segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

VEJA USA LIVRO DE FHC PARA MIMINIZAR EFEITOS DE "A PRIVATARIA TUCANA"



Por Alexandre Figueiredo

A revista Veja é um pesadelo impresso, a não ser quando são os seus "heróis" neoliberais os enfocados. Principalmente se esse "herói" é Fernando Henrique Cardoso.

Para tentar minimizar os efeitos do livro A Privataria Tucana, de Amaury Ribeiro Jr., espécie de tsunami contra a "ilha neoliberal" dos políticos e jornalistas brasileiros, Veja publicou uma resenha "simpática" do livro A Soma e o Resto, dedicada às memórias do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o "chefão" da mesma onda de privatizações investigada por Amaury Ribeiro Jr..

A resenha do livro não poderia ser mais favorável. Afinal o PSDB é o partido político preferido da velha grande imprensa, sobretudo a extremista Veja. FHC é tratado de estadista para cima, e a reportagem apela até mesmo para fotos dele com Dilma Rousseff - aqui tirando um sarro da atitude ambígua do atual governo com a velha mídia, já criticada por muitos analistas de esquerda - e com o ativista político e ex-presidente sul-africano Nelson Mandela.

A resenha do livro ainda apela para a "informação" de que Fernando Henrique Cardoso teria sido o único presidente que "não se envolveu" com a corrupção, o que contraria, e muito, com o impactuante livro de Amaury Ribeiro Jr., que mostra diversos documentos sobre a contagiante corrupção de seu governo.

Afinal, a onda de corrupção estimulada pela privatização obsessiva e oportunista não só envolveu o próprio FH, como seus familiares e os familiares dos aliados. As denúncias são tão contundentes que, dizem, José Serra, o ministro, aliado e um dos herdeiros políticos de FH, teria encomendado a compra de vários exemplares para dificultar a procura dos leitores.

A corrupção atingiu vários políticos, empresários e familiares ligados ao tucanato, incluindo o filho de FH, Paulo Henrique Cardoso, beneficiado por uma das "humildes" empresas de fachada financiadas por Ricardo Sérgio de Oliveira, o economista-tesoureiro de FH, a Radio Holdings (que adquiriu a Rádio Itapema FM e vendeu as ações para a Walt Disney Corporation), através de escritórios instalados no edifício da Citco Building, onde fica a filial da Citco Corporation, que também abriga outras empresas do esquema tucano, que possui capital social "modesto", já que o "grosso" de sua fortuna está nos chamados "paraísos fiscais".

Pois Paulo Henrique Cardoso, beneficiado pela "anorexia" estatal promovida por seu pai, que gerou uma farra financeira que fortaleceu os "negócios" dos aliados, tornou-se "laranja" de uma gigante do mercado de entretenimento dos EUA, jogando às alturas a companhia cujos negócios brasileiros nasceram numa "inocente" visita patrocinada pelo presidente Franklin Roosevelt, há 70 anos, e cujos propósitos quase foram postos a perder com a rebeldia de Orson Welles.

Mas estamos em 2011, o contexto é outro. E, enquanto o escândalo arde nos bastidores do tucanato, Veja tenta rememorar a imagem melíflua que a velha grande imprensa promove de seu querido ex-presidente.

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