sábado, 17 de dezembro de 2011

"SERTANEJO PEGADOR": O CANTO DE CISNE DO BREGA-POPULARESCO?



Por Alexandre Figueiredo

A centro-direita cultural cria seus discursos traiçoeiros. Para impor o mercantilismo cafona da música brega-popularesca, apela para o discurso da "diversidade cultural", o que lembra muito bem a retórica "democrática" da velha imprensa.

Agora a mesma centro-direita, representada sobretudo por Pedro Alexandre Sanches, tenta arrumar a desculpa do ecletismo para anunciar a "novidade" do tal "sertanejo pegador", o primeiro subproduto da Música de Cabresto Brasileira depois da violenta crise do brega-popularesco, nos últimos anos.

Pois o que é mesmo essa "nova vertente" do dito "sertanejo"? É um engodo que junta breganejo, "funk carioca", axé-music e, sobretudo, forró-brega. Ou seja, esse aparente "ecletismo", que à primeira vista soa "saudável", "moderno" e "enriquecedor", na verdade é a junção de várias tendências de um mercado em séria crise, na tentativa de todos se salvarem unificando suas reservas de mercado.

Até pouco tempo atrás, as tendências bregas e neo-bregas viviam regionalmente separadas. No fundo eram um mercado só, controlado por oligarquias regionais da grande mídia, apoiados sobretudo pelas Organizações Globo e promovidos a "vanguarda pós-tropicalista" através da retórica míope da Folha de São Paulo, mas tinham alguma fachada de "regionalidade" e algum espaço territorial de maior influência.

Mas o brega-popularesco desde 2002 já não sabia mais os seus limites de tempo e espaço, e se desgastou na medida em que essa música comercial, o hit-parade à brasileira, se impunha como "novo folclore" sufocando a MPB autêntica e os antigos ritmos populares. O desgaste se deu pelo pretensiosismo de cantores e grupos que, no começo da carreira, eram indiferentes à MPB, mas depois, quando viam sua reputação em risco, agora a usam em proveito próprio.

Em outras palavras, são ídolos que começaram tendo um preconceito muito forte em relação à MPB - "música de doutor", "cultura que não enche barriga" - , mas que depois tentaram reclamar do "preconceito" supostamente atribuído à MPB. Aliás, isso é um mito inverídico, uma vez que a MPB chega a ser condescendente com os ídolos brega-popularescos, até demais.

Hoje, sem poder convencer na sua falsa imagem de "cultura das periferias", o desgastante brega-popularesco, mastodôntico e maçante, tenta se "reinventar" da forma que condiz à sua mediocridade artístico-cultural: "costurando" tendências diversas para lançar modismos que parecem "novidades".

Pois o que Michel Teló, o ídolo do momento, faz, não é diferente do que Bruno & Marrone, César Menotti & Fabiano, Calcinha Preta e Frank Aguiar faziam. E, com a junção dos vários ritmos brega-popularescos num só rótulo - o "sertanejo pegador" ou "sertaneno pegação" - só mostra a crise que o brega-popularesco tem, e o quanto as diversas tendências não conseguem mais se sustentar sozinhas. Por isso unem até suas reservas de mercado, pois o tal "sertanejo pegador" pode ser tocado em Teresina ou em Florianópolis.

Daí que elas, juntas, tentam forjar uma "novidade" que não é mais do que uma aparente síntese das tendências bregas, neo-bregas e pós-bregas existentes. E o que parece "novo" pode ser um canto de cisne para o império brega que escraviza a cultura brasileira. Afinal, a crise leva vários mercados regionais a se unirem num derradeiro esforço de evitar o agravamento de sua crise.

Mas essa crise só está começando. E tem mais cheiro de "privataria tucana" musical, "cuspida e escarrada".

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