Dando continuidade ao embasamento bibliográfico para contestar a hegemonia do brega-popularesco, citamos aqui um trecho do famoso livro Apocalípticos e Integrados, que Umberto Eco havia lançado em 1969.

Eco é conhecido popularmente pelos romances O Nome da Rosa e Baudolino, sucessos de vendas. Mas o escritor italiano, na verdade, é mais produtivo como teórico da Comunicação, sendo um dos mais importantes do mundo.

Crítico da globalização e, sobretudo, da indústria cultural, Eco oferece ótimos subsídios para entendermos a chamada "cultura de massa", um tema ainda visto como tabu, já que a intelectualidade "consagrada" e "incontestável" ainda vê a indústria cultural como um inocente processo de veiculação da cultura "das periferias".

E, para piorar, esse deslumbramento todo é ainda servido para a demanda de esquerda, a partir dos textos do "esquerdista profissional" Pedro Alexandre Sanches, que, fora do expediente, muito provavelmente vai se reunir com seus amiguinhos da Folha de São Paulo, de onde ele nunca deveria ter saído.

Na página 18 de Apocalípticos e Integrados, Eco confronta um comentário de Karl Marx ao historiador alemão Bruno Bauer, sobre a questão do papel das multidões ("massas") na História, com a visão que a indústria cultural faz das mesmas.

Eis o comentário de Marx:

(...) as massas, tão logo adquiram consciência de classe, poderão tomar a direção da história e colocar-se como única e real alternativa ao vosso "Espírito".

Em seguida, a ideia da indústria cultural sobre as "massas":

(...) a massa, superadas as diferenças de classe, é, agora, a protagonista da história, e portanto, sua cultura, a cultura produzida para ela, e por ela consumida, é um fato positivo.

Em relação a esta ideia da indústria cultural, Eco faz o seguinte raciocínio: "E é nesses termos que a função dos apocalípticos tem uma validade própria, isto é, ao denunciar que a ideologia otimista dos integrados é profundamente falsa e de má fé".

Nota-se que "integrados", segundo o autor, são aqueles que se deslumbram com a indústria cultural, e os "apocalípticos", são aqueles extremamente céticos.

Por isso mesmo, o raciocínio de Eco desarma completamente qualquer tentativa dos "integrados" ao brega-popularesco (seja um Pedro Alexandre Sanches, uma Patrícia Pillar, um Marcelo Freixo, um Ronaldo Lemos, ou então uma Regina Casé, Eugênio Raggi, Paulo César Araújo etc) de fazer seu pensamento se integrar ao contexto esquerdista.

Essa integração à esquerda é muito falsa, porque entra em completa contradição com os movimentos sociais. O Brasil de Pedro Alexandre Sanches, definitivamente, não é o de Venício A. de Lima nem de Emir Sader. A "cultura produzida para as massas", portanto, não deve ser confundida com a "cultura produzida pelas massas", já que uma mera preposição pode mudar completamente o sentido.

Mas num país em que a maioria das pessoas abomina a verdadeira intelectualidade - só aceita aquela que defende os valores da grande mídia - e tem medo que ocorram movimentos sociais de verdade no Brasil, além de abominar a leitura dos livros (a não ser os best sellers, mesmo que sejam os do listão da revista Veja), tanto faz "cultura para as massas" quanto "cultura pelas massas".

Com estupidez e demagogia, essa plateia deslumbrada não quer saber de discernimento. Umberto Eco, para esse pessoal, não passa de mais um pensador desprezível.

A verdade dói.

domingo, 27 de março de 2011

DADO, QUE PAÍS É ESTE?



Por Alexandre Figueiredo

Hoje, dia em que o vocalista da Legião Urbana completaria 51 anos, é de lamentar que o remanescente da banda, Dado Villa-Lobos, com toda sua trajetória em prol do rock nacional, tenha sido cooptado pelo clientelismo brega-popularesco, ao aderir ao esquema do músico da Banda Calypso, Chimbinha.

A Banda Calypso, um dos símbolos do Pará fantasioso, quase uma Disneylândia amazônica, é também um dos maiores exemplos do que a esperteza e o oportunismo podem fazer na Música de Cabresto Brasileira.

Liderados por Joelma e Chimbinha, o grupo é um dos mais marqueteiros do país. Seu primeiro golpe foi vender discos baratos gravados por um selo local (pequeno, mas NÃO-INDEPENDENTE, porque segue o mesmo método mercantilista das grandes gravadoras), seduzindo a curiosidade dos incautos e virando "fenômeno" na grande mídia.

Segundo, o grupo usou um obscuro "militante" dito "de esquerda" para divulgar o boato de que seus projetos assistencialistas foram "indicados" para o Prêmio Nobel da Paz. A boataria, lançada há quase meia-década, não se concretizou, mas foi o suficiente para promover o grupo e sua dupla central.

Terceiro, a Banda Calypso apadrinhou o tecnobrega, embuste lançado em Belém, e que às custas de dois escritores - um deles, um tecnocrata da Fundação Getúlio Vargas, e outra, integrante do Centro Cultural Banco do Brasil - do Rio de Janeiro, lançaram imediatamente um livro "histórico" sobre o estilo. O uso de escritores cariocas foi crucial para que estes repitam, para o tecnobrega, o mesmo discurso "socializante" que promoveu o "funk carioca", numa esperta jogada de marketing.

Agora, Chimbinha tenta cooptar o apoio do Rock Brasil, tentando forjar uma "sabedoria" musical. Como os ídolos tecnobregas, há a bajulação ao carimbó, ritmo muito falado e pouco seguido pelos popularescos paraenses.

Pior: Chimbinha chegou ao ponto de dizer que é influenciado pelos Ventures, que provavelmente ele só começou a ouvir poucos meses atrás. Até porque o grupo de "Walk Don't Run" é pouco conhecido no Brasil, só fez sucesso nas rádios brasileiras nos anos 60, mas depois caiu no esquecimento.

Na verdade, se Chimbinha é influenciado por alguma coisa, não é pelo instrumental guitar que ele não conhece sequer a metade. A influência da Banda Calypso, na melhor das hipóteses, se limita, tão somente, a Wanderléia (na voz de Joelma), Renato & Seus Blue Caps, Fevers, Incríveis e Dom & Ravel. Dizer que Chimbinha é influenciado por Ventures é o mesmo que dizer que Tiririca é discípulo de Paulo Freire. Ora, tenham paciência!!

A cooptação de ídolos da Música de Cabresto Brasileira à MPB, ao Rock Brasil e à intelectualidade e crítica especializadas não foi mais do que um golpe publicitário. A cada dia, com os episódios envolvendo ECAD, Lei Rouanet e o simples desejo de visibilidade dos músicos de Rock Brasil e MPB que não conseguem atingir o grande público (apesar de muitos deles serem, de fato, muitíssimo talentosos), mostra o quanto esse esquema clientelista anda fazendo a fortuna de muita gente.

Pena que Dado Villa-Lobos, por intermédio dos amigos do Paralamas do Sucesso - um grande grupo do Rock Brasil, mas cujo irmão do vocalista-guitarrista Herbert Vianna, o antropólogo Hermano Vianna, é um dos maiores símbolos desse esquema clientelista - , tenha também se vendido para o establishment brega-popularesco.

É um recurso fácil para buscar visibilidade, virar notícia ao menos nas páginas de O Dia, Extra ou São Paulo Agora, para depois entrar nos grandes festivais de música como atração principal. A Música de Cabresto Brasileira é o império da mediocridade cultural brasileira, mas também é dotada de um poderoso esquema comercial e publicitário.

Dá para perceber o quanto Dado Villa-Lobos não consegue dar ao seu bem intencionado projeto Dado & O Reino Animal - na verdade uma banda que ele teve até antes da Legião Urbana - a mesma visibilidade e sucesso que o músico teve na famosa banda de Renato Russo.

Já vimos certas barbaridades envolvendo o Rock Brasil ou a MPB com o brega-popularesco. No caso do Rock Brasil, é sintomático ver Clemente, dos Inocentes, que um dia desafiou até Gilberto Gil, se render ao tecnobrega.

Também vemos o caso de Andreas Kisser, do Sepultura, tocar com Chitãozinho & Xororó. Ou os demais integrantes do Camisa de Vênus contratarem um ex-assessor de Ivete Sangalo para o lugar de Marcelo Nova. Ou os músicos de Rock Brasil se renderem à malandragem da Banda Calypso.

Em suma, todo mundo querendo ser um pouco o Capital Inicial, e tocar em mega-festivais, se preciso for até em micaretas ou vaquejadas, ou aparecer nos mesmos mega-especiais da Rede Globo junto com Vítor & Léo, Ivete Sangalo, Zezé Di Camargo & Luciano e Latino.

Por isso a MPB e o Rock Brasil tentam aderir ao compadrio - sem medir escrúpulos de desfilar ao lado dos ídolos brega-popularescos como se fossem suas "mascotes" - , sem perceber que isso cobrará um preço caro para eles.

Porque hoje isso pode gerar uma visibilidade imediata e um sucesso de mídia estrondoso. Mas, a médio prazo, poderá transformar os adesistas da MPB e do Rock Brasil ao brega-popularesco numa panelinha de "dinossauros frustrados", e eles, embora de talento indiscutível, podem desgastar sua imagem a exemplo do que aconteceu com Caetano Veloso, com todo o talento e história que o cantor do movimento tropicalista acumulou há décadas.

sábado, 26 de março de 2011

A "VERDADE" COMO MERCADORIA




Por Alexandre Figueiredo

Ainda impera a visão de que a cultura popularesca é a "verdadeira cultura popular". Embora seus defensores falem tanto em "ruptura de preconceitos", são eles mesmos os preconceituosos, porque se baseiam numa visão de povo pobre ao mesmo tempo pitoresca e domesticada, piegas e grotesca, como se o povo fosse "melhor" sendo sempre o pior.

Isso favorece o pretenso carisma que a imprensa jagunça possui, com associações até mesmo contraditórias. Uns a classificam como "imprensa de humor", extra-oficialmente. Outros a classificam como a "imprensa-verdade". Como se o "mundo cão" fosse, em si, a "realidade pura", da mesma forma que se atribui à hegemonia do popularesco à visão elitista da pobreza, associada a um pretenso estado de "pureza social".

Mas o que vemos é que a "verdade" é tratada como mercadoria. Isso em toda a imprensa jagunça, inclusive o Notícias Populares, que ninguém deve esquecer que foi um veículo do Grupo Folha. E isso vale tanto para o Jornal da Bahia que Mário Kertèsz desenvolveu em 1990 quanto o Meia Hora do Grupo Ejesa, de O Dia.

Estudiosos sérios de jornalismo definem esse tipo de imprensa sensacionalista, que se baseia no tripé "sexo, crimes e aberrações", além da obsessão por banalidades da TV (no momento temos, por exemplo, o Big Brother Brasil) e futebol, além da trilha sonora brega-popularesca, é claro (só para se ter uma ideia, o Exaltasamba é um dos mais "sofisticados" nomes musicais divulgados por essa imprensa. Fábio Jr., então, é quase o "Tom Jobim" dessa mídia tosqueira).

Essa mídia pitoresca cresceu muito durante a ditadura militar. Não vamos nos esquecer que, com o golpe de 1964, a sociedade trocou Silveira Sampaio por Jacinto Figueira Jr., as pegadinhas de Dom Rossé Cavaca por outras mais grotescas e humilhantes, e lá se vai o tempo em que o noticiário esportivo tinha Nelson Rodrigues, Ary Barroso e Antônio Maria.

O povo era humilhado duas vezes. Pelo poder político autoritário, seja do latifúndio, seja do capitalismo antes militarizado, depois apenas tecnocrático, e pela mídia que domesticou o povo, transformando-o numa caricatura pior do que a inocente caricatura das chanchadas.

E isso criou um paradigma de povo que tanto a direita dente-de-leite quanto a intelectualidade etnocêntrica "romantiza" como se fosse o "povo de verdade, em estado puro". Até chamaram este que lhes escreve de "playboyzinho de favela", um adjetivo pejorativo, que, no entanto, tem um sentido muito melhor do que ser "etnólogo de escritório" ou "filantropo de casarão".

Mas aqui não cabe eu detalhar as minhas andanças pelas comunidades pobres, coisas que a direita dente-de-leite tão "vangloriosa" em dizer que "gosta de pobre", que só vê a periferia pela tela da televisão, nunca faz.

A "verdade" mercadológica da imprensa jagunça - definida pelo eufemismo de "imprensa popular", embora ela nada atue em benefício das classes populares - soa tão falsa quanto vender a "opinião" como mercadoria (algo que falaremos noutra oportunidade). É o tendenciosismo que impera nessa mídia "popular", de forma até tão cruel que a imprensa conservadora propriamente dita.

Afinal, é um grande engano acreditarmos que um Diogo Mainardi da vida manipule diretamente as classes pobres. Ele nem sequer é conhecido por elas. Quem manipula a opinião pública do povo pobre é a "inocente imprensa popular" que a classe média tão alegremente admira e defende. Como a tal "cultura trash" foi tão levianamente adaptada e ganhou adeptos no Brasil...

Assim como uma Valesca Popozuda dissolve mais os protestos de operários e camponeses do que mil capatazes armados juntos, e que uma Solange Gomes vestida de "freira sexy", por incrível que pareça, age de acordo com as manobras da Opus Dei, a imprensa jagunça manipula o povo sem atacá-lo, sem afrontá-lo.

Por isso poucos percebem o que foi o Notícias Populares, o Aqui Agora, o Cidade Alerta, ou o Povo na TV, com Roberto Jefferson, Wagner Montes e Sérgio Mallandro de mãos dadas com o charlatão Roberto Lengruber.

Quando o entretenimento, aparentemente, não ofende o povo pobre, por mais que o ridicularize na distorção de seus valores, no uso do grotesco para evitar qualquer iniciativa de movimentos populares, a classe média "sem preconceitos" (mas tão ou mais preconceituosa que muita dondoca do Tea Party) não define a "imprensa popular" como mídia golpista. Mas é.

E o rótulo de "imprensa jagunça" se deve pelo fato de um Notícias Populares ou Aqui Agora, de um Meia Hora ou Brasil Urgente, de um Supernotícias ou de um Balanço Geral, complementarem o que Veja, Globo, Estadão e Folha fazem.

Estes veículos da mídia conservadora, no conjunto da obra, defendem interesses do público de classe média, condenam os movimentos sociais sob o ponto de vista alarmista das classes dominantes.

Já a "imprensa popular", em complemento a isso, faz das classes populares gato e sapato, manipulando seus gostos, desejos, preferências, fazendo o serviço da mídia golpista em transformar o povo em paródia de si mesmo, para assim tentar reprimir de forma bem mais eficaz os movimentos populares.

Por isso a tal "imprensa popular" não pode ser considerada cult. Pelo contrário, ela está para a mídia golpista assim como o jagunço está para o latifundiário. Esse tipo de imprensa, através do sensacionalismo, tenta transformar o povo numa massa conformada com sua miséria, tornando-se viciada na sua pobreza e nos valores grotescos.

O QUE FAZ ALGUÉM SER PSEUDO-ESQUERDISTA?



Por Alexandre Figueiredo

O que faz alguém ser pseudo-esquerdista?

Nos últimos dez anos, o pseudo-esquerdista tornou-se um dos mais frequentes fenômenos na sociedade brasileira, e anda mais atrapalhando do que ajudando na evolução de nosso país.

Pseudo-esquerdista é aquela pessoa, alinhada com qualquer valor conservador ainda vigente, seja no ramo da política, da economia ou da cultura, que no entanto adota uma posição aparentemente esquerdista.

Como o poder político de hoje é predominado por forças políticas de centro-esquerda, vários setores conservadores de nossa sociedade correram para o lado progressista, como urubus voando sobre carniça na praia.

De repente, vemos pessoas com alguma posição reacionária que, de repente, adotam posturas "esquerdistas", bajulando Che Guevara, fazendo falsos ataques a ícones da direita, e por aí vai. Uns até são tão reacionários que talvez a postura "esquerdista" seja uma forma de fazer eles ficarem menos visados.

Muitos motivos fazem com que a "nação conservadora" migre para o apoio à centro-esquerda. Certamente, não se trata de uma opção incondicional. Sempre existe alguma conveniência, se lembrarmos de três "tradições" da sociedade brasileira:

1) O BRASIL GERALMENTE REALIZA "RUPTURAS" COM A AUTORIZAÇÃO DO PODER VIGENTE - Em outras palavras, quase nenhuma mudança ocorrida no país ocorre através do rompimento total da estrutura do poder vigente, mas com o apoio de parte de seus detentores, ainda que estes sejam dissidentes.

2) FALSA MODÉSTIA É UM VÍCIO DO POVO BRASILEIRO - A mania de muitos brasileiros de obter falsa modéstia ou vestir a máscara dos tipos sociais excluídos para impressionar as pessoas. Aí todo mundo é "nerd", todo mundo "foi vítima de bullying", todo mundo "é proletário", todo mundo é "tímido", todo mundo é "pobretão", todo mundo é "socialista", todo mundo é "excluído social", todos "são discriminados e sofrem preconceito".

3) MEMÓRIA CURTA DOS BRASILEIROS - A tradicional tendência para o esquecimento faz com que muitos conservadores de outrora, não raro reacionários e até canalhas, passem a adotar posturas falsamente progressistas que são toleradas e até respaldadas por quem deveria repudiar gente desse tipo.

Através desses três aspectos, o pseudo-esquerdista surge para minimizar os efeitos das mudanças sociais, se passar por "injustiçado social" e verificar que as pessoas esqueceram seu passado reacionário, que não obstante ainda não foi superado.

O pseudo-esquerdista pode ser apenas um "simpatizante", como vemos em pessoas como Mário Kertèsz, Gilberto Kassab, Eduardo Paes e Ivete Sangalo, ou um "integrado", como Pedro Alexandre Sanches, Eugênio Arantes Raggi, Paulo Skaf e Gabriel Chalita.

Os "simpatizantes" se tornam pseudo-esquerdistas por associação, ainda que não sejam exatamente figuras declaradas de "esquerda". Mas os "integrados", apesar de terem um background direitista, passam a ser oficialmente tidos como "integrantes de esquerda".

As manobras que fazem os pseudo-esquerdistas se projetarem é geralmente um paternalismo de apelo bem populista, um espírito de aparente generosidade com o povo, ainda que essa generosidade seja muito, muito falsa, ou então superficial.

Há também uma postura de falso desdém em relação aos símbolos e valores da direita, como se o pseudo-esquerdista nada tivesse a ver com eles. Por exemplo, a Rádio Metrópole, de Mário Kertèsz, veiculando críticas à "grande mídia", Eugênio Raggi "falando mal" do Cabo Anselmo (no fundo, seu "mentor" ideológico), da turma da Veja e do resto do PiG, ou Pedro Alexandre Sanches "atacando" a Folha de São Paulo que tanto o acolheu como um filho.

Aliás, a Rede Globo, como é muito visada, torna-se alvo comum dos ataques de vários pseudo-esquerdistas. É mais fácil apedrejar um leão ferido. Mas os comentários, além de nada serem criativos, presos a clichês ou comentários forçados, são passíveis de certos exageros.

Exemplos desses exageros são dizer coisas tipo "tudo que a Globo produz é um lixo" ou "a Fátima Bernardes é uma bruxa velha e feia". Em muitos casos, o exagero mascara uma certa hipocrisia, como o fato de vários desses pseudo-esquerdistas verem felizes o Domingão do Faustão e o Globo Esporte.

Em outros casos, há também ataques forçados à Veja (outro leão ferido), mas ainda são raros os ataques à Folha de São Paulo, até porque, durante muito tempo, esta publicação foi o jornal predileto dos pseudo-esquerdistas, que a viam então como um totem sagrado e inquestionável.

Observa-se também que o esquerdismo forçado também não é muito corajoso. O aparente apoio se limita a algumas figuras badaladas do PT ou do PSOL, à leitura apressada de Caros Amigos e Carta Capital, à óbvia bajulação a Che Guevara, a ataques forçados e falsos ao imperialismo e ao FMI, e à consulta de blogues progressistas mais flexíveis, como Conversa Afiada, Brasilianas.org e Viomundo. Ler o Blog do Miro? Nem pensar. Angry Brazilian? Nem sonhando!

As conveniências fazem pessoas agirem assim. Às vezes, ocorrem desavenças pessoais - porém não ideológicas - que fazem certos direitistas "abandonarem o barco". Em outras, há o desejo simples de sobrevivência pessoal - em outras palavras, o desejo de não perder privilégios - ou de obtenção de novas vantagens pessoais.

Muitas vezes a postura "esquerdista" não é integral. Num dado momento, sempre aparece algum reacionarismo. Como é o caso de Marcos Medrado, político do antigo PDS baiano que hoje está filiado ao PDT. No entanto, ele nada tem a ver com as lutas populares que marcaram o partido brizolista - parece que Brizola "inexiste" no PDT baiano - e ainda defende os interesses dos latifundiários do país.

Dessa forma, temos que nos preparar. Romper a memória curta e verificar os direitistas que hoje se escondem na esquerda. E nos prevenir para que a memória curta não venha fazer com que no futuro Kátia Abreu, Gilberto Kassab, Álvaro Dias e outros sejam encarados naturalmente como "esquerdistas".

Tem certas paçocas que causam dor de barriga. E de consciência também.

sexta-feira, 25 de março de 2011

FOLHA COMETE IRREGULARIDADE TRABALHISTA



Por Alexandre Figueiredo

Izabela Vasconcelos divulgou uma reportagem denunciando que a Folha de São Paulo registrou dois de seus jornalistas como se fossem "assessores administrativos". Ovice-presidente do Comitê de Imprensa do Senado, o jornalista Fábio Marçal, também membro do Conselho de Ética do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal, confirmou a denúncia.

A atitude da Folha de São Paulo é muito comum em veículos da grande imprensa, mas isso torna-se estarrecedor para uma mídia que tanto se vangloria em pregar e defender a "transparência".

Segundo Lincoln Macário Maia, que achou a manobra feita na contratação um absurdo, comentou que "veículos como a Folha são muito apressados em denunciar irregularidades, mas não prestam atenção no que acontece debaixo do seu nariz".

Como podemos esperar, ninguém da Folha de São Paulo quis pronunciar sobre o assunto, quando o jornal foi solicitado a explicar o ocorrido para o sítio Comunique-se.

No entanto, podemos ver o quanto o fim da exigência do diploma de jornalismo, que muitos ingênuos acreditam ser o caminho livre para a cidadania plena, na verdade contribui para a desqualificação da profissão de jornalista, além de permitir manobras como essa, para "economizar custos".

Por isso mesmo essa fraude cometida pela Folha de São Paulo mostra mais uma vez o quanto este "moderno" veículo está decadente, ranzinza, patético e, acima de tudo, corrupto e tendencioso.

Lamentável.

A MEDIOCRIDADE CULTURAL E SEUS PALIATIVOS


NÃO É À TOA QUE ANA MARIA BRAGA É APELIDADA DE "ANA MARIA BREGA".

Por Alexandre Figueiredo

Domingo, dia 20 de março: um disc-jóquei foi chamado para animar uma festa de aniversário perto de casa e, no repertório, rolou tudo que havia de "dançante" e "animado" da Música de Cabresto Brasileira: axé-music, "pagodão" baiano, forró-brega, "sertanejo universitário", "funk carioca".

Segunda, 21 de março: uma rede de lojas de departamentos controlada pelo estadunidense Wal-Mart despejou, numa de suas filiais, o CD do cantor sambrega Alexandre Pires, cuja música está sob medida para os interesses do Departamento de Estado dos EUA em relação à cultura brasileira.

Terça-feira, 22 de março: o programa de Ana Maria Braga - uma das damas do movimento de extrema-direita "Cansei" - mostrou o caso de um menino que sonhava ver os ídolos breganejos Zezé Di Camargo & Luciano, que, como Alexandre Pires, são "a prata da casa" (leia-se Rede Globo de Televisão). Um espetáculo publicitário incluindo o mais puro sentimentalismo que sempre promove os ídolos breganejos, para compensar a falta de humanismo de suas canções apátridas e pseudo-sofisticadas.

A mediocridade cultural do brega-popularesco passa por avançado desgaste, sabe-se muito bem. E voltaram as críticas negativas que há muito tempo foram silenciadas pelo "marketing da exclusão" que beneficiava os ídolos popularescos (tidos como "vítimas de preconceitos"). Além disso, seus espaços, como as rádios FM "populares" e o Domingão do Faustão, já começam a perder audiência e preocupar os anunciantes.

Por isso, nota-se a retomada da mesma campanha de 2002, quando os barões do entretenimento "compram" não só a intelectualidade adesista, como mais músicos para tentar a última salvação do mainstream cafona que ainda domina as rádios FM e a televisão aberta.

Ídolos "turbinados" com "novos referenciais", agora citando até mesmo o hoje esquecido The Ventures, grupo de instrumental guitar dos anos 60. Enfatiza-se o "respeito" pela classe mais "exigente", enquanto seus ideólogos tentam exibir "sincera sabedoria" alternando textos que exaltem o tecnobrega, o breganejo e o "funk" e, noutro, falem de relíquias da MPB autêntica do passado.

Dessa maneira, vemos Caetano Veloso elogiando, num dia, Luan Santana, e, em outro, escrevendo sobre Rosa Passos. Ou Pedro Alexandre Sanches, num dia, lamentando o não reconhecimento artístico do Calcinha Preta e do Parangolé e, noutro, escrevendo sobre Dona Ivone Lara, Zezé Motta ou Cida Moreira.

Mal comparando, é como se um cronista político dos EUA enchesse a bola de Richard Nixon e George W. Bush num dia e, em outro, escrevesse sobre George Washington e Thomas Jefferson.

A TÁTICA DA GOROROBA

Agora a onda é misturar alhos com bugalhos. Já que não se pode esconder do grande público a MPB autêntica, tenta-se mostrá-la de forma paliativa, desde que tentando alguma associação com a mesmice brega-popularesca dos anos 90, que continua persistindo no mercado.

Aí, joga Alexandre Pires para gravar tributo de Wilson Simonal, algo como chamar Ali Kamel para fazer uma palestra sobre Wladimir Herzog. A onda agora é tentar cooptar a nata da MPB autêntica para apoiar os popularescos, e, se possível, forjar uma falsa imagem cult de nomes como Odair José, Gaby Amarantos e Chimbinha.

Junto a isso, há o adestramento dos medalhões do brega-popularesco, sempre dando um aparato de "sofisticação" que os torne "digestíveis" para as plateias "exigentes". Mesmo que essa "sofisticação" faça os ídolos brega-popularescos parecerem, no máximo, com a "MPB burguesa" que tanto é mal-falada pela crítica especializada.

Mas é sempre manipulando o discurso: o que um nome do movimento Cacique de Ramos ou do Clube da Esquina, por exemplo, gravar de mediano, recebe críticas negativas. Mas se o grupo de sambrega grava o mesmo tipo de disco burocrático do sambista de raiz, ganha elogios da crítica. Da mesma forma, se a dupla breganeja grava o mesmo "disco ruim" de um integrante do Clube da Esquina, a crítica influente solta fogos.

Tudo isso, no entanto, não fará do brega-popularesco uma categoria cultural mais humana. Pelo contrário, isso começa a expor um esquema clientelista entre músicos da MPB e do Rock Brasil e a crítica e intelectualidade especializadas, e o apoio aos brega-popularescos não é senão uma extensão desse clientelismo.

Ninguém nasce sabendo, mas dá para perceber a diferença do verdadeiro artista que aprende sem alarde, na quietude de sua privacidade, e o ídolo medíocre que transforma seus primeiros discos de mau gosto em milhões de cópias vendidas.

O primeiro efetiva sua carreira como um artista autêntico, com uma simplicidade que não se contrasta com a genialidade. Que faz sua arte humildemente, sem pretensões.

O segundo, pelo contrário, promove-se com sua mediocridade, expondo seus erros ao grande público, se enriquecendo com eles e depois tentando pedir desculpas ao público. E, quando aparentemente tenta se evoluir, não é senão por macetes ditados por outrem, como produtores, arranjadores, músicos de MPB que estão no mesmo evento do ídolo popularesco etc.

Por isso fazer paliativos para perpetuar a Música de Cabresto Brasileira não adianta muito. O ídolo pode encher de gravações-tributo aos mestres da MPB, gravar muitos covers, fazer o dever de casa, ou criar canções autorais que "lembram MPB" com a ajuda de arranjadores especializados. Pode se tornar badalado no seu tempo, mas não deixa marca na posteridade.

Também não adianta tapear e investir numa gororoba cultural, na mesma brincadeira da mídia golpista de "revela-e-esconde" dando uma ênfase parcial à MPB mais difícil junto à mesmíssima insistência com os ídolos brega-popularescos do establishment midiático. Misturar Cida Moreira com Tati Quebra-Barraco, Jorge Veiga com Psirico, Villa-Lobos com Chitãozinho & Xororó simplesmente não dá!

A nova campanha do brega-popularesco é apenas a repetição da longa campanha de 2002-2010 como farsa. Mas hoje ela só fará mostrar o esquema viciado de troca de favores da intelectualidade, dos artistas e celebridades mais tarimbados, e seu paternalismo populista em torno dos tais "sucessos do povão".

Nada disso vai representar qualquer contribuição à renovação da verdadeira Música Popular Brasileira.

quinta-feira, 24 de março de 2011

BLOGUEIRO RICARDO GAMA SOFRE ATENTADO



Por Alexandre Figueiredo

É bastante irônico que, no dia em que o prefeito Eduardo Paes marcou entrevista com blogueiros progressistas, numa tentativa de cooptar apoio da blogosfera, um outro blogueiro sofreu um atentado na manhã do mesmo dia, que foi ontem.

Ricardo Gama, um dos ferozes críticos de Paes e Sérgio Cabral Filho, foi baleado às 11 horas, levando três tiros, um que atravessou o rosto, outro no pescoço e outro no tórax. Gama, até o momento, segue internado, mas não corre risco de morrer.

Ele havia publicado recentemente textos criticando a prisão de manifestantes que protestavam contra o presidente norte-americano Barack Obama, além de outros deslizes cometidos pelo prefeito carioca e pelo governador fluminense.

Ainda que Gama não seja necessariamente um blogueiro de esquerda, tudo indica que este pode ser mais um caso da perseguição que sofrem determinados blogueiros e jornalistas com senso crítico afiado.

O Blog do Gusmão, de Ilhéus (Bahia) e o Jornal Pessoal, de Lúcio Flávio Pinto, de Belém (Pará), também sofrem censura pelas suas críticas políticas contundentes. Da mesma forma que o blogueiro Antônio Arles, do Arlesophia, e os irmãos Bocchini, do FAlha de São Paulo, também vítimas da censura imposta pelos detentores do poder político-econômico.

Certamente, o atentado contra Ricardo Gama é uma coisa a pensar. E fará determinada facção de blogueiros progressistas pensar duas ou mais vezes se vale a pena dar todo o apoio a um gentil Eduardo Paes que os recebeu tendenciosamente.

INTERVENÇÃO MILITAR NA LÍBIA, RESOLUÇÃO 1973 E ILEGALIDADE


COMENTÁRIO DESTE BLOG - Pronto. Em vez de um protesto pacífico da população, veio a intervenção militar dos EUA, Reino Unido e França, que já provoca reação das forças de Kadafi. Quatro crianças já aparecem entre os civis mortos.

O que mostra o quanto esse conflito em nada resolveu na luta pela democracia na Líbia, mas demonstrou o abuso ilegal do imperialismo norte-americano que, pelos seus interesses econômicos mas a pretexto da "democracia", iniciou uma guerra nesse país do Oriente Médio que não estava sob seu raio de influência, mas possui grandes reservas petrolíferas.

Intervenção Militar na Líbia, Resolução 1973 e Ilegalidade

Por Raphael Tsavkko Garcia - Blog Angry Brazilian

É complicado sequer saber por onde começar a analisar as ações conjuntas dos EUA, França e Reino Unido na Líbia. Mas, de início, podemos afirmar que estas são ilegais.

A Resolução 1973, aprovada em 17 de março, por 10 a 0, com 5 abstenções, deixa clara a permissão aos Estados-membro da ONU de criar uma no-fly zone, ou seja, a proibição a qualquer avião líbio de sair do solo sob pena de serem abatidos. A resolução pode também ser interpretada como permissão para o bombardeio de aeroportos e de infra-estrutura usada para guardar aviões ou pistas usadas para pouso e decolagem.

E só.

A resolução, em momento algum, permite às forças dos EUA e aliados atacar palácios de Khadafi ou buscar derrubá-lo, assim como não permite o bombardeio de caminhões, carros e tanques militares em trânsito em qualquer parte da Líbia. Caminhões não voam, tanques não voam.

Os ataques "seletivos" que EUA e aliados vem fazendo contra instalações militares sem qualquer relação com a imposição de uma no-fly zone são, enfim, totalmente ilegais.

Havia a certeza de que os EUA iriam intervir de uma forma ou de outra, logo, melhor que fosse sob os auspícios e limites da ONU, mas, mais uma vez, a ONU demonstrou sua inutilidade e em momento algum nem o secretário geral, nem qualquer outro oficial, repudiou a ilegalidade dos ataques dos EUA contra alvos sem qualquer relação com a resolução aprovada.

Novamente, a posição do Brasil de se abster, junto com China e Rússia, mostrou-se correta.

A resolução se divide entre alguns pontos-chave.

Primeiro, o costumeiro pedido por um cessar-fogo e o fim das hostilidades, passando pela necessidade de uma resolução pacífica para o conflito e abertura de negociações.

Khadafi anunciou por duas vezes que iria iniciar um cessar-fogo, mas foi sumariamente ignorado pelos EUA.

Ironicamente, os pontos 4 e 5 da resolução visam garantir a proteção dos civis, mas até o momento pelo menos 60 foram assassinados pelos ataques aéreos da "coalizão", segundo informações não verificadas.

Os pontos seguintes dão espaço para intervenção militar, mas deixam claros os limites. Do ponto 6 ao 12, a descrição das atividades permitidas para garantir a no-fly zone (em tradução não-literal e parcial):

6. Decide estabelecer o banimento a todos os vôos no espaço aéreo da Líbia, com o objetivo de proteger os civis;
7. Decide que o parágrafo 6 não se aplica a vôos humantários ou que facilitem assistência, nem se aplica a Estados que atuem na garantia desta resolução ou que sejam necessários à proteção de civis;
8. Autoriza os Estados-Membro a agir nacionalmente ou através de organizações e acordos a tomar todas as medidas necessárias para garantir o cumprimento do banimento de vôos imposto pelo parágrafo 6;
9. Convoca todos os Estados-Membro a apoiar e prover toda assistência necessária ao cumprimento da resolução;
10. Pede aos Estados-Membro que que coordenem ações em conjunto com o Secretário-Geral;
11. Decide que os Estados-Membro envolvidos devem informar ao Secretário Geral (da ONU) e ao Secretário Geral da Liga Árabe todas as medidas tomadas;
12. Requisita ao Secretário Geral que informe ao Conselho imediatamente sobre todas as ações tomadas pelos Estados-Membro.

Ou seja, há a clara permissão e obrigação de se manter o espaço-aéreo limpo, mas nenhuma permissão de se atacar alvos que não tenham relação com este objetivo. A idéia de que prédiosda administração pública ou mesmo o próprio Khadafi seriam alvos militares legítimos não é apenas uma loucura e uma deturpação, mas uma interpretação criminosa da resolução.

A resolução ainda continua, defendendo o aumento do embargo de armas à Líbia, reforça o banimento de vôos, proibindo que qualquer Estado-Membro de aceitar vôos vindos da Líbia e finalmente, defende o congelamento de contas e qualquer investimento líbio.

Enfim, as ações dos EUA com o objetivo de derrubar Khadafi são ILEGAIS. A intenção da resolução é clara, a de impedir a morte de civis e a de tentar equilibrar o conflito, mas não dá qualquer permissão ao "ocidente" de impor um resultado a este.

Agora, com a possibilidade de Khadafi armar civis, como fica a intervenção militar? Será que os civis líbios que efetivamente apoiem Khadafi não tem o direito de tomar armas e defender seu regime? Estamos em meio a uma guerra civil e a ONU, através de sua resolução, se mostrou pronta a equilibrar as forças, mas não de dar uma solução ao gosto das potências ocidentais.

Enquanto tudo isto acontece, a Arábia saudita continua sob território do Bahrein, invadindo a soberania alheia, e nenhuma resolução ou reclamação passou pela ONU.

quarta-feira, 23 de março de 2011

EDUARDO PAES RECEBE BLOGUEIROS PROGRESSISTAS


ENTREVISTA É VÁLIDA, MAS BLOGUEIROS PROGRESSISTAS TÊM QUE EVITAR CUMPLICIDADE.

Blogueiros progressistas se reúnem hoje à noite, às 19:00 h, para entrevistar o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes.

Os entrevistadores são ligados aos blogues "Opiniões", "Infojovem", "Fatos Sociais", "Gonzum", além da produtora cultural Priscila. O sítio Diversas Palavras também enviou uma questão para o prefeito.

É bom avisar aos blogueiros entrevistadores, no entanto, que tenham o máximo de cautela. Afinal, essa entrevista não pode ser encarada com a mesma cumplicidade dos blogueiros que entrevistaram o hoje ex-presidente Lula.

É válido entrevistar Eduardo Paes, sim. Mas, ainda que ele tenha oficialmente uma posição aliada em relação ao Governo Federal, Paes não é uma figura política de esquerda e nem de centro-esquerda, mas de centro-direita.

Eduardo Paes foi o Gilberto Kassab de anos atrás, no sentido de ser um político egresso do grupo demotucano, mas que passou a fazer parte da base aliada de centro-direita do Governo Federal. Vale lembrar que essa base aliada não é incondicional, vide muitos casos de políticos do PMDB, PP, PR, PTB, ou mesmo PDT, PSB e PC do B que eventualmente defendem posições anti-populares.

Paes é famoso por adotar medidas de cunho elitista, não possui natural sensibilidade às causas sociais e até reprimiu o comércio ambulante no centro do Rio de Janeiro, sem mostrar qualquer alternativa aos trabalhadores do setor.

Sem falar da própria padronização visual dos ônibus cariocas, uma medida que só foi feita para inglês ver, causando sérios transtornos para a população e aumentando drasticamente o poder do secretário de Transportes Alexandre Sansão, já encarado como uma espécie de "Ali Kamel" ou "José Serra" da busologia.

Portanto, recomendamos aos blogueiros progressistas muita cautela. Sejam apenas objetivos, imparciais, mas se for preciso façam perguntas incômodas a Eduardo Paes. Sem clima de cumplicidade ou coleguismo, por favor.

JABACULÊ BREGA-POPULARESCO E SUA "PANELINHA"


CHIMBINHA, DA BANDA CALYPSO, UM DOS BENEFICIÁRIOS DO LOBBY DO BREGA-POPULARESCO

Por Alexandre Figueiredo

Quanto custa apoiar um ídolo brega-popularesco? E quanto custa apoiar uma tendência? E mais tendências, qual é o preço?

De repente, na época do esgotamento do brega-popularesco, todo o lobby veio a socorrer seus ídolos, como uma multidão que corre para socorrer alguém agonizante. E, numa época em que se intensificam os movimentos sociais no exterior, a mídia tenta mais uma vez usar o brega-popularesco como "água-com-açúcar" para domesticar as massas populares do Brasil.

De repente voltaram os carros de divulgadores anônimos fazendo propaganda de ritmos popularescos locais: o "funk carioca", o "pagodão" baiano, o tecnobrega, o arrocha, a axé-music. Foi essa manobra que "salvou" o sucesso do Chiclete Com Banana em 1999, quando o grupo passava por um violento desgaste de imagem.

Aumentaram-se os bares tocando forró-brega, sambrega e breganejo. Vieram também internautas reacionários mandando mensagens contra quem não gosta dos ídolos brega-popularescos.

E, numa época em que o escândalo relacionado ao blog milionário de Maria Bethânia sugere uma "wikileakidificação" das verbas da Lei Rouanet - que beneficia várias duplas inexpressivas de "sertanejo universitário" e até o grupo de axé-sambrega Tchakabum - , pode vir a tona o esquema clientelista que pode estar por trás do "apoio voluntário" à música brega e todos os seus derivados.

Afinal, nada parece espontâneo, voluntário nem solidário. O apoio ao brega-popularesco em nenhum momento representa uma ruptura aos vícios que a crítica tanto reclama da chamada "MPB burguesa", fase de luxo e pompa que assombrou a Música Popular Brasileira no final dos anos 70 e no decorrer dos anos 80, provocando um êxodo gradual de seus artistas para selos pequenos ou independentes.

Pelo contrário, o que se viu foi que os ídolos do brega-popularesco relacionados às ondas de 1990 (Alexandre Pires, Latino, Zezé Di Camargo & Luciano, Leonardo, Daniel, Exaltasamba, Belo e Chitãozinho & Xororó) e 1997-2002 (Ivete Sangalo, Banda Calypso, Calcinha Preta, Cláudia Leitte e Bruno & Marrone) absorveram, com gosto, as mesmas caraterísticas e recursos que contaminaram a MPB da fase "burguesa". Todos se superproduzindo e adotando muita pompa, muito luxo, como se isso fosse "aperfeiçoar a verdadeira cultura popular". Está na cara que não.

Que apoio é esse, por parte de artistas até certo ponto insuspeitos como Nando Reis, Fernanda Abreu, Otto e Zeca Baleiro, de intelectuais como Hermano Vianna, Denise Garcia e Ronaldo Lemos, ou de jornalistas como Pedro Alexandre Sanches, Rodrigo Faour e Bia Abramo, ou de atores como Patrícia Pillar e Bruno Gagliasso?

Seria ingenuidade dizer que esse apoio se deve por alguma descoberta da salvação da humanidade nesse tipo de música alienante e apátrida. É muito mais fácil, e muito mais coerente, dizer que eles encontraram a mina de ouro na Música de Cabresto Brasileira que durante muito tempo se alimentou do jabaculê radiofônico.

É até estranho que, em outros tempos, todos os ídolos do brega-popularesco se envolviam com prazer nesse esquema jabazeiro, mas hoje eles dizem que nunca fizeram jabá, que só são "a expressão das periferias" e que nunca rolaram em rádio, só em "redes sociais" da Internet. Isso é brincar com a memória curta de nosso povo.

REDE DE COMPADRIO

Claro que o que está em jogo é toda a rede de compadrio, de clientelismo e de contratos publicitários que está por trás disso.

A "panelinha" de intelectuais, celebridades e músicos apoia o brega-popularesco sempre visando alguma vantagem que o traga mais visibilidade, carisma e, acima de tudo, dinheiro e sucesso.

O intelectual elogia o brega-popularesco visando trocar as miseráveis bolsas de pesquisa pelo cachê da grande mídia.

O jornalista elogia o brega-popularesco porque vai receber mais discos de graça, inclusive aqueles raríssimos de esquecidos mestres da MPB do passado, recém-remasterizados.

O cineasta, enfocando ídolos ou tendências brega-popularescos em documentários ou cinebiografias, estará aumentando sua visibilidade em vários veículos de imprensa do país, além de entrar no lobby que pode garantir prêmios no futuro.

Os músicos elogiam o brega-popularesco porque sabem que estes, mesmo sendo artistas medíocres, servem de pistolão para aparecer nas grandes redes de televisão.

Os atores aderem ao brega-popularesco visando futuros contratos para campanhas publicitárias e papéis de destaque nas novelas da Rede Globo.

Nada é incondicional. Tudo é tendencioso. Mas cria-se um mal-estar quando alguém fala isso, não é mesmo? Tudo porque mostrar a realidade derruba todo o clima corporativista e clientelista que está por trás.

O que sabemos é que todo esse apoio em nada contribuiu para a consolidação da verdadeira cultura popular no nosso país. Nada contribuiu para a preservação dessa cultura. E nem vai contribuir de forma alguma para sua renovação.

Isso só fez justificar a prevalência dos sucessos radiofônicos jabazeiros de outrora, que, demonstrando seus primeiros sinais de desgaste, agora tenta repetir a campanha de 2002, quando se falou que os "sucessos do povão" eram "vítimas de preconceito", a pretexto de empurrá-los para plateias mais intelectualizadas.

Tudo o que se fez, até agora, foi fazer os "sucessos do povão" atingirem a mesma plateia de burguesinhos, que deixaram de lado o pop-rock frouxo dos anos 90 (Charlie Brown Jr., Baba Cósmica, Virgulóides, Ostheobaldo etc) para aderir ao brega-popularesco que essa juventude, ironicamente, dizia abominar. E que agora defende com mãos de ferro, sem escrúpulos de xingar quem discorda do que eles defendem.

Só que não se pode atribuir como "preconceito" a rejeição sofrida pelos ídolos brega-popularescos, porque quem rejeita sabe muito bem do que isso significa.

Mas toda essa campanha de defesa, que no fundo só visa salvar o mercado que superfatura por trás desse entretenimento, só faz mostrar todo o esquema clientelista e oportunista que não consegue ser mascarado com belos discursos.

Afinal, para que produzir mais "vacas sagradas", desta vez ligadas à música brega-popularesca e aos intelectuais, artistas e celebridades que os apoiam?
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