sábado, 17 de dezembro de 2011

A "PRIVATARIA TUCANA" DA MÚSICA BRASILEIRA



Por Alexandre Figueiredo

A repercussão do nosso texto sobre a associação do cineasta José Padilha com o Instituto Millenium acabou se tornando o equivalente para a música brasileira do livro A Privataria Tucana, de Amaury Ribeiro Jr..

Isso porque José Padilha, cineasta de Tropa de Elite 1 e 2, foi responsável pela volta do "funk de raiz" às paradas de sucesso, sendo figura decisiva para a formação e o crescimento da associação APAFUNK.

Mas, em contrapartida, o fato põe em xeque a imagem "esquerdista" dos funqueiros - que, sabemos, é muito, muito falsa - , na medida em que José Padilha está associado no mesmo "clube" que apoia abertamente políticos demotucanos e que conta, entre os vários órgãos de apoio, com entidades ultraconservadoras como a Opus Dei.

No fundo, o "funk carioca" é conservador. Falaremos mais disso noutra oportunidade. Mas me impressionou a busca no Google, com as palavras-chave "Apafunk + 'Instituto Millenium'", porque o texto aqui publicado foi reproduzido em vários sítios e entrou até mesmo no Blog da Dilma, dedicado à presidenta do nosso país.

Aqui neste blogue, o texto nem está entre os mais lidos aqui, mas sua repercussão ao ser reproduzido em outros textos multiplicou a leitura dele consideravelmente. E só essa repercussão mostra que fazem sentido nossos questionamentos sobre o "funk carioca", já que muito desse mito de "movimento social" associado ao gênero nunca passou de mera campanha de marketing.

Mas aqui, a própria intelectualidade etnocêntrica - que, apesar de se alinhar, em tese, à esquerda, possui formação ideológica influenciada pelo tucanato - mantém seu silêncio. Mesmo os "ativistas" funqueiros não desmentem nem afirmam. Fica o mesmo silêncio com que a velha grande mídia fez, até pouquíssimo tempo atrás, com o livro de Amaury Ribeiro Jr..

Os funqueiros nunca desmentiram qualquer envolvimento com a mídia direitista. São protegidos pela imagem "apolítica" que a indústria cultural possui no Brasil. Muitos boboalegremente acreditam, de forma contraditória, que essa indústria só está na velha grande mídia por acaso ou que ela na verdade "invadiu" a velha grande mídia. São teses confusas e absurdas que já foram aqui comentadas.

Mas a própria ligação da APAFUNK com o Instituto Millenium está provada, e não foi a divulgação deste blogue da informação a confirmar isso. Mas a própria realidade e a ligação natural dos fatos que comprovam a informação.

Afinal, o cineasta José Padilha foi responsável direto pela divulgação, na trilha sonora de seus dois filmes, do chamado "funk de raiz", menina-dos-olhos da APAFUNK. Os próprios filmes foram bancados pela Globo Filmes, cuja organização sabemos bem os serviços que fez em prol da direita político-econômica nacional.

E, para piorar, se o "funk de raiz" mantém essa ramificação indireta mas não muito engenhosa com o tucanato político-midiático - até a gíria "É o Caldeirão" é inspirada no famoso programa de Luciano Huck - , imagine então nomes como Mr. Catra, Latino e Gaiola das Popozudas, nomes mais "alienados" do "movimento"?

O próprio "funk" aposta em valores retrógrados, que as elites definem como "modernos" quando associados à população pobre, num claro mecanismo de manipulação ideológica da glamourização da pobreza, que faz os pobres participarem mais do mercado de consumo sem que possam evoluir sua qualidade de vida ou exercer sua verdadeira cidadania. Um dos destaques desse retrocesso ideológico são os valores machistas presentes até nas popozudas.

A associação do "funk carioca" com a velha grande mídia, que sempre ocorreu e é muito antiga, mesmo assim ainda vai dar o que falar.

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